Fort of Nossa Senhora dos Anjos

Vila do Porto, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte de Nossa Senhora dos Anjos", também referido como "Castelo de Nossa Senhora dos Anjos", localizava-se no lugar dos Anjos, freguesia e concelho de Vila do Porto, ilha de Santa Maria, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal. Nas suas imediações ergueu-se, no século XX, a antiga Fábrica de Conservas Corretora.

História

De acordo com REZENDES (2018), o forte foi erguido por iniciativa do Dr. Manuel Luiz Pereira de Melo, Juiz de Fora da cidade de Ponta Delgada e Corregedor da Ilha de Santa Maria, cargo que exerceu no período de 4 de novembro de 1737 a 4 de abril de 1742. (PEREIRA, Manuel Luiz. Carta (... ) e Corregedor da Ilha Santa Maria – 1737. In: ANTT, D. João V, Livro 93, f. 121v. Apud REZENDES, 2018.)

À época, em visita de inspeção às fortificações ("castelos") da ilha de Santa Maria, ao tomar conhecimento de que o lugar na baía dos Anjos já havia sido invadido por corsários “mouros” (Piratas da Barbária) que haviam levado pessoas cativas, e, que, de outra vez, ali haviam assaltado um navio, deliberou que era necessário construir um “castelo” (fortificação) que a defendesse. Ciente de que a Câmara Municipal não possuía recursos com que o pudesse erguer, deliberou, à custa e despesa da Corregedoria, construir o dito “castelo”, com duas casas de abóbada, artilhado com 7 peças. Após a construção, verificou-se que o "castelo" e as respectivas casas tinham entrado por um cerrado pertencente ao padre Joaquim Francisco de Morais e Lemos. Adicionalmente, o Corregedor entendeu que o caminho de acesso à fortificação fazia algumas voltas, o que o tornava distante e difícil para o seu serviço e, que para este ficar melhor servido, o melhor era fazer-se um caminho e serventia principiando no caminho público junto à igreja (atual ermida) de Nossa Senhora dos Anjos direto ao “castelo”. Para este último fim era necessário passar pelo meio de dois cerrados, um pertencente ao dito padre Morais e Lemos, e outro ao pai deste, o capitão António Velho Cabral. Desse modo, ajustou com ambos a compra da terra por onde tinham entrado o “castelo” e as respectivas casas, e também da do caminho, com largura capaz para a passagem de um carro com os seus bois, de tudo sendo efetuada escritura pública em 1739, pelo tabelião Francisco da Cunha Pacheco. Adquiriu também, pelo mesmo título, o direito a um pátio, defronte ao portão de armas, em que pudesse rodear um carro e voltar como fosse necessário, entre outros direitos referidos na escritura de compra. (Treslado de escreptura (...) terra que comprou o (...) Corregedor Manoel Pyreyra de Melo (...) para feitura do Castelo e Cazas (...). In: Tombo II da Câmara [Municipal] de Vila do Porto, pp. 92-94, C.C.A., apud REZENDES, 2018)

A 24 de outubro de 1739 foram nomeados pela Câmara o primeiro Tenente e o primeiro Condestável do novo Castelo dos Anjos, respectivamente João Bernardo Soares de Souza Albuquerque e o “mestre” José de Souza. Por Acordão de 2 de novembro de 1739 a Câmara decidiu passar mandato ao depositário da “finta do barro”, para pagamento ao Corregedor e ao escrivão da Correição, das despesas efetuadas por ordem do Corregedor na construção do Castelo dos Anjos. A 30 de maio de 1766 foram arrematadas pela Câmara obras de pedreiro para a Casa da Vigia de Nossa Senhora dos Anjos. Décadas mais tarde, a 10 de dezembro de 1806, outro Acordão da Câmara voltou a referir obras de reparação da Casa da Vigia dos Anjos. (In: Acordãos da Câmara [Municipal] de Vila do Porto, C.C.A., apud REZENDES, 2018)

FIGUEIREDO (1960) assim referiu o local e a sua fortificação em 1815: "Este sítio [o lugar dos Anjos] era uma boa Caloira e ainda tem rasteiros de boas vinhas, tem um castello com seis peças e caza de vigia, (...)." (Op. cit., p. 207) Mais adiante complementou:

"Apoz [para adiante do porto de Sancta Anna] está o Castello de N. S.ª dos Anjos com seis peças inferiores e por fora um grande baixio, que bota mais d'uma legoa ao mar Norte sul." (Op. cit., p. 220)

E sobre a sua artilharia deu conta: ''- O Forte chamado a Lage sito em N. S.ª dos Anjos ao Noroeste, (com desaseis digo) com seis peças corrutas dos tempos, e tem vigia." (Op. cit., p. 223)

Observe-se que, mesmo referindo neste trecho o Forte como “da Laje” e situando-o “a Noroeste” – onde se encontra a Bateria da Laje da Peça -, a artilharia descrita é a do Forte dos Anjos.

