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Porto, Porto - Portugal

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As "Muralhas do Porto" localizam-se na cidade, concelho e distrito do Porto, em Portugal.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do sítio do Porto, sobranceiro à margem direita do rio Douro, remonta ao período final da Idade do Bronze, aproximadamente por volta do século VIII a.C., possivelmente por castros. O povoado proto-histórico terá mantido, desde cedo, importantes ligações comerciais com a bacia do mar Mediterrâneo.

À época da invasão romana da Península Ibérica, a povoação, então denominada de "Portus Cale", já contava com edificações de porte e controlava um importante eixo viário entre "Olissipo" (atual Lisboa) e "Bracara Augusta" (atual Braga). O mais importante núcleo foi identificado pela pesquisa arqueológica na década de 1940 no alto da Pena Ventosa (morro da Sé), quando foram trazidas à luz uma ara votiva, uma moeda do imperador Constantino e duas colunas de mármore. Datará desta época a primitiva cintura de muralhas da povoação, durante muito tempo designada como Muralha Sueva, mas hoje identificada como de origem romana, do século III, e reconstruída no século XII.

Com as invasões bárbaras da península Ibérica, os Suevos adquiriram o controlo sobre todo o noroeste peninsular. A povoação, então denominada como "Portucale", neste período foi elevada a sede de bispado, vindo a sofrer expressivo retrocesso após a invasão muçulmana da península Ibérica, no século VII.

Da Reconquista Cristã à formação da nacionalidade: a muralha primitiva

À época da Reconquista cristã da península a região de "Portucale" foi reconquistada pelas forças de Vímara Peres no ano de 868, ficando sujeita às oscilações da linha da fronteira.

Embora não haja informações sobre as estruturas defensivas neste período, é certo que no século X uma muralha já existia, conforme se infere da leitura da carta do cruzado inglês que descreveu a conquista de Lisboa, datada de 1147. Tendo a expedição passado pela foz do rio Douro, quando acedeu auxiliar D. Afonso Henriques (1143-1185) na conquista daquela cidade, o documento informa que, tendo a cidade do Porto sido assolada por uma incursão de sarracenos, os estragos haviam sido reparados havia uns oitenta anos, isto é, por volta de 1067. Com base nessas informações, e nesse recorte temporal, os estudiosos admitem que a incursão sarracena tenha ocorrido no contexto da ofensiva Omíada de Abu Amir Muhammad ibn Abdullah ibn Abi Amir, al-Hajib al-Mansur em 997 e que os reparos tenham tido lugar em fins do reinado de Fernando I de Leão (1037-1065).

A condessa D. Teresa, mãe do futuro Afonso I de Portugal (1143-1185), fez a doação do couto do Porto ao bispo da Diocese do Porto, D. Hugo (1114-1136), o qual, em 1123, lhe outorgou a primeira carta de foral. Datará desta época a reconstrução da primitiva cintura de muralhas da povoação, o muro romano.

O "castelo" medieval

Em meados do século XIV, testilhando a Mitra e a Cidade sobre direitos de jurisdição, foi notificado perante os juízes, pelos procuradores do Concelho, que por motivos de defesa, por ocasião dos desentendimentos entre Dinis I de Portugal (1279-1325) e o infante D. Afonso, entre os anos de 1320 a 1321, tinham sido mandadas demolir algumas casas construídas junto ao muro do castelo. A expressão "castelo" já havia sido empregada anteriormente nas "Inquirições" de 1258, embora uma carta dirigida por Sancho I de Portugal (1185-1211) ao então bispo da Diocese do Porto leve a crer chamar-se "castelo", à época, ao alto do morro da Pena Ventosa, pois nela recomenda o monarca ao prelado que promova a realização de mercado ante a porta da Sé, "para que o castelo seja melhor povoado".

