Castle of Beaufort

Arnoun, Nabatieh - Lebanon

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O "Castelo de Beaufort", também grafado como "Castelo de Belfort" (em língua árabe "Shaqif Arnun" ou "Qala'at al-Shaqif"), (Nicolle, 2004:57) localiza-se cerca de 1 quilómetro su-sudeste da vila de Arnoun, na província de Nabatieh, no sul do Líbano.

Em posição dominante sobre o rio Litani, ergue-se sobre um íngreme afloramento rochoso, a 700 metros de altitude. Integrava o Reino e Jerusalém.

O castelo recebeu o nome de "bel fort" ou "beau fort" (do francês, com o sentido de "belo forte") pelos Cruzados que o ocuparam no século XII. O seu nome em árabe - "Qala'at ash-Shqif" significa "Castelo da Rocha Alta" ("shqif" é a palavra em Aramaico para "rocha alta").

História

Pouco se sabe acerca de sua primitiva estrutura, embora alguns historiadores acreditem que o afloramento rochoso sobre o qual se situa o Castelo foi ocupado estrategicamente durante os períodos bíblico e romano.

À época das Cruzadas Fulque de Jerusalém conquistou a fortificação de of Qal'at al-Shaqif em 1139 e doou-a aos senhores de Sidon. O historiador Hugh Kennedy especula que a construção do castelo Cruzado tenha começado logo após esta doação. (Kennedy, 1994:43)

Na batalha de Hattin (1187), os Cruzados sofreram uma esmagadora derrota às mãos de Saladino. Como consequência, muitas cidades e castelos caíram ante as forças de Saladino, permanecendo apenas um punhado sob o domínio dos Cruzados. O Castelo de Beaufort foi um dos últimos a resistir a Saladino.

Em abril de 1189, Saladino preparava-se para sitiar o castelo, e as fontes islâmicas descrevem o evento minuciosamente. À época, Beaufort estava sob o comando de Reinaldo de Sidon, um dos sobreviventes à Batalha de Hattin. Enquanto Saladino estava acampado próximo a Marjayoun, preparando-se para o cerco, Reinaldo procurou-o e pediu a compaixões dos muçulmanos. Argumentou que pessoalmente gostaria de entregar o controlo de Beaufort, mas a sua família estava na cidade cristã de Tiro e ele não podia render-se até que a família estivesse segura fora daquela cidade. Na esperança de tomar posse do castelo sem qualquer derramamento de sangue, Saladino deu a Reinado um prazo de três meses para tirar a sua família de Tiro. Reinaldo, em contrapartida, aproveitou esse período para efetuar reparos no castelo e estocar provisões. No tempo aprazado, Reinaldo encontrou-se novamente com Saladino, protestando que necessitava de mais tempo. Saladino insistiu na imediata entrega do castelo, pelo que Reinaldo ordenou à guarnição que se rendesse. Quando esta se recusou, Reinaldo foi preso e iniciou-se o cerco ao castelo. As hostilidades duraram até agosto daquele ano quando Saladino necessitou levantar o cerco para defender Acre. Em abril de 1190 chegou-se a um acordo onde a guarnição do castelo entregaria o controlo a Saladino em troca da libertação de Reinaldo.

O castelo voltou à posse dos Cruzados em 1240 como parte de um tratado negociado por Teobaldo I de Navarra. Foi vendido aos cavaleiros da Ordem do Templo por Juliano de Sidon em 1260. Em 15 de abril de 1268 o sultão mameluco Baibars capturou o castelo (com o emprego de 26 máquinas de cerco), onde se registou relativa calma pelos séculos XIV, XV e XVI.

Antes do século XVII, Fakhr-al-Din II tomou o castelo como parte da sua rede de fortificações. Este soberano foi derrotado pelos Otomanos que, na posse do castelo, destruíram-lhe as partes superiores. A região foi governada por uma série de feudos familiares até 1769. Em 1782 o Governador de Acre sitiou o castelo, capturou-o e destruiu muitas das suas fortificações remanescentes.

No século XIX, o terremoto na Galileia (1837) causou severos danos à estrutura, a partir de quando as suas ruínas passaram a ser utilizadas como pedreira e como redil de ovelhas. O final do século viu o início do estudo do castelo, com pesquisas por Vitor Guérin em 1880, e por Claude Reignier Conder e Herbert Kitchener em 1881, como a parte da Pesquisa da Palestina Ocidental.

