Fort of São Lourenço da Barra de Faro

Olhão, Faro - Portugal

Search for fortification's images

Date 1 Date 2

Medias (1)

Images (1)

O “Forte de São Lourenço da Barra de Faro", também referido como "Fortaleza de São Lourenço” localizava-se na freguesia de Quelfes, cidade, concelho e distrito de Faro, em Portugal.

História

No contexto da União Ibérica (1580-1640) a costa algarvia ficou particularmente vulnerável em termos defensivos. Posteriormente, no da Guerra da Restauração (1640-1668), foram encetados esforços para constituir um sistema de vigilância da costa, assim como fortificados diversos locais, para garantir o apoio à navegação, a continuidade da atividade pesqueira e a luta contra os corsários e piratas.

A cidade de Faro compreendia à época as muralhas medievais que protegiam o núcleo urbano. Para além delas existiam outras fortificações, algumas de caráter provisório, edificadas em ilhas e construídas, na sua maior parte, com materiais frágeis e de pouca resistência, como areia, faxina ou madeira e tendo como quartéis simples cabanas de junco e tabuado. Estas fortificações tinham pouco tempo de duração, devido à ação erosiva dos elementos, nomeadamente a do mar e a própria morfodinâmica da ria.

Desse modo, em 1644 foi proposta a construção do Forte de São Lourenço, sobre os restos de uma fortificação anterior, do reinado de João III de Portugal (1521-1557), com a função de defesa da barra de Faro. Recebeu o seu nome em homenagem ao conde de São Lourenço, então Governador do Reino do Algarve (1642-1646), que propôs a sua construção.

Em 1653 o engenheiro militar Pierre de Saint-Colombe, que acompanhou o então Governador e Capitão-General do Reino do Algarve, D. Nuno de Mendonça, 2.º conde de Val de Reis, em missão de inspeção a todas as fortificações litorâneas, de Castro Marim a Sagres, sugeriu que o Forte de São Lourenço fosse construído na ponta de uma elevação de areia. Por essa razão, a sua estrutura e alicerces deveriam assentar em uma grade de madeira grossa, bem travada com pregaria, e preenchida por alvenaria miúda. Sobre esta deveria colocar-se lajes, a partir das quais arrancariam as paredes. O forte deveria ter quatro baluartes.

A sua construção ter-se-á iniciado ainda no mesmo ano (1653), pois em abril do ano seguinte (1654) noticiava-se que a estrutura, assente em 2.000 traves de pinho grossas, estaria prestes a receber artilharia num dos quatro baluartes, e que, pelo bom ritmo em que as obras então se desenvolviam, previa-se que estariam concluídas em dois anos.

O financiamento da obra importou a contribuição de várias fontes. Os comerciantes de Faro ofereceram 2% dos impostos das fazendas que durante 6 anos saíssem ou entrassem da barra. A Câmara Municipal de Faro contribuiu com seis anos sobre as sobras do cabeção das sisas e o próprio João IV de Portugal (1640-1656) decidiu autorizar uma despesa de 4.000 cruzados, tirados das sobras da alfândega da cidade ou, se esta contribuição fosse insuficiente, de qualquer outra fonte de financiamento pertencente à Real Fazenda.

A sua guarnição inicial era de 1 oficial subalterno, 1 sargento, 1 cabo e 10 soldados.

Em 1657 as obras ainda prosseguiam e, apesar de estar concluída a parte do forte voltada para a barra, foi proposto que se fizessem de torrão os dois baluartes voltados para terra, pois este flanco era igualmente importante defendê-la de possíveis ataques.

Desde cedo a estrutura demonstrou a sua fragilidade: em 1661, apenas oito anos após o lançamento da primeira pedra, o forte “começou-se a arruinar”. Foi efetuado um esforço de reconstrução pela união das pedras com ferro, betume e mós de moinho. A reparação revestia-se de dificuldade, com um dos baluartes muito destruído, permitindo que as marés vivas alagassem o recinto até aos quartéis. O seu estado era tão preocupante que levou mesmo a que as peças de artilharia fossem retiradas. Desse modo, em pouco tempo “ficaram as diligências baldadas e perdido o gasto [que] pelo reparo se fez". Não obstante a ruína em que o forte se encontrava, a Coroa não desistiu da sua posição estratégica, e ordenou, ainda em 1661, a Saint-Colombe uma deslocação ao local, a fim de desenhar uma planta do terreno e da ruína, apontando o que seria necessário reparar e conservar. Os custos deveriam ser poucos e a utilidade do forte inquestionável para defesa da barra, de vez que o monarca acabou por determinar a sua reedificação naquele mesmo ano.