Da Idade Média à Idade Moderna: a muralha gótica

Durante o século XIV, a cidade do Porto conheceu uma grande expansão urbana para além do seu núcleo inicial do morro da Pena Ventosa, em torno da Sé, protegido pela Cerca Velha, erguida em cima do primitivo muro romano. Este surto de povoamento foi particularmente notável na margem ribeirinha do Douro, refletindo a crescente importância das atividades comerciais e marítimas.

A construção do edifício da Alfândega, em 1324, havia representado um duro golpe nos interesses do bispo do Porto.

A cidade sentia, portanto, a necessidade de um espaço amuralhado mais vasto que o da Cerca Velha. Os primeiros a apresentarem essa reivindicação foram burgueses com casas e negócios extramuros e portanto menos protegidos.

Em 1336, sob o reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357), começou a ser construída uma nova cintura de muralhas que ficou praticamente concluída por volta de 1370. O fato de as suas obras só terem sido concluídas em 1374 (ou 1376), sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), explica o fato de ser correntemente designada por "Muralha Fernandina".

Um século e meio depois (1529) ruíram 360 braças da muralha, entre a Porta do Olival e a Porta dos Carros, ou seja, ao longo da antiga Calçada da Natividade, hoje Rua dos Clérigos. A reedificação deste troço da muralha foi feita entre 1607 e 1624. Durante esses trabalhos, o mestre carpinteiro Bartolomeu Fernandes, morador em Miragaia, tomou de empreitada por 17$000 réis "o conserto das portas da Ribeira e dos Postigos da Lada, das Tábuas e dos Barbeiros".

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

Na cidade do Porto a Dinastia Filipina (1580-1640) correspondeu a um período de acentuado desenvolvimento urbano e administrativo. As grandes mutações artísticas começaram nesta época, para atingir toda a sua magnificência no século XVIII, a época áurea da difusão do vinho do Porto.

No século XVIII a muralha românica ainda estava quase intacta, pois foi descrita pelo padre Manuel Pereira de Novais na "Anacrisis Historial"; das quatro portas que se abriam nessa vetusta muralha, a última demolida foi a chamada Porta de Vandoma que perdurou até 1855.

Perdida a sua importância militar, as muralhas do Porto começaram a ser progressivamente demolidas a partir da segunda metade do século XVIII para dar lugar a novos arruamentos, praças e edifícios. A maior parte foi demolida já em finais do século XIX.

Os troços remanescentes das Muralhas Fernandinas encontram-se classificados como Monumento Nacional desde 1926.

Em nossos dias, da cerca românica apenas subsistem um cubelo e um reduzido trecho, reconstruídos em meados do século XX. Da cerca gótica perduram vários lanços da muralha e alguns torreões.

Características

Exemplar de arquitetura militar, românico e gótico.

A muralha românica, erguida sobre o primitivo muro romano, de traçado orgânico (adaptada ao terreno) possuía um perímetro aproximado de 750 metros e uma área que não atingia os 4 hectares, delimitando o morro da Pena Ventosa que tinha o seu centro nevrálgico na Sé do Porto.

Esta muralha era rasgada por quatro portas:

- Porta de Vandoma: em frente da atual Rua Chã, era a mais nobre e larga, e a única que permitia a entrada de carros; foi demolida em 1855

- Porta de São Sebastião: próxima da Antiga Casa da Câmara; foi demolida em 1819

- Porta de Sant'Ana ou Arco de Sant'Ana, na Idade Média também conhecida por o Portal: na Rua de Sant'Ana; foi demolida em 1821

- Porta das Mentiras, a partir do século XIV denominada como Porta de Nossa Senhora das Verdades: nas Escadas das Verdades; desconhece-se a data do seu desaparecimento.

A muralha gótica apresentava traçado geométrico, com um perímetro de cerca de 3.000 passos (2.600 metros), limitando uma área de 44,5 hectares. Elevava-se a uma altura de 30 pés (9 metros). Com alto porte e grande robustez, era encimada por ameias salientes, sendo amparada por vários cubelos e torres de planta quadrada, que excediam em onze pés a muralha, com exceção das torres que defendiam as Porta do Cimo da Vila e Porta do Olival, que subiam 30 pés acima desse nível. Era rasgada por 17 portas e postigos.

