Castle of Albufeira

Albufeira, Faro - Portugal

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O "Castelo de Albufeira" localizava-se na freguesia de Albufeira e Olhos de Água, concelho de Albufeira, no distrito de Faro, em Portugal.

História

Antecedentes

Embora não se disponha de informação segura acerca da primitiva ocupação humana de seu sítio, acredita-se que este trecho do litoral Algarvio já era ocupado desde a pré-história por populações ligadas à coleta e à pesca. O seu porto teria propiciado a formação de uma povoação com alguma importância, que ao tempo da Romanização se denominava "Baltum". A sua população, a par da atividade pesqueira, terá desenvolvido a agricultura e o comércio, acarretando um progresso económico do qual os vestígios de aquedutos, pontes e estradas são testemunho.

A presença muçulmana iniciou-se em 716. A  povoação foi fortificada sob o domínio Almóada, conforme atesta o seu topónimo árabe "al-Buhera" com o significado de "Castelo do Mar". Outros autores atribuem ao vocábulo o significado de "lagoa", então existente na parte baixa, que defenderia pelo lado de terra a península na qual a povoação se ergue.

A Albufeira muçulmana constituía-se em um povoado amuralhado no topo da escarpa rochosa, que corresponde ao atual centro histórico, dominada por uma alcáçova. A eficácia dessa defesa é atestada pelo fato de ter sido este um dos núcleos que mais tempo permaneceram no seu domínio.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, após a conquista de Faro (1249) Albufeira foi definitivamente conquistada pelas forças de Afonso III de Portugal (1248-1279), sendo o castelo e os seus domínios doados pelo soberano aos cavaleiros da Ordem de Avis, na pessoa de seu Mestre, D. Martinho Fernandes (1 de março de 1250).

Em 1276 o seu alcaide solicitou ao soberano um empréstimo para a manutenção das suas defesas.

Posteriormente, sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), foram empreendidas obras de restauro das defesas (1319).

Pedro I de Portugal (1357-1367) empreendeu nova campanha de obras no castelo e cerca da povoação, no montante de 17.000 libras (1363).

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383) foram promovidas novas obras (1378).

À época de Manuel I de Portugal (1495-1521) Albufeira recebeu o Foral Novo (20 de agosto de 1504), momento em que se acredita as suas defesas tenham sido reforçadas.

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) as suas defesas encontram-se descritas em planta de autoria do engenheiro militar napolitano Alexandre Massai (“Descrição do Reino do Algarve (…)”, 1621).

A Bateria de Albufeira

Ver Bateria de Albufeira

Do século XVIII aos nossos dias

Localizada em uma falésia, a povoação foi desde sempre atingida pelos cataclismos naturais. Foi particularmente castigada pelo terramoto de 1 de novembro de 1755, cujo consequente maremoto atingiu a costa naquele trecho com ondas de mais de dez metros de altura, arrasando tudo à sua passagem. Na vila permaneceram de pé apenas 27 casas de habitação. A Igreja Matriz, na qual se refugiara parte da população, desabou, causando 227 vítimas. Embora tivessem sido iniciadas de imediato obras para reparação dos danos, a região continuou sendo sacudida por terramotos até agosto do ano seguinte.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em 1833 a vila foi cercada e tomada de assalto pelas forças de José Joaquim de Sousa Reis (o "Remexido"), um capitão de guerrilhas miguelista, causando extensos danos materiais e humanos, conforme registado por LOPES (1841):

"(...) Os habitantes e alguns outros Constitucionaes, para se defenderem dos rebeldes que os perseguião se recolheram por ultimo ao arruinado castello, donde lhe fizerão algum fogo; mas falecendo-lhes alli munições de boca e de guerra aceitárão a capitulação que os malvados lhes oferecerão, e vilmente quebrárão logo que os colhêrão desarmados, e virão que huma embarcação de guerra mandada de Faro aproximando-se á terra lhes fazia fogo por observar alli arvorada a bandeira realista; pois então bradando que era traição se levantou a voz 'matemos os malhados', o que passarão a executar, fazendo no mesmo dia 27 de julho, cruel e barbara matança em 74 pessoas de todas as idades; (...)." (LOPES, João Baptista da Silva. "Corografia ou Memoria Economica, Estadistica, e Topografica do Reino do Algarve". Lisboa: Typografia da Academia Real das Sciencias de Lisboa, 1841. pp. 301-302.)

E, sobre o estado do castelo, a mesma fonte dá conta: "(...) na parte chamada 'Villa a dentro', onde ha restos dos antigos muros do seu castello, (...)." (Op. cit., p. 300.)

