Praça-forte de Alcoutim

Alcoutim, Faro - Portugal

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A "Praça-forte de Alcoutim" localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Alcoutim e Pereiro, concelho de Alcoutim, no distrito de Faro, em Portugal.

Na margem direita da ribeira de São Marcos, na sua confluência com o rio Guadiana, é composta pelo "Castelo de Alcoutim”, também referido como “Castelo Novo", em posição dominante sobre uma colina ao sul da povoação, e pela "Fortaleza de Alcoutim". Na margem oposta do Guadiana ergue-se a Praça-forte de Sanlúcar de Guadiana, em território da Espanha.

História

Antecedentes

Diversos vestígios encontrados nas imediações do castelo sugerem que um castro dos Lusitanos pode ter existido no local, durante a transição dos períodos Neolítico para o Calcolítico.

Navegadores Fenícios atingiram esta região no final do século X a.C., aqui tendo estabelecido uma feitoria sob a vigilância do castro Lusitano. Mais tarde, em meados do século VIII a.C., os Gregos aqui fundaram uma colónia, que rapidamente se miscigenou com a população Lusitana.

No início do século II a.C., os Romanos conquistaram Alcoutim em um momento em que se constituía em um próspero centro comercial, graças ao seu movimentado porto fluvial. A fortificação foi transformada em uma base militar de ocupação e a povoação tornou-se em um importante centro político, que ficou conhecido como “Alcoutinium”.

A povoação foi tomada pelos Alanos em 415, vindo a cair em franco declínio, devido à paralisação das exportações minerais.

Conquistada pelos Muçulmanos em 715, estes mudaram-lhe o nome para “Alcatâ”, embora não tenham conseguido restaurar a antiga importância económica e política da povoação.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica a região foi conquistado pelas forças de Sancho II de Portugal (1223-1248) em 1240. Visando incrementar o povoamento e defesa desses domínios, o soberano atribuiu-lhe o título de vila, fazendo reedificar o castelo e erguer uma forte cerca, tendo esses trabalhos se prolongado pela segunda metade do século XIII.

Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), a povoação recebeu carta de foral (9 de janeiro de 1304) tendo o seu domínio sido doado à Ordem de São Tiago. Data deste período a reforma do castelo e das muralhas, tendo chegado até nós apenas dois portões ogivais, que testemunham a sua origem gótica.

Foi nesta vila - possivelmente nas dependências de seu castelo - que foi assinado o Tratado de Alcoutim (31 de março de 1371), entre os reis Fernando I de Portugal (1367-1383) e Henrique II de Castela, encerrando a Primeira Guerra Fernandina (1369-1370), conforme registado pelo cronista: "(...) em huuma villa que dizem Alcoutim, bispado de Silves no reino do Algarve." (LOPES, Fernão. "Crónica de D. Fernando", Capitulo LIII - Como foi trautado antre el Rei Dom Hemrique e el Rei Dom Fernando, e com que comdiçoões.)

João II de Portugal (1481-1495) e Manuel I de Portugal (1495-1521), continuaram a dar atenção a este castelo. Este último modernizou-lhe as defesas, que se encontram figuradas por Duarte de Armas no "Livro das Fortalezas" (c. 1509), em duas vistas (fls. 3 e 4) e uma planta (fl. 121), com planta retangular, sem torres, com as muralhas ameadas, percorridas ao alto por adarve, rasgadas por uma única porta, em arco de volta perfeita, ao centro do alçado norte. No interior erguiam-se os edifícios de apoio, cujas fundações de alguns foram reveladas pelas atuais pesquisas arqueológicas. Era seu alcaide, à época (1496-1512), o marquês de Vila Real.

A Guerra da Restauração da Independência

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668) Afonso VI de Portugal (1656-1667) procedeu-lhe a melhoramentos nas defesas, visando adaptá-la aos modernos tiros de artilharia, tendo sido erguidos os baluartes do Cortadoiro e de Santa Bárbara, destinadas a bater o rio e a praça espanhola fronteiriça. A fortificação teve participação ativa no conflito.

O terramoto de 1 de novembro de 1755 apenas criou umas “rachaduras” na sua muralha.

