Tower of Lapela

Monção, Viana do Castelo - Portugal

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A “Torre de Lapela”, também referida como "Torre da Vara", localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Troporiz e Lapela, concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

Situada sobre um maciço rochoso na margem esquerda do rio Minho, é o único remanescente do antigo Castelo de Lapela, erguido com a função de defesa deste vau do rio e do caminho que seguia para o interior do país pela Portela do Vez.

História

À época da formação da nacionalidade, por ordem de D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185), um primitivo castelo no local foi erguido em 1130 por Lourenço de Abreu, senhor do couto e Torre de Abreu, em Meruje, e a quem são atribuídas ações de valentia, nomeadamente no recontro de Valdevez em 1128. (cf. Carvalho Costa, Pinho Leal, Augusto Vieira.) É possível que se trate antes de uma reconstrução de um anterior reduto remontando, pelo menos, aos tempos da Reconquista cristã da região.

Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211) o local foi repovoado em 1208.

GUERRA (1926) atribui o início da sua construção ao reinado de Pedro I de Portugal (1357-1367), tendo sido concluída sob Fernando I de Portugal (1367-1383) que lhe pôs sobre a porta de entrada o escudo de armas, sendo seu primeiro alcaide Vasco Gomes de Abreu. (Op. cit., p. 378)

João I de Portugal (1385-1433) concedeu Lapela a Vasco Fernandes Pacheco, visto este ter-lhe doado Monção em 1423; a doação foi depois resgatada pelo doador, por 1.500 libras. GUERRA (1926) atribui a este soberano, e a Afonso V de Portugal (1438-1481) a construção do castelo, por julgarem importante este ponto. (Op. cit.,p 378)

No século XVI, visando o seu povoamento, uma Carta Régia permitiu a Lapela ser couto de homiziados. Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) o castelo encontra-se representado por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509). GUERRA (1926) informa que este soberano fez reforçar-lhe as defesas, do que encarregou a Lopo Gomes de Abreu, descendente do fundador, alcaide-mor não apenas de Lapela, mas também de Melgaço e de Castro Laboreiro. (Op. cit., p. 378)

Do século XVII aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), quando da invasão de 1658, as forças espanholas sob o comando do Governador e Capitão-general da Galiza, D. Rodrigo Pimentel, marquês de Viana, atravessaram o rio em Lapela (30 de setembro de 1658) e sitiaram o castelo (2 de outubro), que assaltaram (4 de outubro), vindo o seu governador, o capitão Gaspar Lobato de Lanções, a render-se (5 de outubro), mesmo dispondo de 150 homens e três peças de artilharia. (GUERRA, 1926:378) O castelo foi então guarnecido por tropas galegas e a força principal avançou sem resistência para cercar as praças de Monção e Salvatierra. Uma década mais tarde, com a assinatura do Tratado de Paz de Lisboa (1668) o castelo retornou à posse de Portugal.

Findo o conflito, ao contrário do parecer do engenheiro militar Michel de L’Ècole, em 1671 Afonso VI de Portugal (1656-1683) decidiu conservar os castelos de Lapela e de Castro Laboreiro. À época, o alcaide-mor Francisco Vieira Guedes solicitou a nomeação do seu filho, Pedro Vieira Guedes, para o lugar (1677).

GUERRA (1926) informa que, em 1685, reconhecida a inutilidade deste castelo, desfizeram-se os seus muros para aproveitar a pedra na construção das muralhas com que se rodeou a Praça-forte de Monção. Pouco depois, em 1709, a Câmara Municipal aforou o terreno do castelo. (Op. cit., p. 378)

Quando do terramoto de 1 de novembro de 1755, a torre não padeceu ruína. O pároco João Alvares Manhozo, nas “Memórias Paroquiais” (12 de maio de 1758), informou:

"À borda deste rio Minho e no meio deste lugar em cima de huns pinhascos esteve fundado hum lindo, alto e forte castello ameado e também seus grandes muros com foços e estacadas onde havia coartéis e armazéns conrespundentes. Huma capella de Sam Brás, cuja imagem se conserva na igreja matriz. E místico com dois muros, hum mais pequeno castello alicerçado em o dito rio, por dentro do coal sem perigo se hia buscar a agua necessaria para a praça, edeficio certamente singular nesta Província, de foram alcaides mores os Senhores de Regalados. E se antigamente inespugnavel e depois reconheceu a experiência de novos artifícios melitares o pouco que podia defender-se por estar condenado de muitas eminências que à roda tinha, pello que se desfez para se fortificar a praça de Monção.

