Fort of Arrifana

Aljezur, Faro - Portugal

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O “Forte da Arrifana”, também referido como “Fortaleza da Arrifana” localiza-se na localidade de Arrifana, na freguesia e concelho de Aljezur, no distrito de Faro, em Portugal.

História

De acordo com a tradição local, Aljezur terá sido fundada no século X pelos Muçulmanos. No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, terá sido conquistado em 1249, sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), por forças sob o comando do Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia. A conquista ter-se-á dado ao romper da alva e, em agradecimento, os cristãos agradeceram à Senhora o sucesso da conquista e, numa demonstração de fé, Nossa Senhora da Alva passou a ser a padroeira de Aljezur.

A povoação recebeu foral de Dinis I de Portugal (1261-1325), passada em Estremoz em 12 de novembro de 1280, constituindo-se na primeira carta de foral concedida por este soberano a uma terra algarvia.

Em 1 de junho de 1504, Manuel I de Portugal concedeu o Foral Novo à vila.

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) o projeto de construção de uma fortificação na Arrifana remonta ao Governador e Capitão-mor do Reino do Algarve, D. Luís de Sousa, conde do Prado (1630-1633) que informou o Conselho da Fazenda que em face da “Planta inclusa da Fortaleza que se pretende fazer na baia da Arrifana na costa deste Reino do Algarve (…)”, o seu ponto de vista acerca da construção desta fortificação que tinha a função imediata de defender uma armação (almadrava) de pesca que já aqui existia em 1516, bem como para a defesa da costa e da baía da Arrifana, constituindo assim o primeiro ponto fortificado desta costa.

Na gestão do Governador e Capitão-mor do Reino do Algarve, D. Gonçalo Coutinho (1633-1638), em 1634 Gaspar de Abreu, em nome do Conselho da Fazenda, dava conta:

O Conselho me ordenou que da sua parte remetesse a Vossa Senhoria a traça e cópia da Carta do Governador do Algarve e rol de mediação que será com este sobre a nossa fortaleza que se intenta fazer na baía da Rifana daquele Reino para que Vossa Senhoria pelo conhecimento que tem dela e por serviço de sua Majestade ver a estes papéis e informe ao dito senhor do que na matéria lhe parecer que Vossa Senhoria me enviará para satisfazer ao que sua Magestade manda.

A divina guarda a Vossa Senhoria como deseja o Conselho da Fazenda, 1º de Junho de 1634 – Gaspar de Abreu
.”

A fortificação só se materializou em 1635.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) uma correspondência datada de 13 de abril de 1654 do então Governador e Capitão-General do Reino do Algarve, conde de Val de Reis, dirigida a João VI de Portugal (1640-1656), dá conta de que a fortificação na Arrifana estava desguarnecida.

Devido à ação dos elementos, a estrutura foi-se degradando progressivamente, tendo sido reconstruída em 1670 de vez que, dois anos antes, o conde de Val de Reis, informou que mandou fazer cal para se proceder à reparação de várias fortificações, entre as quais se encontrava a de Arrifana, tendo as obras tido início no ano de 1669.

Em 1754 a fortificação de Arrifana encontrava-se artilhada com duas peças dos calibres 18 e 12 respectivamente, em bom estado de conservação e prontas a disparar. (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, papéis do Ministério do Reino). Desta mesma data conhece-se uma planta da fortificação, da autoria de Francisco Lobo Cardinal, onde se vê a bateria, o corredor (desfiladeiro) e os alojamentos.

Foi gravemente danificado pelo maremoto consequente do terramoto de 1 de novembro de 1755, conforme informação do então pároco de Aljezur, Martinho Pereira da Silva:

(…) aqui o mar recolheu 30 braças e voltando por três vezes, investiu contra os muros da fortaleza com tal ímpeto, destruíram o desfiladeiro, bem como as estruturas, ficando em pé apenas a bateria e a cortina amuralhada da porta de entrada.” (“Memórias Paroquiais”)

Devido à sua posição estratégica, então com grande valor, por determinação do então Governador do Reino do Algarve, marquês do Louriçal, foi reedificado em 1762. À época estava artilhado com um meio-canhão de bronze do calibre 18 e uma meia-colubrina também em bronze do calibre 12. Estava guarnecido com 4 soldados do Regimento de Artilharia e Marinha e 3 soldados destacados da Praça de Lagos.

Pouco depois no Inverno de 1765, diante de nova investida do mar, o desfiladeiro voltou a ser destruído, tendo a sua reconstrução custado 50$000 reis, tendo sido feita nova planta mostrando os estragos causados.

Em 1771, foram feitas novas obras de reparação necessárias para manter o forte em estado operacional.