No final do século XVIII uma planta de autoria do engenheiro militar José de Sande Vasconcelos revela o avançado estado de ruína do castelo.

Terá tido ainda um papel ativo no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Sem função militar veio a ser abandonado, tendo sido utilizado eventualmente para outras finalidades, como por exemplo a de matadouro municipal, em torno de 1878.

Do século XX aos nossos dias

O imóvel foi transferido por afetação para a Câmara Municipal de Alcoutim, por auto de cedência datado de 26 de setembro de 1941.

Na década de 1960, o monumento foi alvo de intervenção de consolidação e restauro por parte da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Desse modo, em 1961 e em 1967 procederam-se trabalhos de consolidação de alvenarias soltas e de troços de muralhas. Em 1969 foram demolidas várias edificações arruinadas para desobstruir troços de muralhas. Em 1977 a DGEMN continuou a apear e a reconstruir segmentos de muralhas, incluindo os merlões, reparou fendas nas muralhas e instalou um novo portão em madeira no castelo. Em 1979, uma nova etapa de intervenção visou preparar a consolidação do castelo e do antigo paiol. Três anos mais tarde (1981), a intervenção recuperou uma escada de acesso aos adarves, a recuperação de cortinas e merlões, e a reconstrução de rebocos na sona das baterias e de um baluarte. Em 1988 o exterior do monumento recebeu iluminação elétrica.

A partir de 1992, a Câmara Municipal de Alcoutim procedeu a um projeto de revitalização do conjunto, de que resultaram as primeiras sondagens arqueológicas no interior do recinto com a construção de um núcleo museológico dedicado à Arqueologia do Concelho, sob a responsabilidade do arquiteto Fernando Varanda.

A “Fortaleza de Alcoutim” encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 45/93, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 280, de 30 de novembro de 1993. Adicionalmente encontra-se parcialmente incluída no Plano Sectorial da Rede Natura 2000, classificado como Sítio de Interesse Comunitário Guadiana (PTCON0036) e Habitat 92D0 (Galerias e Matos Ribeirinhos Meridionais).

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval (castelo) e moderna (forte), de enquadramento urbano. Ambas as estruturas apresentam planta irregular.

O castelo apresenta planta com formato retangular, com as dimensões aproximadas de 50 metros de comprimento por 40 de largura, em aparelho de pedra irregular. As pesquisas realizadas até ao momento não foram capazes de determinar a evolução histórica de seu traçado arquitetónico. Em nossos dias, apenas duas portas em arco ogival, uma das quais desentaipada recentemente, evocam a fase gótica do monumento.

Na cerca da vila rasgavam-se três portas: a do Guadiana, a de Tavira e a de Mértola, dispostas segundo a orientação geográfica correspondente.

A fortificação moderna é composta por várias baterias e um baluarte voltados ao rio, completadas por paiol e outras edificações. De acordo com a planta oitocentista de José de Sande Vasconcelos, a fortificação apresentava dupla cintura de muralhas: a interior, de planta poligonal, reforçada por uma torre de planta circular em um dos ângulos, e a exterior, defendendo o castelo das águas do rio Guadiana, a leste.

  • Praça-forte de Alcoutim

  • Castelo de Alcoutim, Castelo Novo, Forte de Alcoutim, Fortaleza de Alcoutim

  • Fortified City





  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 45/93, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 280, de 30 de novembro de 1993. Adicionalmente encontra-se parcialmente incluída no Plano Sectorial da Rede Natura 2000, classificado como Sítio de Interesse Comunitário Guadiana (PTCON0036) e Habitat 92D0 (Galerias e Matos Ribeirinhos Meridionais).





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Alcoutim



  • Lat: 37 -29' 47''N | Lon: 7 28' 19''W



  • O bilhete permite visitar, além do castelo, o Núcleo Museológico "Escola Primária" em Santa Justa, o Núcleo de Arte Sacra e o Núcleo de Arqueologia, no interior do castelo.

    Horário de Verão (Abril a Setembro): 09h30 - 19h00

    Horário de Inverno (Outubro a Março): 09h30 - 17h30








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