Fort of São Sebastião de Caparica

Almada, Setúbal - Portugal

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O “Forte de São Sebastião de Caparica”, também referido como “Torre Velha” e “Fortaleza da Torre Velha”, localiza-se na margem esquerda do rio Tejo, sobre a encosta oeste do lugar de Porto Brandão, na freguesia de União das Freguesias de Caparica e Trafaria, concelho de Almada, distrito de Setúbal, em Portugal.

É considerada um dos mais importantes exemplares da arquitetura militar renascentista portuguesa, uma vez que foi dos primeiros sistemas integrados de artilharia para defesa da barra de um estuário no país na passagem do século XV para o XVI, formando uma defesa tripartida da barra do Tejo juntamente com o Baluarte de Cascais e a Torre de Belém.

História

Sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495) foi delineado um novo plano de defesa da barra do rio Tejo e do porto da capital, baseado na construção de três fortificações, adaptadas ao tiro rasante da artilharia da época:

• na margem esquerda do rio pela:

- Torre de Caparica (Baluarte de Caparica); e

• na margem direita, pelas:

- Torre de Santo António de Cascais (Baluarte de Cascais);

- Forte de São Vicente de Belém (Forte de São Vicente a par de Belém)

Essas fortificações deveriam cooperar com a nau artilhada fundeada no Tejo na tarefa de vigilância e defesa da capital.

Em 1488 a fortificação em Caparica estaria concluída, no lugar da atual bateria ao lume de água. As gravuras de Garcia de Resende mostram que era formada por uma torre e um baluarte, sendo possível que se assemelhasse à Torre de Outão, sua contemporânea, e à torre de Belém mais tardia. Acerca de sua construção Resende registou ainda:

"E assim [D. João II] mandou fazer então a (...) torre e baluarte de Caparica, defronte de Belém, em que estava muita e grande artilharia; e tinha ordenado de fazer uma forte fortaleza onde ora está a formosa torre de Belém, que el-Rei D. Manuel, que santa glória haja, mandou fazer; para que a fortaleza de uma parte e a torre da outra tolhessem a entrada do rio. A qual fortaleza eu por seu mandado debuxei, e com ele ordenei a sua vontade; e tinha já dada a capitania dela [a] Álvaro da Cunha, seu estribeiro-mor, e pessoa de que muito confiava; e porque el-Rei João faleceu, não houve tempo para se fazer." (RESENDE, Garcia. “Crónica de D. João II”, 1545.)

À época estaria sob a invocação de São Brás, então patrono dos artilheiros em Portugal. A partir da construção da Torre de Belém, na margem oposta do rio, passou a ser designada apenas como “Torre Velha

O ataque do corsário francês Pierre Bertrand de Montluc ao Funchal (outubro de 1566) expôs a fragilidade das defesas portuguesas e levou a que, sob o reinado de Sebastião I de Portugal (1568-1578), se executasse um levantamento cartográfico dos locais mais expostos na costa portuguesa, assim como a traça de novas fortificações para a defesa dos mesmos. O debuxo da reforma da Torre Velha de Caparica foi entregue ao arquiteto Afonso Álvares, num projeto que ampliou as suas dimensões. Iniciado em 1570 e concluído em 1575, a fortificação passou a ser designada por Fortaleza de São Sebastião de Caparica.

Sob a Dinastia Filipina (1580-1640) a questão da defesa de Lisboa novamente impôs-se, pelo que a fortificação em Caparica voltou a ser objeto de novas obras de ampliação e modernização. Durante este período ficou conhecida como Torre dos Castelhanos. A pedra de armas de Castela, por estes colocada sobre o portão de armas, foi destruída quando da Restauração da Independência (1640).

Entre 1640 e 1757-1758 os Távora de Caparica tiveram em Almada um importante morgadio sendo governadores perpétuos da Torre Velha.

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), um documento dá conta de que a Fortaleza de Caparica estava artilhada com:

• 2 canhões de 44 libras; com 400 balas.

• 1 pedreiro de 30 libras; com 120 balas (pelouros de pedra).

• 1 meio-canhão de 24 libras; com 200 balas.

• 1 colubrina de 14 libras; com 163 balas.

• 1 falconete de 2 libras, para instrução dos artilheiros; com 100 balas.

Havia ainda 100 balas de cadeia (duas balas ligadas por uma corrente curta, para ampliar os danos no casco, no velame e no cordame dos navios); 50 eram de 14 libras (para a colubrina) e 50 de 24 (para o meio-canhão).

A guarnição compunha-se de 50 elementos, para os quais havia as seguintes armas individuais: 50 mosquetes, 20 arcabuzes, 16 piques e 9 chuços.

