Castle of Alcobaça

Alcobaça, Leiria - Portugal

Search for fortification's images

Date 1 Date 2

Medias (3)

Images (3)

O “Castelo de Alcobaça” localiza-se na freguesia de União das freguesias de Alcobaça e Vestiaria, concelho de Alcobaça, distrito de Leiria, em Portugal.

Em posição dominante a noroeste sobre a povoação, na margem esquerda do rio Baça, de seu sítio tem-se uma ampla vista sobre a cidade, inclusive o mosteiro, os campos envolventes e a serra dos Candeeiros.

História

Em termos historiográficos, as fontes, no que concerne, principalmente, à fundação do castelo, são confusas e, até mesmo, contraditórias.

Maximiano de Lemos e Pinheiro Chagas colocam a hipótese do castelo remontar a uma fortificação visigoda dos séculos VI ou VII, reedificada e ampliada pelos muçulmanos em 716, e conquistada, posteriormente, por Afonso I de Portugal (1143-1185) em 1147. Ainda de acordo com os autores, terá sido parcialmente destruída pelos muçulmanos em 1195, após a incursão do “Miramolim”. Sancho I de Portugal (1185-1211) mandou-a reconstruir para defesa dos monges cistercienses contra futuras incursões, evitando uma nova chacina.

Esteves Pereira (1904, p. 162) e Pinho Leal (1873-1890, p. 72) acrescentam que, quando os muçulmanos a conquistaram, deram-lhe o nome de “Al-Cacer-Ben-el-Abbaci”, por ser este o nome da porta de uma cidade de Marrocos, que tomou o nome de uma mesquita dedicada a Ben-Abbas. Pinho Leal refere, ainda, que D. Afonso Henriques designou esta fortificação de “Castello de Ben-Ab-Cete”, na carta de doação aos monges bernardos, datada de 1147.

Frei António Brandão (1632, p. 185) e Vieira Natividade (1885, p. 10) defendem que o castelo terá tido uma fundação muçulmana.

Frei Manoel dos Santos (1710, p. 66, 429 e seg.) e Saúl Gomes apoiam a tese de que o castelo foi mandado construir por D. Sancho I para defesa dos monges contra futuras incursões muçulmanas.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã, as terras da região de Alcobaça foram tomadas pelas forças de D. Afonso I por volta de 1148, momento em que terão conquistado este castelo. O domínio das terras foi doado aos monges da Ordem de Cister em 1153 para que as povoassem e defendessem, ano em que foi fundado o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, constituindo os "Coutos de Alcobaça", sucessivamente acrescentados por doações régias e outras.

A região foi atacada pelos mouros em 1191 e 1195. D. Sancho I reconquistou a povoação e as suas terras, devolvendo-as aos monges de Cister. A carta de doação reza:

"Em nome da Santa e Indivisa Trindade, (...). Eu, Sancho, por graça de Deus, rei de Portugal e do Algarve, e minha esposa, a rainha D. Dulce, juntamente com os nossos filhos e filhas, fazemos esta carta de doação e de perpétua segurança à casa de Alcobaça e a vós, D. Martinho, abade do mesmo lugar, e a todos os irmãos que aí vivem sob regra, daquele castelo chamado Abenabeci, que para honra de Deus vos damos e concedemos, para que o possuais perpetuamente, livre de toda a ação real e pacificamente, com todos os seus termos novos e antigos, até aos limites que possam ser tidos como verdadeiros por uma investigação feita por homens dignos do maior crédito e fé (...).

Feita esta carta de doação no mês de fevereiro de 1229 [1191 da era cristã].
"

O soberano fez reerguer o castelo “para nelle se recolherem os Monges, e paizanos em outra invazam semelhante” ( LARCHER, 1933:18) e aqui, à semelhança do que fazia em Leiria, guardava parte do seu tesouro argênteo, tal como é referenciado no próprio testamento do monarca, datado de outubro de 1210. Os trabalhos terão ficado a cargo da Ordem de Cister, passando o mesmo a integrar uma linha avançada da defesa de Lisboa, da qual faziam parte ainda os castelos de Leiria, de Pombal, e o de Óbidos, por exemplo.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), no contexto das chamadas Guerras Fernandinas (1369-1382), momento em que foram promovidas diversas reparações de castelos e muralhas no reino, em 1369, no âmbito destas políticas e durante o abacialato de D. Frei Martinho e não durante o de D. Frei João de Ornellas, tal como referiu incorretamente Frei Manuel de Figueiredo (1780, p. 225 e seg.), procedeu-se ao reforço do Castelo de Alcobaça com uma barbacã, tendo-se ainda reedificado uma torre caída e o troço de muralhas voltado para o Mosteiro. Para custeio dessas obras, foi lançada uma finta sobre os moradores.

