Fort of Nuestra Señora de la Concepción

Tomiño, Pontevedra - Spain

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O “Forte de Nossa Senhora da Conceição” (em castelhano “Fuerte de Nuestra Señora de la Concepción”) localiza-se no lugar de Goián, paróquia de San Cristovo de Goián, município de Tomiño, comarca de Baixo Miño, província de Pontevedra, Comunidade Autónoma da Galiza, na Espanha.

Está incluído no sistema defensivo fronteiriço de Goián-Vila Nova de Cerveira que, no lado galego do rio Minho é representado ainda pelo “Forte de Santiago de As Chagas”, o “Forte da Barca e San Lorenzo”, a “Torre dos Correa” e a “Torre de Os Ratos” em Goián e o “Forte de Santiago Carrillo de Medos” em Estás. Na margem oposta, em Portugal, é integrado pela Praça-forte e recinto medieval de Vila Nova de Cerveira, a Atalaia do Espirito Santo e o Forte de Lovelhe.

Foi um dos protagonistas dos confrontos de fronteira entre Portugal e Espanha em meados do século XVII na raia húmida. Inicialmente teve uma finalidade ofensiva no território da Galiza, que obtida, deu lugar à de consolidação da conquista e de aquartelamento de tropas.

História

O contexto histórico deste forte remonta a 1657, quando o exército espanhol iniciou uma ofensiva em que foram conquistadas as praças de San Luis Gonzaga e Lapela em San Pedro da Torre, Monção e Salvatierra, deixando desprotegida a zona de Goián. Aproveitando esta conjuntura, o exército português, em outubro de 1663 atacou e ocupou o Forte de Goián, estabelecendo uma cabeça-de-ponte apoiada desde Vila Nova de Cerveira e construindo uma ponte de barcas sobre o rio Minho.

As tropas portuguesas, uma vez conquistado o Fortín da Barca decidiram construir uma fortificação de maior envergadura para defender-se da contra-ofensiva galega. Foi o conde do Prado quem tomou a iniciativa da construção de uma nova praça tal como registou o "Mercúrio Português com as novas do mez de outubro do 1663" impresso em Lisboa: "(...) ocupou-se logo o conde do Prado, de dia e de noite, em fortificar o quartel do exército, e em fazer hum forte em hua eminencia importantíssima (...)”. Para isso elegeu uma zona alta a pouca distância do forte existente "(...) Fortificado o quartel mandou o conde ocupar uma eminencia pouco distante do forte, e levantar nela outra capaz de mayor guarnição (...)."

Em dois meses foi erguida uma fortificação assim descrita pelo testemunho coevo do Capitão General da Galiza, D. Luis Poderico (1663-1665):

"(...) es un fuerte Real de cinco baluartes capaz de tres mil infantes de guarnición y quinientos caballos, y además tiene un recinto en que pueden poner todo su ejército muy seguro y el terreno en que están estas fortificaciones es una eminencia que predomina y descubre la campaña."

Esta descrição é corroborada por três plantas históricas da praça, levantadas por portugueses. Nenhuma delas está assinada ou contém informação sobre a sua autoria. Foram realizadas possivelmente entre a data da ocupação portuguesa da área, em outubro de 1663 e fevereiro de 1668, quando foi assinado o Tratado de Paz de Lisboa, pelo qual a Espanha reconheceu a independência de Portugal, sendo mutuamente devolvidas as praças conquistadas. Estudadas pelo historiador Brochado de Almeida, mesmo sem a informação acerca da autoria, e baseando-se na obra de Antunes, afirma seria o engenheiro português Vilalobos "o responsável pela construção do forte de Nossa Senhora da Conceição, em Goián, frente a Vila Nova de Cerveira" (BROCHADO DE ALMEIDA, 2003:145).

Este dado refere-se ao engenheiro militar Manuel Pinto de Vilalobos, a que se atribui a planta desenhada em aquarela na Biblioteca Nacional de Lisboa, reproduzido no "Catálogo da Coleção de Desenhos" de Ayres de Carvalho e posto em dúvida por Garrido (GARRIDO, 1987:215).

