Castle of Salvaterra do Extremo

Idanha-a-Nova, Castelo Branco - Portugal

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O "Castelo de Salvaterra do Extremo" localiza-se na vila e freguesia de mesmo nome, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, em Portugal,

Castelo raiano na Beira Baixa, fez parte, com o Castelo de Penha Garcia, de um grupo de castelos erguidos para vigilância e defesa da margem direita do rio Erges (ou Elgas), primeiro afluente da margem direita do rio Tejo em território português. No alto de um monte cortado a norte e a leste por penhascos que se constituem em defesa natural, confrontava, na margem esquerda do rio, com o Castelo de Peñafiel, no município de Zarza la Mayor, em território de Espanha, que tinha a mesma função.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta à pré-história, acreditando-se que foi fortificado à época da Romanização. Passou sucessivamente para as mãos de Visigodos e de Muçulmanos, ligando-se à segurança da exploração de recursos minerais (chumbo, estanho e ouro) na região.

O castelo medieval

Acredita-se que à época da Reconquista cristã da península Ibérica, a fortificação muçulmana de Salvaterra tenha sido conquistada por Afonso I de Portugal (1143-1185), quando da campanha de Évora, cerca de 1165. Do mesmo modo, quando cerca de 1175 o soberano doou bens, intramuros naquela cidade, aos frades da Ordem de Calatrava instalados em Portugal (donde o primeiro nome dessa milícia em solo português, Milícia de Santa Maria de Évora, posteriormente Ordem de Avis), doou Salvaterra à mesma Ordem. Datará deste período a reconstrução e ampliação do castelo, com a função de vigilâncias e marco lindeiro. Ainda à época, no lado oposto do Erges, Fernando II de Leão e Galiza (1157-1188) determinou erguer, sobre as ruínas da posição Muçulmana de Racha-Rachel, o castelo de Peñafiel.

Em 1211 os Almóadas atacaram e conquistaram os castelos de Salvaterra e de Peñafiel. Como resposta, forças da Ordem do Templo, em 1226 reconquistam Salvaterra para o reino de Portugal. Como forma de reconhecimento Sancho II de Portugal (1223-1248), doou aos cavaleiros da Ordem, os termos e domínios de Idanha-a-Velha. Visando incrementar o seu povoamento e assegurar a sua defesa, o soberano concedeu a Salvaterra o seu primeiro foral, seguindo o modelo de Ávila / Évora, criando assim o seu concelho e comarca (2 de maio de 1229). A povoação denominava-se então Salvaterra da Beira.

A povoação foi envolvida por uma cerca amuralhada sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279).

No contexto das guerras com Castela, Dinis I de Portugal (1279-1325) determinou reconstruir e reforçar ao Castelo de Salvaterra e a muralha da vila (1290). Por Carta Régia de 5 de maio de 1319, o soberano determinou que a vila de Salvaterra da Beira faria parte da Comenda de Santa Maria da Ordem de Cristo, cerceando assim a vila de Salvaterra de alguns dos privilégios e isenções assegurados por seu primeiro foral.

Entre 1335 e 1339 o Castelo de Salvaterra teve participação na guerra com Castela. Por determinação de Afonso IV de Portugal (1325-1357) foi reparado em 1340, em virtude dos estragos causados pelo conflito.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), após o Tratado de Santarém (1373), por determinação real, a partir de 1374 o castelo foi reconstruído.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, Salvaterra tomou o partido por Beatriz de Portugal. O concelho não esteve presente nas Cortes de Coimbra (1385) que aclamaram o Mestre de Avis como João I de Portugal (1385-1433).

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), uma referência de 1505 dá conta da sua artilharia: uma bombarda, uma serpentia, um trom, um espingardão e quatro espingardas. Neste início de século são erguidos cubelos para complemento da defesa. A povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509). O soberano concedeu à vila o Foral Novo (1 de junho de 1510), restituindo-lhe alguns privilégios e isenções abolidas quando da constituição da Comenda da Ordem de Cristo em Salvaterra. O soberano expediu mandado, em 1515, para que Mateus Fernandes vistoriasse a obra da fortaleza.

A partir de 1578 Salvaterra da Beira passou a chamar-se Salvaterra do Extremo.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência de Portugal (1640-1668), a praça de Salvaterra foi conquistada por tropas portuguesas sob o comando de D. Sancho Manuel (1643). O combate encontra-se ilustrado em uma pintura atualmente na Sala da Restauração no Museu Militar em Lisboa.

