Castle of Arnoia

Celorico de Basto, Braga - Portugal

O "Castelo de Arnoia", também conhecido como "Castelo dos Mouros" ou "Castelo de Moreira", ergue-se na povoação e freguesia de Arnoia, concelho de Celorico de Basto, distrito de Braga, em Portugal.

Ergue-se sobre um maciço rochoso, em posição dominante sobre a povoação que outrora foi a sede do Concelho, com Casa da Câmara, Pelourinho e Cadeia. Este castelo foi cabeça das Terras de Basto, que compreendiam os atuais concelhos de Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto. Integra a "Rota do Românico", um circuito turístico-cultural atualmente composto por 58 monumentos em estilo românico na região dos rios Tâmega e Sousa, premiado nacional e internacionalmente.

História

Antecedentes

Embora alguns autores remontem a primitiva ocupação humana deste sítio à época da Romanização, esta afirmação não se encontra plenamente documentada.

O castelo medieval

A época da construção deverá remontar ao final do século X ou início do XI, acredita-se que ligada à defesa do vizinho Mosteiro de São Bento de Arnoia, também fundado neste período. Contribui para esse raciocínio a data de 1034, assinalada na lápide da sepultura do primeiro alcaide do castelo (e provável fundador do mosteiro, segundo alguns autores), Múnio Muniz, no claustro daquele mosteiro. Em 1064 um documento refere-o como "castellum Celoricu". Pouco depois, em 1110, Mendo Viegas de Sousa era tenente das Terras de Basto e, em 1132, D. Gueda Mendes, da família dos Guedões, detinha a mesma função.

No século XIII, as "Inquirições" do reino de 1258 referem alguns casais nas freguesias de Arnoia, Caçarilhe e Carvalho, obrigadas à alimentação dos cães de guarda do castelo e da preparação da cal necessária à sua conservação.

Com a morte de Afonso III de Portugal (1210-1279), tendo rendido preito de homenagem a D. Beatriz (rainha viúva e testamenteira do falecido), o alcaide deste castelo, Martim Vasques da Cunha, após o afastamento da senhora para o reino de Castela por desentendimentos havidos com Dinis I de Portugal (1279-1325), teve dificuldades com o novo soberano, que se recusou a desobrigá-lo do seu compromisso de honra. Segundo reza a tradição, tendo consultado diversas cortes europeias sobre como proceder honrosamente nesse impasse, fez sair a guarnição e gentes do castelo, trancando-se no seu interior. Tendo lançado fogo a uma das habitações no seu interior, "salvou-se" descendo-se por um cesto suspenso por uma corda amarrada em uma das ameias. Desse modo, exonerou-se da função sem ferir o compromisso de honra assumido. Verídica a narrativa ou não, é fato que, em 1282, D. Dinis arrendou os domínios de Celorico de Basto a Martim Joanes, pelo montante de 210 morabitinos, com a obrigação de que o arrendatário contratasse um cavaleiro para as funções de alcaide deste castelo, sendo escolhido Pero Mendes, da Casa de Barcelos, natural de Muxões para o cargo. Os domínios e o castelo foram arrendados pelo mesmo soberano em 1284 aos moradores de Celorico de Basto.

No alvorecer do século XV, João I de Portugal (1385-1433) doou o senhorio de Celorico de Basto e seu castelo a Gil Vasques da Cunha (1402), o que denota a importância e tradição dessa família na região.

No século seguinte, Manuel I de Portugal (1495-1521) concedeu o Foral Novo a Celorico de Basto (29 de março de 1520), estabelecendo a sede do Concelho em Arnoia, lugar do castelo.

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), no século XVII, sob Filipe II de Espanha (1598-1621) a alcaidaria era exercida pela família dos Castros.

