Castle of Lindoso

Ponte da Barca, Viana do Castelo - Portugal

O “Castelo do Lindoso” localiza-se no lugar e freguesia do Lindoso, concelho de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo, em Portugal.

Em posição estratégica na Raia, tinha a função de defesa do vale do rio Lima, da portela da serra Amarela, do vale do Cabril e do porto do Lindoso.

É considerado como um dos mais importantes monumentos militares portugueses, pelas novidades técnicas e arquitetónicas que ensaiou, à época, no país.

História

Antecedentes

Alguns autores afirmam que o topónimo Lindoso deriva do latim "Limitosum" (limitador, fronteira, extrema).

Embora não existam informações sobre a primitiva ocupação humana de seu sítio, a primeira referência explícita a Lindoso data do século IX, num documento da igreja de Braga, em que se descrevem os limites da diocese, limites esses confirmados pelo Papa Pascal II em 1114.

O castelo medieval

À época da formação da nacionalidade, a povoação integrava-se na Terra da Nóbrega, circunscrição territorial sob a administração e controlo do Castelo de Aboim da Nóbrega. Não se encontra referida nas Inquirições de 1220, período em que se terá iniciado, de raiz, a construção do seu castelo, já mencionado sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), nas Inquirições de 1258, onde se refere que os habitantes tinham a obrigação de alimentarem o seu alcaide quando este fosse prestar "preito" dele, à caça ou recolher o seu pão, sendo a ele vedado praticar quaisquer abusos contra esses mesmos habitantes.

O castelo terá sido reforçado e ampliado sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), a partir de 1278. Alguns autores atribuem-lhe a construção da torre de menagem, afirmando que o soberano aqui pousava durante as caçadas que fazia no Gerês.

Pedro I de Portugal (1357-1367) nomeou João Aires como primeiro alcaide do castelo de que temos conhecimento. Em seus muros inscreve-se, em algarismos, a data de 1365, evidentemente apócrifa.

João I de Portugal (1385-1433) doou a Diogo Gil, de Lavradas, a terra do Lindoso com todas as suas pertenças (20 de outubro de 1386).

Afonso V de Portugal (1438-1481) em 1464 nomeou como alcaide a Lopo de Araújo, fidalgo da Casa Real, senhor de terras fronteiras em Portugal e na Galiza, perdigueiro-mor de Celanova, alcaide de São Salvador de Sande, senhor de Campelos e Val de Poldros, sucedendo a seu pai, Paio Rodrigues de Araújo. À época o castelo encontrava-se "derribado" (em ruínas).

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) inscreveu-se na porta da antiga torre a data de 1500. Este soberano concedeu Foral Novo à vila (5 de outubro de 1514), facultando-lhe a exploração de mais amplos espaços serranos através da extinção da coutada de caça que tinha no Cabril; cedeu a favor do alcaide 650 reais da "pena de sangue" e o gado perdido; posteriormente vieram a pertencer ao alcaide os direitos reais de 100 alqueires de pão terçado: centeio, milho e painço.

Em 17 de julho de 1527, quando do Numeramento promovido por João III de Portugal (1521-1557), o castelo encontrava-se ermo, tendo a povoação do Lindoso apenas 41 vizinhos.

A fortificação seiscentista

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), o antigo castelo readquiriu importância estratégica face à sua localização fronteiriça.

Desse modo, logo após a Restauração, foi atacado por forças espanholas do comando de San Esteban, as quais foram por duas vezes repelidas. Entre 1641 e 1643 o alcaide do Lindoso, Baltasar de Sousa Meneses, descendente direto dos Araújo e seu 7º Senhor, reparou e fortificou melhor o castelo às suas expensas. Neste período, no contexto das incursões portuguesas na Galiza pelas forças militares do General das Armas de Entre-Douro-e-Minho, D. Gastão Coutinho, o castelo foi utilizado como base de apoio.

Em 24 de agosto, forças portuguesas sob o comando de Vasco de Azevedo Coutinho e Manuel de Sousa de Abreu entraram na Galiza por Lindoso. A 9 de setembro, à frente de uma força de mil homens, desbarataram as forças galegas em Compostela, povoação a 2 léguas da fronteira, e novamente, a 10 de setembro, às margens do rio Buscalque.

Um ano mais tarde (1642), a 14 de setembro, Bento da Silva Marques, Capitão-mor de Ponte da Barca e Arcos, com o seu irmão, Capitão-mor dos Regalados, entrou na Galiza por Lindoso e foi até Bande, vencendo tudo. A 16 de setembro, a coluna do Exército Português que tinha penetrado na Galiza por Melgaço, regressou a Portugal por Lindoso.

