Fuerte de Santo António da Ponta da Mina

Santo António, isla de Príncipe - Santo Tome y Principe

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O “Forte de Santo António da Ponta da Mina”, também referido como “Fortaleza da Ponta da Mina”, localiza-se na ponta da Mina, na cidade de Santo António, na Ilha do Príncipe, a menor do arquipélago de São Tomé e Príncipe.

Tinha como função a defesa da baía de Santo António e seu porto, o principal da ilha.

História

O estabelecimento de uma Alfândega na Ilha do Príncipe, em 1695, conduziu à reedificação da Fortaleza da Ponta da Mina. Naquele ano, para a sua defesa, para ali foi enviada uma Companhia de Infantaria, passando a guarnecer a Fortaleza da Ponta da Mina, a qual sendo mui antiga por existir antes de 1626 como diz Labat, foi então melhorada.

Cunha Mattos (1815), também é acorde com a informação de que a fortificação deveria ser anterior a essa data, referindo que "(...) nessa data [1695] consistia em vários parapeitos de fachina, que cobriam algumas peças de artilharia, que defendiam a entrada do porto". Confirma ainda que naquela data, veio de Portugal uma Companhia de Infantaria para guarnecer a fortaleza.

Em 1702 e em 1709 a povoação de Santo António foi assaltada por corsários Franceses, que na ocasião encravaram-lhe a artilharia.

Em 1719 a povoação foi atacada e incendiada pelo pirata inglês Bartholomew Roberts, também conhecido como John Roberts e “Black Bart”, em represália pela morte do seu capitão, Howell Davis.

Por Decreto de 1753 a capital da capitania foi transferida da cidade de São Tomé na ilha de mesmo nome para a povoação de Santo António, sendo-lhe concedido o estatuto de cidade. No mesmo ano a ilha do Príncipe foi incorporada aos bens da Coroa.

Neste contexto, em 21 de agosto de 1755 foi ordenado ao Vice-rei do Estado do Brasil, na cidade do Salvador, na capitania da Bahia, que escolhesse um engenheiro dos melhores que houvesse na Aula Militar daquela cidade e o mandasse em companhia do governador da ilha do Príncipe, que ali se achava, para que visse e desenhasse a fortificação que se devia fazer na mesma ilha.

Em 8 de novembro do mesmo ano foi escolhido para essa comissão o jovem engenheiro militar José António Caldas, por ter sido considerado o “Único com suficiente desembaraço para executar o desenho e planta da Ilha do Príncipe”.

 Em 15 de outubro do ano seguinte, de S. Tomé, na ilha de mesmo nome, José António Caldas escrevia ao Vice-rei do Brasil, Marcos José de Noronha e Brito (1755-1760), informando que levara na viagem até essa ilha, 44 dias. Ao fim de 35 dias tinham avistado a ilha do Príncipe, mas os oficiais da corveta e o ouvidor entenderam que seguissem rota para S. Tomé. Aí esperava há 22 dias barco para o Príncipe “que não há menos de Novembro”. E acrescenta:” Nestes dias procurei saber quais eram os rendimentos da real fazenda e sua despesa e negócio dos habitantes.”

Em 1757 chegou a Santo António a segunda via do Decreto que ordenava a transferência da capital para Santo António, testemunho de que a anterior determinação não havia sido cumprida.

Em 1796 a tropa de linha e milícias sublevou-se e tentou estabelecer um Governo popular. Alguns soldados enviados da vizinha ilha de São Tomé debelaram a revolta.

A atual estrutura foi erguida em 1809, no contexto da Guerra Peninsular (1807-1814).

A descrição de Cunha Mattosg>

O Sargento-mor Raimundo José da Cunha Mattos serviu por anos na ilha, vindo a ser promovido a Major da Praça com aquele exercício de comando e finalmente a Tenente-coronel comandante da fortaleza, desligado do posto de Major da Praça; como Tenente-coronel Comandante da Fortaleza governou a ilha em ausência do respectivo Capitão-mor. Em 1815 descreveu-lhe a defesa:

"A ilha do Príncipe é defendida pelas fortalezas da Ponta da Mina, e de Santa Ana: da primeira dependem o reducto de Nazareth, a praça baixa de Nossa Senhora , e a bateria de São João.

A fortaleza da Ponta da Mina está edificada em um monte, que forma a ponta do sul do porto da cidade: as embarcações passam, e fundeam muito próximo a ella.

