Fort of Cacela

Vila Real de Santo Antônio, Faro - Portugal

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O “Forte de Cacela”, também referido como “Fortaleza de Cacela-Velha” e “Fortaleza dos Cavaleiros de Santiago de Cacela”, localiza-se na freguesia de Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António, distrito de Faro, em Portugal.

História

Diante da ruína do antigo castelo, no século XVI a defesa da povoação foi remodelada por ordens de João III de Portugal (1521-1557) ou mesmo de Sebastião de Portugal (1557-1578), erguendo-se a fortificação abaluartada. É sabido que este último inspecionou pessoalmente as obras em 1573.

Em 1565 os visitadores da Ordem de Santiago descrevem a fortaleza: "Visitámos ho castello ho quall he todo murado e a muralha reformada de novo ho quall he quadrado e tem em cada canto sua torre".

No contexto da União Ibérica (1580-1640), o engenheiro militar italiano Alexandre Massai elaborou uma planta da fortaleza, onde se observa:

- a "porta do castelo" na fachada norte, descentrada, à direita, protegida por revelim no interior;

- as "casas do Alcaide-mor" no ângulo interior sudoeste;

- o celeiro;

- no meio-baluarte leste uma "Torre terraplanada"; e

- no meio-baluarte oeste uma "Torre com duas casas em cima";

- no falso baluarte leste uma "Torre como sino de vigia"; e

- no falso-baluarte oeste a "Torre de menagem com duas casas sobrepostas";

- o meio-baluarte leste apresenta quatro faces; e

- o meio-baluarte oeste apenas três. (MASSAI, Alexandre. “Planta de Cacela”, 1617.)

Esse levantamento dá conta de que o castelo encontrava-se arruinado, não havendo moradores na vila, sendo formulada proposta para se "desmanchar" o castelo e extinguir a povoação.

Posteriormente, Massai, na sua “Descrição do Reino do Algarve” (1621), deixa-nos uma planta do forte.

Em 1750 era Prior Manuel Gonçalves Crespo, também Capitão-mor da Vila. Neste momento, o conjunto defensivo de Cacela encontrava-se consideravelmente arruinado, situação agravada pelo maremoto consequente do terramoto de 1 de novembro de 1755:

"(…) na Villa de Cacela (…) se arruinou a Matriz, a Misericordia, as Cazas da Camara; e á Fortaleza visinha cairam os baluartes contanta violencia, que arrojaram á praia os canhoes montados (…)." ("Relaçam do terramoto do primeiro de Novembro do anno de 1755. Com os effeitos, que particularmente cauzou neste Reino do Algarve")

Do mesmo modo, o prior Duarte Correia de Freitas, autor de uma memória datada de 1758, informa que ao pé da Igreja existia um castelo "que padeceu grande ruína com o terramoto de 1755", mas que acabou por ser reparado.

A fortificação abaluartada foi reedificada a partir de 1770, por iniciativa do então Governador e Capitão-general do Reino do Algarve, D. Rodrigo de Noronha, que nela instalou um farol. As suas obras só ficaram concluídas em 1794, sendo Governador e Capitão-general D. Nuno José Fulgêncio de Mendonça e Moura, 6.º conde de Val de Reys. As obras foram inspecionadas pelo guarda-mor da cidade de Tavira, Dr. José Caetano de Andrade e Castro, conforme consta da inscrição epigráfica sobre o Portão de Armas:

EM O REINADO / DA AUGUSTISSIMA S. / D. M. 1. RAINHA DE PORTUGAL / GOUVERNANDO ESTE REINO DO / ALGARVE O INLUSTRISSIMO EX.MO NUNO JOZÉ FULI / GENSIO DE MENDONSA E MOU / RA CONDE DE VAL' DE REIS GEN / TIL HOME DE S. A. R. DEPUTADO / DA JUNTA DOS 3 ESTADOS GO / VERNADOR E CAPITAN GENERAL / DESTE REINO MANDOU REEDIFI / CAR E (A)CABAR ESTA FORTALEZA / SENDO INSPETOR DA MESMA / OBRA O DESEMBARGADOR JOZÉ CAETANNO / D'ANDRADE E CASTRO GUAR / DA MOR DA CIDADE DE TAVIRA / ANNO DE 1794.

