Tower of Santo António de Cascais

Cascais, Lisboa - Portugal

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A “Torre de Santo António de Cascais”, também referida como “Torre Fortificada de Cascais” ou simplesmente “Torre de Cascais”, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Cascais e Estoril, concelho de Cascais, distrito de Lisboa, em Portugal.

Encontra-se inscrita no Forte de Nossa Senhora da Luz de Cascais, inserido, por sua vez, no conjunto da Cidadela de Cascais.

História

Antecedentes

Ver "Castelo de Cascais"

Sob o reinado de Pedro I de Portugal (1357-1367) Cascais, então aldeia do concelho de Sintra, recebeu carta de foral, passando à categoria de vila (7 de junho 1364), momento em que deverá ter tido início a sua fortificação. A sua enseada constituía-se em anteporto da cidade de Lisboa, o que fazia com que a vila fosse presa habitual de corsários e piratas. Entretanto, a primeira referência documental a um castelo em Cascais é uma carta de doação datada de 8 de abril de 1370, de Fernando I de Portugal (1367-1383) a Gomes Lourenço do Avelar (ou de Avelar), como primeiro donatário do "castelo" e concelho de Cascais. (CARDOSO & CABRAL, 1988:77) Nesse período, no contexto das Guerras Fernandinas (1369-1382), a vila foi por duas vezes atacada e destruída.

O Baluarte de Cascais

Sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495) foi delineado um novo plano de defesa da barra do rio Tejo e do porto da capital, baseado na construção de três fortificações, adaptadas ao tiro rasante da artilharia da época:

• na margem esquerda do rio pela:

- Torre da Caparica (Baluarte da Caparica); e

• na margem direita, pelas:

- Torre de Santo António de Cascais (Baluarte de Cascais);

- Forte de São Vicente de Belém (Forte de São Vicente a par de Belém)

Essas fortificações deveriam cooperar com a nau artilhada fundeada no Tejo na tarefa de vigilância e defesa da capital.

Desse modo, por volta de 1488 D. João II mandou erguer uma torre fortificada na ponta do Salmodo, segundo o cronista Garcia de Resende, devido aos frequentes desmandos da pirataria inglesa, francesa e muçulmana e à necessidade de tornar mais eficaz a defesa de Lisboa. A sua traça é atribuída a Pêro Anes (MOREIRA, 1986, p. 146). As suas obras estariam concluídas por volta de 1498.

Com as Armadas da Índia, entretanto, e a implantação do sistema de Armadas, nomeadamente a das Ilhas (1520), a posição da enseada de Cascais perdeu importância estratégica.

Não se conhecem referências históricas a esta torre e nem aos trabalhos nela realizados nas décadas seguintes, embora se acredite que as muralhas, expostas ao embate da corrente das águas do rio, eram reparadas ao final de cada inverno, conforme depoimento de seu Sargento-mor à época do seu posterior abaluartamento.

Abaluartada em finais do século XVI, a torre sofreu transformações, adossada por um outro corpo, mais baixo, de planta retangular, sendo todo o conjunto envolvido por muralhas.

A iconografia mais antiga de Cascais encontra-se na obra “Civitates Orbis Terrarum” de Georg Braun e Franz Hogenberg (Colónia, 1572), onde podem ser observadas tanto a Torre de Santo António, como as muralhas da vila.

À época da regência do Cardeal D. Henrique (1578-1580) o baluarte foi mantido em prontidão de combate, recebendo para isso tropas, armamento, artilharia e munições. No contexto da Crise de Sucessão, aqui desembarcaram as forças castelhanas sob o comando de Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, 3.º duque de Alba de Tormes, que em agosto de 1580 capturaram e executaram o comandante da Praça, D. Diogo de Meneses.

Sob a Dinastia Filipina (1580-1640) a defesa da barra do rio Tejo foi modernizada, tendo o antigo Baluarte de Cascais sido reforçado e ampliado, servindo como núcleo ao atual Forte da Luz.

Ver “Forte de Nossa Senhora da Luz de Cascais”.

O terramoto de 1 de novembro de 1755, causou danos à estrutura, nomeadamente a abertura de rachas na parede exterior e o abatimento da parte superior da torre, assim como todos os soalhos e tetos. Nos trabalhos de reparo que se seguiram, as janelas do lado norte foram remodeladas e, das abóbadas originais, só nos restam as bases dos arcos com as respectivas mísulas.