E somente pera a memoria ficou a torre, que hé muito alta, a que chamam Varanda do Castello, cuja parede tem 13 palmos de largo de pedra fina muito labrada e com a face de dentro correspondente à de fora (…).” (Op. cit.)

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), em 1812, o Brigadeiro José Joaquim Champalimaud de Noussane de Lira e Castro, Governador da Praça-forte de Valença pretendeu "mandar-se construir algumas casas mattas em  continuação das duas casernas das Portas do Sol, onde ha terreno e lugar; e que esta obra não seria de maior despeza aplicando-se para ella a pedra da Torre de Lapela situada na margem esquerda do Minho a legoa e meia da Praça, pois se acha arruinada, e he inútil para outro fim". (CASTRO, 2009).  Tal não se concretizou por oposição do Tenente-General Matias Dias Azedo, Presidente da Comissão de análise ao estado da Praça-forte, o qual considerou o projecto "prejudicial para a Real Fazenda". (Op. cit.)

Entre 1835 e 1836 registou-se a queda de um raio sobre a porta da torre, “desconjuntando algumas pedras e abrindo fendas nos muros por onde se infiltrava a humidade que permitiu o crescimento de loureiros e oliveiras no cume”. (ALVES, 1985:55)

Arruinada foi alvo de depredações no seu interior e suscitou a ideia de vir a ser um manancial para suprir de pedras as obras de calcetamento de Monção, a exemplo do que já havia sido feito em 1844 em Vila Nova de Cerveira com a demolição de parte da Torre dos Mouros para o recalcetamento da Rua do Arrabalde. Efetivamente, em 1860 foram demolidos os restos do castelo, devido à Vereação da Câmara de Monção ter requisitado as pedras para calcetar algumas ruas.

PINHO LEAL referiu que "(...) uns illustrados vereadores, da Câmara de Monção quizeram, em 1860, mandar demolir este venerando monumento; mas homens de juízo, se oppozeram tenazmente a esta barbaridade e poderam (por aquella vez) salvar a torre da Lapella dos vândalos do século XIX. Os taes Vereadores queriam a pedra da torre para fazerem calçadas em Monção!" (PINHO LEAL, 1875:51)

Quando aquele erudito a visitou em 1864 mediu-a, tendo verificado que tinha “66 metros de alto, 22 de largo em cada face e 3,11m de espessura a parede” (Op. cit.) Concluiu que possuía “uma porta em ogiva com uma pedra saliente (espécie de balcão) a servir de soleira” (Op. cit.) e não tinha “nem jamais teve escada para subir a ella, senão uma escada portátil de madeira” (Op. cit.). Reparou também que “no alto da torre encarregaram-se os melros e outros pássaros de semear um olival e alguns loureiros, cujo fructo também só elles colhem”.

Neste período a torre foi referida como a "Torre de Belém do Minho". ("O Minho Pitoresco", 1886.)

Encontra-se classificada como Monumento Nacional, por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.

Em meados do século XX fotografias da época mostram a torre com as fachadas terminadas em parapeito liso.

A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu-lhe intervenção de consolidação e restauro de 1936 a 1938, tendo procedido a construção de 20 ameias piramidais, reparado o telhado, colocado lajeado de cantaria no adarve, soalho e escada em madeira de pinho e colocado porta exterior de madeira. Em 1939 foram consolidados os alicerces e instalada escada exterior de acesso, entre outros serviços, inclusive o apeamento de construções adossadas à torre. Em 1942 foram concluídas as obras interiores de restauro, instaladas escadas de comunicação entre os pisos e colocado um para-raios. Mais tarde, em 1978 a escada de acesso, de madeira, foi substituída por uma de ferro, e procedidos trabalhos diversos de conservação e limpeza. Em 1990 foi executada a instalação elétrica e a sua ligação à rede pública de iluminação, bem como executados trabalhos diversos de conservação e limpeza.

Em 1943 registou-se a cedência, a título precário, da chave da Torre aos Serviços da Direcção-Geral de Marinha, com a condição de mantê-la sempre limpa e acompanhar os turistas nas visitas ao Monumento.

Após intervenção de requalificação, foi reaberta ao público em 27 de maio de 2016 como "Núcleo Museológico Torre de Lapela". A empreitada, orçada em cerca de 70 mil euros, contou com financiamento no âmbito do “QREN – Valorização e Qualificação Ambiental – Eixo III – Património Cultural”, e englobou a restauração da torre, a beneficiação do pavimento envolvente e a valorização dos canastros existentes.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, de enquadramento rural, isolado.

