Fort of Nossa Senhora da Conceição de Pedrouços

Oeiras, Lisboa - Portugal

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O "Forte de Nossa Senhora da Conceição de Pedrouços" localizava-se na margem direita da Ribeira de Algés, afluente da margem direita do rio Tejo, próximo à ponte de pedra da Estrada de Lisboa, sobre a praia de Pedrouços, na atual freguesia de União das Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada/Dafundo, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, em Portugal.

História

Foi erguido, assim como o Forte da Maruja no Dafundo, na passagem do século XVII para o XVIII, para reforço da defesa das chamadas "Praias" (designação à época para a região litorânea entre as ribeiras de Algés e do Jamor) contra um eventual desembarque espanhol (CASIMIRO, Jaime. Um Forte mal identificado: o Forte da Maruja. In: "A Voz de Paço de Arcos", nºs. 145-146, abril-maio de 2005.) no contexto internacional que conduziu à Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714).

A primeira referência documental a seu respeito consta de um Decreto Real, datado de 30 de agosto de 1701, que nomeia como seu Governador o Visconde de Fonte Arcada. Uma planta de sua estrutura encontra-se no trabalho de João Tomás Correia, o "Livro de Várias Plantas deste Reino e de Castela" (1736), onde se refere que o forte "Se fez no ano de 1703". Uma outra referência à estrutura é feita pelo brigadeiro António do Couto de Castelo Branco, nas suas "Memórias Militares" (1719).

Em 1735 o forte foi inspecionado por um oficial, anónimo, que a encontrou muito danificada pelas intempéries. Segundo um Relatório, também anónimo, de 1751, foi "consertada de novo".

Em 1758 encontra-se referido como "Forte de Ponta de Palhais" e, em 1762, o seu Comandante era o cabo Luís dos Santos Ribeiro. Sob o n.º 299 o registo da "Décima Militar" de 1765 informa que nela residia o monsenhor João Guedes Pereira, razão pela qual era conhecido à época também como "Forte do Guedes".

Perdeu a função estratégica após a construção, em 1780, da Bateria do Bom Sucesso, entre as praias do Bonsucesso e de Pedrouços, vindo a transformar-se em um palácio, por iniciativa dos condes de Pombeiro e marqueses de Belas.

Nas "Memórias da Barra do Tejo e da Planta de Lisboa", de autor desconhecido, com data de 14 de agosto de 1803, este forte não se encontra mencionado. Sabe-se que, em 1818, já transformado em residência particular e nunca mais se encontra citado em qualquer lista ou relatório de fortificações.

A ala oeste do palácio, posteriormente demolida, deu lugar a novo prédio, com a fachada voltada à atual Praça 25 de Abril. Seria aí a entrada para o palácio, por um portão sobre o qual um nicho abrigava a imagem da Padroeira de Portugal, Nossa Senhora da Conceição, que deu nome ao forte. O edifício que em fins do século XIX era conhecido como Palácio da Conceição, passou a ter entrada pela rua Direita, atual Afonso Palla, para aí tendo sido transferido o nicho com a imagem, entretanto desaparecida.

Mário Sampaio Ribeiro registou na sua obra "Da Velha Algés" (1938) que no "seu recinto [do forte de Pedrouços] os nobres Condes de Pombeiro e Senhores de Belas levantaram sumptuoso palácio cujo portão é coroado pela imagem de pedra da Padroeira do Reino - N.ª S.ª da Conceição". E complementa: "Este portão foi demolido há relativamente poucos anos para se edificar o grande prédio chamado do Patrício, no actual Largo da Estação".

De acordo com Branca de Gonta Colaço e Maria Archer ("Memórias da Linha de Cascais", 1943) em 1850 o forte já era uma residência particular que os Condes de Pombeiro, nessa altura Marqueses de Belas, compraram e habitaram, em 1870. Afirmam as autoras que o Forte foi reconstruído de alto a baixo e transformado num palácio. Ao prédio construído no terreno, após demolição duma ala do palácio, chamam prédio do Senhor Agostinho da Bela. E complementam, observando que "no terreno ocupado pelas muralhas históricas vemos agora esse prédio e a velha construção arruinada onde estiveram o Correio, a Junta de Freguesia, o Registo Civil, etc., e uma garagem".