Em 1669 um dos baluartes estava destruído pela ação erosiva do mar. Devido à falta de condições do terreno, a Coroa decidiu a reedificação em local mais seguro.

Em 1701, temos a informação que o Forte ainda se encontrava imperfeito, pelo que podemos concluir que as ordens da Coroa não foram cumpridas ou que neste período de tempo o Forte tenha sido reedificado e logo a seguir sofrido nova derrocada. Devido à intensa dinâmica da ria que conduzia a uma fragilidade do solo e dos fundamentos dos alicerces da construção - as areias corriam de Poente a Levante -, e conjugando ainda a força das marés e do vento, o forte ia derrocando sucessivamente. A reconstrução era sempre temporária até nova derrocada.

Em 1707 o forte encontrava-se artilhado e guarnecido, conforme consta da lista dos pontos fortificados do litoral português.

No seguimento de anteriores derrocadas e reconstruções o forte ruíra por completo. Contudo, a necessidade de defesa da Barra levou à sua reedificação no governo de D. Luis Peregrino de Ataíde, 10º Conde de Atouguia (1700-1758), sendo os fundamentos da nova estrutura erguidos sobre as ruínas da anterior. A documentação refere que foi erguida uma plataforma artilhada, com o fim de servir de registo às embarcações que entravam e saíam da Barra.

Em documentos datados de Lagos a 22 de junho de 1754, informa-se sobre a visita e inspeção que até ao dia 4 daquele mês fizera a todos os pontos fortificados do litoral algarvio o Capitão-general do reino, D. Rodrigo António de Noronha e Meneses, assim como existe uma planta da fortificação desenhada pelo Sargento-mor Engenheiro Romão José do Rego, e outra da ria de Faro-Olhão, por Francisco Lobo Cardinal. (Papéis do Ministério do Reino, Maço nº 625, ANTT)

Com o terramoto de 1 de novembro de 1755 (e consequente maremoto), o Forte de São Lourenço sofreu grande derrocada, tendo o mar arrasado por completo a construção. Porém, logo no ano seguinte a sua reconstrução foi mais uma vez proposta e de novo aprovada. A partir de 1758 o seu capitão já residia habitualmente em Olhão, permanecendo no forte apenas uma guarnição de 8 soldados. Em duas das visitas de inspeção efetuadas nos anos seguintes aos pontos fortificados do litoral algarvio o Forte de São Lourenço encontra-se representado. Atentando ao desenho do Sargento Romão José do Rego, provavelmente de 1762, pensamos que este representa o estado do forte após a referida reconstrução.

No entanto, as obras de reparação sucederam-se, pois estão documentadas em 1772, ano em que o mar voltou a arruiná-la quase por completo. Em relatório de inspeção realizado em 1792 foi proposto proceder a realização de trabalhos de consertos no Forte de São Lourenço, pois era necessária a continuação da funcionalidade de fiscalização das embarcações que entravam e saíam da Barra. Os trabalhos de reconstrução foram levados a efeito, pois em relatório datado do ano seguinte é-nos indicado que o Forte já se encontrava operacional e em bom estado de conservação, necessitando apenas de algumas reparações nos seus telhados. O Forte era então denominado como “pequena bateria”. Baltazar de Azevedo Coutinho, capitão do Real Corpo de Engenheiros, deixou-nos um desenho do Forte de São Lourenço, datado de 1798.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), quando os Olhanenses se revoltaram contra as forças francesas (1808), a guarnição desta fortificação recusou qualquer ajuda aos marítimos que para lá rumaram em busca de armas.

Em 1821 já não haveria guarnição alguma.

Um Ofício do Governador da Praça de Faro, a cuja a jurisdição a fortaleza se subordinava, ao brigadeiro Duarte José Fava, datado de 27 de maio de 1825, dava conta de ela se encontrava ao abandono.

Em 1840 subsistiam apenas fragmentos da muralha e da ermida.

Atualmente constitui-se em um sítio arqueológico submerso, podendo avistar-se na maré vazia algumas pedras dos antigos muros e três antigos canhões de ferro.

Desde 2006 tem sido alvo de investigação arqueológica pelo Centro de Estudos do Património da Universidade do Algarve.

