Forte de Santo Antônio da Barra

São Luís, Maranhão - Brazil

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O Forte de Santo Antônio da Barra está localizado na ponta de João Dias, atual ponta da Areia, a sudoeste do Forte de São Marcos, dominando a barra do canal de acesso ao porto de São Luís, no litoral do Estado do Maranhão.

A estrutura primitiva desta fortificação é atribuída aos franceses, durante os combates de 1614 (SOUZA, 1885:70), sendo lícito presumir que, de campanha, tenha sido erguida em faxina e terra. Segundo Barretto (1958) foi erguido com planta de formato circular, artilhado com vinte e duas peças de diversos calibres. Garrido (1940) coloca que esta obra, de caráter temporário, sofre reparos em 1691. Sem mão-de-obra nem material adequados, em 1755 encontrava-se novamente em ruínas.

MARQUES (1970) entende que se trata de estrutura de pau-a-pique, erguida pelo Capitão-mor da Capitania de Pernambuco Alexandre de Moura, quando desembarcou em 01/nov/1615, e onde, no dia seguinte, os franceses teriam assinado a capitulação (op. cit., p. 282). O mesmo autor conclui ser o Sardinha, nome pelo qual este forte ficou conhecido (Forte do Sardinha), um dirigente das suas obras, citando um trecho de uma carta escrita pela Câmara Municipal de São Luís ao Sargento-mor Antônio de Barros Pereira, onde se refere: "(...) Sobre os índios que Vmcê. aponta se faça toda a diligência por se conduzirem à ponta de João Dias [para o trabalho na construção do forte], porque conforme a informação do Sardinha, os que haviam trabalhavam na pedra e haviam ido com Vmcê. (...)" (Carta de 12/fev/1689. apud: op. cit., p. 282). Por ele se percebe ainda que as obras estavam paradas carecendo de mão-de-obra, embora, aparentemente os problemas fossem mais sérios. Dias mais tarde, a Câmara informou ao Governador: "As obras da fortaleza da ponta de João Dias, com as novas ordens de V. Sa., as largou por mão o Sargento-mor Antônio de Barros Pereira, não sabemos se foi ordem de V. Sa. ou moto-próprio, contudo ficamos de acordo em ir mandando carregar para ela pedra para que esteja ao pé da obra, e seguiremos no mais que V. Sa. ordenar." (18/fev/1689. apud op. cit., p. 283).

Por Carta Régia de 8/out/1691, consta que o Governador do Maranhão dera princípio a esta fortaleza, com muitas dificuldades devido à falta de engenheiro, pedreiros, índios de serviço, materiais e cal do Reino (op. cit., p. 283). O seu risco foi do Capitão Pedro de Azevedo Carneiro (Planta do forte, que desenhei, e se fica fazendo na Ponta de João Dias, barra da cidade do Maranhão, 1692. AHU, Lisboa) (IRIA, 1966:46). A Carta Régia de 17/fev/1693 participou ao Governador a remessa, de Portugal, de quatro pedreiros de alvenaria e cantaria para a continuação das obras da fortaleza, vencendo cada um o jornal de 500 réis (MARQUES, 1970:283).

No século XVII, a propósito de consulta em 12/mai/1715 sobre o Forte de Santo Antônio da barra, a Coroa informou ao Governador e Capitão General Cristóvão da Costa Freire que, "como não era possível remediar a Fortaleza da barra de São Luís, situada na ponta de João Dias, conforme o exame feito pelo Capitão-mor da praça, Provedor da Fazenda e Sargento-mor de Engenheiros Custódio Pereira, e que só fazendo-se de novo e de cantaria vinda do reino poderia durar assim mesmo com dificuldade por causa da grande correnteza que ali faziam as águas, fosse tirando da dita fortaleza todas as armas e munições para se não perderem." (Carta Régia de 30/jul/1716. apud: MARQUES, 1970:281).

Chegou-se a projetar uma nova fortaleza para a barra de São Luís, da qual existem duas plantas sob o mesmo título (Planta da fortaleza que se há de fazer na barra de São Luís do Maranhão, 1718. AHU, Lisboa) (IRIA, 1966:46), que entretanto não saiu do papel.

De acordo com o "Plano do Reduto de Santo Antônio da barra da cidade do Maranhão" (post. 1750. Biblioteca Nacional, Lisboa), ao centro, sobre o terrapleno, distribuíam-se as dependências de serviço em dois edifícios de alvenaria, de um pavimento.

O Governador Gonçalo Pereira Lobato e Souza informou à Corte que "esta fortaleza se achava em grande parte abatida, porque sendo construída em terreno arenoso e alagadiço e sem firmeza, tendo por alicerces uns paus, que apodrecendo com o tempo lhe ocasionaram o abaterem-se-lhe os muros da parte do mar e barra, formou-se destas mesmas ruínas um recife." (27/fev/1755. apud: MARQUES, 1970:283).

