Castle of Castro Laboreiro

Melgaço, Viana do Castelo - Portugal

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O “Castelo de Castro Laboreiro”, também referido como “Castelo de Castro Laboredo” e “Castelo de Castro Leboredo”, localiza-se na freguesia de União de Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, concelho de Melgaço, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

Em posição dominante no alto de um monte, em terreno de difícil acesso entre as bacias dos rios Minho e Lima, inscreve-se em nossos dias no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

História

Antecedentes

A região foi ocupada desde a pré-história, conforme o demonstram os monumentos megalíticos abundantes no planalto a nordeste de Castro Laboreiro.

Embora não haja informações históricas abundantes, a ocupação deste sítio parece ligar-se ao traçado das diversas estradas romanas que aqui possuíam pontes para a travessia dos rios da região (ribeiro de Barreiro, o rio Castro Laboreiro, o rio Cainheiras, o rio do Porto Seco e outros). PINHO LEAL, afirma ser mais certo que o castelo seja atribuível aos romanos. (“Portugal Antigo e Moderno”, 1873)

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã, Afonso III de Leão (848-910) doou o domínio de Laboreiro, na primeira metade do século X, ao conde D. Hermenegildo, avô de São Rosendo, por este ter vencido Witiza, um chefe local que se havia revoltado. O castelo foi erguido em 955, por iniciativa de São Rosendo, nomeado "Governador del Val del Limia" por Ordonho III de Leão (951-956).

Em 1140, D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185) conquistou a povoação de Laboreiro aos Leoneses, fazendo reparar a sua defesa (1145), (GUERRA, 1926:672) que passava a integrar a linha fronteiriça dos domínios de Portugal. Embora se desconheçam os detalhes dessa defesa, ela estaria concluída, conforme inscrição epigráfica, sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211). No início do reinado de Afonso II de Portugal (1211-1223) foi arrasado quando da invasão por tropas do reino de Leão (1212).

A povoação foi elevada a vila por carta de foral outorgada por Afonso III de Portugal (1248-1279) passada em Lisboa a 15 de janeiro de 1271. Um dos seus privilégios, concedido por vários reis e séculos mais tarde confirmado por João V de Portugal (1706-1750), era o de não se recrutarem aqui soldados. Vila e sede de Concelho entre 1271 e 1855, Laboreiro foi pertença do condado de Barcelos até 1834, bem como comenda da Ordem de Cristo desde 1319. Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), por volta de 1290 o castelo foi reconstruído, quando adquiriu a atual feição. Por esta época, a alcaidaria de Laboreiro e a de Melgaço encontravam-se unidas, a cargo da família Gomes de Abreu, de Merufe. Posteriormente, Fernando I de Portugal (1367-1383) doou esta alcaidaria a Estevão Anes Marinho (1375), que pouco tempo a conservou. (GUERRA, 1926:672)

No século XIV, após a conquista de Melgaço, João I de Portugal (1385-1433) pôs-lhe presídio, e utilizou Laboreiro como base para deter as incursões das forças castelhanas oriundas da Galiza. (Op. cit., p. 672)

Em 1441 o alcaide-mor de Melgaço e Laboreiro, Martim de Castro sob queixa de agravar os moradores daqueles lugares foi chamado à Corte, e não mais voltou a exercer esses cargos. (Op. cit., p. 672)

No reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), o castelo encontra-se figurado por Duarte de Armas, no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509), podendo-se observar as muralhas reforçadas por cinco torres de planta quadrangular. Ao centro, a torre de menagem, também de planta quadrangular, precedida por outra construção, com a cisterna a norte. Isolada, em plano inferior, a vila. Este soberano outorgou-lhe o Foral Novo, passado em Lisboa a 20 de novembro de 1513, passando a denominar-se Castro Laboreiro.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

Durante a Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), o castelo recebeu guarnição escolhida (1643), dele partindo as forças portuguesas que dois anos depois (1645) saíram a talar os campos espanhóis, saqueando as povoações vizinhas. Em maio de 1666 tropas espanholas sob o comando do Mestre de Campo General D. Baltasar de Rojas y Pantoja, conquistaram o castelo de surpresa, após quatro horas de batalha. Tendo deixado como Governador da praça D. Pedro Esteves Ricarte, este rendeu-se sem resistência a D. Francisco de Sousa, 5º conde do Prado, sendo acusado de se ter vendido aos interesses portugueses. (Op. cit., p. 673)

Findo o conflito, ao contrário do parecer do engenheiro militar Michel de L’Ècole, em 1671 Afonso VI de Portugal (1656-1683) decidiu conservar os castelos de Lapela e de Castro Laboreiro.

