Castle of Olivença

Olivenza, Badajos - Spain

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O "Castelo de Olivença" localiza-se à margem esquerda do rio Guadiana, na povoação de mesmo nome, na província de Badajoz, na Espanha. A soberania sobre este território raiano, vizinho a Badajoz, é objeto de um secular contencioso diplomático entre os dois países - a chamada "Questão de Olivença" -, em cujos termos Portugal reclama a sua devolução desde o Congresso de Viena (1815).

História

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã, o território à margem esquerda do Guadiana foi dominado quando da conquista definitiva de Badajoz pelas forças de Afonso IX de Leão (1188-1230), na Primavera de 1230.

Como compensação pelos serviços prestados nessa conquista, o soberano fez a doação dos domínios de Burguillos e de Alconchel aos cavaleiros da Ordem do Templo, para que os povoassem e defendessem. Em algum momento entre esta doação e o ano de 1256, a Ordem estabeleceu a Comenda de Olivença, à época uma pequena povoação que se afirmava em torno de uma fonte (atual "Fuente de La Corna"), voltada para a agricultura e para a pastorícia. Nesse local, os Templários ergueram um castelo e uma igreja sob a invocação de Santa Maria, organizando a exploração económica da comunidade.

Ao mesmo tempo em que a Ordem do Templo e a Ordem de Santiago se expandiam para o sul sob o reinado de Fernando III de Leão e Castela, registava-se a expansão portuguesa na margem esquerda do Guadiana, de tal modo que sob o reinado de Afonso X de Leão e Castela foram por aquele soberano tomadas duas medidas:

- a Convenção de Badajoz (1267), que afirmou o curso dos rios Caia e Guadiana como raia entre os domínios de Castela e de Portugal; e

- a remoção da Ordem do Templo dos domínios raianos de Olivença, com a integração dos mesmos ao Concelho e Bispado de Badajoz.

Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), entretanto, o equilíbrio de forças assim obtido alterou-se a favor de Portugal: em Castela, o falecimento prematuro de Sancho IV de Castela (1284-1295), a regência de D. Maria de Molina e a menoridade de Fernando IV de Castela, acarretaram grave crise política que conduziu à sublevação da nobreza. Como agravante deste quadro de guerra civil, os Muçulmanos intentaram uma contra-ofensiva. O soberano português, aproveitando-se desta conjuntura, através de uma combinação de pressão militar e diplomática, agiu para recuperar os domínios portugueses perdidos na margem esquerda do rio Guadiana: Mértola, Noudar e Mourão, com a assinatura da Convenção de Ciudad Rodrigo (1295).

Com a assinatura do Tratado de Alcanizes (1297), os domínios de Olivença e seu castelo foram confirmados na posse da Coroa portuguesa, revalorizando-lhe a posição estratégica frente a Badajoz, o que se traduziu num progressivo incremento das fortificações da primeira.

Desse modo, a partir de 1298 D. Dinis iniciou a reconstrução das primitivas defesas dos Templários, ampliando a cerca da vila que, com planta quadrada passou a ser amparada por catorze torres. Os trabalhos tiveram prosseguimento no reinado de seu sucessor, Afonso IV de Portugal (1325-1357), que os completou em 1335, com a construção da alcáçova em seu interior, no vértice a norte.

No reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383) Olivença recebeu uma nova cerca mais extensa, de planta oval, onde se rasgavam cinco portas. Embora esta estrutura não tenha chegado até nós, uma vez que foi inteiramente demolida, a forma de seu traçado persiste na malha urbana que condicionou.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385 a povoação e seus domínios retornaram à posse de Castela.

Sob o reinado de João I de Portugal (1385-1433) celebrou-se o 2.º Tratado de Monção (29 de novembro de 1389), por cujos termos celebravam-se tréguas por três anos com João I Castela (1379-1390) e fazia-se a restituição mútua de terras conquistadas: Portugal cedia a Castela Salvaterra de Miño e Tuy, e recebia desta Mértola, Noudar e Olivença, no Alentejo, e Castelo Melhor, Castelo Mendo e Castelo Rodrigo, no Ribacoa.