Um opúsculo de 1871 regista de maneira crítica:

"Do lado fronteiro às casas referidas, apresenta-se qual Dona respeitável, uma habitação grande, de aspecto nobre e quatro faces rectangulares; jardim sem flores, seco, mirrado e tostado foi, dizem as crónicas, Forte, sempre fraco, e palácio de nobilíssimos marqueses, distintos, e elegantes, marqueses, que se por fatalidade, engano, acaso ou não sei porquê, deixaram de ser lindos eram sempre Belas, como ainda são. Agora vemos o Forte, que foi, e o palácio que deixou de ser, tudo enfim, convertido pelas alterações do tempo e variantes da sociedade, no afamado Hotel da Glória, templo dedicado aos Deuses da folia, e brincadeira, aonde vem por vezes, muitos celebrantes, entoar cânticos e hinos, em divertidas patuscadas, arranjando bicos, peruas, moefas e cabeleiras, de variados feitios, cada qual a seu gosto, para alegrar o espírito e refrescar a vista, crestada por aquelas areas, apesar de tão próximo das margens e ondas puras do nosso grandioso e velho padre Tejo". ("Digressão Recreativa, Passatempo Alegre ou Revista do Viver das Praias, na Época dos Banhos do Mar, no Corrente Ano de 1870")

Em fins do século XIX, o edifício conhecido como Palácio da Conceição sofreu várias adaptações, tendo sido utilizado como hotel, como casino, e como edifício público, nele tendo estado sediados os Correios, o Registo Civil e a Junta de Freguesia de Carnaxide.

Em 17 de outubro de 2002, quando o Palácio se encontrava a ser demolido pela EDIFER Imobiliária, os trabalhos foram embargados e o Centro de Estudos Arqueológicos do município identificou dois panos de muralha do forte ainda existentes, menos da metade da muralha virada para o mar, e toda a do lado leste, cuja conservação e valorização ainda foi possível assegurar, enquadrada no projeto reformulado do empreendimento imobiliário, onde hoje existe um espaço pedonal em que a muralha está visível através de placas de vidro.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo maneirista, apresentava planta no formato de trapézio isósceles, cujo lado direito estava implantado onde hoje se encontra a Praça 25 de Abril. Em seus muros abriam-se quinze canhoneiras, onze pelo lado mar, e duas em cada um dos lados. Pelo lado de terra erguiam-se as edificações de serviço e, a meio, rasgava-se o portão de armas.

O mar, que chegava ainda ao Palácio, foi ficando cada vez mais afastado e, junto ao que dele ficara, veio a passar a linha férrea e, na década de 1940, a Estrada Marginal (EN6).



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Contribution

Updated at 16/05/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Projeto Fortalezas Multimídia (Jéssica Pedrini) (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Fort of Nossa Senhora da Conceição de Pedrouços

  • Forte de Ponta de Palhais, Forte do Guedes

  • Fort

  • 1701 (AC)




  • Portugal


  • Missing

  • Monument only inventoried
    O palácio encontrava-se incorporado, descrito e caracterizado no Plano de Salvaguarda do Património Construído no Concelho de Oeiras.





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Oeiras

    Rua Major Afonso Palla, Algés.


  • Lat: 38 -42' 5''N | Lon: 9 13' 45''W






  • Em 17 de outubro de 2002, quando o Palácio se encontrava a ser demolido pela EDIFER Imobiliária, os trabalhos foram embargados e o Centro de Estudos Arqueológicos do município identificou dois panos de muralha do forte ainda existentes, menos da metade da muralha virada para o mar, e toda a do lado leste, cuja conservação e valorização ainda foi possível assegurar, enquadrada no projeto reformulado do empreendimento imobiliário, onde hoje existe um espaço pedonal em que a muralha está visível através de placas de vidro.




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