O seu traçado seguia pela margem ribeirinha do Douro até ao limite com Miragaia, subia pelo Caminho Novo e São João Novo até ao cimo do Morro do Olival; depois tomava a direção leste passando junto às hortas do bispo e do cabido e continuava para a Rua de Cimo de Vila, onde existia a Porta do Cimo da Vila; a seguir contornava os morros da Cividade e da Sé por nascente e descia pela escarpa dos Guindais até à Ribeira, próximo da saída do tabuleiro inferior da atual Ponte Luís I.

Portas e postigos

Começando pela Porta Nova ou Nobre que dava saída para Miragaia, junto ao rio Douro, as portas e postigos eram os seguintes (no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio):

1. Porta Nova ou Nobre (inicialmente de Miragaia), na margem do rio Douro. Esta porta aberta, em 1522, por ordem de D. Manuel I, veio substituir e alargar o Postigo da Praia. Foi demolida em 1872 quando se abriu a Rua Nova da Alfândega. Era por aqui que se fazia a entrada solene dos Bispos quando vinham ocupar o cargo. Era uma das principais portas da cidade. No Museu Nacional de Soares dos Reis existem, a lápide coeva de D. Fernando, com o escudo Real, que rematava o primitivo postigo e que se manteve quando da reconstrução, e a lápide e pedra de armas, colocadas quando da Restauração da Independência em 1640.

2.Postigo dos Banhos

3. Postigo do Pereira ou Lingueta

4. Postigo da Alfândega ou do Terreirinho, demolido em 1838.

5. Postigo do Carvão - o único que sobreviveu até hoje, assim chamado por ser por aí que entrava o combustível que ficava em depósito na Fonte Taurina.

6. Porta da Ribeira, voltada a leste, demolida em 1774 por ordem de João de Almada e Melo, quando se decidiu construir a Praça da Ribeira. Esta foi a primeira porta da cidade onde se gravou a inscrição alusiva à consagração de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, decretada por João IV de Portugal.

7. Postigo do Pelourinho

8. Postigo da Forca

9. Postigo da Madeira

10. Postigo da Lada ou da Areia

11. Porta do Sol – primitivamente Postigo do Carvalho do Monte ou de Santo António do Penedo em honra do santo da ermida que lhe ficava próxima, foi reconstruída com maior imponência pelo corregedor João de Almada e Melo, em 1774.

12. Porta do Cimo de Vila

13. Porta de Carros - inicialmente apenas um postigo junto à Igreja dos Congregados, esta porta foi aberta em 1551, por Ordem Régia de João I de Portugal desde 1409, a pedido da Câmara para conveniência do serviço das hortas que ficavam próximas e para a entrada dos carros de pedra para reconstrução das casas da Rua Chã que tinham ardido. Esta porta, demolida em 1827, tinha a ladeá-la duas torres.

14. Porta de Santo Elói - inicialmente Postigo do Vimial, foi demolida por acordo entre os padres Lóios e o Senado da Câmara para alargamento do Largo dos Lóios.

15. Porta do Olival

16. Porta das Virtudes - inicialmente apenas postigo, abria-se onde se encontra atualmente a Igreja de São José das Taipas.

17. Postigo de São João Novo ou da Esperança, na rua da Esperança, próxima à capela de Nossa Senhora da Esperança.

Bibliografia

DIONÍSIO, Sant'Anna (coord.). "Guia de Portugal (3ª ed.)". Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994. vol. 4.º. ISBN 972-31-0635-3



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Contribution

Updated at 08/12/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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    Os troços remanescentes das Muralhas Fernandinas encontram-se classificados como Monumento Nacional desde 1926.





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