Características

Situada na barra de Faro, a planta desta fortaleza, de autoria do engenheiro militar Pedro de Santa Colomba, apresentava a forma de um quadrado com baluartes nos vértices, e uma plataforma para peças de artilharia. Em chão de areia, as suas fundações assentavam assentava em grossas estacas, conforme reportado em carta do conde de Val de Reis ao soberano, em 13 de abril de 1654, onde se informava que até aquela data já se haviam haviam afundado na areia 2000 traves de pinho e nela se ia trabalhando com o calor e por todo o mês de maio, deixando capaz de artilharia um dos quatro baluartes de que se compunha e se entendia que, em dois anos se poderia acabar toda a fortificação.

A planta do Sargento-mor Romão José do Rego, que tudo indica tenha acompanhado o Governador na sua digressão em 1754, mostra a fortificação com planta na forma de um quadrado, com 15 varas de lado (16,50 m), com a bateria voltada ao mar a leste, os quartéis a norte e, no lado oposto à porta, entre os quartéis e a bateria, uma ermida. Estava artilhada com 3 peças de bronze montadas na bateria, uma de calibre 3 em bom estado de conservação, outra de calibre 5 e mais outra de calibre 3 estas incapazes de serviço. No interior da fortificação existiam mais 3 peças de ferro de calibre 18 que haviam sido trazidas da Bateria da Armona, que se desmoronara pela ação do mar. Nas anotações feitas na planta, o Sargento-mor esclarece que a construção se encontrava em muito bom estado de conservação mas mal situada, uma vez que a barra de Faro, para a defesa da qual fora erguida, ficava a mais de meia légua de distância.

Anastácio Joaquim Roiz (Rodrigues), em 1798 deixou-nos uma minuciosa descrição do Forte de São Lourenço: um quadrilátero com 10 toesas no lado de maior comprimento. As suas frentes viradas a oeste e norte não tinham plataformas para a artilharia e eram mais elevadas que as outras duas. Os quartéis da tropa e a casa do governador estavam dispostos ao abrigo da parede norte. O conjunto contava com um armazém, e uma capela ao fundo, entre os quartéis e a bateria. Estas últimas dependências seriam cobertas de telha. Tinha uma guarita no ângulo nordeste e, no ponto mais alto, um paiol adossado aos quartéis. A entrada do forte fazia-se pelo lado sul. Os parapeitos da bateria eram à barbeta, erguidos em alvenaria, com 1 pé e meio de espessura (0,49cm). O resto das muralhas era de pedra e terra, com ¾ a 4 pés de espessura (1,20m). Para leste e para o lado do mar, a sul, existiam duas baterias em plano mais baixo, também à barbeta. São assinaladas ruínas a toda a volta da fortificação, em especial do lado sul.

Em 1821 o forte era um reduto de alvenaria em ruinas, cercado por um fosso e assente numa coroa de areia. Via-se a porta por onde se entrava no Forte, os alojamentos da guarnição caídos, e a ermida arruinada. Por uma escada de pedra de 2 palmos de largo (4,44m), subia-se à bateria, levantada por 2 braças sobre o nível do mar, com plataformas de lajedo, em melhor estado que tudo o resto, e tinha 24 passos de comprimento e 11 de largo (17,76m de comprimento e 6,06m de largura). O mar entrava na construção, correndo o risco de ruir se não fosse reparada.

Bibliografia

CALLIXTO, Carlos Pereira. “Apontamentos para a Historia das Fortificações da Praça de Faro”, Separata nº VIII dos “Anais do Município Faro”, Faro, Tipografia União, 1979.



 Related character


 Print the Related character

Related bibliography 


 Print the Related bibliography

Contribution

Updated at 01/08/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort of São Lourenço da Barra de Faro

  • Fortaleza de São Lourenço

  • Fort

  • 1653 (AC)




  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • 272,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Olhão



  • Lat: 37 -1' 33''N | Lon: 7 49' 7''W



  • A fortificação, submersa entre a ilha da Culatra e a de Armona, apenas pode ser visitada na baixa-mar durante as marés vivas.


  • Meados do século XVIII: 3 peças de bronze montadas na bateria, uma de calibre 3 em bom estado de conservação, outra de calibre 5 e mais outra de calibre 3 estas incapazes de serviço. No interior do forte existiam mais 3 peças de ferro de calibre 18.






Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Fort of São Lourenço da Barra de Faro