Fort of Nossa Senhora dos Milagres

Vila do Corvo, Autonomous Region of Azores - Portugal

O "Forte de Nossa Senhora dos Milagres" localizava-se no concelho de Vila do Corvo, costa Sul da ilha do Corvo, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa do ancoradouro da Calheta, na povoação de Nossa Senhora dos Milagres (atual Vila do Corvo), contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História

Além da Calheta, a povoação (e a ilha) contava com mais dois ancoradouros, o do Boqueirão e o da Casa, de que subsiste apenas este último.

Ao final do século XVI, FRUTUOSO descreve a costa Sul da ilha e a sua defesa:

"Do porto [das Casas, na povoação] pera o norte é tudo costa rasa e de muitas engradas, em que podem facilmente embarcar e desembarcar, pelo que está cercada aquela parte de parede de cinco ou seis palmos de alto, a modo de muralha pera defensão dos imigos, de que às vezes são combatidos, por comprimento de uma légua, até uma ponta que bota ao mar, chamada o Pesqueiro Alto, em que está uma entrada a modo de barra, de compridão de um tiro de arcabuz, onde entram de preamar caravelas de quinze até vinte moios de pão. É dentro areia e calhau, e tem muitas poças, em que entra muito peixe, que tomam por engradas ou caneiros, que tem; no qual porto estão uma meia esfera e dois berços, que o guardam, e, quando é necessário, os passam por terra, nas mesmas carretas em que estão, ao porto das Casas, atrás dito, pera sua defensão." (FRUTUOSO, 1998:Livro VI, cap. 48, p. 153)

Em 1696 foi enviado para as Flores, com 20 homens, o 1.º tenente Sebastião da Veiga Cabral com a missão de “guarnecer e fortificar aquelas ilhas [Flores e Corvo] e exercitar a gente d’ordenanças a fim de repetirem os piratas, que frequentemente alli apareciam.” (MACEDO, 1981:vol. II, pp. 246-247)

Veiga Cabral, enquanto Governador Militar das Flores e Corvo, a época, apenas tratou da construção de um pequeno forte junto ao porto da Casa, na ilha do Corvo. De volta à Terceira em 1700 justificou o fraco sucesso de sua missão com a falta de "artistas" (trabalhadores especializados) naquelas ilhas, mas, apresentando atestações honrosas das Câmaras Municipais, foi reconduzido no cargo de Governador Militar das Flores e Corvo. Nesta segunda gestão, entretanto, “abusando então da boa fé d’aquelles povos só tratou de se enriquecer ajuntando uma fortuna superior a 300.000 cruzados.” (Op. cit., p. 247.)

Poucos anos depois, tendo passado ao Brasil, ocupava funções tão elevadas como as de Sargento-mor de Batalha na Colónia do Sacramento e de Governador das Armas da Praça da Ilha de Santa Catarina, onde se encontrava em 1704 (Anais do Município das Lajes das Flores, p. 102, nota 4).

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), na sequência do ataque de corsários franceses sob o comando de René Duguay-Trouin à ilha de São Jorge, que resultou no saque das vilas das Velas e da Calheta (1708), o que provocou grande apreensão nas demais ilhas, sobretudo na Terceira, a Coroa portuguesa enviou o brigadeiro António do Couto de Castelo Branco ao arquipélago no ano seguinte (1709), com a missão de inspecionar o estado das fortificações e das guarnições pagas, bem como das milícias, nas ilhas dos grupos central e ocidental. (RODRIGUES, José Damião. "Da periferia insular às fronteiras do império: colonos e recrutas dos Açores no povoamento da América" in Anos 90, Porto Alegre, v. 17, n. 32, pp. 17-43, dez. 2010.) No tocante às ilhas das Flores e do Corvo, informou por carta ao soberano, ainda nesse mesmo ano, a existência, em ambas, de 14 Companhias de Ordenanças e de “seus fortes”, esclarecendo que “hoje tem armas as que bastam e munições que lhe mandou o Sr. Rei D. Pedro [I de Portugal (1683-1705)]“ e que “se lhe pozerem cinco peças pequenas (…) ficarão fortíssimas”. E concluiu “Nenhuma d’essas ilhas pode ser entrada, por serem mui fortes pela aspereza das costas e com pedras se podem defender.” (CASTELO BRANCO, António do Couto de (1892) – Carta a El Rey nosso Senhor em que lhe faz relação António do Couto das seis ilhas baixas e da Terceira, anno de 1709. In Arquivo dos Açores, vol. XII, pp. 470-471) O mesmo oficial, na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" refere este forte como "O Forte de Nossa Senhora dos Milagres no porto da Calheta". (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 181)

Terá tido parte na resistência da população ao assalto de piratas da Barbária em 1714. Na ocasião este foi rechaçado com o recurso ao lançamento de um ajuntamento de gado pelas ruas da povoação, (REBELO, 1982:100) repetindo o estratagema utilizado com sucesso pelos portugueses contra os espanhóis na batalha da Salga, na ilha Terceira, em 1581.

Não se encontra indicado na relação “Fortes existentes nas Flores e Corvo em 21 de julho de 1817”.

A "Relação" do marechal de campo Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto, comandante da 10.ª Divisão Militar (Açores), em 1862 assinala: "Nesta Ilha apenas existem os vestígios d'alguns pontos fortificados. Pela pouca importancia militar da Ilha não merece ter fortificações." (Op. cit., p. 271)

Encontra-se relacionada por BAPTISTA DE LIMA (1982).



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Related bibliography 

Anais do Município das Lajes das Flores (anotados por Pedro da Silveira e Jacob Tomaz)
João Augusto da Silveira

Annals
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Documentação sobre as fortificações dos Açores existentes nos arquivos de Lisboa - Catálogo
Carlos F. Azevedo Agostinho das Neves
Filipe Manuel Nunes de Carvalho
Artur Teodoro de Matos

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Fortes existentes nas Flores e Corvo em 21 de julho de 1817

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História das quatro ilhas que formam o Distrito da Horta
António Lourenço da Silveira Macedo

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1981
 
Memorias militares, pertencentes ao serviço da guerra assim terrestre como maritima, em que se contém as obrigações dos officiaes de infantaria, cavallaria, artilharia e engenheiros; insignias, etc.
António de Couto de Castelo Branco
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Notas Açorianas
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Article - Magazine
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O Antigo Sistema Defensivo da ilha das Flores
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Relação de Fortificações no Arquipélago dos Açores
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1982
 
Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar
Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto

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1997
 
Saudades da Terra
Gaspar Frutuoso

Book
2005
 
Uma Aventura Corvina
José Carlos de Magalhães Cymbron

Book
2016
 

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Related links 

Fortificação - Ilha do Corvo
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha do Corvo.

http://www.ihit.pt/new/fortes/corvo.php

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Updated at 16/05/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Vila do Corvo



  • Lat: 39 -41' 39''N | Lon: 31 6' 37''W




  • 1590 (c.): "(...) uma meia esfera e dois berços (...)", montados em carretas.






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