A torre apresenta planta quadrangular com cerca de 11,50 metros de lado e 27 metros de altura. As suas paredes, em aparelho de pedra de granito, têm 2,30 metros de espessura. É dividida internamente em três pavimentos, contando com uma cisterna.

A fachada principal está voltada a norte, com entrada sobrelevada a cerca de 10 metros, por portal de arco quebrado, de aduelas largas e com brasão nacional na chave, assente nos pés direitos e com chanfro encimado por fresta. As restantes fachadas são rasgadas por três frestas sobrepostas, todas elas muito estreitas e a abrirem para o interior, onde os pavimentos são de madeira e a comunicação entre os pisos é feita por escadas também de madeira.

As fachadas são terminadas em parapeito ameado, de ameias de corpo estreito tronco-piramidais, com cobertura em telhado de quatro águas, envolvido por adarve.

A disposição inicial da torre de menagem no centro do conjunto muralhado, conforme representado nos desenhos de Duarte de Armas, revela que o castelo de Lapela tinha uma organização antiga, típica dos castelos românicos, mas a estrutura existente da torre, com as frestas a abrirem amplamente para o interior, onde forma dois arcos, o exterior quebrado, é já bastante posterior, possivelmente do século XIV, e denuncia influências góticas tardias. Segundo fotografias da primeira metade do século XX, a torre antes do restauro terminava em parapeito liso e não ameado. Apesar dos vários autores considerarem o escudo existente no fecho do portal como sendo o brasão usado por D. Fernando, a disposição dos escudetes mostra ser posterior, visto estes só surgirem todos de pé depois da reforma das armas, em 1436.

Segundo os desenhos de Duarte de Armas, o castelo da Lapela teria, por volta de 1506, planta retangular irregular, com face curva a sudeste, onde torre quadrada reforçava a muralha circundante, a qual era ladeada por balcão. Interiormente, o castelo surgia subdividido em várias zonas por muros; a oeste tinha duas torres quadradas, com 12 varas de altura, telhadas, a da direita com dois vãos, as quais eram interligadas por muro disposto a leste pertencente a residência de dois sobrados, rasgada por vários vãos, sobre grande arco de passagem, que comunicava com as torres, possuindo muro que se interligava a sudeste à muralha do castelo, e muro prolongado à direita a partir do qual se ligava à torre de menagem, talvez por passadiço superior. A torre de menagem, também conhecida por "Torre da Vara", tinha 22 varas de altura, as fachadas rasgadas por três seteiras sobrepostas, era telhada e bem madeirada e possuía escadas de acesso ao adarve a leste. Pelo desenho representando o castelo pelo leste, parece existir uma torre albarrã junto ao rio Minho que, apesar de não ser desenhada na planta do mesmo, é referida nas “Memórias Paroquiais” de 1758 como um outro pequeno castelo, de modo a ir-se buscar água para o castelo em segurança.



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Torre da Lapela
Página dedicada à Torre da Lapela, e que integra o website “Vale do Minho. Espaço, Memória e Identidade” (http://www.emi.acer-pt.org/), projeto desenvolvido pela Associação Cultural e de Estudos Regionais - ACER - com a concepção e direção geral de Antero Leite. No menu principal do website do projeto, que aborda vários aspectos culturais da região do Vale do Minho (Portugal), na seção "Pesquisa Tipológica", opção "Arquitetura Militar", podem ser encontrados também conteúdos sobre outras fortificações dessa região.

http://acer-pt.org/vmdacer/index.php?option=com_content&task=view&id=3...

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Contribution

Updated at 13/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


  • Tower of Lapela

  • Castelo de Lapela, Torre da Vara

  • Fortified Tower





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como Monumento Nacional, por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.







  • 64,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Monção



  • Lat: 42 -4' 37''N | Lon: 8 32' 18''W






  • 1936-1938: construção de 20 ameias piramidais, reparado o telhado, colocado lajeado de cantaria no adarve, soalho e escada em madeira de pinho e colocado porta exterior de madeira;
    1939: consolidados os alicerces e instalada escada exterior de acesso, entre outros serviços, inclusive o apeamento de construções adossadas à torre;
    1942: concluídas as obras interiores de restauro, instaladas escadas de comunicação entre os pisos e colocado um para-raios;
    1978: substituição da escada de acesso, de madeira, por outra, de ferro, e procedidos trabalhos diversos de conservação e limpeza;
    1990: executada a instalação elétrica e a sua ligação à rede pública de iluminação, bem como executados trabalhos diversos de conservação e limpeza.




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