Fort of São Sebastião

Fortaleza, Ceará - Brazil

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O “Forte de São Sebastião” localizava-se na margem direita da foz do rio Ceará, atual bairro de Barra do Ceará em Fortaleza, no litoral do estado do Ceará, no Brasil.

História

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), a expedição de Pedro Coelho de Sousa que em 1604 fundara o Fortim de São Tiago da Nova Lisboa, confirmara a presença francesa na região, o que conduziu a novas providências do governo no reino. Em 1611 foram criadas a capitania do Jaguaribe (ou do Ceará), a capitania do porto de Camocim e a capitania do Maranhão, cujo litoral era então ocupado pelos franceses. O governador da Repartição do Brasil, D. Diogo de Meneses (1608-1613), incumbiu o Capitão-mor Martim Soares Moreno de, na costa da capitania do Ceará, fundar uma feitoria, guarnecer pontos estratégicos, fomentar o progresso económico e a catequese dos gentios na área.

Ao alcançar o rio Ceará foi informado da presença de um navio francês fundeado na foz, o qual atacou com as suas forças, logrando dominar a tripulação, que aprisionou, assenhoreando-se da embarcação e de duas lanchas. O governador, informado, determinou que um pequeno efetivo de 6 soldados e 1 sacerdote se deslocassem para o local onde, com o auxílio do chefe indígena Jacaúna, foi iniciada, na área do antigo Fortim de São Tiago, uma nova povoação e uma ermida, sob a invocação de Nossa Senhora do Amparo (20 de janeiro de 1612).

Para a sua defesa, foi iniciada uma fortificação em faxina e terra, sob a invocação do santo do dia, São Sebastião (STUDART, 1937. apud GARRIDO, 1940:41). SOUZA (1885) denomina-o "Forte de Nossa Senhora do Amparo", remontando-o a 1611 (op. cit., p. 73). Apresentava planta no formato de um polígono quadrangular regular e, em vértices diametralmente opostos, dois baluartes também quadrangulares (BARRETTO, 1958:85). No seu interior abrigava alojamento "capaz de 200 homens, soldados e moradores". Foi guarnecido por 1 capitão, 1 sargento e 16 homens, e artilhado com 2 peças de ferro.

Apesar da precariedade de recursos materiais, esta fortificação, sob a liderança do padre Baltazar Correia, repeliu os piratas franceses de Du Prat (1614).

Em 1616, quando em viagem marítima da costa do Maranhão para o Ceará, a embarcação em que Martim Soares Moreno viajava foi colhida por uma violenta tempestade, desviando-se da rota, indo aportar na ilha de São Domingos, nas Antilhas. De lá, a caminho da Europa, a embarcação foi atacada por corsários, sendo Moreno aprisionado e conduzido para a França, onde permaneceu por 10 meses. Condenado à morte, obteve a liberdade graças a gestões diplomáticas da corte espanhola.

De volta a Portugal, em 1619 foi nomeado como primeiro capitão-mor do Ceará, como recompensa pelos serviços prestados. Neste período, a estrutura foi reconstruída (1619-1621) com pedras soltas ("pedra ensossa"), e suas muralhas elevadas para 10 pés (c. 3,30 metros) de altura. Moreno tomou posse em 1621, tendo, pelo espaço de uma década, consolidado e feito florescer a sua capitania. Nesse período, apaziguou dissensões entre a população, estimulou a agricultura e a pecuária. O forte repeliu naus neerlandesas em 1624, e sofreu danos, novamente, em 1625.

Durante a segunda invasão neerlandesa no Brasil (1630-1654), em 1631 Moreno partiu para Pernambuco, onde se destacou nas lutas, alcançando o título de mestre-de-campo, não tendo retornado ao Ceará. Naquele mesmo ano (1631), Domingos da Veiga, sobrinho de Moreno, tomou posse como novo capitão-mor da capitania do Ceará.

Neste período Bento Maciel Parente relatou à Coroa Ibérica que esta fortificação era em faxina e terra, estando artilhada com 2 peças, e sugeriu o seu abandono, com o que aquela concordou. Posteriormente, o forte foi assaltado por uma força de 400 soldados e 200 indígenas, sob o comando do major Joris Garstman e do capitão Huss. Defendido por 23 homens sob o comando de Bartolomeu de Brito, e artilhada com 5 peças de ferro (4 de 4 libras de bala e 1 do 2), foi tomado de assalto a 25 de outubro de 1637. (STUDART, 1937. apud GARRIDO, 1940:41-42).

Essa conquista foi descrita, em 1647, por BARLÉU (1974):

"Os índios moradores do Ceará pediram paz e ofereceram seu auxílio contra os portugueses, rogando ao Conde [Maurício de Nassau] que sujeitasse ao seu poder o forte dali, ocupado pelos lusitanos, protegendo-lhes a gente contra as injúrias e a dominação deles. (...).

