Fort of Curupaiti

Curupayty, Ñeembucú - Paraguay

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O "Forte de Curupaiti" localizava-se na margem esquerda do rio Paraguai, a cerca de cinco quilómetros ao sul da Fortaleza de Humaitá, no Paraguai.

História

A primitiva fortificação do passo de Curupaiti iniciou-se em 1779, no contexto da disputa territorial entre a Intendência do Paraguai e o governador de Corrientes, no Vice-Reino do Rio da Prata, no tocante à interpretação da Carta-régia que, em 1620, havia estabelecido as fronteiras entre ambos no rio Tebicuary. Os habitantes de Corrientes, entretanto, haviam ocupado as terras entre este e o rio Paraná. Citando um precedente arbitral, o Intendente do Paraguai, Pedro Melo de Portugal em 1784 reivindicou a posse da região e pediu a desocupação do Forte de Curupaiti. Tendo recebido resposta negativa, ocupou-as à força.

Com o fim do período colonial, o contencioso continuou: em 1810, no contexto das lutas pela independência, o forte foi mandado guarnecer pelo Governador realista do Paraguai, Bernardo de Velasco.

No contexto da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), da mesma forma que o Forte de Curuzú, Curupaiti constituía-se numa defesa avançada da Fortaleza de Humaitá. Este complexo defensivo paraguaio controlava o acesso por via fluvial à capital, Assunção. Após a queda de Curuzú (3 de setembro de 1866), Curupaiti tornou-se o próximo alvo das forças aliadas.

As trincheiras de Curupaiti

Enquanto decorriam os combates pelo Forte de Curuzú, e posteriores negociações diplomáticas, o Forte de Curupaiti teve as suas defesas reforçadas, inclusive com um entrincheiramento de cerca de dois quilómetros de extensão, desde as margens do rio Paraguai à laguna Méndez.

A construção das trincheiras de Curupaiti foi atribuída a diversos autores. Alguns atribuem-nas ao coronel inglês George Thompson, outros ao coronel polonês Luis Federico Myszkowski, outros ainda sustentam que, a 6 de setembro de 1866, o marechal Francisco Solano López ordenou ao coronel húngaro Francisco Wisner Morgenstern que desenhasse no terreno o risco das novas obras de fortificação projetadas para conter em Curupaiti o avanço inimigo que considerava iminente. Nesta versão, dois dias depois, e sobre os planos desenhados por Morgenstern, o marechal convocou os comandantes mais importantes do seu exército para uma avaliação. Nesta reunião, todos aprovaram os planos da trincheira, exceto o general Díaz. Este, quando questionado sobre as suas reservas sobre o assunto, afirmou, em guarani:

"Oì porane la cuatiá ari pero pecha ña mbopuharo la trinchera no ro jocoichene los cambape." ("Estará bem no papel, mas se levantarmos assim a trincheira, não deteremos os pretos"). (À época, os paraguaios designavam depreciativamente os soldados brasileiros como "pretos". Contribuía para isso, além de repudiarem o escravismo ainda existente no Império do Brasil, a elevada percentagem de afrodescendentes entre as fileiras brasileiras.)

O marechal López acreditou em seu general e autorizou-o a seguir a sua inspiração e a construir as tricheiras a seu critério.

Na realidade, os trabalhos de abertura das trincheiras haviam se iniciado a 3 de setembro, imediatamente após a culminância da batalha de Curuzu, com a retirada diante das tropas brasileiras. Os fossos de campanha então abertos haviam sido os apenas indispensáveis à cobertura elementar que a posição exigia. Já de volta a Curupaiti, na mesma noite (8 de setembro), Díaz deu início à tarefa, iniciando desde a mata, o mais rápido que permitia a derrubada das árvores nela então existentes. Desse modo, trabalhando em turnos, os cinco mil homens da guarnição foram encarregados do corte de árvores e das escavações, de abrir túneis e preparar valas e abatizes. Os soldados trabalhavam dois a dois, uns com pás, outros com picaretas. O trabalho extenuante, com os soldados presos em pântanos e juncais, com água e lama até à cintura, era alternado com a vigilância das linhas avançadas, na antecipação de um eventual ataque.

