Fort of Crismina

Cascais, Lisboa - Portugal

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O “Forte de Crismina”, também referido como “Forte de Cresmina” e “Forte da Ponta Alta”, localiza-se no extremo leste da praia da Cresmina, a sul da praia da Água Doce, na freguesia de União das Freguesias de Cascais e Estoril, concelho de Cascais, distrito de Lisboa, em Portugal.

História

No reinado de José I de Portugal (1750-1777), no contexto da Guerra Fantástica (1761-1763), em 1762 foram edificadas neste trecho da costa três baterias de apoio. De norte para sul, foram denominadas Bateria da Galé, Bateria Alta e Bateria de Crismina. O seu principal objetivo era o aquartelamento de pequenas guarnições que dificultassem o desembarque de forças inimigas, enquanto se dava o alarme e reforçavam pontos críticos na defesa de Lisboa.

Um relatório de inspeção, datado de 14 de março de 1777, refere que as três baterias estavam em bom estado de conservação.

O relatório do Coronel Engenheiro Romão José do Rego (14 de janeiro de 1793) refere que as três baterias apresentavam estragos causados pelos elementos. Ainda nesse mesmo ano, em dezembro, encontravam-se reedificadas e artilhadas, com a possível adição de um corpo de guarda.

Ainda desse período, dispomos de uma planta da bateria levantada pelo Sargento-mor de Engenharia Maximiano José da Serra (1796) e de outra traçada pelo 2.º Tenente Engenheiro João da Mata Chapuzet (1798).

Em 1805 conservava uma pequena guarnição, encontrando-se artilhada. Entretanto, como durante a Guerra Peninsular (1808-1814) não foi utilizada, foi gradualmente abandonada, estando desativada no início da década de 1820.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em 1829 constava de um só parapeito com canhoneiras arruinadas e uma casa à retaguarda. Miguel I de Portugal (1828-1834) determinou o restauro do conjunto das três baterias, numa campanha de obras realizada entre os anos de 1830 e 1832. Nesse período foram elaborados diversos relatórios, projetos e respectivos orçamentos relativos a obras de recuperação e ampliação das baterias, procedendo-se a reparação dos parapeitos, merlões e canhoneiras; reparação dos quartéis, armazéns e paióis; rebocos e colocação/substituição de madeiramentos e ferragens (tarimbas, portas e janelas) e fecho das fortificações com um muro de gola, que as envolvesse e no qual seria aberto um portal. Desse modo, em 1831, com um orçamento estimado em 677$000 reis para a Crismina, previa-se: reparação do parapeito, merlões e canhoneiras, novo telhado, encascar paredes de alojamento por fora e rebocá-las por dentro. Nesse mesmo ano (1831) cada uma das baterias foi artilhada com 6 peças antecarga, de alma lisa, de ferro (2 do calibre 18 e 4 do 12), oscilando as suas guarnições entre os 10 homens previstos (1 cabo, 3 soldados artilheiros e 6 soldados de milícias) e 20 efetivos. No ano seguinte (1832) o comando geral estava entregue a um comandante ou governador, sediado na Bateria Alta. Apenas em finais deste ano é que foram erguidos e concluídos os muros de gola nas três baterias, seguindo o projeto do Major de Engenharia José António Mourão. Em 24 de julho de 1833 foram desartilhadas e abandonadas quando da retirada do exército Miguelista e, mais tarde, findo o conflito, caíram em ruínas.

Em 1850 procedeu-se a orçamento para a sua reparação, mas nada se fez. Em 1854 o forte encontrava-se em avançado estado de ruína.

Entre 1889 e 1899, ao abrigo da Carta de Lei de 26 de junho de 1889, estas estruturas foram desclassificadas como fortificações militares e levadas a hasta pública, tendo sido adquiridas por particulares. Desse modo, em 1895 o Forte de Crismina foi arrematado por José Guedes Quinhores de Matos Cabral. Em 1906 foi adquirido por Manuel Gomes, e em 1908 por António Augusto Carvalho Monteiro, que por sua morte, em 1923, transmitiu-o aos seus descendentes.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro. Está incluído na Área Protegida de Sintra – Cascais.

De propriedade privada, atualmente devoluto, o Forte de Crismina é o único deste conjunto que ainda mantém parte da sua estrutura edificada, apresentando sinais evidentes de ruína. Subsistem vestígios do pano de muralha e da porta. No interior, além das paredes do que terá sido uma sala retangular, podem ver-se as lajes do pavimento.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo no limiar do barroco, possui enquadramento rural, isolado, sobre uma ponta rochosa que forma o extremo oriental da praia do Guincho.

Constitui uma das três baterias do Guincho para reforço da defesa da linha de costa compreendida entre o forte implantado na ponta daquele areal e o que se levantava no Cabo Raso, erguendo-se cada uma das baterias nos pontos mais vulneráveis. A de Crismina protegia a praia e o surgidouro que se desenvolve nas suas proximidades e cruzava fogo com o Forte de São Brás de Sanxete.

Tal como as outras baterias, possuía bateria de planta poligonal, de três faces desiguais, com os aquartelamentos e o paiol situados na retaguarda da mesma. A de Crismina apresentava configuração semelhante à da Galé, embora o traçado da plataforma lajeada fosse distinto na forma como acompanhava e rematava a face do parapeito e de menores dimensões. Dispunha de sete canhoneiras, três viradas a norte, 3 a sul e 1 a oeste, servidas usualmente apenas por três bocas-de-fogo. Com a construção dos muros de gola, a bateria passou a apresentar uma planta poligonal, com seis lados de diferentes dimensões, integrando o seu interior o quartel e paiol. O acesso processa-se por porta única, de verga curva, no muro leste, virado ao interior, encimada por lápide epigráfica. Adossados aos ângulos internos nordeste e sudeste reconhecem-se vestígios de 2 pequenas dependências retangulares.

Bibliografia

ANDRADE, Ferreira de. Cascais, Vila da Corte-Oito Séculos de História. Cascais, 1964.

ANDRADE, Ferreira de. Monografia de Cascais. Cascais, 1969;

CALLIXTO, Carlos Pereira. "A Praça de Cascais e as Fortificações suas Dependentes". in "Revista Militar", II Série, Vol. 30, 1978.

GODINHO, Helena Campos; MACEDO, Silvana Costa; PEREIRA, Teresa Marçal. "Levantamento do Património do Concelho de Cascais. 1975 - Herança do Património Europeu". in "Arquivo de Cascais", nº 9, s.l., 1990.

LOURENÇO, Manuel António Pereira. As Fortalezas da Costa Marítima de Cascais. Cascais, 1964.

SERRA, Maximiano José da. Planta dos Fortes e Fortalezas da Costa Norte do Reino de Portugal. Lisboa, 1796.

  • Fort of Crismina

  • Bateria de Crismina, Forte de Cresmina, Forte da Ponta Alta

  • Fort

  • 1762 (AC)



  • Joseph I of Portugal



  • Ruins Badly Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro. Está incluído na Área Protegida de Sintra – Cascais.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Cascais



  • Lat: 38 -44' 38''N | Lon: 9 28' 43''W




  • 1831: 6 peças antecarga, de alma lisa, de ferro (2 do calibre 18 e 4 do 12).






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