Com o fim da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), assinada a paz de 1715, o castelo foi desguarnecido. (Op. cit., p. 673)

Nas “Memórias Paroquiais” (1758) encontra-se sucintamente descrito: “[Castro Laboreiro] Somente tem um castelo antiquíssimo e se acham as casas que dentro em si tem, adonde habitavam os soldados e o governador do mesmo, todas arruinadas e sem portas e também se acha arruinada parte da muralha do dito castelo”.

Ainda nesse século, entre 1766 e 1778, foi utilizado por José António Freire de Andrade, 2.º conde de Bobadela, Governador das Armas da Província do Minho, para recolher homens e mulheres que se recusavam a apresentar os seus filhos recenseados para o serviço militar. Passaram por essa detenção cerca de 400 pessoas no período. Freire de Andrade encarregou do governo castrense a Manuel de Araújo Machado, o segundo do nome. (GUERRA, 1926:673)

Os últimos governadores do castelo pertenciam à casa da Amiosa, em Valadares, no concelho de Monção:

- Manuel de Araújo Machado, o Velho, enviuvou e professou no Convento Beneditino de Cela Nova, na Galiza, ainda no reinado de D. João V;

- Manuel de Araújo Machado, o Novo, sobrinho e genro do anterior, obteve despacho para governar Castro Laboreiro em 1746, com a patente de Sargento-mor de Infantaria, abandonando o cargo de Mestre Sala na Corte, gozando do novo cargo até falecer em 1779, aos 79 anos de idade. (Op. cit., p. 673)

No contexto da Guerra Peninsular, foi guarnecido e artilhado com quatro peças (1801). (Op. cit., p. 673) Com a paz, voltou a ser desguarnecido, iniciando-se o seu processo de abandono e ruína.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 33.587, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 27 de março de 1944.

Na década de 1970 foram promovidos trabalhos de prospecção arqueológica, que revelaram testemunhos de ocupação do período da Alta Idade Média.

Entre 1979 e 1981 tiveram lugar trabalhos de limpeza e consolidação do monumento.

Em 2005 a Câmara Municipal de Melgaço procedeu a obras de valorização do acesso ao castelo.

Atualmente subsistem alguns panos de muralha aparelhados e um portal de arco de volta perfeita, a chamada Porta do Sapo.

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento rural, isolado no alto de um monte, na cota de 1.033 metros acima do nível do mar.

Apresenta planta aproximadamente oval, adaptada ao terreno, orientada por um eixo norte-sul.

O conjunto, de arquitetura românica, apresenta padrões góticos expressos na integração de cubelos e pequenos torreões nos panos da muralha da alcáçova, e compreende dois núcleos:

• a norte, em plano mais elevado, o centro militar integrado pela torre de menagem no centro da praça de armas e pela cisterna. Em seus muros rasgavam-se duas portas, a principal, a leste, denominada como Porta do Sol; e a norte, a Porta da Traição, também denominada como Porta do Sapo, um estreito postigo com apenas 0,60 metros de largura.

• a sul, em plano inferior, um recinto secundário, delimitado por um pano de muralhas orientado no sentido leste-oeste. O acesso é feito por uma ponte em arco pleno sobre pés direitos. A sua função primitiva era a de recolher gado e bens em caso de ameaça, o que, segundo os estudiosos, é único no país e denota a importância da atividade pecuária na região.

De acordo com os desenhos de Duarte de Armas, o castelo possuía à época (c. 1509) as muralhas reforçadas por cinco torres quadrangulares envolvendo a torre de menagem central, precedida por outra edificação e com cisterna mais para norte. A sul erguia-se junto à torre uma edificação não identificada. Na planta assinala apenas uma porta a sul; contudo no desenho lateral assinalou duas, as mesmas identificadas na planta atual do castelo.



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Página dedicada ao Castelo de Castro Laboreiro, e que integra o website “Vale do Minho. Espaço, Memória e Identidade” (http://www.emi.acer-pt.org/), projeto desenvolvido pela Associação Cultural e de Estudos Regionais - ACER - com a concepção e direção geral de Antero Leite. No menu principal do website do projeto, que aborda vários aspectos culturais da região do Vale do Minho (Portugal), na seção "Pesquisa Tipológica", opção "Arquitetura Militar", podem ser encontrados também conteúdos sobre outras fortificações dessa região.

http://www.emi.acer-pt.org/concelhos/melgaco/17-castro-laboreiro/5-cas...

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Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


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  • Conserved Ruins

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 33.587, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 27 de março de 1944.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Melgaço



  • Lat: 42 -2' 29''N | Lon: 8 9' 33''W




  • 1801: quatro peças de artilharia antecarga, de alma lisa.


  • Década de 1970: trabalhos de prospecção arqueológica revelaram testemunhos de ocupação do período da Alta Idade Média;
    De 1979 a 1981: trabalhos de limpeza e consolidação do monumento;
    2005: Câmara Municipal de Melgaço procedeu a obras de valorização do acesso ao castelo.




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