Em 1643 forças do Lindoso e de Ponte da Barca, sob o comando de Francisco de Sousa e Castro, tomam parte na conquista de Salvaterra (15 de agosto).

A data de 1656 encontra-se inscrita na janela da torre, referente ao alargamento de uma fresta.

Em 1657 dispomos do relato de uma das batalhas do Lindoso, por uma testemunha presencial. O então Governador da Galiza, D. Vicente Gonzaga, ordenou o ataque ao Castelo do Lindoso, mas as forças espanholas foram repelidas. Pouco depois voltaram a atacar pela serra Amarela com 600 homens de infantaria e cavalaria. Manuel de Oliveira Pimenta desbaratou-os com as forças do Lindoso.

Em 1659 era alcaide do castelo Manuel de Sousa Meneses.

Em 1662, de acordo com descrição coeva, o castelo dispunha de uma guarnição de 30 Infantes e 20 auxiliares; compunha-se de 46 "baluartes" com sua ponta de pau à raiz do parapeito da primeira muralha, com uma estacada rolante que a cingia toda. Naquele ano, forças espanholas sob o comando do Mestre de Campo General D. Baltasar de Rojas y Pantoja penetraram em Portugal pela fronteira do rio Minho e estabeleceram quartel-general no Paço de Giela (Arcos). Em seguida cruzaram o rio Lima em Vila Nova e ocuparam o Castelo da Nóbrega, para daí atacar a Barca e Braga, no que foram impedidos pelas forças sob o comando do comandante das Armas do Minho, general D. Francisco de Sousa, 5º conde do Prado.

Atacaram de seguida o Castelo do Lindoso com 1000 infantes e 1500 cavaleiros, sob o comando do General de Artilharia D. Francisco de Castro. No Lindoso, estas forças receberam o reforço de mais 3000 infantes e 12 peças de artilharia, enviadas pelo arcebispo da Arquidiocese de Santiago de Compostela.

Defendia o Castelo do Lindoso uma pequena guarnição, sob o comando do alcaide-mor, Manuel de Sousa Menezes. Suportaram o assédio durante 5 dias, mas impedidos de receber os reforços enviados pelo Comandante de Armas da Província do Minho, foram derrotados com pesadas baixas, entre as quais 4 capitães, 1 sargento-mor e muitos soldados, além de do próprio alcaide, com vários ferimentos.

O castelo ficou guarnecido por 300 espanhóis. Notificado das ações meritórias prestadas pelo engenheiro militar italiano D. Gaspar Squarzafigo, marquês de Buscayólo, então Mestre de Campo e Superintende das fortificações da Galiza, na conquista do mesmo, o soberano espanhol determinou-lhe a construção de um forte em torno da cerca medieval. Este forte, no sistema de Vauban, viria a ter cinco baluartes.

1693 é a data inscrita ladeando a porta de entrada contígua à torre. Em outubro, o conde do Prado ordenou ao Tenente João Rebelo Leite a reconquista do castelo, para o que lhe forneceu 300 soldados de infantaria e 4 companhias de cavalaria sob o comando do capitão João Correia Carneiro, e ordens para levar consigo as Ordenanças das terras vizinhas. Em 1664 sendo Governador de Armas do Minho D. Francisco de Sousa, deu-se a reconquista portuguesa do castelo, destacando-se a ação do capitão Carlos Malheiro Pereira, de Manuel de Sousa Meneses, 8º Senhor do Lindoso, e de João Velho Barreto, Vasco de Azevedo Coutinho, Pedro Falcão Zuniga, Diogo de Caldas e João Rebelo Leite.

Na posse portuguesa, as obras da cintura abaluartada prosseguiram. 1665 é a data inscrita num silhar reaproveitado no muro de umas casernas. No mesmo ano construiu-se a barbacã exterior. 1666, data na verga da janela meridional da torre, assinala a conclusão das obras que se haviam iniciado em 1663.

Por volta de 1668 procede-se o alteamento das muralhas medievais, assim como a criação de um novo sistema de entradas, estacadas e fosso, a instalação de uma guarnição permanente no pátio interior, com casernas, forno de pão, armazéns, moinho e oratório, servindo um corpo militar composto por cerca de 300 homens. No mesmo ano é assinado o tratado de paz com Espanha, colocando fim ao conflito, reconhecendo-se ao castelo um papel decisivo na manutenção do traçado fronteiriço da região.

Em 1684 foi descrito como "un pentagone fermé d'une bonne muraille, et qui est defendu par un petit fort irrégulier de cinq bastions". À época o engenheiro militar francês Michel de l'Ècole, possivelmente com a colaboração do também engenheiro militar Manuel Pinto de Vilalobos, realizou trabalhos no rio Lima a montante da vila de Ponte de Lima, com o objetivo de facilitar a navegação até ao Lindoso.