Em 1921 o Mandato Francês foi estabelecido sobre a região, momento em que historiadores e arqueólogos franceses investigaram a história da região e de suas estruturas. O historiador medieval Paul Deschamps começou a estudar os castelos dos Cruzados em 1927 e o seu trabalho influenciou gerações subsequentes de historiadores das Cruzadas. Em 1936, sete anos depois de ter visitado Beaufort pela primeira vez, Deschamps e o arquiteto Pierre Coupel organizaram uma força de 65 soldados para limpar o interior da cerca e a torre de menagem.

Kennedy destaca a obra de Deschamps "Défense du Royaume de Jerusalém" (1939) como uma fonte especialmente importante no estudo de Beaufort uma vez que "(...) a sua descrição e plantas recordam-nos um edifício que possivelmente foi mutilado além do reconhecimento pela recente atividade militar".

O Mandato Francês terminou em 1943 quando o Líbano ficou independente.

Beaufort constitui-se em um dos poucos exemplos em que um castelo medieval demonstrou valor e utilidade militar na guerra moderna, como a história do final do século XX mostrou. A sua posição estratégica, que permite uma visão da maior parte do sul do Líbano e do norte de Israel, fez com que ele se tornasse um foco de conflitos. A Organização de Liberação de Palestina (OLP) manteve o castelo a partir de 1976, durante a Guerra Civil Libanesa e consequentemente ele foi dúzias de vezes atacado por forças israelenses no espaço de cinco anos.

No dia 6 de junho de 1982, no início da Operação Paz na Galileia (a Guerra de Líbano de 1982), a posição de OLP no Castelo de Beaufort foi pesadamente bombardeada pelos Israelitas antes que fosse capturado pelas forças de israelita dois dias depois, na Batalha de Beaufort. A luta causou danos ao castelo, e como resultado o Exército Israelita reforçou as fortificações da área com bunkers e blocos de concreto, o que não impediu que Beaufort fosse atacada várias vezes pelo Hezbollah.

Em maio de 2000, o Exército Israelita evacuou a sua zona de segurança no sul do Líbano, deixando o castelo e destruindo a base militar para que não pudesse ser utilizada pelo Hezbollah.

O filme israelita "Beaufort", realizado por Joseph Cedar em 2007, reconstitui os últimos dias de ocupação da fortificação pelas forças israelitas, em 2000.

Em julho de 2010, a revista libanesa "Le Commerce du Levant" anunciou que o antigo castelo iria ser renovado em um período de dois anos ao custo de US$ 3 milhões. As obras de reabilitação compreenderiam consolidação e limpeza de estruturas, proteção do local e drenagem de águas pluviais, reconstrução da torre principal e acessos, assim como iluminação.

Características

Diversos dos grandes castelos Cruzados na Terra Santa foram erguidos no alto de escarpas rochosas, tirando partido das defesas naturais e fortificando o único ponto de acesso. A localização de Beaufort tem um papel de destaque na defesa do sítio, que é naturalmente defendido pelo lado norte. Os primitivos construtores islâmicos projetaram o castelo de modo a incluir um rebaixamento natural da rocha imediatamente a leste, eliminando assim uma das possíveis vias de ataque. Distribuído em duas alas, uma ocupando o terreno mais baixo a leste, o castelo apresenta planta aproximadamente triangular, com aproximadamente 150 por 100 metros. Uma torre de menagem foi erguida contra a muralha oeste da ala superior; esta torre apresenta planta quadrada, com lado de aproximadamente 12 metros. Ao passo que era comum nas suas congéneres da Europa o acesso pelo primeiro pavimento, na Síria a prática era o acesso pelo pavimento térreo, como pode ser observado em Beaufort.

Bibliografia

DEMURGER, Alain. "Chevaliers du Christ, les ordres religieux-militaires au Moyen-Age". Paris: Seuil, 2002. ISBN 2-02-049888-X

Kennedy, Hugh (1994), "Crusader Castles", Cambridge: Cambridge University Press, ISBN 0-521-42068-7

Nicolle, David (2004), "Crusader Castles in the Holy Land 1097–1192", Oxford: Osprey Publishing, ISBN 1-84176-715-8



 

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Contribution

Updated at 23/12/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Castle of Beaufort

  • Castelo de Belfort

  • Castle

  • 1139 (AC)




  • France


  • Semiconserved Ruins






  • Without defined use

  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : Lebanon
    State/Province: Nabatieh
    City: Arnoun



  • Lat: 33 -20' 33''N | Lon: 35 -32' 6''E







  • Castelo templário



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