Do século XVIII aos nossos dias

Segundo se afirma, devido ao grande isolamento da vila, João V de Portugal (1706-1750) determinou a mudança da sede do Concelho de Arnoia para o lugar de Freixieiro em Britelo, doravante denominado Vila Nova do Freixieiro, hoje Celorico de Basto (21 de abril de 1719). A mudança acelerou o processo de decadência de Arnoia: em 1726 é referido como estando em ruínas, entrando-se nele pela parte norte da barbacã, já arruinada (CRAESBEECK, Francisco Xavier da Serra. "Memórias Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho", 1726.), e data de 1732 um documento referindo a ruína do castelo, no alto do monte da antiga vila e tendo uma torre ameada. As "Memórias Paroquiais" de 1758 corroboram o estado de ruína do castelo.

Na primeira metade do século XX o castelo apresentava elevado estado de degradação, com a torre de menagem fendida e as muralhas bastante degradadas (1925). Em 1935 foram encontradas moedas romanas enterradas no seu recinto. Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.532, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 55, em 15 de março de 1946.

Em 1961 foram-lhe iniciadas obras, solicitadas pela Câmara Municipal de Celorico e pela Comissão Regional de Turismo da Serra do Marão, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Desse modo, foram procedidas obras de consolidação e restauro da Torre de Menagem, trabalhos que prosseguiam em 1963. Em 1972 teve lugar a recuperação das paredes danificadas da torre, a reconstrução da escada interior, a construção das portas e pavimentos intermédios da torre, coberturas e colocação de vitrais nas seteiras, obras que prosseguiam em 1973. Em 1977 teve lugar a consolidação da parede da torre.

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho. Este concluiu-lhe as obras de consolidação e restauro, tendo o monumento sido reaberto ao público desde janeiro de 2004.

Atualmente alberga no seu espaço um centro interpretativo, que integra uma exposição sobre a história do castelo e do concelho de Basto, com a inclusão de dados arqueológicos, maquetas e painéis audiovisuais, bem como uma pequena biblioteca e uma reserva de espólio arqueológico.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo românico, na cota de 576 metros acima do nível do mar.

Castelo roqueiro de reduzidas proporções, apresenta planta poligonal irregular orgânica (adaptada à conformação do terreno). Para a sua construção foram procedidos trabalhos de desaterro, visando dificultar-lhe o acesso.

As muralhas, em cantaria de granito, são percorridas por um adarve e reforçadas a norte por um cubelo. No setor sul rasga-se o portão com portal de verga reta, precedido por uma escadaria de acesso e defendido pela Torre de Menagem, de planta quadrangular. A porta desta, voltada para a Praça de Armas, abre-se a cerca de três metros do solo. É hoje acedida por uma escada externa, construída na década de 1970. O interior divide-se em três pavimentos (o inferior como cave e os dois superiores assoalhados) e o acesso ao telhado de quatro águas é feito, por sua vez, através de uma escada interna. O topo da torre é rematado por merlões.

Ao centro da praça de armas, delimitada pelas muralhas, abre-se uma cisterna. No exterior, na encosta a norte, localiza-se a antiga forca, inscrita em um trecho de mata de pinheiros e de carvalhos. Tanto esta, como o Pelourinho, foram restaurados na década de 1960.



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Contribution

Updated at 15/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Castelo dos Mouros, Castelo de Moreira

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  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.532, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 55, em 15 de março de 1946.



  • +351 255 810 706

  • rotadoromanico@valsousa.pt

  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Braga
    City: Celorico de Basto



  • Lat: 41 -22' 12''N | Lon: 8 3' 7''W






  • Em 1961 foram-lhe iniciadas obras, solicitadas pela Câmara Municipal de Celorico e pela Comissão Regional de Turismo da Serra do Marão, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Desse modo, foram procedidas obras de consolidação e restauro da Torre de Menagem, trabalhos que prosseguiam em 1963. Em 1972 teve lugar a recuperação das paredes danificadas da torre, a reconstrução da escada interior, a construção das portas e pavimentos intermédios da torre, coberturas e colocação de vitrais nas seteiras, obras que prosseguiam em 1973. Em 1977 teve lugar a consolidação da parede da torre.

  • Integra a "Rota do Românico", um circuito turístico-cultural atualmente composto por 58 monumentos em estilo românico na região dos rios Tâmega e Sousa, premiado nacional e internacionalmente.



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