Fort of São João do Arade

Portimão, Faro - Portugal

O “Forte de São João do Arade”, também referido como “Forte de São João do Registo da Barra de Portimão“, “Castelo de São João do Arade”, “Castelo do Arade”, localiza-se na vila e freguesia de Ferragudo, concelho da Lagoa, distrito de Faro, em Portugal.

Em posição dominante sobre a foz do rio Arade, a sua elevação separa duas praias: a da Angrinha e a Grande. Cooperava com o Forte de Santa Catarina, que lhe era fronteiro em Portimão, na defesa do estuário do rio.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva fortificação do local remonte a uma torre erguida sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495), com a função de vigia. Posteriormente, quando Ferragudo foi elevada a vila (1520), acredita-se que tenha sido cercada por um muro defensivo erguido sobre os vestígios de outro, mais antigo, que remontaria à época da construção da torre.

O forte seiscentista

À época da União Ibérica (1580-1640), de acordo com o relatório do engenheiro militar Alexandre Massai, a muralha ainda existia, uma vez que ali refere "um sítio cercado chamado Ferragudo". ("Descripção do Reino do Algarve…", 1621)

Posteriormente, no contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), visando a defesa daquele estuário, por volta de 1643 foi erguido um baluarte artilhado. Foi seu primeiro governador o capitão Francisco da Costa Barros, nomeado por João IV de Portugal (1640-1656) como “capitão da Fortaleza de São João, em Ferragudo” (2 de maio de 1644).

A força dos elementos, culminando com um violento temporal em 1669, causaram severos danos ao baluarte, que terá sido reparado no ano seguinte (1670), por determinação do então Capitão-general do Reino do Algarve, Martim Afonso de Melo.

Reparada, em 1754, numa inspeção efetuada pelo então Governador do Reino do Algarve, D. Rodrigo António de Noronha e Meneses, a fortificação foi considerada em perfeito estado de conservação. Apresentava então duas baterias:

• a Bateria Baixa, artilhada com 3 peças;

• a Bateria Alta, artilhada com quatro.

No ano seguinte (1755) pouco terá sofrido com o maremoto decorrente do terramoto de 1 de novembro, devido à sua construção, sobre rocha maciça.

Em 1765 um novo relatório dava conta de que todos os seus alojamentos encontravam-se em ruínas, vindo a despender-se 80$000 reis na sua reedificação.

Do século XIX aos nossos dias

O relatório de 23 de setembro de 1861 dá conta de que a fortificação encontrava-se em grande estado de ruína, exceto o paiol, “que foi consertado em 1859”. O forte encontrava-se desguarnecido e entregue à guarda de um soldado de Veteranos.

A 27 de junho de 1892 o Dr. Joaquim José Coelho de Carvalho, reitor da Universidade de Coimbra, Presidente da Academia das Ciências e diplomata, requereu à Direção da Arma de Engenharia que lhe fosse alugado o forte de São João que, como declarava “se encontra abandonado tendo até sido já vendido pelo Governo o terreno que lhe era logradouro.” O requerimento foi deferido considerando-se não haver inconveniente para a defesa do litoral no aluguer da antiga fortificação, “podendo uma praça reformada que ali tem alojamento ser transferida para o Forte de Santa Catarina”. Desse modo, a 11 de agosto do mesmo ano (1892) procedeu-se à escritura de arrendamento do forte ao Dr. Coelho de Carvalho, por período de 5 anos a contar daquela data, e pela renda anual de 30$000 reis, a ser paga aos semestres, adiantadamente, nos dias 20 de julho e 20 de dezembro. O imóvel destinava-se a habitação e o arrendatário não poderia fazer obras que lhe alterassem a planta original. A 4 de setembro, nas dependências do Forte de São João, o comandante da Praça de Guerra de Vila Nova de Portimão realizou o Auto de Entrega do então denominado “Prédio Militar n.º 1 de Lagoa” ao Dr. Joaquim José Coelho de Carvalho.

Desclassificado, o Forte de São João, com as áreas respectivas de 764 m² de terreno e 137 m² de edifícios, com o valor global de 600$000 réis, compreendendo o fosso, duas baterias, quartéis, capela e paiol foi a hasta pública (20 de outubro de 1896), vindo a ser arrematado por 600$100 réis por D. Ana da Encarnação Pereira, sogra do Dr. Coelho de Carvalho.

Dando largas à sua imaginação, o arrendatário, Dr. Coelho de Carvalho, com autorização da proprietária, sua sogra, efetuou grandes obras de transformação no imóvel ao estilo Romântico, que alteraram profundamente a sua traça original, transformando a antiga fortificação no chamado “Castelo do Arade”, designação que foi popularmente aceite e que ainda hoje é usada. As obras devem ter tido lugar entre 1900 e 1903.

Coelho de Carvalho faleceu em sua residência, o forte de São João, a 18 de julho de 1934, aos 82 anos de idade. Foi sepultado em Ferragudo, tendo a sua viúva, D. Maria José Coelho de Carvalho, regressado definitivamente para Lisboa.

Em ação, movida pelo Ministério Público contra a proprietária do Forte de São João em virtude de uma execução por custas e selos, o imóvel voltou a hasta pública, vindo a ser arrematado por 45.000$00 escudos pelo então Ministro das Colónias, Dr. Francisco José Vieira Machado, que, em 14 de março de 1938, procedeu à inscrição de compra na respectiva repartição. Após o falecimento do Dr. Vieira Machado (1972) o imóvel passou a pertencer à sua viúva e herdeiros, residentes em Lisboa.

O “Castelo de São João de Arade / Forte de São João do Arade” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 735/74, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 297, de 21 de dezembro.

Em 1976 a Junta de Freguesia de Ferragudo solicitou a cedência do forte, propriedade particular, para aí instalar um centro cultural.

Em 1998 os herdeiros de Francisco Vieira Machado venderam o imóvel ao empresário Vasco Pereira Coutinho.

O imóvel encontra-se bem preservado, com um amplo jardim muralhado desde a praia da Angrinha até à praia Grande. Comporta ainda uma ampla residência com vários conjuntos de muralhas ameadas, em diversos planos.

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento rural, isolado, implantada em terreno elevado, sobre a margem esquerda do esteiro de Portimão.

Apresenta planta trapezoidal, com torre de menagem ameada, com vários corpos adossados, escalonados em altura, e dependência voltada ao mar vazada por janelas de perfil quebrado, com guarita.

Bibliografia

COUTINHO, Valdemar. “Castelos, Fortalezas e Torres da Região do Algarve”. Vila Real de Santo António, 1997.

LOPES, Flávio (coord.). “Património Classificado - Arquitectónico e Arqueológico – inventário (vol. I)”. Lisboa: IPPAR, 1993.

LOPES, João Baptista da Silva. “Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve”. Lisboa, 1841.



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Contribution

Updated at 31/07/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Fort of São João do Arade

  • Forte de São João do Registo da Barra de Portimão, Castelo de São João do Arade, Castelo do Arade

  • Fort







  • Featureless and Well Conserved








  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Portimão



  • Lat: 37 -8' 50''N | Lon: 8 31' 22''W










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