Praça-forte de Caminha

Caminha, Viana do Castelo - Portugal

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A “Praça-forte de Caminha”, também referida como “Fortaleza de Caminha”, localiza-se na freguesia, vila e concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

Integrava a linha defensiva estrategicamente disposta nas margens do rio Minho e ao longo do trecho da costa Atlântica ao sul da sua foz, compreendida num complexo que inclui as fortificações de A Guarda no lado espanhol e da Ínsua no lado português. O propósito tático da Praça-forte de Caminha, apoiada pelo Forte da Ínsua, era o de controlar a foz do rio e o percurso, rio acima, de contingentes inimigos.

Juntamente com as fortalezas de Monção, Valença e Viana, Caminha constitui uma das quatro grandes fortificações em que assentava a defesa do noroeste português, apoiada por redes de outros fortes de menores dimensões.

História

Antecedentes

Antigo porto numa ponta de areia entre os rios Coura e Minho, acredita-se que a primitiva ocupação humana do seu sítio remonte à pré-história. À época da invasão romana da península Ibérica, foi dotada de uma fortificação, cujos alicerces datam dos séculos IV e V.

O Castelo de Caminha

Estas defesas foram ampliadas e reforçadas desde a Reconquista cristã da península, registando-se o topónimo Caminha desde o século X, referindo-se, entretanto, ao espaço da atual freguesia de Vilarelho, a leste da atual Caminha, onde, no alto do Coto da Pena se identificam os vestígios de um primitivo castelo, erguido entre os séculos X e XI. A partir de então, com o progressivo aumento da segurança na costa, concomitante com o desenvolvimento das atividades económicas – pesca e comércio, fluvial e marítimo -, a povoação desenvolveu-se em direção à foz do rio Minho, em zona mais baixa, mais fértil e de acesso mais fácil ao mar.

A partir do século XII, reduziu-se a pirataria no litoral, momento em que, no contexto das campanhas contra Castela, a povoação ganhou importância como defesa da fronteira noroeste de Portugal. Desse modo, o seu povoamento e defesa foram incentivados sob os reinados de Afonso III de Portugal (1248-1279), Dinis I de Portugal (1279-1325) e João I de Portugal (1385-1433), devido ao valor estratégico que esta povoação lindeira representava para o reino.

D. Afonso III, no âmbito da reorganização da fronteira do Entre-Douro-e-Minho, promoveu a construção de uma cerca amuralhada para a defesa da póvoa. De acordo com a inscrição epigráfica nas Portas do Sol, estava concluída em 1260.

D. Dinis concedeu o foral à vila (1284), e acredita-se que tenha concluído o castelo.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, tendo a nobreza do norte do país tomado partido por Beatriz de Portugal, os homens bons de Vila Nova de Cerveira, Caminha e Monção enviaram mensagens ao Condestável Nuno Álvares Pereira declarando-se “verdadeiros portugueses”, e vindo a entregar-lhe voluntariamente as respectivas povoações. Datará deste momento, a passagem do século XIV para o XV, possivelmente do reinado de D. João I, a construção da barbacã com cubelos, e que reforçava a defesa da área de confluência dos rios Coura e Minho.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no “Livro das Fortalezas” (c. 1509), em duas vistas (fls. 115 e 116, ANTT) e duas plantas (fls. 133 e133v.º). Em 1515 foram retomados os trabalhos na barbacã, mas que jamais chegaram a ser concluídos. Ainda no primeiro quartel do século XVI, para comemorar a passagem de dois infantes pela vila, abre-se a norte a chamada “Porta Nova” que, por ser pouco defensável, era tapada com pedra em tempo de guerra. Nesse período todas as portas da vila receberam oratórios.

Em 1597 procedeu-se a colocação de uma grimpa com sino no cimo da torre de menagem, por um mestre de pedraria galego, que recebeu 400 cruzados pelo serviço.

A fortaleza setecentista

No século XVII procedeu-se a intervenção nas muralhas com projeto do engenheiro militar Sebastião Pereira de Frias.

Em 1610 fundiu-se um segundo sino, com 8 quintais, uma vez que o primeiro rachara.

Em 1614, após a mudança da capela São João para o seu atual local, por determinação da Vereação da Câmara, a quem pertencia, demoliu-se a torre de São João.

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668) a posição lindeira de Caminha readquiriu valor estratégico. Desse modo, o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) modernizou-lhe as defesas, dotando-a de uma extensa linha de baluartes e torreões:

• a noroeste – com um novo baluarte junto da Igreja Matriz de Caminha; e

• a sul – integrando as obras erguidas no reinado de D. João I.