O sucessor de D. Frei Martinho, abade D. Frei João de Ornellas, colocou o castelo sob o domínio da Ordem de Avis.

Esteves Pereira e Pinho Leal referem que, devido aos danos provocados numa das torres do castelo pelo terramoto de 1422, João I de Portugal (1357-1433) lançou um imposto à população do couto, no intuito de aliviar o empreendimento sobre as finanças da Coroa. Dois anos depois (1424), o então abade do mosteiro, D. Frei Fernando do Quental levou a efeito as obras pretendidas. Um pouco mais tarde, o abade D. Frei Gonçalo Ferreira beneficiou o castelo de algumas obras, entre as quais na torre de menagem, que lhe deram um carácter mais habitacional (1456).

Uma carta, na primeira metade do século XVI, refere as obras que João de Castilho devia executar nas casas do castelo. Em 4 de junho de 1537 uma carta do Cardeal Infante (Cardeal D. Henrique) a Pedro Videira, vedor do Mosteiro de Alcobaça, versa sobre a obra do castelo. Frei Manuel dos Santos refere que, até ao século XVI, os Abades Perpétuos tinham habitações no Castelo de Alcobaça e outras, de recreação, no Castelo de Alfeizerão.

No século XVII, no contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) tiveram lugar novas obras de reparo no castelo (1627). Nesta fase, a torre albarrã, a leste, passou a ser utilizada como cadeia, conforme Frei Manuel de Figueiredo.

Sendo a nomeação dos alcaides do castelo prerrogativa dos abades de Alcobaça, temos notícia de que Geraldo Pereira Coutinho, lente de prima e cânones da Universidade de Coimbra foi nomeado alcaide-mor do castelo, em 10 de novembro de 1701.

O terramoto de 1755 provocou danos irreparáveis no castelo, que perdeu, desde esta data, a função de alcaidaria, e a torre albarrã, que ruiu, de cárcere, deixando a então Vila de Alcobaça sem prisão, conforme Frei Manuel de Figueiredo.

Do século XIX aos nossos dias

Na primeira metade do século XIX, sob o reinado de Maria II de Portugal (1826-1828; 1834-1853), já sem função estratégica ou defensiva, extinto o Mosteiro (1834), o castelo passou para a posse da Câmara Municipal de Alcobaça que determinou arrasá-lo (1838), utilizando-o como pedreira para novas construções da vila. Até 1855, foram doadas e vendidas milhares de carradas de pedra diversa e cantaria. O castelo foi considerado como extinto nas Atas da Câmara Municipal (1854).

Em 1925 o terreno do antigo castelo foi adquirido a um particular de Aljubarrota, reaproveitando-se, três anos depois (1928), a antiga cisterna para depósito de distribuição de água potável.

Em 1956, a autarquia procedeu a obras de reconstrução parcial da muralha voltada para o Mosteiro, a partir de uma descrição deixada por Frei Fortunato Boaventura (1952-1953), bem como a obras de limpeza do monumento e da sua área envolvente, incluindo-lhe os acessos, no âmbito da visita a Alcobaça da rainha Isabel II do Reino Unido (1952-), que se efetuou no ano seguinte (1957). Na década de 1960 novos reparos de pequena monta foram efetuados (1965).

As “Ruínas do Castelo de Alcobaça” encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro.

Escavações arqueológicas realizadas no seu recinto num projeto de quatro anos iniciado em agosto de 2002, com fundos municipais, buscaram elucidar questões relativas à época e autoria da fundação do castelo. Os trabalhos foram coordenados pelos arqueólogos Jorge António e Manuela Pereira, à frente de um grupo de voluntários e alguns trabalhadores da autarquia.