De qualquer modo, de acordo com a iconografia da época, o forte possuía cinco baluartes e um hornaveque com dois semi-baluartes protegidos por uma meia-lua que, por sua vez defendia o acesso ao interior do recinto. A traça deste revelim, diante da entrada, encontra-se hoje descaracterizada pela presença de obras posteriores. A via que hoje segue de Goián em direção ao cais e ao forte de San Lorenzo passa através do Forte da Conceição. Além disso, no interior do recinto foram construídos edifícios e caminhos que percorrem as diferentes partes do complexo militar. A localização da Capela de San Roque não coincide exatamente com a capela que aparece na planta "Forte de N. Sra. da Conceição no Reyno de Galiza". É possível que a atual capela reaproveite elementos tais como o campanário, onde se inscreve a data de 1607, e o silhar da janela da direita, em que se inscreve a data de 1674, talvez recuperados da antiga capela portuguesa.

Durante a permanência dos portugueses no Forte da Conceição, estes lançaram ataques contra diferentes enclaves na Galiza: em 1665 tomam o Fuerte de Santa Cruz em A Guarda, acabado de construir no ano anterior (1664), e chegam até Bouzas e O Porriño, povoações que saqueiam e incendeiam.

Com a assinatura do Tratado de Paz de Lisboa, em fevereiro de 1668, as praças conquistadas em território contrário foram devolvidas. A partir do fim do conflito, o Forte da Conceição teve uma existência de cinco anos, após os quais foi desmantelado e substituído por uma nova fortificação, mais próxima ao rio, sob a invocação de San Lorenzo. Os seus materiais foram reutilizados na nova fortificação, por determinação da regente Maria Ana de Áustria, Rainha de Espanha (1665-1675), que por Cédula Real expedida em 1688 dispôs:

"(...) y para la fábrica de este puesto se podrá valer de los materiales del fuerte de la Concepción que se desará luego."

Ainda como pode ser observado nas plantas portuguesas da época, o Forte de Nossa Senhora da Conceição está diretamente relacionado com outro forte, localizado a nordeste, sobre um outeiro chamado Monte dos Fachos. Este forte, também erguido por forças portuguesas, apresenta menores dimensões, com planta quadrada e baluartes nos vértices, com dois revelins. Foi erguido em terra apiloada e estacas, e designado como Forte de As Chagas. Em nossos dias não é possível visualizar o seu perímetro em virtude da densa vegetação que recobre na totalidade o seu sítio. Apenas é possível distinguir-se as trincheiras que comunicavam esta fortificação com o Forte da Conceição, devidamente assinaladas nas plantas portuguesas.

A construção do Forte da Conceição pelos portugueses em 1663, o primeiro de seu tipo na fronteira do Minho, foi ainda a razão da construção de outro forte no atual concelho de Tomiño, o Forte de Santiago Carrillo de Medos ou Amorín, no lugar de Estás de que se dispõe de escassas referências históricas e nenhuma planta coeva. A função desta fortificação era a de impedir o avanço dos portugueses a partir do Forte da Conceição, para Tui. Foi erguida no lugar de Medos pela sua proximidade com a dita praça e pela situação da sua altura em relação à mesma.

Em nossos dias, a nível comunitário europeu, o Forte da Conceição não se encontra compreendido pelo governo espanhol em sua lista para a Convenção de Haia e, deste modo, não é beneficiária da proteção que esta oferece. Os castelos espanhóis foram catalogados em 1968 no Inventário do Património Cultural Europeu, sob a epígrafe “Arquitetura Militar”.