Arribando Gartsman ao Ceará, informou da sua chegada ao maioral dos brasileiros Algodão, e desembarcada a soldadesca, conduziu-a pelo litoral, vindo-lhe ao encontro os naturais que lhe significavam paz com bandeiras brancas. Depois de falar com o morubixaba, sentindo-se mais animoso com as tropas auxiliares (pois o régulo lhe trouxera de reforço duzentos dos seus), atacou e tomou o forte que era de pedra ensossa. Defendeu-se o inimigo frouxamente, com tiros de peça e de mosquete. Foram poucos os mortos e mais numerosos os prisioneiros, e entre estes os mais graduados da milícia. Lucramos com a vitória três peças e alguns petrechos bélicos.
" (Op. cit., p. 68)

e complementa:

"(...) Passando este [forte] para o nosso poder, guarnecemo-lo com um presídio de 40 homens." (Op. cit., p. 127)

Adriaen van der Dussen (Relatório sobre o estado das Capitanias conquistadas no Brasil, 4 de abril de 1640), confirma:

"A Capitania do Ceará nunca foi povoada: os portugueses tinham ali somente um pequeno forte, de pouca importância, com muito pouca gente, e do qual nos apoderamos. Atualmente lá está sediada uma guarnição da Companhia, com cerca de 40 homens, mas nada rende à Companhia; contamos com assistência de brasilianos que ali residem, os quais espontâneamente nos vieram em auxílio em três ocasiões, com cerca de 200 homens armados, de cada vez."

E sobre os efetivos, complementa: "O Ceará está guarnecido por cerca de 40 homens sob o comando do Tenente Heindrick van Ham." BARLÉU (1974) transcreve esta cifra (op. cit., p. 146). BARRETTO (1958) considera que os neerlandeses, quando o ocuparam, o reforçaram com uma paliçada (op. cit., p. 86).

As mesmas fontes dão conta de que uma outra revolta dos indígenas conduziu à destruição da fortificação, em janeiro de 1644:

"Depois da expedição do Chile, soube Nassau que estalara no Ceará nova revolta. Bandos de brasileiros, chamados à guerra, tinham tomado ardilosamente o forte ocupado pelos holandeses e o arrasaram, trucidando o governador [do Ceará] Gedeon Morris, todos os soldados da guarnição e até os trabalhadores estabelecidos não longe dele, nas salinas de Upanema. A mesma sorte estava reservada para o comissário do Maranhão. Ignorando o que ali havia acontecido, arribou aquele lugar infeliz para recensear os soldados e caiu nas mãos dos rebeldes, perecendo com todos os seus de morte semelhante. Além disso, como se achasse em reparos no porto do Ceará um dos nossos patachos, desembarcaram num barco o patrão do navio, um capitão, um tenente e alguns soldados rasos, os quais os cearenses, encobrindo o ódio com blandícias, mataram sem eles o esperarem. Evadiram-se três marinheiros que se haviam escondido no mato e viram o forte derribado e seus entulhos." (BARLÉU, 1974:304)

SOUSA (1885) compreendeu que os indígenas entregaram a fortificação a Antônio Teixeira de Melo, a quem haviam mandado chamar no Maranhão. (Op. cit., p. 73) Entretanto, trabalhos mais recentes, de autores como José Higino Duarte Pereira, dão conta de que, embora tendo sido solicitada, não existiu presença militar portuguesa na região no período entre 1644 e 1649. A esse respeito, veja-se ainda Lodewijk Hulsman (HULSMAN, Lodewijk. "Índios do Brasil na República dos Países Baixos: as representações de Antônio Paraupaba para os Estados Gerais em 1654 e 1656". In: Revista USP) e Werneck Xavier (XAVIER, Lúcia F. Werneck. "A Experiência Colonial Neerlandesa no Brasil (1630-1654)". In: Mneme – Revista de Humanidades. UFRN), que demonstram que os indígenas do Ceará mantinham contatos com o governo neerlandês no Recife, o que conduziu à expedição de Matias Beck em 1649. O diário mantido por Beck e a sua correspondência entre 1649 e 1654, historiograficamente recentemente estudado, também não acusam presença portuguesa no Ceará.

Beck alcançou a enseada do Mucuripe em 3 de abril de 1649, dando início à exploração da costa para instalar um novo forte. Optou por erguê-lo na própria enseada, às margens da foz do rio Pajeú, conforme projeto do engenheiro inglês Richard Carr. O antigo Forte de São Sebastião, desmantelado e abandonado, teve as suas telhas e a sua artilharia reaproveitados para a construção da nova fortificação que recebeu o nome de "Forte Schoonenborch" em homenagem ao então governador neerlandês de Pernambuco,  (GARRIDO, 1940:42) Walter van Schoonenborch.



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Fortim de São Sebastião
Página da Enciclopédia Wikipédia versando sobre o Fortim de São Sebastião, que localizava-se na margem direita da foz do rio Ceará, no litoral do Estado do Ceará, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortim_de_S%C3%A3o_Sebasti%C3%A3o

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Contribution

Updated at 24/01/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


  • Fort of São Sebastião

  • Forte do Ceará

  • Fort

  • 1612 (AC)



  • Philip III of Spain

  • Portugal


  • Missing






  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Ceará
    City: Fortaleza

    Localizado na margem direita da foz do rio Ceará, atual Fortaleza, no estado do Ceará.


  • Lat: 3 41' 41''S | Lon: 38 35' 14''W





  • A estrutura foi reconstruída (1619-1621), com pedras soltas ("pedra ensossa"), e suas muralhas elevadas para 10 pés (c. 3,30 metros) de altura.





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