Torre de Vasconcelos

Amares, Braga - Portugal

A "Torre de Vasconcelos", popularmente referida como "Casa dos Mouros", localiza-se no lugar de Vasconcelos, na freguesia de União das freguesias de Ferreiros, Prozelo e Besteiros, concelho de Amares, distrito de Braga, em Portugal.

Edificada num esporão de terreno sobranceiro à ribeira de Bárrio, as ruínas atualmente existentes, constituem os vestígios de um dos raros paços de origem românica no país.

História

Acredita-se que a torre tenha sido edificada em meados do século XIII, pelos irmãos Pêro Anes de Vasconcelos e Rodrigo Anes de Vasconcelos, este último nascido em 1230, casado com D. Mécia Rodrigues de Penela, e que foram os fundadores da Honra de Vasconcelos. Eram filhos de D. João Peres de Vasconcelos, "O Tenreiro", nascido em 1200, e de sua esposa, D. Maria Soares Coelho, nascida em 1210. João Peres de Vasconcelos, por sua vez era filho de D. Pedro Martins da Torre, nascido em 1160, e senhor da Torre de Vasconcelos e de D. Teresa Soares da Silva, nascida em 1160 e que foi a sua segunda esposa:

"(...). D Pedro Martins da Torre teve o senhorio da casa de seus pais e a torre de Vasconcelos e casou com D. Teresa Soares da Silva, ou D. Maria, filha de D. Soeiro Peres Escacha e de sua mulher, D. Froilhe Viegas, de quem nasceu D. João Pires Tenreiro, senhor da casa paterna e, parece, o primeiro que se apelidou de Vasconcelos por ser senhor da torre do mesmo nome, na freguesia de Santa Maria de Ferreiros, em terras de Entre Homem e Cávado. Foi um dos maiores fidalgos do seu tempo, esteve na conquista de Sevilha e casou com sua prima terceira D. Maria Soares, filha de Soeiro Viegas Coelho e de sua mulher, D. Mor Mendes, por cujo casamento teve o morgado de Penagate." (FARIA, António Machado de. "Famílias Nobres - suas origens e suas armas". Lisboa, 1961.)

Uma testemunha coeva assegura que a torre (ou o edifício que então tutelava a honra) vinha já do tempo de D. Egas Fafes, no século XII. A sua configuração geral, como chegou até nós, deve situar-se pela segunda metade do século XIII, ou inícios do seguinte, momento em que a família Vasconcelos detinha poder suficiente para desafiar a autoridade real. Com efeito, no conturbado reinado de Sancho II de Portugal (1223-1248), João Peres de Vasconcelos recusou-se a comparecer perante o monarca para responder perante a acusação de assassinato de Aires Anes, sendo julgado à revelia. O seu filho atuou no Julgado de Entre-Homem-e-Cávado com total liberdade, impedindo mesmo que juízes, mordomos, porteiros e tabeliães reais entrassem na região.

O poderio dos Vasconcelos manteve-se durante o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279). Sob o seu reinado existe referência à honra de Vasconcelos nas Inquirições de 1258. Dinis I de Portugal procedeu a uma contraofensiva, proibindo a construção de torres senhoriais e permitindo a seu meirinho-mor no Julgado de Entre-Cávado-e-Homem a edificação da Torre de Penegate.

A ruína do conjunto iniciou-se no século XVI. Em 1638, uma informação documental atesta que a torre era mais alta do que na atualidade, em mais de 5 metros.

Abandonada por séculos, as "Ruínas da Torre e Honra de Vasconcelos" encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 37.077, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 228, de 29 de setembro de 1948.

Em 1977 o imovel pertencia a Ernesto José Fernandes, Naquele mesmo ano teria sido oferecida pela proprietária, Leopoldina Ernesto da Costa Fernandes, à Câmara Municipal de Amares. No ano seguinte (1978) foi adquirido à anterior proprietária por João Barbosa de Macedo, de Feira Nova, em Amares.

Em 1988 e 1989, Mário Barroca procedeu a investigações arqueológicas, que não lograram identificar outras estruturas anexas.

Características

Exemplar de arquitetura militar, implanta-se na cota de 51 metros acima do nível do mar. Parte mais antiga do conjunto, apresenta planta quadrangular de mais de 6 metros de lado. Originalmente teria pelo menos um ou dois pisos assobradados, mas o atual estado de ruína revela somente a estrutura do andar térreo, cujo acesso se fazia por porta de arco de volta perfeita voltada a nascente. Ao contrário do que acontece com a generalidade das "domus fortis" dos séculos XIII e XIV, este acesso ao interior abre-se no piso térreo e não em posição elevada a necessitar de escada amovível, o que pode denunciar a época precoce da sua construção, ainda vinculada às dominantes românicas.

Em época posterior, mas ainda na Idade Média, adossou-se um segundo corpo à face oeste, que desempenhou as funções de residência. Este apresenta eixo longitudinal ligeiramente desviado em relação à torre, desenvolvendo-se em planta retangular de aproximadamente 15 metros. Esta parcela do conjunto está também muito destruída, mas pode supor-se tenha tido um segundo piso, devendo obedecer a uma diferenciação funcional entre andares.

A cerca de 50 metros do conjunto existe a Capela de Santa Luzia, templo privado da propriedade cuja feição atual resulta de uma reforma empreendida pelos séculos XVII-XVIII. A sua origem é, todavia, igualmente medieval, como o atesta a inscrição sobre o portal principal e a imagem tardo-gótica de Santa Luzia que terá substituído uma outra, consagrada a Nossa Senhora com o Menino.



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Contribution

Updated at 15/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Torre de Vasconcelos

  • Casa dos Mouros, Ruínas da Torre e Honra de Vasconcelos

  • Fortified Tower





  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • National Protection
    As "Ruínas da Torre e Honra de Vasconcelos" encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 37.077, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 228, de 29 de setembro de 1948.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Braga
    City: Amares



  • Lat: 41 -38' 35''N | Lon: 8 21' 21''W










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