A nível nacional a “Comisaría General de Patrimonio Artístico Nacional” da “Dirección General de Bellas Artes”, pelo Decreto de 22 de abril de 1949 sobre proteção dos Castelos Espanhóis refere: "todos los castillos de España, cualquiera que sea su estado de ruina, quedan bajo la protección del Estado, que impedirá toda intervención que altere su carácter o pueda provocar su derrumbamiento". Por esse decreto possui a classificação de “Bien de Interés Cultural” (BIC) pela segunda disposição adicional da lei nº 16/85 do Património Histórico Espanhol. Está inscrito, desde 17 de outubro de 1995, sob o n.º RI-51-0008980 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.

A nível regional, de acordo com a primeira disposição adicional da lei n.º 8, de 30 de outubro de 1995, do Património Cultural da Galiza os elementos declarados como BIC na lei estatal passam a ter a classificação de BIC na legislação autonómica. Ademais, no Título I, Capítulo I, artículo 14 da lei nº 8/1995, o “Fuerte de la Concepción” aparece consignado no registo de Bens de Interesse Cultural da Galiza, listado na província de Pontevedra, concelho de Tomiño. Encontra-se catalogado ainda no conjunto da fortificação no “Inventario de Xacementos Arqueolóxicos” da Consellería de Cultura da Xunta de Galicia sob o n.º GA36054047.

A nível local o “Fuerte de A Concepción” está relacionado no Anexo I do “Plan Xeral de Ordenación Urbana del Concello de Tomiño”, aprovado em 29 de março de 2001 sob a epígrafe "Catálogo de edificios e elementos a conservar", seção 2, "Patrimonio Arqueolóxico". Uma futura revisão deste plano deverá delimitar um Plano Especial de Proteção e Reabilitação que abarque o âmbito do BIC e o seu entorno de proteção.

O estado em que se encontra a fortificação na atualidade é crítico devido a agressões e alterações que vieram a eliminar alguns dos seus elementos e que afetaram seriamente os que ainda se conservam. A presença de edificações e vias de comunicação desfiguraram a sua primitiva configuração. Por ter sido erguida em terra, as suas grandes dimensões e a proximidade com o núcleo urbano de Goián, alteraram gravemente a configuração original da fortificação. Encontra-se parcialmente conservada em seus extremos oeste e leste.

De forma geral, as patologias mais evidentes de que a fortificação padece são:

- Perda de massa volumétrica de partes da fortificação causadas por terraplanagens e cortes, que afetam uma grande parte dos seus elementos construtivos;

- Preenchimento das áreas do fosso;

- Construção de vivendas sobre os baluartes e cortinas do forte;

- Abertura de vias e arruamentos que cruzam o interior do forte;

- Presença de vegetação descontrolada sobre elementos estruturais.

As agressões podem ser divididas em duas categorias principais:

A. Agressões diretas – aquelas que causam o desaparecimento de elementos que determinam a configuração do conjunto arquitetónico:

- O espaço interior está arrasado na sua quase totalidade, por elementos urbanísticos tais como caminhos e construções que eliminaram praticamente os baluartes norte e noroeste. Em concreto, o baluarte norte apresenta uma forte ocupação por vivendas pelo que se encontra muito desvirtuado. O terrapleno deste baluarte norte está ocupado por um muro de uma propriedade.

- As atividades extractivistas de inertes, que desmantelaram o baluarte su-sueste e as estruturas exteriores do hornaveque;

- O nivelamento da superfície oriental da parte exterior do forte para uso agrícola, que afeta negativamente estruturas pouco definidas;

- A presença de vegetação impacta negativamente nas zonas que ainda se conservam;

- Recentemente uma faixa de emparcelamento afetou a fortificação do leste para o norte.

- O caminho coberto em ziguezague e aterro do lado oriental foi destruído por um aterro:

- A cortina sul está praticamente desaparecida e a rua que conduz ao rio corta de noroeste a sudeste todo o conjunto.

B. Agressões indiretas – aquelas que afetam a percepção do elemento ou a qualidade ambiental do entorno. Nesta categoria incluem-se todas as construções vizinhas na zona oeste e sul, a urbanização do talude e dos fossos, as edificações entre a fortificação e outras estruturas do sistema militar, assim como numerosos muros de fechamento.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de campanha, em faxina e terra, com obra exterior, de planta irregular, cuja concepção segue a dos modelos erguidos nos séculos XVI e XVII.