No documento solicitava-se a construção de uma cisterna, pois a fortaleza não dispunha de abastecimento de água. (in “Relação da gente paga, artelharia armas munições carretas mantimentos e mais cousas que ha nas fortalezas da barra desta cidade e nas de Setuual, e do que necessita cada huã dellas”, anexa à consulta do Conselho de Guerra de 12 de agosto de 1644”, ANTT, CG, Consultas, 1644, maço 4-B).

Entre 1644 e 1665 aqui esteve encarcerado o escritor e militar D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666), período em que escreveu uma das suas obras mais importantes, a “Carta de Guia de Casados” (Lisboa, 1651). Na mesma época, há registo de três escravos moradores na localidade, dois dos quais pertencentes ao comandante da Torre.

Em uma planta datada de 1692, as partes essenciais nela representadas subsistem nos nossos dias: a torre do século XV, as cortinas leste e sul, os três baluartes, o fosso a leste, a casa do governador, a capela, sob a invocação de São Brás e de São Sebastião, adossada à cortina da porta de armas, e uma construção abrigando uma escada no ângulo sudeste da praça de armas.

Na segunda metade do século XVIII há indicação de preocupação quanto à consolidação do terreno anexo às edificações junto à riba. Em 1767 há a informação de que a Torre Velha ou de São Sebastião, sobre uma montanha, oposta à torre de Belém pelo lado norte (margem direita do rio), e de as suas baterias, altas e baixas, cruzarem fogos com as de Belém. Mais tarde, o relatório de 9 de setembro de 1794 de Guilherme Luís António de Valleré, ao Ministro da Guerra, o duque de Lafões, (AHU) fala das obras na fortificação. Estas decorreram entre 1794 e 1796, sob a direção do coronel Francisco D'Alincourt.

Ao final da Guerra das Laranjas (1801) as fortificações da margem sul do Tejo foram desativadas.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) o levantamento de outubro de 1808, aponta-lhe:

• 5 peças de bronze, de praça, do calibre 36;

• 4 peças do calibre 18;

• 9 peças do calibre 12;

• 5 peças de ferro, do calibre 24;

• 9 peças de ferro, do calibre 18, e

• 6 peças de ferro, do calibre 6.

• 6 reparos para peças de artilharia de praça, do calibre 36;

• 9 reparos para peças de artilharia de campanha, do calibre 12;

• 2 carretas de marinha para peças do calibre 36;

• 5 carretas de marinha para peças do calibre 24;

• 13 carretas de marinha para peças do calibre 18;

• 6 carretas de marinha para peças do calibre 6;

• 2.400 balas e lanternetas dos calibres 36, 18, 12 e 8.

Em 1811 foi sugerido que o depósito onde era armazenado o material acessório de artilharia fosse destinado à instalação de prisioneiros.

Data de 13 de agosto de 1814 um parecer favorável à ocupação das suas dependências como lazareto provisório, destinado à quarentena de passageiros e tripulantes de embarcações chegadas ao porto de Lisboa, suspeitas de serem portadores de epidemia a bordo. Desse modo, em 29 de maio de 1815 o forte foi dissolvido por ordem do governo, conservando uma parte das edificações para alojar a guarnição que fazia guarda aos quarentenários.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) o relatório de janeiro de 1828 apontou-lhe:

• 1 peça de ferro do calibre 28;

• 17 peças de ferro do calibre 12;

• 6 peças de ferro do calibre 6;

• 2 morteiros de ferro do calibre 9;

• 2.500 balas dos diversos calibres, e

• 50 bombas do calibre 9.

Nesse contexto, dentro das obras de reforma promovidas por Miguel I de Portugal (1828-1834) nas fortificações da linha de Lisboa, em 1832 a Caparica também conheceu obras de reparos. O levantamento desta data computou-lhe uma guarnição composta por 1 subalterno, 1 sargento, 3 cabos e 31 soldados, e estava artilhada com 2 peças do calibre 26, 6 peças do calibre 24 e 4 peças do calibre 18. Acredita-se que o muro que divide a praça alta que dá para a porta de armas date deste momento, relacionado com a coexistência com o lazareto.

Em meados do século XIX a Torre Velha foi declarada sem interesse como fortificação e passou a ser considerada Praça de Guerra de 2ª classe.

Em 1867 o governo, atendendo às repetidas queixas dos quarentenários, decidiu construir novo edifício para o Lazareto, depois de consultadas as pessoas competentes. Foi erguido desse modo, na sua vizinhança, o chamado “Lazareto Novo”, ocupado em nossos dias pelo Asilo 28 de Maio. A fortificação continuou a manter uma guarnição militar de guarda ao novo lazareto. Entre os pacientes do Lazareto Novo destacou-se a figura de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), com suspeita de febre-amarela, ao retornar do Brasil (1879), tendo deixado registado com fina ironia o seu maior desagrado quer com os regulamentos quer com as instalações e o tratamento dispensado aos internos.