O Governador Joaquim de Mello e Póvoas informou à Corte "que intentou fazer esta fortaleza em 1762, e chegou a dar princípio desmontando as muitas ruínas que ali haviam". Não continou a obra por ver que as cortinas por duas vezes vieram abaixo (MARQUES, 1970:283) (Ofício de 21/jan/1777, do Governador Joaquim de Mello Póvoas ao Sr. Martinho de Mello e Castro, dando conta da castelaria?).

O Relatório de 21/mar/1797 sobre as fortalezas de São Luís, pelo Ajudante de Ordens Luís Antônio Sarmento da Maia para o Governador da Capitania, D. Fernando Antônio de Noronha (1792-98), informa:

"O reduto de Santo Antônio, fortificação passageira, mandada fazer por V. Exa., é o mais vantajoso posto por todas as razões, porque além de estar tão próximo à barra para a poder defender com muita vantagem, tem também a de não poderem os inimigos atacá-lo com grande frente por terra, e seria sem dúvida a máxima defesa desta cidade, se o dito reduto, em lugar de fortificação de campanha ou passageira, passasse a ser construído de pedra e cal, com o mesmo risco, que já teve, o qual era um paralelogramo romboidal, oferecendo um dos seus maiores lados para a entrada da barra e um ângulo obtuso para dentro do canal. O atual reduto tinha cinco canhões de calibre 18, dois de calibre 12, dois de calibre 9, tudo artilharia de ferro e em muito mau estado." (MARQUES, 1970:283).

Em 14/jul/1824, o Tenente de Artilharia Manuel Joaquim Gomes liderou uma revolta contra o governo do Presidente da Província, Miguel Inácio dos Santos Freire Bruce (1824-25), formando uma "Junta Temporária", que se instalou na fortificação. No dia 17, por ordem da Presidência da Província os fogos cruzados do Forte de São Luís e do Forte de São Marcos, após causar o incêndio da Casa da Pólvora, sufocaram a rebelião, afugentando os revoltosos (MARQUES, 1970:234). Desarmado à época da Regência (1831-40) (GARRIDO, 1940:37), foi avaliado em 20:291$660 réis (22/jan/1840).

Na década de 1870, o forte, em alvenaria de pedra e cal, apresentava planta no formato circular com 23 braças de diâmetro, muralha com 29 palmos de altura, acima do alicerce, 14 de grossura e 9 de parapeito, sendo o terrapleno calçado de pedra e a plataforma de lajes de Portugal. Sobre o terrapleno erguiam-de duas edificações, Casa do Comandante / Quartel da Tropa, e Casa da Palamenta / Paiol da Pólvora. Estava artilhada com sete peças de ferro de calibre 32, treze de 12 e uma de 9 de calibre de bala, todas montadas (MARQUES, 1970:284). O Aviso Ministerial de 24/ago/1871 dispensou o seu comando, ordenando que fosse vigiado pelo funcionário encarregado do Laboratório Pirotécnico do Exército que ali funcionava (SOUZA, 1885:70).

Conhecido como Forte da Ponta da Areia, encontra-se tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1975, sediando, atualmente, um grupamento do Corpo de Bombeiros.



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Arquivo Noronha Santos
Link para o Arquivo Noronha Santos, pertencente ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -IPHAN, que dispõe de uma base de dados sobre os bens culturais tombados nacionalmente, inclusive as fortificações no Brasil. Para encontrar as fortificações, faça uma pesquisa (busca) na seção Livros do Tombo.

http://www.iphan.gov.br/ans/inicial.htm
Forte de Santo Antônio da Barra de São Luís
Página da enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Santo Antônio da Barra de São Luís, que se localizava na ponta de João Dias, atual ponta da Areia, a sudoeste do Forte de São Marcos, dominando a barra do canal de acesso ao porto de São Luís, no litoral do Estado do Maranhão, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santo_Ant%C3%B4nio_da_Barra_de_S...

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Contribution

Updated at 23/05/2013 by the tutor Roberto Tonera.

With the contribution of contents by: Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Forte de Santo Antônio da Barra

  • Fortaleza de Santo Antônio, Forte da Ponta da Areia

  • Fort

  • 1614 (AC)



  • Daniel de La Touche

  • France


  • Restored and Semiconserved

  • National Protection
    Patrimônio Histórico Nacional.
    Livro Histórico: Inscrição:455, Data:6-8-1975.
    Nº Processo:0930-T-75.





  • State Public Organ
    Atualmente, onde erguia-se a Fortaleza de Santo Antônio, está instalado o Corpo de Bombeiros do Maranhão.

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Brazil
    State/Province: Maranhão
    City: São Luís

    A Fortaleza de Santo Antônio da Barra está localizada na ponta de João Dias, atual ponta da Areia, a sudoeste de onde se erguerá o Forte de São Marcos, dominando a barra do canal de acesso ao porto de São Luís, no Estado do Maranhão.


  • Lat: 2 30' 19''S | Lon: 44 19' 6''W




  • Segundo Barretto (1958) foi artilhado com vinte e duas peças de diversos calibres.

  • Segundo Barretto (1958) foi erguido com planta de formato circular.





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