Essa informação é corroborada em 1816 pelo capitão engenheiro Francisco Borges da Silva, na relação "(...) Baterias que há no perímetro da Ilha (...)", onde se refere: "Castelo da Senhora dos Anjos, com seis peças em mau estado." (Estatística Geral e Particular da Ilha de S. Miguel, Topographia Geral ou descripçã;o física ou natural. In: TORRES, José de, Variedades Açorianas, (man.), vol. X, fls. 1-186v.)

A vistoria ao Castelo de Nossa Senhora dos Anjos, e aos fortes da Lage e Cabrestante, efetuada em 1817 pelo Capitão Luiz de Figueiredo Falcão e pelo Condestável Francisco José Cabral, indicou serem necessários os seguintes aprestos:

(…) Seis carretas - sacatrapos seis – Pés de Cabra seis – Caxorras [cucharras] seis – Diamantes seis. Igualmente participo a V. S.ª que as muralhas do Castelo de Nossa Senhora dos Anjos carecem de serem reteficadas com cal e a casa q. está junta ao dito ser feita de novo por se achar abatida p.ª nela se recolherem as peças e outro sim carecem de ser retelhadas e encaliçadas para evitar a ruína que o tempo lhe faz.” (REZENDES, 2018)

No final de 1819 foram entregues aos comandantes do Castelo de N.ª Sr.ª. dos Anjos, Manuel da Camara Albuquerque e Luis Francisco Velho da Câmara, 39 balas de calibre 5 e, em maio de 1820 foram entregues aos mesmos comandantes: “(…) um Repairo com seus preparos Calibre 7 (…)”, entre outros acessórios de artilharia e munições. (REZENDES, 2018)

Em junho de 1820, uma relação dos Calibres das Peças de artilharia existentes nas fortificações da ilha de Santa Maria aponta para a existência de apenas 2 peças ativas no Forte dos Anjos, dos calibres 7 e 5. (REZENDES, 2018)

O forte encontra-se assinalado na "Carta militar e topo-hydrographica da Ilha de S.ta Maria levantada em 1822 e dezenhada em 1824 pelo Tenente-Coronel Engenheiro Jozé Carlos de Figueiredo". (GEAEM 1131/3-44-4)

A "Relação" do marechal de campo Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto, comandante da 10.ª Divisão Militar (Açores), em 1862 informou que se encontrava muito arruinado. (Op. cit., p. 269)

O "Relatório" do coronel Mesquita (1864) indica-o como "Forte da Senhora dos Anjos", sem maiores informações. (MESQUITA, 1864, apud MARTINS. 2013:258)

Chegou aos nossos dias completamente arruinado, constituindo-se em um sítio arqueológico a ser pesquisado. Serviu como um dos cenários para o episódio n.º 9 ("Açores - Ilha de Santa Maria") do programa "Histórias que o Tempo Apagou" (RTP, 1994), apresentado pelo Prof. José Hermano Saraiva. Na cena podem ser vistos restos da antiga muralha, assim como, no solo, duas peças de artilharia antecarga de alma lisa, de ferro, de grosso calibre, em adiantado estado de corrosão. Uma terceira é mostrada, desenterrada no local, para o apresentador. Em nossos dias os restos das peças permanecem no solo, abandonados, estando a terceira peça enterrada uma vez mais.

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982) como "Castelo de N.ª S.ª dos Anjos, na baía do mesmo nome;".

O sítio não se encontra sinalizado e nem possui classificação ou proteção legal. No local encontra-se instalado, modernamente, um farolim para apoio à navegação.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento rural, isolado.

De pequenas dimensões, primitivamente apresentava planta pentagonal, com 2 casas de vigia abobadadas, tendo sido artilhado com 7 peças.



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Contribution

Updated at 02/08/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Diniz G. Sousa Rezendes.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (5).


  • Fort of Nossa Senhora dos Anjos

  • Castelo de Nossa Senhora dos Anjos

  • Fortin





  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Vila do Porto



  • Lat: 37 -1' 32''N | Lon: 25 9' 16''W




  • 1737: 7 peças antecarga, de alma lisa.
    1815: 6 peças antecarga, de alma lisa, de pouco calibre, inservíveis.
    1816: 6 peças antecarga, de alma lisa, em mau estado.
    1817: 6 peças antecarga, de alma lisa.
    1820: 2 peças antecarga, de alma lisa, dos calibres 7 e 5.






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