D. João IV recomendou a construção de uma segunda cintura de muralhas, envolvendo a parte da povoação que crescera extramuros.

Em 1641, quando a Casa de Vila Real caiu em desgraça, o soberano mandou demolir o palácio e salgar-lhe o local. Na mesma época vedou-se a chamada “Porta do Marquês [de Vila Real]” e demoliu-se a Torre do Cais, erguendo-se um baluarte no local. Outras torres do lado oeste foram também demolidas ou arrasadas até à altura dos muros, para instalar os armazéns de pólvora. Em 1651, quando da construção da Igreja da Misericórdia, demoliu-se, até à metade da altura, a Torre da Albergaria (ou do Hospital Velho). Pouco depois, em 1654, o engenheiro militar Manuel Pinto Vilalobos projetou um grande armazém para o serviço da fortaleza, erguido junto à Igreja Matriz.

Pedro II de Portugal (1683-1706) encarregou Michel de l'Ècole de construir um baluarte fronteiro à Igreja Matriz.

O século XVIII

João Alves do Rego, mestre empreiteiro das obras de fortificação de Monção e Caminha, requereu (1703) que se lhe desse uma praça de soldado pago, para o incitar a que continuasse os princípios que já possuía de Aritmética e Geometria, juntamente de Fortificação que ia adquirindo no trabalho de assistência que fazia com Michel de l’Ècole, no traçar delas e no tomar de algumas plantas e pelos rascunhos de fortificações que lhe entregava para os seguir.

Uma forte cheia derrubou as Portas do Açougue e danificou grande parte da muralha junto ao rio Minho (19 de janeiro de 1708).

Em 1720 a Capela da Senhora da Piedade, na Torre da Piedade, era administrada por André Soares. A torre possuía um nicho com uma imagem de Santo António dos Esquecidos.

Em 1739 da cerca medieval subsistiam apenas a Torre do Relógio e a da Piedade.

Em 1792 o soberano proibiu a existência de edifícios ou culturas dentro dos fossos ou sobre qualquer obra de fortificação das praças e fortalezas da província do Minho.

O século XIX

Em 1837 a Câmara Municipal mandou derrubar a Torre da Piedade (20 de maio) para empregar a pedra nos pegões da ponte sobre o rio Coura. No mesmo ano foi reaberta a Porta de Santo António (13 de dezembro).

Em 12 de agosto de 1868 foi autorizada a demolição das Portas de Viana e do Cais, trabalhos principiados em 3 de janeiro de 1869. No ano seguinte (13 de fevereiro de 1870), a Câmara Municipal decidiu demolir as Portas da Corredoura e o arco da Botica, na Porta Nova.

1889 é a data inscrita no relógio da torre.

Do século XX aos nossos dias

O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 47.508, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 20, de 24 de janeiro de 1967 (classificou “As três frações existentes das Muralhas de Caminha”), e pelo Decreto n.º 251/70, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 129, de 3 de junho (a classificação passou a abranger todos os elementos que restam do “Conjunto fortificado da Vila de Caminha”).

A intervenção do poder público iniciou-se a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), sob a forma de diversas intervenções de restauro e conservação a partir da década de 1960, que se entenderam até à década de 1980.

No século XXI retomaram-se os trabalhos, agora com acompanhamento arqueológico a cargo da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (2001), na zona do baluarte de Santo António, tendo em vista a recolha de dados para caracterização em pormenor do coroamento da muralha. A intervenção arqueológica e sondagem no sector norte da muralha, foram dirigidas por Luís Fontes e Francisco Sande Lemos e com o apoio técnico de Vladimiro Pires, na sequência da qual se recomendou que não se ensaiasse qualquer reconstrução, conservando-se os elementos existentes, sem se retirar a pequena camada de terra que os preserva de agressões de maior impacto.

Em nossos dias, do castelo medieval subsistem os seguintes troços:

- torre de menagem

- pano de muralha formando passadiço entre as traseiras das casas da rua do Condestável D. Nuno Álvares Pereira e as traseiras das casas da rua Barão de São Roque, conservando sobre a segunda travessa a sul da Igreja Matriz o vão da antiga porta do Marquês ou Portas do Mar, de arco pleno sobre pés direitos, e tendo na chave as armas de Portugal com bordadura de 12 castelos.

- Dois poços a norte, assinalados por Duarte de Armas, e hoje integrados numa casa particular, em ruínas, lateral à Matriz.