O fosso principal, o primeiro a ser concluído, apresentava dois metros de profundidade por quatro de largura. A terra dele retirada foi apiloada em parapeitos defensivos com dois metros de altura, atrás dos quais se distribuíam noventa canhões, cobrindo o lado do rio e o lado de terra. Na borda exterior do fosso ergueu-se uma grossa barreira de abatizes (estacas afiadas), empregando-se as árvores recém-cortadas. O mesmo foi feito nas linhas avançadas. Com as fortes chuvas que se seguiram, esses obstáculos ficaram ocultos sob as águas, transformando-se em armadilhas mortais.

No interior das linhas de defesa e para proteger os atiradores dos tiros inimigos, o general Díaz fez erguer um outro fosso, no qual os soldados paraguaios tinham melhor comodidade para efetuar os disparos com a menor visibilidade para o fogo inimigo. Foram ainda construídas duas pontes levadiças, assim como passadiços e depósitos de munições subterrâneos.

 Enquanto isso, o ataque dos Aliados demorava. Na realidade, o ataque agendada para o dia 17 de setembro foi suspenso devido às fortes chuvas, que duraram até 20 de Setembro. Foi decidido que o ataque seria a 22 de setembro, uma vez que o solo estava completamente alagado.

Nenhuma destas dificuldades fez com que os homens de Díaz abandonassem a tarefa. Aproveitaram a demora para aprofundar e aperfeiçoar as trincheiras. A 21 de setembro, antes do meio-dia, Díaz transferiu-se para o quartel-general de Paso Puku para informar a López que as trincheiras estavam prontas. O marechal comissionou o coronel Thompson para que fosse verificar o estado das obras. Cumprida a ordem, o militar inglês atestou que a posição era fortíssima. Desse modo, o marechal López discutiu com Díaz os últimos detalhes da defensa e as estratégias a adotar no dia seguinte. Ao despedir-se, o general assegurou ao marechal que "si todo el ejército aliado atacase, todo el ejército aliado quedaría sepultado al pie de las trincheras". Díaz retornou a Curupaiti, para junto das suas tropas, onde passou a noite, em prontidão. Enquanto isso, em Curuzu, a 3 quilómetros ao sul de Curupaiti, 20.000 homens do exército aliado encontravam-se reunidos, aguardando o momento do ataque.

Esta defesa mostrou-se eficiente para rechaçar o ataque combinado fluvial e terrestre, desferido pela esquadra da Marinha Imperial Brasileira, sob o comando do vice-almirante Joaquim Marques Lisboa, e pelo 2º Corpo do Exército brasileiro.

O presidente argentino, General Bartolomeu Mitre, comandante das Forças da Tríplice Aliança, assumiu pessoalmente o comando da operação. Apesar do intenso bombardeio naval, o ataque aliado, ocorrido em 22 de setembro, conduziu à maior derrota da Tríplice Aliança nesse conflito. Seguiram-se acusações e críticas, que causaram uma crise entre Mitre e Marques Lisboa. O preparo da operação, sem dúvida, fora insuficiente e as dificuldades do ataque incorretamente avaliadas. Como Mitre permaneceria exercendo o comando geral dos Exércitos Aliados, o governo imperial brasileiro aceitou o pedido de afastamento feito anteriormente por Marques Lisboa. Ele e Barroso foram substituídos, não mais participando das operações dessa guerra.

No desenvolvimento do conflito, o forte foi desocupado pelas forças paraguaias apenas em 23 de março de 1868.



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  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Paraguay
    State/Province: Ñeembucú
    City: Curupayty



  • Lat: 27 6' 27''S | Lon: 58 33' 48''W










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