Data de 29 de outubro de 1713 um desenho do forte pelo engenheiro Vilalobos.

A porta do revelim que cobre a entrada da fortificação tem inscrita a data de 1720.

Em 1758 era alcaide-mor Joaquim Leite de Araújo Azevedo, função a que continuava a pagar-se o mesmo que no século XVI. A fortificação estava guarnecida por um destacamento de infantaria vinda, dois em dois meses, da Praça-forte de Valença, e por três artilheiros. Dispunha de cinco peças de artilharia, armazém de pólvora e outras munições. A freguesia do Lindoso não fornecia soldados para a guerra porque tinha de defender a raia seca e tinha de fazer à sua custa as guaritas do castelo.

Em outubro de 1768, um documento refere a existência de um quartel de oficiais, destelhado e sem tarimbas, um de soldados, nas mesmas condições e sem portas, o edifício do corpo da guarda destelhado, a casa dos meirinhos e uma casa dos fornos, sem portas, um armazém de pólvora com as portas podres, duas tulhas para guardar pão (ambas com 10 palmos de largura e uma com 7 de comprimento e a outra com 8) no mesmo armazém, uma cisterna e duas portas principais do castelo.

Em outubro de 1769, outro documento refere a existência de um forno com 8 pés de diâmetro e um outro de 4,5 de diâmetro.

Em 1771 existiam dois moinhos de bestas no castelo.

O século XIX

No século XIX aqui estavam aquarteladas a 1ª Companhia de Artilharia nº 4 e a 4ª Companhia de Veteranos da Província do Minho, existindo ainda a Capitania-mor do Lindoso com duas companhias de Ordenanças, num total de 302 homens.

Em 1801 conservava 4 canhões e alguns arcabuzes na muralha.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) acredita-se que a sua guarnição tenha estado de prontidão quando, em 1809, as tropas napoleónicas sob o comando do general Nicolas Jean de Dieu Soult, se concentravam em Ourense, nos preparativos para a invasão de Portugal. Esta, todavia, veio a materializar-se por outro trecho da fronteira.

Em 1812 foram procedidas obras de conservação no forte: no flanco direito oeste nas tenalhas e na cortina oeste junto à entrada, orçadas em 206$560. Ainda assim, no mesmo ano, uma memória descritiva datada de 26 de novembro registou que o mesmo era de péssima construção, com os muros de alvenaria miúda, muito desligada, e ameaçando ruína em diferentes partes; os muros tinham 24 palmos de altura, os seus parapeitos e terraplenos não tinham a grossura precisa e a altura e largura dos fossos era também pouca; os flancos tinham apenas lugar para um canhão e 4 ou 6 homens; no seu recinto havia casernas para 50 homens e lugar para 150, se se telhasse a torre a dois ou três pavimentos e a casa contígua; por esta e outras razões, considerava-se que o forte podia apenas ser importante como posição momentânea, e para impor respeito ao inimigo quando passasse na Ponte do Cabril.

Em 1826 tiveram lugar obras de conservação no valor de 323$045 de jornais e 201.940 em material: promoveu-se a reparação dos telhados de dois quartéis separados, incluindo o do armazém (que também servia de paiol), e o da torre; colocação de cal nas juntas exteriores; colocação de três novas portas em madeira de castanho e conserto de outras três; colocação de postigos de vidraças no quartel da torre; feitura de passadiço com varanda para ligação à torre; conserto do soalho do armazém; orçaram-se ainda em 379$620 as seguintes obras: restauro das empenas para a guarda principal, casa do forno e a da lenha; janela no terceiro piso da torre; feitura de para a arrecadação do segundo piso da torre; canos, cumes, rufes, beirais e bocas; feitura de nova porta para a prisão nova, com postigo e grade de madeira por dentro; execução de soalho no pátio de entrada do segundo andar da torre. Um orçamento para conserto nos telhados e portas do castelo apresenta a data de 6 de dezembro.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) inquiriu-se sobre o destino a dar aos utensílios que outrora fizeram parte de um hospital fixo existente no castelo (27 de março de 1830). Posteriormente, o tenente comandante Francisco de Vasconcelos Correia Castro Sousa Monteiro obrigou-se a comprar telha, madeira e cal para os consertos nos quartéis do castelo, no prazo de ano e meio (28 de abril de 1832).

Em 18 de agosto de 1856 a "Comissão Mista de Demarcação de Limites entre Portugal e Espanha" ocupou-se, pela primeira vez, do traçado da fronteira do Lindoso, processo polémico devido às pretensões espanholas do monte da Madalena.