Da fortaleza subsistem três grandes troços:

- Baluarte frente à Matriz ligando-se ao troço de muralha medieval, com muros em talude, corridos por moldura curva e parcialmente com parapeito, rasgado por canhoeiras, e a que se tem acesso por rampa. A leste segue-lhe outro, de ângulo mais apertado e com guarita facetada no cunhal e ainda parte de um outro, mais baixo, ambos envolvendo a malha urbana.

- troço de muralha que, sensivelmente desde a antiga Porta da Corredoura, onde forma pequena bateria, segue para sul, criando vários ângulos, com 2 baluartes envolvendo o Convento de Santo António, passando por baixo do primeiro túnel do comboio e seguindo-se ao segundo um outro, virado ao rio Minho e nele se abrindo lateralmente a porta falsa - Porta de Santo António - com arco pleno. Continuando, a muralha, infletindo um pouco para noroeste, desce em várias cortinas até às Portas de Viana e, depois da estrada, mais um pouco até ao rio virando-se depois para norte, seguindo por detrás das casas da rua das Flores, terminando à frente do Mercado Municipal. Todo este percurso tem muros em talude, corridos por moldura curva e conservando parapeito em alguns troços.

- Pano de muralha partindo sensivelmente das portas de Viana, continuando para sul, ao longo do rio, com 2 baterias e, depois de baluarte quadrangular com ângulo para oeste, contorna para leste, sendo a rua dos Pescadores, enquadrada pelas Portas do Cabo – 2 pilares com várias molduras e coroadas por fogaréus. Daqui sobe para leste, formando à frente um baluarte, conhecido por Forte de São Rodrigo, seguindo depois em muralha para norte, juntando-se ao fosso do segundo troço de muralhas, por detrás do convento de Santo António.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico e abaluartado, de enquadramento urbano.

O castelo apresentava planta ovalada, comum na arquitetura militar gótica no país, com os seus muros reforçados por 10 cubelos. Neles se rasgavam 3 portas, cada uma defendida por uma torre que se lhes sobrepunha:

• a leste, a chamada Porta do Sol, comunicava com a zona ribeirinha e os estaleiros;

• a oeste, a chamada Porta do Mar, comunicava-se com o cais do porto;

• a sul, a chamada Porta de Viana, por onde se ia a Viana do Castelo, e que constituía o principal acesso da vila ligando a rua do Meio (ou Direita) ao exterior do conjunto.

A torre que defendia esta última era mais robusta do conjunto, apresentando planta no formato quadrado, e que, na origem, se constituía na torre de menagem. Nela se inscrevia a pedra de armas (símbolo da autoridade régia) e se abrigava uma imagem sacra (símbolo da devoção popular). A partir do século XVII recebeu o relógio público da vila, passando a se denominar Torre do Relógio. O sino deste relógio foi fundido em 1610 e abriga-se na pirâmide que então passou encimar a torre. Com a Guerra da Restauração, D. João IV fez colocar nesta porta uma imagem de pedra de Nossa Senhora da Conceição.

Da barbacã, que conhecemos pela traça de Duarte de Armas, conservam-se pouquíssimos vestígios, contudo o seu traçado é ainda perceptível na organização urbana, uma vez que ao longo dos séculos se foi construindo adossando ao seu perímetro interior e exterior e respeitando os principais eixos viários e largos.

A fortaleza barroca, erguida com o intuito de reforçar a defesa ante a ameaça espanhola durante a Guerra da Restauração, formava 2 núcleos: um integrando o burgo medieval e envolvendo a zona mais nobre da vila, que se estendia para leste e sudeste, e a segunda envolvendo a zona de habitação dos pescadores, e que existia como arrabalde da vila desde o século XIII.

Na muralha, defendida por fossos inundados e contraescarpas, rasgavam-se 6 portas: a de Viana (ou Porta Nova da Misericórdia), a da Corredoura - ambas acedidas por ponte levadiça -, a do Cais (ou Porta do Vau), a de Arga do Coura, a de Santo António e a do Açougue.



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Contribution

Updated at 12/12/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (12).


  • Praça-forte de Caminha

  • Castelo de Caminha, Fortaleza de Caminha

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    O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 47.508, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 20, de 24 de janeiro de 1967 (classificou “As três frações existentes das Muralhas de Caminha”), e pelo Decreto n.º 251/70, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 129, de 3 de junho (a classificação passou a abranger todos os elementos que restam do “Conjunto fortificado da Vila de Caminha”).





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Caminha



  • Lat: 41 -53' 39''N | Lon: 8 50' 19''W





  • Alvenaria de pedra argamassada.





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