Fort of Guincho

Cascais, Lisboa - Portugal

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O “Forte do Guincho”, também referido como “Forte das Velas”, “Forte Velho do Guincho” e “Forte da Praia do Abano”, localiza-se entre a praia do Guincho e a praia do Abano, na freguesia de Alcabideche, concelho de Cascais, distrito de Lisboa, em Portugal.

Foi edificado no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), integrando a 1.ª linha de fortificações da barra do Tejo, que se estendia do cabo da Roca até à Torre de Belém para defesa da cidade de Lisboa. Cruzava fogos com a Bateria da Galé.

História

Foi erguido por determinação do Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), sob a supervisão do Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1642-1675), 3.º conde de Cantanhede. Erguido na década de 1640, a sua função era essencialmente a de vigia, uma vez que era praticamente impossível o desembarque na praia do Guincho.

Data de 1675 a primeira referência documental ao forte num relatório de inspeção que o menciona guarnecido pelo "Terço de Cascais", artilhado com 7 peças. Posteriormente, em 1693 foi efetuado um levantamento da planta do forte, atribuída ao arquiteto militar Mateus do Couto.

O Relatório do coronel João Xavier Teles, datado de 29 de junho de 1720, apresenta a discriminação das obras de reparação necessárias nas muralhas e aquartelamentos do forte, substituição das portas da entrada principal e do corpo da guarda, com os respectivos orçamentos, desconhecendo-se se as obras chegaram a ser realizadas. À época, a guarnição era composta por 1 cabo, 3 soldados e 2 artilheiros, em regime de rotação semanal. Das peças de artilharia, apenas 2, em bronze, estavam operacionais, estando as de ferro inservíveis. Recomendava-se dotar o forte de mais quatro peças de bronze, com urgência.

Data de 1751-1758 nova referência à necessidade de reparo nos muros da fortificação, assim como nas chaminés das cozinhas, na casa da guarda e nos quartéis. Continuavam operacionais apenas as duas peças de bronze.

Em 1777 o forte encontrava-se em bom estado geral de conservação, ainda que necessitasse de pequenos consertos nos quartéis e de betumar a cisterna. Estava guarnecido por 1 cabo e 3 soldados, e artilhado com mais 5 peças em ferro.

Em 1793, devido à ameaça de desmoronamento da zona de implantação do forte, procedeu-se ao reforço da estrutura do mesmo. Na ocasião, o compartimento intermédio dos alojamentos foi ampliado, passando a ocupar o dobro de cada um dos compartimentos colaterais (quartéis, cozinha, paiol e armazém), o que levou a refazer-se o portal e se reorganizar o pátio de entrada, passando a cisterna, que também foi ampliada. Refizeram-se os muros, engrossando-se a sua espessura; para impedir a ação erosiva do mar, procedeu-se à construção de um paredão e de um caminho calcetado, protegido por um pequeno murete para facilitar a circulação entre o mesmo e o muro exterior da bateria. Internamente foram reorganizados os espaços dos quartéis e das cozinhas com a substituição de todos os elementos apodrecidos (madeiras e ferragens). Em 1796 foi executada uma nova planta do forte pelo Sargento-Mor Maximiano José da Serra e, em 1798 outra, do 2.º Tenente Engenheiro João da Mata Chapuzet.

No século XIX foram erguidas as quatro guaritas, das quais apenas subsistem atualmente os respectivos arranques. Foram abertas 7 canhoneiras nos parapeitos da bateria que até ali eram à barbeta: 4 viradas ao mar, 2 a sul, e uma a norte.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), em 1808 encontrava-se guarnecido por 9 soldados artilheiros, 1 cabo e 11 soldados de infantaria. Entre 1813 e 1814, não se encontrava guarnecido.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), um relatório de inspeção datado de 1829 referiu que as peças de artilharia se encontravam inoperantes, algumas por incapacidade de fazer fogo e outras por não possuírem reparos. Entre 1831 e 1832 tiveram lugar obras de restauro dos parapeitos, merlões e canhoneiras, reboco das paredes, betume da cisterna, ladrilhamento do paiol e conserto/substituição de madeiramentos e ferragens das portas e janelas. Findo o conflito, o forte voltou a cair em abandono.

O relatório de inspeção do brigadeiro José Gerardo Ferreira Passos e do capitão engenheiro João António Esteves Vaz, datado de 26 de março de 1854, referiu o avançado estado de decadência do forte. Referiu ainda a existência de lápide sobre o portal de entrada com inscrição, já muito apagada, aludindo à sua construção no reinado de D. João IV.

Em 1892 Eduardo de Moser, 1.º conde de Moser, requereu o direito de tomar o forte de aluguer, sendo posteriormente alugado a outras pessoas.

Com a implantação do Estado Novo Português, o forte passou para a posse do Ministério das Finanças (3 de novembro de 1934), mas continuou entregue a particulares. Em 1944 foi cedido ao Clube Nacional de Campismo, que lhe procedeu a pequenas obras de conservação e adaptação, passando a funcionar como casa-abrigo.