Situada a 46 metros acima do nível do mar, ocupava uma área de cerca de 50.000 m², com as dimensões de 370 metros no eixo norte-sul, e 470 metros no leste-oeste.

Contava com cinco baluartes e um hornaveque. No interior erguiam-se as edificações de serviço. Em nossos dias ainda se distinguem alguns elementos originais, que figuram nas plantas históricas, embora muito descaracterizados por caminhos, ruas e edificações posteriores.

Elementos defensivos:

A. Baluarte Norte

B. Baluarte Leste

C. Baluarte Sudeste

D. Baluarte Oeste

E. Baluarte Nordeste

F. Hornaveque

G. Semi-baluarte

H. Semi-baluarte

I. Caminhos cobertos

J. Fosso

K. Meias-luas

L. Trincheiras de comunicação com o Forte de As Chagas

Dependências interiores:

Das edificações que se erguiam no interior da fortificação e que figuram nas plantas históricas não restam vestígios. A Igreja de São Roque e o cruzeiro encontram-se situados na zona da primitiva Praça de Armas. A construção de vivendas e de outras estruturas impede a apreciação do traçado dos antigos quartéis, armazéns e demais instalações.

  • Fort of Nuestra Señora de la Concepción

  • Fuerte de A Concepción, Castillo de Concepción

  • Fort

  • 1663 (AC)

  • 1663 (AC)



  • Portugal

  • 1668 (AC)

  • Missing

  • State Protection
    Municipal Protection
    National Protection
    A nível comunitário europeu, o Forte da Conceição não se encontra compreendido pelo governo espanhol em sua lista para a Convenção de Haia e, deste modo, não é beneficiária da proteção que esta oferece. Os castelos espanhóis foram catalogados em 1968 no Inventário do Património Cultural Europeu, sob a epígrafe “Arquitetura Militar”.
    A nível nacional a “Comisaría General de Patrimonio Artístico Nacional” da “Dirección General de Bellas Artes”, pelo Decreto de 22 de abril de 1949 sobre proteção dos Castelos Espanhóis refere: "todos los castillos de España, cualquiera que sea su estado de ruina, quedan bajo la protección del Estado, que impedirá toda intervención que altere su carácter o pueda provocar su derrumbamiento". Por esse decreto possui a classificação de “Bien de Interés Cultural” (BIC) pela segunda disposição adicional da lei nº 16/85 do Património Histórico Espanhol. Está inscrito, desde 17 de outubro de 1995, sob o n.º RI-51-0008980 no catálogo de monumentos do Património Histórico de Espanha.
    A nível regional, de acordo com a primeira disposição adicional da lei nº 8, de 30 de outubro de 1995, do Património Cultural da Galiza os elementos declarados como BIC na lei estatal passam a ter a classificação de BIC na legislação autonómica. Ademais, no Título I, Capítulo I, artículo 14 da lei nº 8/1995, o “Fuerte de la Concepción” aparece consignado no registo de Bens de Interesse Cultural da Galiza, listado na província de Pontevedra, concelho de Tomiño. Encontra-se catalogado ainda no conjunto da fortificação no “Inventario de Xacementos Arqueolóxicos” da Consellería de Cultura da Xunta de Galicia sob o nº GA36054047.
    A nível local o “Fuerte de A Concepción” está relacionado no Anexo I do “Plan Xeral de Ordenación Urbana del Concello de Tomiño”, aprovado em 29 de março de 2001 sob a epígrafe "Catálogo de edificios e elementos a conservar", seção 2, "Patrimonio Arqueolóxico".





  • Disappeared

  • 50000,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Pontevedra
    City: Tomiño



  • Lat: 41 -57' 15''N | Lon: 8 45' 34''W





  • Faxina e terra





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