Em 1894 deixou de integrar a lista das praças, tendo permanecido como depósito e alojamento, anexo ao depósito de munições do Porto Brandão

A “Fortaleza da Torre Velha, também designada por Torre de São Sebastião de Caparica” encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 11/2012, publicado no Diário da República, I Série, n.º 104, de 29 de maio. A sua ZEP encontra-se definida pela Portaria n.º 934/2013, publicada no Diário da República, II Série, n.º 252, de 30 de dezembro.

Atualmente o monumento encontra-se abandonado e em ruínas.

Características

Exemplar de arquitetura militar, renascentista e maneirista, de enquadramento periurbano, sobre um monte na margem sul do rio Tejo, entre duas pequenas enseadas: a de Porto Brandão e a da Paulina.

A primitiva torre e baluarte situavam-se sob a falésia, num banco rochoso ao longo da margem, sobre o qual assenta o atual cais de apoio aos barcos. Pertencia ao Padroado Real e eram seus alcaides-mores e governadores perpétuos os senhores da Casa e Morgado de Caparica. Datam possivelmente do século XV a porta que comunica para o terraço e janelão, e os suportes do pau da bandeira.

A fortificação que chegou aos nossos dias mantém as partes fundamentais existentes em meados do século XVII, como comprova uma planta desenhada em 1692 atualmente no acervo da Torre do Tombo (Coleção Casa de Cadaval). A planta da fortificação desenvolve-se em “U”, composta por três corpos, sendo dois orientados a sul, entre os quais fica a esplanada da bateria, junto à arriba. O terceiro corpo une pelo sul aos dois primeiros. A partir do canto sudoeste da fortificação a construção prolonga-se com baluarte e torre de vigia. Sobre o núcleo principal da fortificação ergue-se construções de habitação. Ao longo da cortina leste corre um fosso, hoje entulhado. Tem três baluartes com casernas, um a nordeste, outro a sudeste, e outro a sul. Na muralha rasgam-se canhoneiras.

O corpo central da Torre Velha apresenta planta quadrangular, ampla, rebaixada, vendo-se apenas a parte inferior do piso térreo, com porta e janelão. Adossada vê-se a casa do governador. Perduram as seteiras e mata-cães na muralha. Ainda são visíveis os encastramentos de vigas (de um possível sobrado em piso superior). Esta parte da torre é recoberta em abóbada de berço e sobre ela fica um terraço com escada exterior de acesso ao segundo piso, entre o térreo e o terraço, comunicando com ambos por porta. Este terraço seria, possivelmente, o piso ao nível do varandim ou grupos de mata-cães, em cima do qual se erguia um corpo de menor área rematado por um telhado de quatro águas. Observe-se que, com grande semelhança, se veio a erguer, mais tarde, a Torre de Belém. Subsistem vestígios de cachorros (de balcões ou de mata-cães), provavelmente, de apoio a uma varanda ou cortina. Há um escudo de armas sobre a verga da porta, ao nível da antiga praça de artilharia, com as armas portuguesas. As construções acima do antigo parapeito são resultado da transformação em Lazareto.

Os trabalhos realizados à face da escarpa para permitir uma rápida ligação entre a torre e o baluarte são um dos fatores que ainda hoje constituem a maior originalidade do conjunto. Este sofisticado sistema de comunicações internas mantém -se “in situ” quase como há cinco séculos.



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Contribution

Updated at 01/08/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Fort of São Sebastião de Caparica

  • Torre Velha, Fortaleza da Torre Velha, Torre dos Castelhanos

  • Fort


  • 1488 (AC)



  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • National Protection
    A “Fortaleza da Torre Velha, também designada por Torre de São Sebastião de Caparica” encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 11/2012, publicado no Diário da República, I Série, n.º 104, de 29 de maio. A sua ZEP encontra-se definida pela Portaria n.º 934/2013, publicada no Diário da República, II Série, n.º 252, de 30 de dezembro.





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Almada



  • Lat: 38 -41' 25''N | Lon: 9 12' 42''W




  • 1644: 2 canhões de 44 libras, 1 pedreiro de 30 libras, 1 meio-canhão de 24 libras, 1 colubrina de 14 libras, 1 falconete de 2 libras.
    1808: 5 peças de bronze, de praça, do calibre 36; 4 peças do calibre 18; 9 peças do calibre 12; 5 peças de ferro, do calibre 24; 9 peças de ferro, do calibre 18, e 6 peças de ferro, do calibre 6.
    1828: 1 peça de ferro do calibre 28; 17 peças de ferro do calibre 12; 6 peças de ferro do calibre 6; 2 morteiros de ferro do calibre 9.
    1832: 2 peças do calibre 26, 6 do 24 e 4 do 18.






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