Fort of Nossa Senhora das Mercês de Catalazete

Oeiras, Lisboa - Portugal

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O "Forte de Nossa Senhora das Mercês de Catalazete" também conhecido como "Forte Novo das Mercês", "Bateria do Catalazete" e "Forte do Catalazete", localiza-se à margem direita do estuário do rio Tejo, na freguesia de União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, em Portugal.

História

No contexto da "Guerra Fantástica" (1761-1763), remonta a uma bateria artilhada, erguida em 1762, entre a chamada Feitoria de Oeiras e o Forte de Santo Amaro do Areeiro, com a finalidade de reforço da defesa proporcionada pelo Forte de São Julião da Barra. Inicialmente um simples muro de alvenaria, já estaria concluída em janeiro de 1763, quando - então designada como Forte Novo das Mercês - foi visitada pelo Tesoureiro-Geral da Marinha, que lhe constatou uma guarnição sob o comando do capitão Sebastião Pereira de Mesquita, artilhada com 9 peças: 2 de bronze do calibre 40 e 7 de ferro do calibre 24.

Um relatório ou mapa de inspeção datado de 1777, deu a estrutura como ainda aberta pelo lado de terra, ocupada por uma família de paisanos, artilhado com 10 peças e municiado com 276 balas. Posteriormente foram-lhe procedidas obras de conservação (1793), e um relatório de 1796 aponta-lhe 10 peças de artilharia do calibre 24.

A informação de 1804, dá conta de que encontrava guarnecido por 2 cabos e 13 soldados, número aumentado no ano seguinte (1805) para 2 cabos de esquadra e 16 soldados de pé de castelo, quando a sua artilharia se elevava a 11 peças do calibre 24.

Após a Guerra Peninsular (1808-1814), ao contrário de outros fortes marítimos no período, mantinha-se guarnecido e artilhado, sob o comando do tenente-coronel Pedro José Botelho de Gouveia (1824) sucedido pelo tenente-coronel José Inácio Tinoco de Sande Vasconcelos, que governou a praça de setembro a dezembro de 1824. Este, por sua vez, foi sucedido, no ano seguinte (1825), pelo tenente-coronel das Companhias Provisórias de Angola, Luís António de Mendonça.

À época da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) encontrava-se guarnecido por 1 sargento, 1 cabo e 20 soldados de artilharia, artilhado com peças do calibre 36, tendo coadjuvado o fogo do Forte de São Julião da Barra e do Forte de São Lourenço do Bugio sobre a esquadra francesa que, sob o comando do almirante Albin Roussin, forçou a barra do Tejo (11 de julho de 1831), indo ancorar no porto de Lisboa, onde apresou 8 navios e impôs a Miguel I de Portugal (1828-1834) as condições humilhantes do Tratado de 14 de Julho de 1831. Ao final desse mesmo ano, foi reedificado, encontrando-se, no ano seguinte (1832), sob o comando do major José Joaquim de Santana, quando se encontrava artilhado com 10 peças. Em 1833 não tendo tomado partido por nenhuma das facções (absolutista ou liberal), o forte foi evacuado pela sua guarnição.

Em meados do século XIX, nominalmente sob o comando do tenente-coronel Pedro Celestino de Barros, encontrava-se desativado, em mau estado de conservação e habitado por um único soldado veterano (1851). Posteriormente, ainda em ruínas cuja reparação foi então orçada em 1 conto de reis, o major José Maria Guedes Trinité foi nomeado como seu governador (1856). Em 1872 ocupava o cargo o capitão reformado barão de Sabroso (1872). Com a perda de sua função defensiva, diante da evolução dos meios bélicos, em outubro de 1888 as instalações do forte foram arrendadas por um período de nove anos, pela quantia de 30$000 reis anuais, ao Conselheiro João José Mendonça Cortês, conhecido por João das Máquinas pela sua dedicação aos inventos mecânicos, o qual transformou a antiga fortificação em sua residência e de sua esposa D. Elisa de Miranda Pereira de Meneses, filha dos viscondes de Meneses. Demandado judicialmente por não ter honrado com os pagamentos, o Conselheiro foi obrigado a abandonar o forte (1897). Foi nomeado como governador do forte o major reformado José Joaquim da Costa Bento (1899-1910).