A "Carta topográfica dos baldios e terras incultas do termo da vila de Casella (…) 1775" mostra um núcleo urbano constituído por igreja, fortaleza, pelourinho, casas do padre, câmara e cadeia e casas do governador. Pelo desenho legendado da planta da fortaleza, de autoria do engenheiro militar José de Sande Vasconcelos, apercebemo-nos que estas obras dizem respeito apenas à tenalha voltada sobre o mar. A legenda informa, a este respeito, e coincidindo com a opinião de outros autores, que a tenalha é fortificação moderna que se fez no tempo de D. Rodrigo mas que só terá sido concluída anos mais tarde.

Do lado oposto à tenalha, ainda descrevendo a referida planta, erguem-se os baluartes dos mouros, flanqueando a porta principal.

O interior da fortaleza era ocupado pelo quartel do governador, do lado leste, junto ao qual se situavam uns armazéns arruinados, possivelmente resquícios de outros tempos, e pelo quartel de guarnição a oeste.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em 24 de junho de 1833 registou-se o desembarque em Cacela de uma pequena força liberal de cerca de 2.500 homens sob o comando do duque da Terceira. Este desembarque terá tido lugar junto à Torre Velha (sítio do Alto), no extremo leste da freguesia, num local aproximadamente equidistante da fortaleza de Cacela e do antigo forte do Cabeço (Praia Verde). A força liberal, após atravessar todo o Algarve e Alentejo, iludindo o exército miguelista, entrou triunfante em Lisboa exatamente um mês depois, em 24 de julho.

Ao final do século XIX, em 1897 foram afetas ao Comando-Geral da Guarda-Fiscal (hoje Brigada Fiscal da GNR) duas casas para instalação de um posto fiscal, e outras duas ao Ministério da Marinha para habitação do faroleiro e arrecadação de material.

Em 26 de janeiro de 1939 foi lavrado o auto de devolução do antigo Prédio Militar nº 3 de Tavira, denominado Forte de Cacela, ao Ministério das Finanças. Naquele mesmo ano, a 23 de junho, a Direcção-Geral da Fazenda Pública informou a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN ) que a parte rústica do prédio iria ser arrendada.

A Direcção-Geral da Fazenda Pública solicitou à DGEMN a elaboração de projeto de obras relativo à construção da armação e cobertura dos telhados das duas casas da Guarda Fiscal e do faroleiro e reparação e consolidação das muralhas (15 de junho de 1942). No mesmo ano, a Direcção de Monumentos Nacionais informou a DGEMN que foi construído, a menos de 20m do imóvel, "um prédio ultra-moderno, que por completo destoa e briga com o ambiente local" (25 de julho de 1942).

No ano seguinte (1943) o Comando-Geral da Guarda Fiscal solicita a reparação urgente da parede oeste, que ameaçava desmoronar-se sobre a caserna do Posto Fiscal.

A intervenção do poder público para a conservação do monumento fez-se sentir a partir de 1945, quando a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu a trabalhos de reparação das muralhas, incluindo o enchimento com argamassa em vários pontos, a reparação geral de rebocos, a construção e assentamento de portas e caixilhos de castanho incluindo pinturas.

Em 1957 a fachada norte encontrava-se caiada, preconizando-se a picagem de rebocos e refechamento de juntas, a reparação da muralha leste e o levantamento e assentamento de parte do lajedo do pavimento da parada cujas pedras se encontram soltas. Tiveram lugar escavações realizadas pelo arrendatário dos terrenos adjacentes à muralha sul, que puseram a descoberto as suas fundações, constatando-se que chegam a atingir 4m de profundidade.

Em 1970, o IPPC procedeu o levantamento arquitetónico da fortaleza. Em 1973 ponderou-se o aproveitamento do imóvel para residência oficial.