Uma ordem do Ministério de Guerra determinou a entrega do castelo ao Ministério da Fazenda, por intermédio do Director da Alfândega de Ponte da Barca (4 de junho de 1862).

Data de agosto de 1867 uma planta do castelo de autoria de José Bandeira Coelho de Melo, e de 1869 outra, levantada pelo então tenente de engenharia Bandeira de Melo.

Em 1872 foram efetuadas reparações urgentes nas muralhas do castelo, no valor de 94$000.

O relatório da Inspecção da Direcção Geral de Engenharia (9 de abril de 1873) descreveu o castelo como tendo lanços de muros, ainda que pequenos, em terra, grandes porções da zona superior das muralhas "descosidas" e incompletas, consideráveis faltas de pedra miúda para igualar o forro vertical dos muros e ainda falta de reboco na face superior dos muros de para evitar a sua ruína ou a irregularidade; os edifícios denotavam abandono, assim os sobrados, tarimbas, portas, algumas traves já não existiam e da cobertura e armação dos tetos pouco se podia aproveitar na reconstrução dos tetos; a torre tinha três pavimentos, o castelo poderia alojar cerca de 400 homens ou, em caso de necessidade, 600, e o poço de onde se extraía água estava completamente entulhado.

Por ordem do Ministério da Guerra (10 de abril de 1878) concedeu-se à Direcção da Alfândega de Valença as casernas do castelo para estabelecimento de um posto fiscal.

Posteriormente, em 1885, tiveram lugar novas obras, momento em que os fundos e fossos receberam a última reparação, quando se estabeleceu o cordão sanitário.

Em 1895 ali estava aquartelado o Regimento de Infantaria nº 5, da Graça, em Lisboa. Nesse ano, registou-se a desativação do forte, passando as suas instalações a ficar sob a vigilância da Guarda Fiscal.

No ano seguinte (1896) solicitou-se à Administração Geral das Alfândegas permissão para restituir ao Ministério da Guerra o castelo (6 de novembro). Determinou-se que fosse enviado à Comissão das Fortificações do Reino uma planta do mesmo com as indicações do estado em que se encontravam as muralhas e o valor que possuíam (7 de dezembro).

Em 1897 existia apenas uma peça de ferro, encravada, nos fossos (2 de dezembro). É desse momento o auto de entrega do castelo, com descrição do mesmo, ao Ministério da Guerra pela Guarda Fiscal (7 de dezembro).

Data de 15 de janeiro de 1898 o inventário dos prédios pertencentes ao Ministério da Guerra existentes na 4ª Divisão Militar; num dos quartéis vivia com a família o cabo de veteranos encarregado da guarda do castelo; a porta do castelo estava em completa ruína; na fortificação abaluartada, o espaço oeste, entre os dois revelins da direita, produzia hortaliça para o cabo que ali vivia, e o resto do recinto produzia alguma erva.

Do século XX aos nossos dias

O conjunto encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo nº 136, de 23 de junho de 1910.

Para comemorar a visita pastoral do Arcebispo de Braga ao Lindoso, carregou-se a única peça de artilharia (de calibre 8) que o castelo possuía, para salvar, mas ela rebentou (18 de março de 1932).

Data de 1934 a avaliação do terreno da esplanada em 8.300$000, e de 1939 o auto de entrega do castelo, com 8.912 m², ao Ministério das Finanças (15 de junho).

Em 2 de fevereiro de 1941 registou-se o desabamento de um troço de 10 metros de muralha, do lado nordeste do castelo. A 12 de fevereiro o General Director da Arma encarregou o chefe da Repartição de informar que não era oportuno proceder-se à reconstrução do troço de muralhas, visto estar em curso a entrega do imóvel ao Ministério das Finanças. A 27 de fevereiro é lavrado o auto de entrega do castelo ao Ministério das Finanças, o qual incluía a torre quadrada, casas e quartéis no interior, das quais apenas a nº 4 e 5 conservavam cobertura.

A intervenção do poder público iniciou-se na primeira metade da década de 1940, através da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), tendo se procedido, entre outros trabalhos, à reconstrução de panos de muralha e de ameias bem como à demolição de algumas estruturas no pátio de armas (1941-1945). Novas intervenções tiveram lugar em 1962, de 1973 a 1977, em 1982 e em 1984-1985.

Em 8 de junho de 1976 foi lavrado auto cedendo a administração do castelo ao Parque Nacional da Peneda Gerês.

Em 1991 procederam-se trabalhos de prospeção arqueológica.