Entre o século XIX e o XX, a vila conheceu surtos de crescimento e depressão económica. Modernamente, graças ao turismo, um expressivo surto de progresso se instalou. Pouco resta, entretanto, dos antigos muros medievais da vila, que não resistiram ao progresso urbano, demolidos na década de 1960 quando da construção do "Hotel Sol e Mar". Esses remanescentes não se encontram classificados nem em vias de classificação pelo poder público português.

Em nossos dias ainda se conservam alguns vestígios do castelo e do urbanismo de Albufeira medieval, nomeadamente, as três portas da povoação: "Porta de Santa Ana", "Porta da Praia" e "Porta da Praça", cada uma assinalada com painel de azulejos. À "Porta da Praça" pertencia a chamada "Torre do Relógio". A atual Praça da República, anteriormente designada de Praça de Armas, é ladeada pelo antigo edifício dos Paços do Concelho (atual Museu Municipal de Arqueologia), e do lado oposto o edifício da cadeia (atual conservatório de música de Albufeira).

No final da Rua Henrique Calado subsiste parte da torre, já muito danificada, que formava uma das portas da vila medieval, que, em conjunto com o vestígio da muralha encontrado junto à escadaria da Rua da Bateria, constituem os únicos testemunhos do sistema defensivo medieval de Albufeira.

Da Praça de Armas de Albufeira, dependiam as seguintes fortificações:

- A Torre da Medronheira, cuja construção remonta ao reinado de D. Afonso III;

- A Bateria ou Forte de São João, a leste da vila;

- A Bateria de Albufeira sobre o ancoradouro;

- A Torre Velha mandada construir por D. João III, junto à Praia do Castelo;

- A Torre Nova, a 600 metros a oeste da Torre Velha;

- O Forte de Valongo, a leste, a cerca de 10 quilómetros da cidade, na margem direita da Ribeira de Quarteira, edificado durante a Dinastia Filipina.

Características

Exemplar de arquitetura militar, islâmico e gótico.

O castelo medieval apresentava planta no formato quadrangular, com uma torre em cada vértice. Este recinto fortificado corresponderia à alcáçova muçulmana.

A cerca da vila, referida em fontes escritas do século XIV, foi erguida sobre os restos de uma primitiva muralha. Demarcava um recinto de planta no formato poligonal orgânico (acompanhando a topografia do terreno) com cerca de 13.000 m². Na planta seiscentista de Massai não se regista a muralha a sul, onde o mar constituía a defesa.

A povoação era acedida por três portas:

• a chamada "Porta da Praça" ou "Porta do Ocidente", que se constituía na porta principal, na altura da atual praça da República;

• a "Porta do Mar" ou "Porta da Praia", a norte, na atual rua Henrique Calado, a cerca de 150 metros do Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira, e de que subsiste um troço de seu muralhamento na atual rua Joaquim Pedro Samora; era defendida por duas torres, sendo uma delas avançada e com entrada em cotovelo, a chamada barbacã; e

• a "Porta de Sant'Ana", assim chamada por dar acesso à Capela de Sant'Ana (desaparecida com o terramoto de 1755), situada um pouco mais abaixo, do lado direito do atual Posto da Guarda Fiscal, na praia dos Pescadores. Esta porta, identificada em 1993 pelos Serviços de Cultura da Câmara Municipal de Albufeira, à semelhança das suas congéneres era defendida por dois bastiões com planta quadrangular e, provavelmente, por uma barbacã.

A cerca era amparada por nove torres, das quais subsiste, entre outras, parte da torre a oeste, atualmente identificada como “Vestígios da Muralha de Albufeira”. A cerca de quinze metros a sul, subsiste uma outra torre, onde se encontra uma residência particular, que outrora pertencia ao canto noroeste da alcáçova.

A chamada Torre do Relógio, que atualmente se encontra integrada na edificação da Santa Casa de Misericórdia, na rua Bernardino de Sousa, “ex libris” da cidade, era, primitivamente, uma das torres muçulmanas que defendiam a Porta da Praça, aí tendo funcionado a antiga cadeia. Foi dotada no século XIX de uma coroa de ferro que sustenta o sino das horas.



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Contribution

Updated at 01/07/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


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  • Missing

  • Monument with no legal protection
    Os remanescentes não se encontram classificados nem em vias de classificação pelo poder público português.





  • Disappeared

  • 13000,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Albufeira



  • Lat: 37 -6' 46''N | Lon: 8 15' 6''W










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