Mais tarde, em março de 1990 o Comando-geral da Guarda Fiscal - Serviço de Obras e Património solicitou à DGEMN autorização para a colocação de uma antena. Em 1991, estando em curso obras de adaptação incluindo na ala esquerda a alteração da cozinha e WC existentes e execução de teto na Sala de Controle pela Guarda Fiscal, estas foram embargadas pelo IPPC que, no ano seguinte (1992) procedeu a novo levantamento arquitetónico do imóvel.

O “Núcleo urbano de Cacela Velha / Aldeia de Cacela Velha” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 2/96, publicado no Diário de República, I Série-B, nº 56 de 6 março 1996. A ZEP encontra-se definida pela Portaria nº 83/2010, publicada no Diário da República, II Série, nº 18 de 27 de janeiro de 2010 e pela Portaria nº 264/2010, publicada no Diário da República, II Série, nº 73 de 15 de abril de 2010. Encontra-se incluído no Parque Natural da Ria Formosa, na Zona de Proteção Especial da Ria Formosa (Plano Setorial da Rede Natura 2000), e no Sítio de Interesse Comunitário Ria Formosa / Castro Marim.

A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António procedeu, de maio a setembro de 2007, a trabalhos de prospecção arqueológica tendo como resultado a descoberta de uma medina do século X, na zona inferior da fortaleza, perto da ribeira. As características sugerem que era habitada por uma comunidade de agricultores e pescadores. Posteriormente, em 2001 teve lugar uma nova campanha, procedendo-se o estudo e informatização dos materiais cerâmicos da campanha anterior.

O forte, sob a gestão da Brigada Fiscal da GNR e, como tal, de acesso restrito, e que registava degradação acentuada, com edificações em seu interior em risco de derrocada, em 2009 foi alvo de um projeto para a sua requalificação como museu.

Características

Trata-se de um exemplar de arquitetura militar quinhentista, de enquadramento urbano, marítimo, reconstruído no século XVIII.

Sobranceiro à Ria Formosa, a 67m acima do nível do mar, no ângulo sudeste da povoação de Cacela Velha, o forte apresenta planta trapezoidal com dois baluartes pelo lado do mar, e respectivas guaritas, e falsos baluartes retangulares pelo lado de terra, ladeando o Portão de Armas.

A fachada principal a norte abre para praça na qual se destacam cinco palmeiras das Canárias de grande porte. Afrontando a fachada oeste, encontra-se a Igreja Matriz. No meio baluarte sudoeste e no falso baluarte nordeste adossam-se os panos da muralha. A leste situa-se o núcleo muçulmano de Cacela.

No seu terrapleno abre-se a cisterna e erguem-se dois edifícios térreos de planta longitudinal, dispostos paralelamente às fachadas oeste e leste, e adossados à fachada norte., com cobertura em telhado de duas águas em telha de canudo: a leste a Casa da Guarda em alvenaria rebocada e caiada, de remate reto em beirado saliente; fachada principal a oeste, rasgada por janelas retangulares com molduras pétreas e caixilharias de quatro lumes, de madeira branca e aro pintado a verde-garrafa; porta de verga reta com molduras pétreas, com ombreiras munidas de bases; no eixo da porta o corpo de chaminé tronco-piramidal.

Na barbeta ergue-se uma antena de radar da Brigada Fiscal.

  • Fort of Cacela

  • Fortaleza de Cacela-Velha, Fortaleza dos Cavaleiros de Santiago de Cacela

  • Fort

  • 1770 (AC)

  • 1794 (AC)



  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O “Núcleo urbano de Cacela Velha / Aldeia de Cacela Velha” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 2/96, publicado no Diário de República, I Série-B, nº 56 de 6 março 1996. A ZEP encontra-se definida pela Portaria nº 83/2010, publicada no Diário da República, II Série, nº 18 de 27 de janeiro de 2010 e pela Portaria nº 264/2010, publicada no Diário da República, II Série, nº 73 de 15 de abril de 2010. Encontra-se incluído no Parque Natural da Ria Formosa, na Zona de Proteção Especial da Ria Formosa (Plano Setorial da Rede Natura 2000), e no Sítio de Interesse Comunitário Ria Formosa / Castro Marim.





  • Military Active Unit

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Vila Real de Santo Antônio



  • Lat: 37 -10' 35''N | Lon: 7 32' 45''W










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