Consta esta fortaleza de duas baterias, uma superior chamada 'Bateria Real' e outra inferior assentada em um pequeno monte chamada 'Bateria do Príncipe'.

A 'Bateria Real' apresenta ao mar a parte convexa de um parapeito semi-circular d'alvenaria, onde se acham assentadas 16 peças de artilharia de bronze, de calibre 3 até 14.

N’esta bateria ha um pequeno deposito de pólvora, e sobre um terreno elevado fica o quartel da guarnição, e junto a elle o grande armazém da pólvora de péssima construcção: este armazém é redondo, e semelhante a um moinho de vento, tem pela sua má construção arruinado muitos centos d'arrobas de pólvora.

Da 'Bateria Real' desce-se por um zig-zag para a 'Bateria do Príncipe', que fica a oeste d’ella.

A dita 'Bateria do Príncipe' é um quadrado longo de pedra e cal: tem 120 palmos de comprido, e 33 de largura: a altura interior do parapeito 9 palmos; tem assentadas da banda do norte 5 peças de ferro, de calibre 6; à face d'oeste tem duas peças do mesmo calibre, a do sul uma de 4, e a do leste encostada ao monte em que fica a 'Bateria Real'.

A 'Bateria do Príncipe' é mais vantajosa para a defeza do porto, do que a 'Real', porque esta acha-se a 500 pés acima do nível do mar, e a 'Bateria do Príncipe' a 200 pés.

A leste, e 50 toesas distante distante da 'Bateria Real', está um um reducto chamado 'Praça Baixa de Nossa Senhora' 35 pés acima do nível do mar: tem três peças de ferro de calibre 3, e é muito útil á defensa do porto.

Em um outeiro contíguo, e que domina a fortaleza da Ponta da Mina pela parte do sudoeste há um bom reducto chamado 'Nossa Senhora da Nazareth': obra mais interessante, que todas as outras da ilha do Príncipe, e por falta da qual tomaram os Franceses sem nenhum obstáculo nos annos de 1706 e 1709: tem 2 peças de bronze de calibre 4, e fosso com ponte levadiça. D'este reducto enfiam-se todas as obras fortificadas da ilha do Príncipe, e a tiros d'espingarda se defendem a 'Bateria Real', a do 'Príncipe', e a 'Praça Baixa de Nossa Senhora'.

Um tiro d'espingarda a oeste da fortaleza da Ponta da Mina, há uma bateria chamada 'de S. João' na qual estão assestadas duas peças de ferro de calibre 6.

Defronte d'esta bahia a cincoenta toesas ancoram quasi todas as embarcações, que entram no porto da ilha do Príncipe."


O Relatório do tenente Conceição e Sousa

Em 1879 o Relatório do tenente Conceição e Sousa, por sua vez, informava:

"Fica esta fortaleza situada em uma excelente posição estratégica, distante uma milha da cidade, na margem direita da baía de Santo António, no extremo da ponta que avança para a mesma baía na direcção NO, e que se denomina Ponta da Mina.

Tem esta ponta no local da fortaleza, a altura de 50 metros acima do nível do mar e a largura superior de 42 metros. As suas vertentes do lado sul e norte despenham-se abruptas para a baía, e no sentido mesmo do seu comprimento a sua inclinação é superior a 35%.

De sua elevada e inacessível posição domina esta fortaleza toda a extensão do porto, compreendida entre a ponta denominada do Capitão a NE, e a da Praia Salgada a ESSE, e fecha toda e qualquer comunicação marítima com a cidade; cobrindo-a assim de um golpe de mão do inimigo.

Conta esta fortaleza de uma bateria poligonal que coroa a ponta, tendo 17 canhoneiras com outras tantas peças e dum reduto construído na vertente NO da ponta, o qual fica 17 metros acima do nível do mar e a 96 distante da bateria com a qual se comunica por meio d’uma rampa em ziguezagues.

Tem este reduto oito canhoneiras e a sua face SO uma banqueta para o fogo de fuzilaria, para defender o desembarque na praia próxima.

São estas duas obras construídas de alvenaria, incluindo os parapeitos como todas as fortificações dos tempos antigos, tendo por isso os inconvenientes inerentes à sua construção.

