Castelo de Faria

Barcelos, Braga - Portugal

O "Castelo de Faria" localiza-se na freguesia de Pereira (cf. DGPC; Gilmonde cf. SIPA), concelho de Barcelos, distrito de Braga, em Portugal.

Um dos mais importantes castelos do Entre Douro e Minho, foi erguido, isolado, no alto de uma elevação na vertente norte do monte da Franqueira, dominando o caminho que ligava Barcelos ao porto de Viana. Atualmente em ruínas, inscreve-se na Região Turística do Alto Minho.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana deste sítio remonta a c. 3.000 a.C., conforme a moderna pesquisa na estação arqueológica, de quando foram identificados restos cerâmicos e pontas de seta. Uma acrópole estaria formada por volta de 2.000 a.C., quando se identificaram restos cerâmicos e fragmentos de machados de bronze. Esta povoação foi sucedida por um castro, cerca de 700 a.C., conforme as estruturas de pedra identificadas fora do recinto do castelo: três linhas de muros e um conjunto de habitações de plantas circulares e quadrangulares com os respectivos arruamentos. Fragmentos cerâmicos e outros vestígios remetem a contatos comerciais com povos do Mediterrâneo entre o século V e o século IV a.C.. Outros vestígios apontam a ocupação Romana entre o século I e o VI. Não foram encontradas referências explícitas à ocupação Muçulmana.

O castelo medieval

A pesquisa arqueológica indica que o primeiro traçado do castelo remonta aos séculos IX a X, no contexto da Reconquista cristã da península Ibérica. A primeira referência documental ao castelo, menciona que era seu senhor ("tenens") Soeiro Mendes da Maia (1099), importante nome da nobreza fundiária do Condado Portucalense. Outra fonte documental indica que D. Afonso Henriques aqui esteve em janeiro de 1128. Este castelo, juntamente com o Neiva, foram os primeiros a ser conquistados pelo infante quando da revolta contra a sua mãe, a condessa de Portugal, Teresa de Leão. Cabeça da chamada "Terra de Faria", ao longo do século XII o castelo teve como alcaides nomes importantes como os de Ermígio Riba Douro, Mem de Riba Vizela e Garcia de Sousa.

Teria sido objeto de trabalhos de ampliação e reforço durante o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), conforme os vestígios de uma torre identificados pela pesquisa arqueológica no século XX. A mesma pesquisa identificou também os restos de uma torre que corresponde a um período posterior, à época de Fernando I de Portugal (1367-1383).

De acordo com a lenda do Castelo de Faria, terá resistido ao assalto por forças do reino de Castela no início de 1373.

Em 1400 João I de Portugal (1385-1433) doou o castelo a Gonçalo Teles de Meneses, que ordenou a colocação da sua pedra de armas com três flores-de-lis (que viria a tornar-se a cota de armas dos condes de Faria). Entretanto, com a afirmação da dinastia de Avis, a partir do século XV o castelo perdeu as suas funções defensiva e administrativa para Barcelos, sendo progressivamente abandonado até vir a cair em ruínas. Parte das suas pedras foi utilizada para a construção do vizinho Convento da Franqueira, erguido no sopé do monte.

Do século XX aos nossos dias

No século XX foram empreendidas campanhas de escavação arqueológica (1929, 1936-1940) por iniciativa do Grupo dos Alcaides de Faria Pró-Franqueira, fundada em 1929, com sede em Barcelos. Foram, desse modo, identificados os vestígios de um castro da Idade do Ferro, além dos primeiros muros que remontam à época do Condado Portucalense e colocados a descoberto os remanescentes da torre de menagem de D. Dinis e de outra, de D. Fernando, incluindo todo o sistema defensivo composto pelo circuito da muralha e pela barbacã, evidenciando uma evolução construtiva que, durante a Idade Média aproveitando parte das muralhas existentes, foi ampliada com o acréscimo de novas. Iniciaram, ainda, a reconstrução de uma dessas torres de menagem.

O espólio reunido nestas campanhas, composto por esporas de roldana, estribos, pomos de espadas, fivelas, fragmentos de malhas metálicas, pontas de virotão, entre outros, constitui um dos mais importantes núcleos nacionais de armamento medieval.

Esses trabalhos contribuíram para que o "Povoado do Castelo de Faria / Ruínas do Castelo de Faria e estação arqueológica subjacente" fossem classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 40.684, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 146, de 13 de julho de 1956.

Em 1978 tiveram lugar projetos de limpeza, orientados pelo Campo Arqueológico da Universidade de Braga.

Entre 1981 e 1985, Brochado de Almeida e Teresa Soeiro, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto empreenderam novas escavações no local, de modo a obter um entendimento alargado do mesmo.

Em 1 de junho de 1992, o imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei nº 106F/92, publicado no Diário da República, I Série A, nº 126.

Características

O castelo encontra-se implantado em ambiente rural, na cota de 250 metros acima do nível do mar, no flanco noroeste do monte da Frasqueira, entre densa mata de pinheiros, em posição dominante sobre o rio Cávado.

O sítio arqueológico de Faria compreende três linhas de muralhas que identificam claramente um castro da Idade do Ferro.

A muralha exterior, em direção ao leste, e antes da entrada na estrada que liga Franqueira à freguesia de Milhazes, contou com uma grande trincheira. Entre esse muro e o próximo, intermediário, existem, para leste, os remanescentes de dez edificações castrejas, circulares e ovais, algumas apresentando inclusive vestíbulo e lareira. Para o leste ainda, em ambos os lados dessa segunda muralha, encontram-se os vestígios de edifícios circulares e retangulares.

No interior do pátio superior, isolada ao centro da praça de armas do castelo medieval, ergue-se a torre de menagem, com planta retangular, em estilo românico, à qual se adossam os restos das paredes do chamado "Palácio do Alcaide". Entre este e a parede lateral, mas em plano inferior, encontra-se um talude que sustenta as terras do terraço superior.

A lenda do alcaide de Faria

Durante o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), quando da II Guerra com Castela, a fronteira norte de Portugal foi invadida. As forças do soberano de Castela avançavam por Viseu rumo a Santarém e Lisboa, quando uma segunda coluna, vindo da Galiza penetrou pelo Minho. Saíram-lhe ao encontro forças portuguesas oriundas do Porto e de Barcelos, entre as quais se incluía um destacamento sob o comando de Nuno Gonçalves de Faria, alcaide do Castelo de Faria. Travando-se o encontro na altura de Barcelos, caíram as forças portuguesas, sendo capturado o alcaide. Com receio de que a liberdade de sua pessoa fosse utilizada como moeda de troca pela posse do castelo, guarnecido pelo seu filho, Gonçalo Nunes de Faria, concebeu um estratagema. Convencendo o comandante de Castela a levá-lo diante dos muros do castelo, a pretexto de convencer o filho à rendição, utilizou a oportunidade assim obtida para exortar o jovem à resistência, sob pena de maldição. Morto pelos espanhóis diante do filho pelo ato corajoso, o castelo resistiu invicto ao assalto. Vitorioso, o filho, tomou o hábito, vindo o castelo a ser sucedido por um mosteiro.

O episódio foi originalmente narrado por Fernão Lopes e imortalizado por Alexandre Herculano na obra "Lendas e Narrativas".



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Contribution

Updated at 02/05/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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    O "Povoado do Castelo de Faria / Ruínas do Castelo de Faria e estação arqueológica subjacente" encontram-se classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 40.684, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 146, de 13 de julho de 1956.







  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Braga
    City: Barcelos



  • Lat: 41 -30' 12''N | Lon: 8 38' 51''W










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