Fort Tiracol

Panaji, Goa - India

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O "Forte da Santíssima Trindade de Tiracol", também referido como “Forte de Tiracol” e “Forte de Terekhol”, localiza-se na aldeia de Tiracol, junto à foz do rio Terekhol, no norte do estado de Goa, na Índia.

História

Foi construído no século XVII com a função de defesa da barra do rio Terekhol, por ordem do marajá Khem Sawant Bhonsle, então rajá do Principado de Sawantwadi, membro da dinastia dos Bounsoló (Bhonsle ou Bhonsla).

O local escolhido foi uma colina na margem direita da foz do rio ponto que proporciona uma vista de comandamento do mar Arábico. Embora não se conheçam vestígios ou evidências documentais, é possível que no local já existisse uma primitiva estrutura defensiva, dada a sua importância estratégica no controlo e taxação das embarcações que demandavam o rio.

Os Bounsoló de Sawantwadi mantinham uma considerável frota de embarcações nativas fundeada no rio Tiracol. Este primitivo forte encontrava-se artilhado com 12 peças e dispunha de quartel e de capela. (MHAMAI, S. K. (1984). “Sawants of Wadi - Coastal Politics in 18th and 19th Centuries”. New Delhi: Concept Publishing Company. pp. 56–58.)

Em 1746 o 44.º vice-rei do Estado Português da Índia, D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos (1744-1750), 3.° conde de Assumar, 1.º marquês de Castelo Novo, iniciou uma campanha contra o rajá de Sawantwadi. Desse modo, em 16 de novembro de 1746, uma frota portuguesa deslocou-se até ao rio Kaisuva, engajando-se num feroz combate contra as forças navais do rajá, com a vitória dos primeiros. Seguiram-se diversos combates em terra, vindo o Forte de Tiracol a render-se às forças portuguesas em 23 de novembro de 1746. (MHAMAI, S. K. (1984). “Sawants of Wadi - Coastal Politics in 18th and 19th Centuries”. New Delhi: Concept Publishing Company. pp. 56–58.)

Após a conquista, as defesas do forte foram reforçadas, e uma capela sob a invocação da Santíssima Trindade foi erguida no terrapleno por iniciativa de Almeida Portugal e Vasconcelos. (BRADNOCK, Robert W.; BRADNOCK, Roma. "Footprint Goa Handbook: The Travel Guide (3rd. (illustrated) ed.)". Footprint handbooks, 2002. ISBN 978-1-903471-22-7.)

Em poucos anos este forte tornou-se um elemento-chave na defesa marítima do norte de Goa, vindo a ser objeto de extensa campanha de ampliação em 1764, por iniciativa do 47.º Vice-Rei da Índia, Manuel de Saldanha e Albuquerque ( 1758-1765). Embora de dimensões relativamente pequenas, transformou-se então numa estrutura imponente, com um massivo pano de muralhas coroado por torreões e guaritas.

Marcava o extremo norte da expansão portuguesa ao longo da costa, 42km a norte de Pangim, passando a controlar um pequeno enclave, com apenas cerca de 3km² na margem direita do rio Arondem, estratégico na definição da fronteira entre a possessão portuguesa e as terras governadas pela dinastia Bounsoló a norte e leste.

Após a derrota do Império Maratha pelas forças Britânicas (1818), um tratado foi assinado em 17 de fevereiro de 1819, pelo qual o rajá de Sawantwadi, Bhonsle Khaima Sawunt, reconhecia a soberania Britânica. Com isto, o forte de Tiracol não apenas perdia a sua importância estratégica, como o seu enclave passava a inscrever-se em território controlado pelos Britânicos, tradicionais aliados dos Portugueses. (“British and foreign state papers”, Vol. 12. Great Britain. Foreign and Commonwealth Office, 1846. p. 489.)

Na sequência das reformas de Mouzinho da Silveira, tendo o governo da Índia Portuguesa sido entregue ao goês Dr. Bernardo Peres da Silva, e diante do afastamento deste por força de um golpe militar (1 de fevereiro de 1835), um contragolpe visando reconduzi-lo teve lugar (10 de fevereiro). O governador militar, Fortunato de Melo, recusou ceder às exigências e deu ordem de prisão aos revoltosos. Um grupo destes refugiou-se no Forte de Gaspar Dias, onde veio a ser massacrado, e outro no Forte de Tiracol, de onde foi desalojado pelas forças de Fortunado de Melo e, em sua maioria, assassinados após se terem rendido com a promessa das suas vidas serem poupadas. (SALDANHA, Manoel José Gabriel. "História de Goa". p. 258.) Outra versão do episódio afirma que o comandante da Cunha, apelidado de “mata-tigres”, entrou no forte, e ordenou a decapitação de toda guarnição sublevada, tendo exibido publicamente as cabeças na ponta de estacas. (BRADNOCK, Robert W.; BRADNOCK, Roma. "Footprint Goa Handbook: The Travel Guide (3rd. (illustrated) ed.)". Footprint handbooks, 2002. ISBN 978-1-903471-22-7.) Na ocasião, o forte foi severamente atingido pelo fogo da artilharia, vindo a cair em ruínas.

No século XIX a capela existente no interior do forte foi elevada a igreja e colocada sob a invocação de Santo António.

Na segunda metade do século XX, a partir da independência da Índia em 1947, mas em especial em fins da década de 1950, quando as relações entre Portugal e a União Indiana se deterioraram em resultado da recusa portuguesa de negociar o futuro do Estado da Índia, o forte retomou alguma importância devido às frequentes incursões de forças nacionalistas indianas que, por poucas horas o ocupavam, e nos seus muros içavam a bandeira indiana. Como exemplo, em 15 de agosto de 1954, Satyagrahis protestando contra a dominação portuguesa, entraram em Goa de três direções diferentes - uma delas era do Norte, tendo o forte sido ocupado e nele hasteada a bandeira da União Indiana por um dia, até que os manifestantes foram dominados e presos. (BRADNOCK, Robert W.; BRADNOCK, Roma. "Footprint Goa Handbook: The Travel Guide (3rd. (illustrated) ed.)". Footprint handbooks, 2002. ISBN 978-1-903471-22-7.)

Em 18-19 de dezembro de 1961 a intervenção militar das forças armadas da União Indiana ("Operação Vijay"), anexou Goa, Damão e Diu à Índia.

Tendo caído em ruínas, o forte foi recentemente restaurado e requalificado como hotel: o “Fort Tiracol Heritage”, que oferece dez quartos e serviço de restaurante.

A igreja de Santo António, também recuperada, não se encontra aberta ao público, a não ser em dias especiais, como os da festa católica que tem lugar anualmente no mês de maio.



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Contribution

Updated at 15/03/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort Tiracol

  • Forte de Tiracol, Forte de Terekhol

  • Fort

  • 1746 (AC)



  • Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos

  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved
    Restaurado e requalificado como unidade hoteleira






  • Tourist-cultural Center
    Hotel

  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : India
    State/Province: Goa
    City: Panaji



  • Lat: 15 -44' 44''N | Lon: 73 -42' 49''E





  • Alvenaria de pedra e cal.





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