Em 1792 o forte encontrava-se artilhado com duas bocas de fogo montadas e estava guarnecido por 1 cabo e 6 soldados, mas o seu estado de conservação era mau, sem porta e as abóbadas do corpo da guarda e do paiol estavam danificadas.

Em 1796 ainda conservava duas peças, 1 de bronze do calibre 16 e 1 de bronze do calibre 12. Possuía ainda balas de 16, 12, no total de 88 e 2 arrobas de pólvora.

Estava sob a responsabilidade da 4ª Companhia das Baterias que defendiam o Reino do Algarve, e contava, em 1797, com um efetivo de 13 homens dependentes da Praça de Sagres.

A partir de 1815 os relatórios oficiais que referem a fortificação da Arrifana, nomeadamente em 1821 – quando a artilharia se encontrava desmontada -, 1840, 1849 e 1861, assinalam apenas a existência dos restos das muralhas da entrada, ao meio dos quais se situava a porta.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) voltou a ser reartilhada e reguarnecida. Desse modo, em outubro de 1831, possuía o mesmo artilhamento que em 1796, estando então municiada com 204 balas do calibre 12, 40 espoletas, 40 cartuchos carregados e 6 arrobas de pólvora. A guarnição era então composta por 1 Cabo de Veteranos, 2 Soldados de Infantaria de Lagos e 2 do Regimento de Artilharia de Faro.

Findo o conflito, em 1840 já só lá estava uma peça de artilharia.

O forte foi abandonado durante várias décadas, até que por um auto de devolução, assinado a 20 de abril de 1940, foi entregue ao Ministério das Finanças, deixando de ser considerado como Fortificação Militar. O Ministério da Marinha, em 19 de setembro de 1940, recusou receber o que restava da fortaleza de Arrifana, o qual foi posto à venda por 52$00, justificando-se em despacho: “(…) são as desmanteladas ruínas de um velho reduto, sem o mais leve interesse, quer histórico, quer artístico, nada justificando a sua conservação na posse do Estado”.

No entanto, quatro anos depois, em 17 de março de 1944, a Comissão do Domínio Público Marítimo, definiu que o local onde existiu o forte da Arrifana devia ser entregue aos seus cuidados, o que na realidade veio a acontecer a 25 de novembro daquele mesmo ano, numa cerimónia que teve lugar nas dependências da Direcção de Finanças de Faro.

A partir de 2007 os restos do forte foram reabilitados por iniciativa do do Município de Aljezur, com apoio financeiro do Polis Litoral Sudoeste e a colaboração da ADPA e custos no montante de 100.787,00 €.

As obras compreenderam ainda a remodelação de pavimentos, parque de estacionamento, nova vedação em madeira em toda a arriba, colocação de mobiliário urbano, sinalização de trânsito, colocação de passadiços na entrada da fortificação, instalação de I.P. e cénica no monumento, bem como a drenagem de águas pluviais.

Os trabalhos arqueológicos ficaram a cargo da empresa Arkaios de Évora, sob a responsabilidade técnica da arqueóloga Drª. Elena Morán.

Características

Localizada numa ponta de rocha a 70 metros acima do nível do mar, era constituída por duas partes ligadas por uma pequena língua de rocha – o “desfiladeiro”. Pelo lado de terra, transposta a porta de armas em arco de volta perfeita, erguiam-se a casa da guarda, os quartéis e o paiol. Ultrapassada a língua de terra, entrava-se na bateria, onde se dispunham duas bocas de fogo apontadas ao mar.

O portão de armas era encimado por uma pedra de armas, a qual se encontra atualmente numa parede do pátio interior do Museu de Lagos, instituição à qual foi oferecida pela Câmara Municipal de Aljezur em 30 de novembro de 1931, conforme ofício de encaminhamento: “(…) a lápide que tivemos o prazer de oferecer ao Museu encimava a entrada principal da fortaleza d’Arrifana (…) e foi transportada para a vila a fim de evitar que os pastores a destruíssem por completo”. Do que é possível ainda ser lido, restou-nos:

[…] /

[---] /

[PR]ÁDO S[EN] /

DO DESPO[VOA] /

DA 30 ÃNO[S GOV] /

ERNÃDO O CÕ[DE DE] /

VAL DE RE[YS] /

NO DE 1670 /

A MANDOV /

REEDIFICAR A /

FUNDAMETIS E L[HE] /

METEO CAP.M E P[RE] /

ZIDIO PAGO ART[ILHADO]



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Contribution

Updated at 26/12/2013 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


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  • Featureless and Well Conserved

  • Monument with no legal protection





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  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Aljezur



  • Lat: 37 -18' 13''N | Lon: 8 52' 26''W










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