Em 1648 as suas defesas foram reparadas e a praça guarnecida. Datam deste momento a reconstrução das portas do Adro e de São José.

Em 165? o Sargento-mor António Soares da Costa simulou um acordo para a entrega da praça de Salvaterra do Extremo aos espanhóis, e assim conseguiu atraí-los, convencidos estes que tomariam a praça sem confronto. Ao ingressarem na praça, desprevenidos, foram surpreendidos pelos defensores que, sem contemplações, os matavam à medida que iam entrando, sem que os do exterior dessem conta. A certa altura e para por fim ao massacre, foi ordenado que se atasse um dos espanhóis à boca de um canhão, que foi disparado na direção das forças espanholas fora da praça. Este ato bárbaro fez com as forças espanholas recuassem para lá da fronteira e, acusado de traição, o governador da praça foi destituído por ordem do soberano.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) as forças do comandante militar da Beira, D. António Luís de Sousa, 4.º conde do Prado e 2.º marquês das Minas, reconquistaram Salvaterra e nesta vila decidiu-se, em conselho de Generais, conquistar Madrid.

Em 1762 registaram-se estragos no castelo. Posteriormente, por decreto de 31 de março de 1797, a sua guarnição passou a ser um destacamento da Companhia Fixa de Guarnição da Beira Baixa, composto por 28 militares comandados por um tenente. ("Plano de Organização para o Corpo Fixo de Guarnição da Província da Beira", Palácio de Queluz, 31 de março de 1797. In: http://legislacaoregia.parlamento.pt/V/1/2/97/p422 Consultado em 25 jan 2016)

Na iminência da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), as tropas estacionadas na praça ajudaram a proclamar o absolutismo na região das Beiras. Nesse período Miguel I de Portugal (1828-1834) dissolveu o Parlamento, substituindo os Governadores de Armas das Províncias e comandantes dos Regimentos por elementos de sua confiança.

Com o fim do conflito foi decretada a extinção dos forais e dos dízimos (30 de maio de 1834). Os enforcamentos passaram a ser feitos no largo da Praça, junto ao Pelourinho. Pouco depois, em 1837, foram extintas as Ordens Religiosas no país, tendo fim, desse modo, a Comenda de Santa Maria de Salvaterra do Extremo.

Perdida a sua função estratégica, a praça foi desguarnecida e desclassificada militarmente (1846). A povoação foi sede de concelho até 1855 quando este foi extinto e integrado ao de Idanha-a-Nova, do qual é atual freguesia.

Em nossos dias pouco resta do castelo medieval, totalmente descaracterizado a não ser alguns troços de muralha, atualmente inscritos em habitações de particulares.

Estes restos não se encontram classificados.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, de enquadramento urbano, situado na parte alta da vila, num cerro, a cerca de 371 metros acima do nível do mar.

A planta representa um castelo constituído pela residência do alcaide, com a forma quadrada, num dos lados da qual se implantou a torre de menagem, também ela de forma quadrangular. Devido à circunstância de se localizar num outeiro, bem diferente das fragas do de Penha Garcia ou dos penhascos do de Monsanto, a residência foi cercada por uma larga cerca circular, formato muito raro nos castelos portugueses, desprovido de qualquer torreão de defesa, que criou em redor do edifício um vasto terreiro, em círculo.” (NUNES, António Lopes Pires. “Os castelos Templários da Beira Baixa”, p. 84.)

Bibliografia

GOMES, Rita Costa. "Castelos da Raia. Beira, vol. I". Lisboa, 1997.

GONÇALVES, Luís Jorge Rodrigues. "Os castelos da Beira interior na defesa de Portugal (séc. XII - XVI)" [dissertação de mestrado]. Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 1995.



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Contribution

Updated at 26/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Ion Cibotari.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Castle of Salvaterra do Extremo


  • Castle





  • Portugal


  • Ruins Badly Conserved

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Castelo Branco
    City: Idanha-a-Nova



  • Lat: 39 -53' 6''N | Lon: 6 54' 42''W




  • 1505: uma bombarda, uma serpentia, um trom, um espingardão e quatro espingardas.



  • Castelo templário



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