Praça-forte de Olivença

Olivenza, Badajos - Spain

A "Praça-forte de Olivença" localiza-se à margem esquerda do rio Guadiana, na povoação de mesmo nome, na província de Badajoz, na Espanha. A soberania sobre este território raiano, vizinho a Badajoz, é objeto de um secular contencioso diplomático entre os dois países - a chamada "Questão de Olivença" -, em cujos termos Portugal reclama a sua devolução desde o Congresso de Viena (1815).

História

Antecedentes

(Ver "Castelo de Olivença")

Da Guerra da Restauração à Questão de Olivença

No contexto da Guerra da Restauração da independência de Portugal (1640-1668), a posição lindeira de Olivença readquiriu importância estratégica. Desse modo, uma nova etapa construtiva teve lugar, transformando a cidade numa autêntica Praça-forte.

Imediatamente após a Restauração, foi Matias de Albuquerque quem organizou a defesa de Olivença, reparando toda a fortificação medieval e abrindo cavas em toda a volta da vila. (ALMEIDA, 1948, v. III, p. 207) Em 1643 por ordem de João IV de Portugal (1640-1656), deu-se começo à nova fortificação abaluartada, com a demolição da antiga cerca manuelina, reaproveitando-se a sua pedra para erguer uma quarta muralha, com planta no formato de um polígono estrelado, amparada por nove baluartes. Nela se rasgavam três portas: de Santo António, do Calvário e Porta Nova, ou de Santa Quitéria, hoje desaparecida. O risco e a direção das obras ficaram a cargo do arquiteto militar jesuíta Neerlandês Joannes Cieremans (Cosmander), responsável pelas obras da Praça-forte de Elvas.

Ainda em obras, resistiu vitoriosa aos assaltos espanhóis de 20 de julho, 17 e 27 de setembro de 1644. Capturado (ou tendo-se bandeado, as fontes divergem) por forças espanholas, Cosmander veio a falecer a 18 ou 20 de junho de 1648, baleado num ataque a essa mesma praça, à frente de um efetivo de 1.000 homens, quando a defendiam D. João Telo de Meneses, o seu governador militar, e o mestre de campo D. António Ortiz, ficando gravemente ferido o primeiro e vindo a falecer este último.

Sob a regência de D. Luísa de Gusmão, em 12 de abril de 1657 um novo exército espanhol, com um efetivo de 6000 infantes e 2500 cavaleiros, impôs cerco à praça, a qual, sem receber os reforços esperados, capitulou.

Em janeiro de 1658 o conde de Cantanhede (depois marquês de Marialva), reconquistou a praça para as armas portuguesas. Após a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668, com a paz foram retomados os trabalhos de fortificação, assim como reconstruída a ponte da Ajuda, cujos arcos centrais viriam a ser explodidos em 1709, no decurso da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714).

Durante a primeira metade do século XVIII, os trabalhos na Praça-forte ganharam vulto, com a adição de estruturas significativas como as dos Quartéis da Cavalaria e da Infantaria, o Quartel Central ("Padaria do Rei"), o paiol de Santa Bárbara, o hospital militar de São João de Deus, as portas do Calvário, os revelins e demais obras exteriores.

Na segunda metade desse século, reorientando a sua orientação estratégica frente ao país vizinho, Portugal transita de uma política ofensiva para uma defensiva, o que afetou a sua posição à margem esquerda do rio Guadiana, particularmente a Praça-forte de Olivença: todos os arquitetos militares estrangeiros que a visitam, a pedido da Coroa portuguesa (Charles Rainsford, Guillaume-Louis-Antoine de Valleré, Christian August von Waldeck, Príncipe de Waldeck e Pyrmont, o Cavaleiro de Myremont), recomendaram o seu abandono estratégico considerando:

- a vultosa quantidade de soldados, artilharia, munição e demais petrechos, necessários para manter em estado de defesa uma praça de tais dimensões: nove baluartes de Olivença contra oito de Badajoz.

- a fragilidade logística constituída pela manutenção e operação da Ponte da Ajuda.

- a dificuldade tática de um corpo de exército que pretendesse auxiliar Olivença, caso a sua única linha de retirada, através do rio Guadiana fosse cortada.

Talvez devido a essas recomendações, quando da chamada "Guerra das Laranjas" (1801), a praça tenha sido entregue, sem resistência, por seu Governador, Júlio César Augusto Chermont (20 de maio), à vista das tropas espanholas que, naquele mês, sob o comando de Manuel Godoy, invadiram e ocuparam o Alentejo. Iniciava-se a chamada "Questão de Olivença", diferendo diplomático que se arrasta até aos nossos dias entre ambas as nações.

Com a revolta dos espanhóis contra Napoleão Bonaparte, as tropas francesas ocuparam diversas praças, entre as quais a de Olivença. Em 15 de abril de 1811 tropas portuguesas sob o comando do britânico William Carr Beresford recuperaram Olivença. Aquele comandante, entretanto, não deixou guarnição portuguesa na praça, que recaiu em mãos espanholas. (ALMEIDA, 1948, v. III, pp. 208-209.)



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Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Praça-forte de Olivença


  • Fortified City





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved






  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Badajos
    City: Olivenza



  • Lat: 38 -42' 55''N | Lon: 7 5' 57''W










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