Em 1970 registou-se a pretensão de ocupação do forte por um posto da Guarda Fiscal, o que não chegou a concretizar-se: entre 1970 e 1975 o imóvel encontrava-se devoluto. Em 1975, por Despacho da Direcção-Geral da Fazenda Pública, o forte foi cedido uma vez mais ao Clube Nacional de Campismo. Em 25 de agosto de 1976 foi emitido auto de devolução e cessão do forte ao Clube de Campismo de Lisboa. No início de 1977 sofreu atos de vandalismo e pilhagem, vindo a ser, por consequência, encerrado.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro. Está incluído na Área Protegida de Sintra–Cascais.

Em 1980 foi objeto de intervenção de conservação, tendo-se:

- refeito as juntas nos paramentos exteriores das muralhas e o encasque das que estavam muito abertas e profundas;

- feito o completamento de muralhas ruídas, junto à escada e ao nível dos terraços superiores;

- feita a demolição de parede que entaipava o vão existente na muralha nascente;

- feita a consolidação e completamento das ameias existentes ao painel do terraço inferior;

- feita a reparação e pintura das portas existentes, assim como a caiação das 2 dependências existentes;

- feitas obras de enquadramento e valorização das muralhas.

Entre 2003 e 2004 o forte foi cedido à Câmara Municipal de Cascais, prevendo-se a sua recuperação para instalação de uma cafetaria e um núcleo de divulgação do Parque Natural Sintra-Cascais.

De propriedade pública estatal, encontra-se atualmente devoluto e em ruínas, existindo projeto de iniciativa da Câmara de Cascais para a sua requalificação em um Centro Interpretativo de apoio às atividades turístico-ambientais, promovidas pelo Parque Natural de Sintra-Cascais.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo maneirista, de implantação rural, isolado sobre um maciço rochoso, junto ao mar.

Primitivamente apresentava planta quadrangular, dispondo do lado virado a terra três divisões retangulares abobadadas. Na intermédia rasgava-se o portal que acedia a um recinto, a partir do qual se organizava a comunicação com as duas divisões laterais, os aquartelamentos, e, através de escadaria, à plataforma da bateria. Esta última, de razoáveis dimensões, ocupava cerca de metade da superfície intramuros, e podia albergar sete peças de artilharia que disparavam à barbeta. Uma outra escadaria, desenvolvida a partir de uma das paredes da bateria, conduzia a terraço, lajeado e com parapeito, que servia para bater fogo de mosquetaria.

As obras de finais do século XVIII alteraram a sua planimetria interior, ampliando o compartimento central, reorganizaram o pátio de entrada, ampliaram a cisterna. Procedeu-se ainda à construção de um paredão sobre o afloramento rochoso para impedir a ação erosiva do mar nas fundações do forte.

No início do século XIX foram rasgadas as canhoneiras na bateria.

O frontispício é rasgado por portal com arco pleno, enquadrado por algumas fiadas de cantaria geometricamente colocadas, e encimado por pedra com armas de Portugal e coroa como timbre.

Bibliografia

CALLIXTO, Carlos Pereira. Fortificações da Praça de Cascais a Ocidente da Vila. Lisboa, 1980.

LOURENÇO, Manuel Acácio Pereira. As Fortificações da Costa Marítima de Cascais. Cascais, 1964.

MOREIRA, Rafael. "Do Rigor Teórico À Urgência Prática: A Arquitectura Militar". in “História da Arte em Portugal”, vol. 8. Lisboa, 1986. pp. 66–85.

  • Fort of Guincho

  • Forte das Velas, Forte Velho do Guincho, Forte da Praia do Abano

  • Fort




  • John IV of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Badly Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro. Está incluído na Área Protegida de Sintra–Cascais.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Cascais



  • Lat: 38 -45' 37''N | Lon: 9 28' 24''W




  • 1675: 7 peças antecarga, de alma lisa.
    1720: 2 peças antecarga, de alma lisa, de bronze, em serviço; as de ferro, inservíveis.
    1751-1758: 2 peças antecarga, de alma lisa, de bronze, em serviço.
    1777: 2 peças antecarga, de alma lisa, de bronze, e 5 peças em ferro.


  • Em 1980 foi objeto de intervenção de conservação, tendo-se:
    - refeito as juntas nos paramentos exteriores das muralhas e o encasque das que estavam muito abertas e profundas;
    - feito o completamento de muralhas ruídas, junto à escada e ao nível dos terraços superiores;
    - feita a demolição de parede que entaipava o vão existente na muralha nascente;
    - feita a consolidação e completamento das ameias existentes ao painel do terraço inferior;
    - feita a reparação e pintura das portas existentes, assim como a caiação das 2 dependências existentes;
    - feitas obras de enquadramento e valorização das muralhas.




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