Em 2001 o castelo foi palco da realização de uma feira medieval.

Nos anos de 2002-2003 foi elaborado projeto de candidatura ao INTERREG, RAINBOW, em parceria com uma escola inglesa e com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, para recuperação das estruturas e arranjo envolvente, que não chegou a ser implementado.

Atualmente, após trabalhos de conservação e restauro, desenvolvem-se no castelo atividades culturais, promovidas pela Autarquia, pelo Parque Nacional Peneda-Gerês e pelo Museu Militar do Porto.

Características

Rural, isolado. Implanta-se na serra Amarela, no alto de um pequeno outeiro sobranceiro ao rio Lima, a 468 metros acima do nível do mar, próximo da povoação, a 4 quilómetros da fronteira com Espanha, abrangendo um vasto panorama sobre os montes e serras ao redor.

O núcleo do castelo medieval que chegou até nós, de planta pentagonal irregular, é similar ao dos castelos de Lanhoso, de Arnóia e de vários outros da região. Erguido sobre afloramento rochoso, bastante saliente sob a torre de menagem, é composto pelas muralhas de alvenaria de pedra, cujo topo é circundado por um adarve. Nestas rasgam-se duas portas, uma a norte, próxima à torre, e outra, a sul, acedida por uma ponte levadiça de madeira. Esta última porta ostenta pelo interior um arco de volta perfeita e pelo exterior um arco quebrado, sendo ladeada por dois cubelos de planta retangular.

O aparelho do castelo revela grandes alterações, visto ter os dois terços inferiores em cantaria e o superior em alvenaria de pedra, resultantes certamente de uma reconstrução posterior, o que explica as escadas junto ao portal sul terem sido interrompidas e terem perdido a sua funcionalidade.

No interior, abre-se a Praça de Armas, na qual se inscreve, a norte (lado da Espanha), a torre de menagem, de planta quadrangular, elevando-se a 15 metros de altura. Esta possui porta ao nível do piso térreo, aberta em 1826 para aceder à prisão nova então criada naquele piso, e amplo vão retilíneo virado a sul, resultante do alargamento seiscentista de uma seteira. O acesso ao interior fazia-se por portal sobrelevado, com balcão de madeira até ao adarve. É dividida internamente em dois pisos, e coroada por ameias de remate tronco-piramidal. Na Praça de Armas, entre outras construções, erguia-se uma capela e conservam-se vários corpos correspondentes aos antigos quartéis e casa do forno, bem como a cisterna quadrada com cobertura em abóbada.

A adaptação do perímetro defensivo do castelo aos tiros da artilharia, no século XVII, optou pela solução menos comum no distrito de construir um forte com planta no formato estrelado irregular, envolvendo completamente o castelo, adaptando-se à sua planimetria e mantendo-o, com cinco baluartes – dois a norte, dois a sul, e um a leste -, que permitiam o cruzamento de fogos e eliminavam os ângulos mortos. Os baluartes são unidos por cortinas de traçado reto, com escarpa exterior baixa, em talude, em alvenaria de pedra, disposta a seco, e cunhais de cantaria, não possuindo cordão e sendo rematada em parapeito liso, ocasionalmente com canhoneiras.

Apesar disso, procederam-se a algumas alterações, como a inversão na entrada da fortificação, entaipando o portal virado à povoação e abrindo um outro no lado oposto, junto à torre de menagem, em arco de volta perfeita, encimado por balcão simples com matacão, precedido por ponte levadiça, e, provavelmente, à construção de dois espigões laterais na zona de inflexão da muralha que se sobrepuseram aos baluartes, rasgados por vãos para permitir a circulação, tendo o virado a leste ladroneira com matacães. Os baluartes têm terrapleno normal interligado por adarve, que percorre as cortinas, o que é pouco comum nas fortificações modernas em Portugal, mas que se poderá explicar pela falta de espaço entre as duas estruturas defensivas. As guaritas cilíndricas, com cúpulas sobre pequeno friso, assentam diretamente nos ângulos flanqueados, que são cortados abruptamente. O revelim triangular com porta retilínea, que cobre a entrada, data já do século XVIII.



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Contribution

Updated at 01/09/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O conjunto encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo nº 136, de 23 de junho de 1910.





  • Tourist-cultural Center

  • 8912,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viana do Castelo
    City: Ponte da Barca



  • Lat: 41 -53' 59''N | Lon: 8 11' 57''W




  • 1801: 4 peças de artilharia antecarga, de alma lisa, e alguns arcabuzes na muralha.
    1897: 1 peça de artilharia antecarga, de alma lisa, de ferro, encravada, nos fossos (2 de dezembro).






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