João II de Portugal (1481-1495) fez levantar, no recinto da alcáçova, a mais alta torre de menagem da linha raiana (1488). Elevando-se a 35 metros de altura, o conjunto recebeu o reforço de um fosso inundado. O seu topo era acedido por um conjunto de 17 rampas, que permitia a movimentação de peças de artilharia. Esta obra monumental próxima a Badajoz, erguida em tempo de paz, foi acompanhada à distância, com suspeição, pela Coroa de Castela.

Ao se iniciar o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), desenvolveu-se uma nova etapa construtiva nas fortificações de Olivença: a cerca fernandina foi demolida por Afonso Mendes de Oliveira e a sua pedra aproveitada na construção de uma terceira cerca, da qual dispomos a iconografia de Duarte de Armas no "Livro das Fortalezas" (c. 1509), em duas vistas (fls. 23 e 24, ANTT) e uma planta (fl. 123v.º).

Este soberano foi responsável, ainda, por outra importante estrutura militar para a defesa de Olivença: a construção de uma ponte fortificada sobre o rio Guadiana, visando assegurar as comunicações entre as tropas portuguesas nas duas margens, a chamada Ponte da Ajuda.

A Guerra da Restauração e a Praça-forte de Olivença

(Ver "Praça-forte de Olivença")

No contexto da Guerra da Restauração da Independência de Portugal (1640-1668), a posição de Olivença readquiriu importância estratégica. Desse modo, uma nova etapa construtiva teve lugar, demolindo-se para esse fim a antiga cerca manuelina e reaproveitando-se a sua pedra para erguer uma quarta muralha, amparada por nove baluartes.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), a Praça-forte de Olivença passou para o domínio espanhol. O conjunto defensivo foi bastante danificado durante o conflito e pelo seu subsequente abandono.

Na atualidade

Em 1975 o antigo castelo sofreu uma extensa intervenção de restauração, quando as suas dependências foram requalificadas, passando a sediar o Museu Etnográfico de Olivença.

Em 2006 o castelo sofreu nova intervenção, tendo sido restaurada a porta de São Sebastião.

Características

Constituía-se em um castelo com muralhas espessas e elevadas, em alvenaria de pedra, reforçadas por grandes torres de paredes cegas. A defesa era efetuada a partir dos matacães, uma vez que não possuía ameias.

As muralhas eram rasgadas por três portas, de que se conservaram duas: a Porta de Alconchel, em arco de volta perfeita, defendida por duas torres; e a Porta dos Anjos, também em arco de volta perfeita mas rematada por um frontão. A terceira porta, sob a invocação de São Sebastião, também em arco de volta perfeita, foi reconstruída no contexto dos trabalhos de restauração, em 2006.

A torre de menagem, de planta quadrangular, mede 18 metros de lado por 40 metros de altura, e é dividida internamente em três pavimentos, onde se destaca a decoração do último. É acedida por dezassete rampas com cobertura em abóbada de berço permitindo o trânsito de peças de artilharia.

Como apoio à defesa, os portugueses construíram ainda diversas atalaias de vigilância, com a função de comunicar à guarnição do castelo os movimentos das tropas castelhanas.



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Contribution

Updated at 13/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Castle of Olivença


  • Castle





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved






  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Badajos
    City: Olivenza



  • Lat: 38 -42' 53''N | Lon: 7 5' 60''W






  • Em 1975 o antigo castelo sofreu uma extensa intervenção de restauração, quando as suas dependências foram requalificadas, passando a sediar o Museu Etnográfico de Olivença.
    Em 2006 o castelo sofreu nova intervenção, tendo sido restaurada a porta de São Sebastião.

  • Castelo Templário



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