Durante o Estado Novo português, em 1937 residiam no forte as famílias de diversos funcionários da Direcção do Serviço de Obras e Propriedades Militares (DSOPM), sendo as suas instalações severamente danificadas pelo ciclone que se abateu sobre Lisboa em fevereiro de 1941, quando ruiu mais uma das canhoneiras do já arruinado flanco direito da bateria. No ano seguinte (1942), quando da abertura da Estrada Marginal (EN6), as autoridades militares entregam este forte ao Ministério das Finanças, que o cedeu em seguida à Junta Autónoma das Estradas, para que fosse restaurado no contexto do arranjo paisagístico projetado para aquela orla marítima.

Dez anos mais tarde, em 1952, ainda ocupado por familiares de funcionários da DSOPM, foi cedido à Brigada Naval da Legião Portuguesa, para ampliação da Colónia de Férias Dr. Pedro Teotónio Pereira. Houve resistência ao abandono do imóvel, o que deu lugar a moroso processo de despejo, em virtude do que, a Legião Portuguesa desistiu de tomar posse daquelas instalações, devolvendo o imóvel ao Ministério das Finanças (1954). Concluído o processo no ano seguinte (1955), este Ministério iniciou extensa campanha de trabalhos de recuperação e requalificação, até que, em 1958 foi entregue, como Colónia de Férias, à Mocidade Portuguesa. Em janeiro de 1959 foi inaugurado como pousada.

Em 1973 o antigo forte, convertido em colónia de férias, foi entregue ao Secretariado para a Juventude.

Em 1977 foi entregue à Associação Portuguesa de Pousadas de Juventude, função que conserva até aos nossos dias (Pousada da Juventude de Catalazete).

O imóvel não se encontra protegido ou classificado.

Características

Exemplar de arquitetura militar setecentista, abaluartado, marítimo, de enquadramento urbano, isolado, implantado junto à orla, entre o Forte do Areeiro e a Feitoria.

Apresenta planta pentagonal irregular. No perímetro murado da construção, na face virada a sul, abrem-se 9 canhoneiras, distribuídas pelos diferentes alçados (4 no lado orientado a sudoeste, 4 no lado orientado a sudeste, e 1 do lado oeste). Na parte virada a sul encontram-se 3 guaritas - de planta circular e cobertura cónica - coincidentes com os vértices da estrutura murária.

No interior distingue-se incorporada uma outra estrutura de planta trapezoidal, em plano altimétrico dominante: definida por muros animados por guaritas é servida do lado norte (adossado à face interna do alçado principal) por compartimentos retangulares destinados a serviços de apoio. Voltado a sul, edifício de 2 pisos, de planta retangular, volumetria paralelepipédica e cobertura efetuada por telhado a 4 águas.

O alçado principal (a norte) é vazado a eixo por portal de verga reta e emolduramento simples de cantaria.

  • Fort of Nossa Senhora das Mercês de Catalazete

  • Forte Novo das Mercês, Bateria do Catalazete, Forte do Catalazete

  • Fort

  • 1762 (AC)

  • 1763 (AC)



  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • Monument with no legal protection





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Oeiras



  • Lat: 38 -41' 20''N | Lon: 9 19' 4''W




  • 1763: 9 peças antecarga, de alma lisa (2 de bronze do calibre 40 e 7 de ferro do 24).
    1777: 10 peças antegarga, de alma lisa, e 276 balas.
    1796: 10 peças antegarga, de alma lisa, do calibre 24.
    1805: 11 peças antecarga, de alma lisa, do calibre 24.
    1831: peças antecarga, de alma lisa, do calibre 36.
    1832: 10 peças antecarga, de alma lisa.






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