Do século XX aos nossos dias

No início do século XX, obras de adaptação impuseram novos assoalhos e ocultaram extensos trechos da antiga torre, rebocada e caiada.

O conjunto da “Cidadela de Cascais, incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre Fortificada de Cascais” e toda a parte fortificada que está compreendida entre a ponta do Salmodo e o Clube Naval de Cascais, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro. Encontra-se incluído ainda na Área Protegida de Sintra – Cascais.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

Com estrutura semelhante à Torre de Belém, a antiga Torre de Cascais foi trazida à luz em 1986, pela historiadora Margarida Magalhães Ramalho, sendo considerada a descoberta arqueológica mais importante do Concelho. Durante as suas escavações vieram à luz cerâmicas, moedas, cachimbos e a ossada de uma mulher.

Atualmente sabe-se que a torre quatrocentista era composta por três baluartes, cujos acessos tinham desaparecido sob as paredes rebocadas do Forte da Luz.

Alicerçada na rocha, o seu corpo principal apresenta planta quadrangular, ameada, com quatro guaritas nos vértices e telhado de quatro águas. No primeiro e no segundo pavimentos, do lado oeste (o de terra), rasgavam-se duas pequenas troneiras. No segundo pavimento, rasgava-se uma janela; no terceiro, do alçado sul, rasgava-se outra. Na parede fronteira a esta última, uma porta dava acesso ao pátio.

A torre possuía duas cisternas. A principal, subterrânea, à maneira medieval, apresenta planta em formato de "L". Em cantaria, a sua cobertura abobadada apresenta uma interseção de arcos, originalmente assentes numa coluna, posteriormente substituída por um pilar de seção retangular. Pode-se perceber atualmente a localização do primitivo acesso, entaipado. A cisterna secundária abria-se externamente, no pátio da torre. Esta antiga estrutura, com cerca de quatro metros, identificada durante a intervenção de 1990 e escavada no ano seguinte, constituía-se num simples algar aberto na rocha viva, betumado, com a função de recolher as águas pluviais.

A comparação entre a representação da torre na vila de Cascais por Braun e Hogenberg ("Civitates Orbis Terrarum", 1572) e as pesquisas arqueológicas iniciadas em 1985, evidenciam que a estrutura militar erguida por D. João II e que atualmente constituiu o núcleo da fortaleza, foi desenhada com bastante rigor, apenas divergindo no traçado do amuralhamento. O corpo principal do conjunto militar é a torre, de planta quadrangular, ameada, com quatro guaritas nos vértices e telhado de quatro águas. No alçado sul rasga-se uma janela ao nível de um terceiro piso. Na parede fronteira encontrava-se uma porta que dava acesso ao pátio, e ao nível do segundo andar abria-se uma janela. Na sua face oeste foram postas a descoberto duas pequenas troneiras (aberturas redondas cruzetadas próprias para receber artilharia leve), colocadas, respectivamente, no primeiro e segundo pisos. A fachada norte é a única que ficou, desde sempre, completamente visível. No entanto, está omissa no desenho de Braun e Hogenberg, e sofreu alterações ao longo dos anos, não apenas pelo terramoto de 1 de novembro de 1755, como pelas sucessivas adaptações do espaço. Em um terceiro registo, pode ainda imaginar-se a existência de um varandim - idêntico aos da Torre de Belém -, o qual, em conjunto com as citadas troneiras, possibilitava a defesa para o lado de terra. Toda esta estrutura era, como habitualmente, pintada em tons de ocre, o que, vista do mar, a fazia confundir com a própria costa. A torre possuía ainda uma capela, de invocação de Santo António, desaparecida com o citado terramoto.

Bibliografia

CARDOSO, Guilherme, CABRAL, João Pedro. "Apontamentos sobre os vestígios do antigo castelo de Cascais", Arquivo de Cascais, n.º 7, 1988, pp.77-90.



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Contribution

Updated at 08/07/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Tower of Santo António de Cascais

  • Torre Fortificada de Cascais, Torre de Cascais

  • Fortified Tower

  • 1488 (AC)

  • 1498 (AC)



  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O conjunto da “Cidadela de Cascais, incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre Fortificada de Cascais” e toda a parte fortificada que está compreendida entre a ponta do Salmodo e o Clube Naval de Cascais, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro. Encontra-se incluído ainda na Área Protegida de Sintra – Cascais.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Cascais



  • Lat: 38 -42' 24''N | Lon: 9 25' 7''W










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