Características

Trata-se de exemplar de arquitetura militar, nos estilos românico e gótico, de implantação urbana, na cota de 69 metros acima do nível do mar, junto à margem esquerda do rio Baça, do lado noroeste da povoação, dominando-a.

O castelo tem uma orientação noroeste/sudeste, uma área interna de cerca de 700 m² e apresenta planta retangular, afunilando, ligeiramente, para sudeste. Os seus muros eram reforçados por sete cubelos de planta quadrangular, quatro no alçado virado a nordeste e três no alçado a sudoeste, e mais um torreão destacado pelo lado oeste (torre de menagem), voltado para o Mosteiro. No século XVIII ainda eram visíveis quatro colunas no interior do castelo, o que parece sugerir que o pátio interno seria coberto, porventura, por uma estrutura de captação de água da chuva para a cisterna.

A cisterna, atualmente desativada, conserva, ainda, à superfície, a entrada e dois respiradouros. Ocupa uma área considerável, tem planta retangular e teto em dupla abóbada, separado por uma coluna central. A cisterna terá, certamente, na sua origem mais remota, outra de menores dimensões, coetânea da primeira fortificação edificada no local.

Sobranceira ao Mosteiro, localiza-se a torre de menagem, de planta retangular e com uma área de cerca de 30 m². Era também designada pelo “nome do Cardeal e homenagem”, sendo que Frei Manuel de Figueiredo referir-se-á, talvez, ao Cardeal D. Henrique. Possuía janelas nos alçados leste e sul e, no leste, ostentava uma imagem de Nossa Senhora da Pena encimando um brasão com quatro vieiras postas em aspa, que possivelmente terá pertencido ao Abade Frei Nicolau Vieira ou ao seu sobrinho, o alcaide Lançarote Gonçalves, nomeado em 1474.

A noroeste, entre a barbacã e o castelo, localiza-se a torre albarrã, também designada como "Torre dos Sete Sobrados", de planta quadrada, com uma área interna de cerca de 40 m² e ligava ao castelo por uma poterna, da qual hoje nada existe. No século XVIII, Frei Manuel de Figueiredo referiu que os vestígios que encontrou no local mostram que a torre ligava ao castelo também por um caminho subterrâneo.

À semelhança do castelo, a torre albarrã, e a torre de menagem foram edificadas com silhares de grés de grandes dimensões.

A barbacã apresentava planta ovalada, com entrada localizada a sudeste, sendo reforçada, no lado oeste, por quatro cubelos, um dos quais de planta quadrangular, virado a sudoeste, dois semicirculares, a norte, e outro, de maiores dimensões, de planta quadrada e que ainda conserva uma seteira, virado a nordeste. Os cubelos da barbacã estão estrategicamente localizados, no lado de mais fácil acesso.

O conjunto teria duas entradas, uma junto à torre albarrã, que foi posteriormente fechada, em data indeterminada, e outra, projetada para a entrada da barbacã, entre a torre de menagem e o cubelo virado a nordeste, com porta arqueada, encimada por uma janela.

A defesa era complementada ainda por um fosso, desaparecido.

Bibliografia

BRANDÃO, António (frei). "Crónica de D. Sancho I e de D. Afonso II", in REIS, A. do Carmo, "História Documental da Civilização - Antologia de Textos Históricos da Civilização Portuguesa", Athena.

LARCHER, Jorge das Neves. "Castelos de Portugal. Distrito de Leiria". Lisboa: 1933.

"Castelo de Alcobaça já foi uma prisão", in "Jornal de Leiria", 8 fev 2002.

MOREIRA, Cor. Bastos, "Monumentos de evocação militar - castelo de Alcobaça", in "Jornal do Exército", Lisboa, Maio 1972;

PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme, "Portugal Diccionário (v. I)", Lisboa, 1904;

SEQUEIRA, Gustavo de Matos, "Inventário Artístico de Portugal", Lisboa, 1955.

FIGUEIREDO, Frei Manuel de (1780). Arte e Arqueologia, Ano I, n.º 4: 225.

  • Castle of Alcobaça


  • Castle





  • Portugal


  • Semiconserved Ruins

  • National Protection
    As “Ruínas do Castelo de Alcobaça” encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Leiria
    City: Alcobaça



  • Lat: 39 -34' 59''N | Lon: 8 58' 57''W










Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Castle of Alcobaça