O seu estado actual – Esta fortaleza está ao presente num estado o mais deplorável. O quartel do destacamento composto de dois pequenos quartos, além de ser insuficiente, precisa ser reconstruído, por estar em mau estado, o paiol serve ao presente de cozinha às praças; as peças estão estendidas no chão e escondidas no meio da erva, por falta de reparos; a rampa que comunica a bateria com o reduto está arruinada; as canhoneiras estão em mau estado de conservação; e com pouco mais tempo as muralhas, se lhe não acodem a tempo, se reduzirão a um montão de ruínas.

As peças que existem nesta fortaleza são 31, sendo 7 de bronze e as restantes de ferro fundido. Foram todas fundidas no reinado de D. Pedro II. Tinham sido cravadas suponho pelos franceses em 1709, existindo algumas ainda neste estado.

Construções necessárias – Proponho a construção de um quartel para destacamento, composto duma caserna suficiente para 8 praças, um quarto para o comandante do destacamento, um dito para a arrecadação, um dito para convalescentes, podendo comportar oito leitos e finalmente uma cozinha.

Sendo o local da fortaleza considerado relativamente mais saudável do que a cidade, achei conveniente a construção do já citado quarto para convalescentes. Proponho igualmente a construção de uma estrada que comunique a bateria com o reduto e este com a praia, devendo ser formada de rampas e escadas, único meio com que se obviará o inconveniente da sua actual comunicação, cuja inclinação chega em alguns pontos a ser superior a 30%.

Proponho finalmente a construção de 21 reparos para as peças.

Reparações – As reparações a fazer consistem: No reduto: assentamento delgado na plataforma, reboco das canhoneiras e madeiramento para a casa da guarda existente no mesmo. Na bateria: colocação de lajedo na plataforma, reboco nas canhoneiras, reparações na escada e na rampa existentes no interior da mesma, e finalmente no levantamento dalguns muros que fazem parte desta obra.

A importância do orçamento que remeto à Direcção das Obras Públicas da Província para solicitar a necessária autorização, para se levar avante estes indispensáveis melhoramentos, que a honra da nação e a sua vitalidade nos impõe, é, excluindo o custo dos reparos das peças, 7.130$000 réis. Seria conveniente também a substituição das 19 peças de ferro fundido, que estão em mau estado."
(Relatório apresentado ao Governador da Província pelo engenheiro-ajudante tenente José Elias da Conceição e Sousa, chefe das secção de Obras Públicas da Ilha do Príncipe, datado de 20 de Junho de 1879. apud: MELO, 1947:28-32)

Parte dessas obras só teriam lugar entre 1885 e 1886, sendo a fortaleza considerada arruinada em 1890.

Do século XX aos nossos dias

Novos reparos tiveram lugar em 1905, 1907 e 1910, insuficientes para a sua recuperação, vindo a cair em abandono.

As últimas cinco peças de bronze da fortaleza foram recolhidas à cidade na primeira metade do século XX, tendo feito fogo quando da passagem do General António Óscar de Fragoso Carmona pela ilha em 1938.

Atualmente a fortaleza encontra-se em ruínas, ocultas pela vegetação, com a antiga artilharia de ferro espalhada pelo solo, tendo sobrevivido de pé apenas o antigo Paiol de Pólvora, habitado em meados do século XX pelo faroleiro.

Bibliografia

MATOS, Raimundo José da Cunha. Corografia Histórica das Ilhas de S. Tomé, Príncipe, Ano Bom e Fernando Pó (4ª ed.). São Tomé: Imprensa Nacional, 1916.

MELO, José Brandão Pereira de. A Fortaleza de Santo António da Ponta da Mina. Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1969. (Coleção Figuras e Feitos de Além-Mar, nº 5) 87p.



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Contribuciones

Actualizado en 11/12/2013 por el tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuciones con medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (6).


  • Fuerte de Santo António da Ponta da Mina

  • Fortaleza da Ponta da Mina

  • Fuerte

  • 1695 (DC)




  • Portugal


  • Ruinas abandonadas






  • Ruinas

  • ,00 m2

  • Continente : África
    País : Santo Tome y Principe
    Estado/Província: isla de Príncipe
    Ciudad: Santo António

    Ponta da Mina, cidade de Santo António, Ilha do Príncipe, São Tomé e Príncipe.


  • Lat: 1 -39' 10''N | Lon: 7 -27' 47''E










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