Fort of Nossa Senhora da Guia

Cascais, Lisboa - Portugal

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O “Forte de Nossa Senhora da Guia”, atual “Edifício do Laboratório Marítimo da Guia (Cascais)”, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Cascais e Estoril, no concelho de Cascais, distrito de Lisboa, em Portugal.

Situado sobre a laje do Ramil, local de desembarque das tropas espanholas sob o comando de Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, 3.º duque de Alba de Tormes em 28 de julho de 1580, junto ao local onde se erguiam a ermida de Nossa Senhora da Guia (a oeste) e um antigo facho, foi edificado no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), integrando a 1.ª linha de fortificações da barra do Tejo, que se estendia do cabo da Roca até à Torre de Belém para defesa da cidade de Lisboa.

História

Foi erguido por determinação do Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), sob a supervisão do Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1596-1675), 3.° conde de Cantanhede. Tendo em conta as suas linhas barrocas, acredita-se que o seu projeto possa ser de autoria dos engenheiros militares franceses Charles Lassart ou Phillipe Guiteau. Iniciado em 20 de junho de 1642, conforme inscrição epigráfica sobre o Portão de Armas. Estava operacional já em 1646, provido de artilharia e com uma guarnição composta por um cabo, três artilheiros e doze soldados. Era então referido como Baluarte da Lajem do Ramil ou do Romel.

Findo o conflito, em 1675 estava artilhada com 4 peças de bronze, dos calibres 18, 12, 10 e 8, e 4 de ferro, e a sua guarnição estava reduzida a 1 cabo e 2 soldados. À época, a trincheira desenvolvida junto à laje do Ramil já se encontrava arruinada em alguns dos seus troços, e existe referência documental aos parapeitos exteriores que defendiam a laje do Ramil.

Data de 1693 uma planta levantada pelo arquiteto militar Mateus do Couto, onde já é referido como Forte de Nossa Senhora da Guia.

Encontrava-se artilhado e guarnecido (1707) e bem conservado (1735). Posteriormente necessitava de reparação nos alojamentos da guarnição, na casa da guarda, na porta principal e na secundária (1751).

O terramoto de 1 de novembro de 1755 causou danos aos quartéis e à casa da guarda. O relatório de inspeção do forte em 1758 indicou que os danos ainda se encontravam por reparar.

Acredita-se que tenham decorrido trabalhos de recuperação na década de 1760, uma vez que, em 1777 encontrava-se em bom estado de conservação, e estava artilhado com 4 peças do calibre 12.

Entre 1793 e 1796 registou-se profunda renovação e modernização do forte: foram construídos merlões e abertas seis canhoeiras, duas viradas à laje do Ramil e quatro ao oceano. Procedeu-se a remodelação da organização interna da casa-forte, tendo-se demolido o muro que separava os compartimentos a leste, estreitado o espesso muro que dividia os compartimentos do lado oeste, e construída, na perpendicular, de uma parede divisória em cada um deles, criando-se assim quatro salas. Foram construídas quatro guaritas, duas nos cunhais noroeste e nordeste e outras duas, em posição assimétrica, no parapeito da bateria. Data de 1796 a planta executada pelo engenheiro militar Maximiano José da Serra. Nesta data a guarnição era composta por 1 cabo e 2 soldados, efetivos, e a artilharia era de 4 peças de ferro do calibre 12. Datará também desse período uma planta do 2.º Tenente Engenheiro Curvo Semedo, que regista: "Tem guarnição, artilheria, e palamenta, e Pesas de ferro calibre 12 ... 4 ".

Em setembro de 1805 o forte passou a ser guarnecido maioritariamente por militares inválidos.

A partir de fins de 1813 passou a ser guarnecido maioritariamente por militares veteranos.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) em 1829 necessitava obras de beneficiação, a saber reparação das portas do armazém e entrada, reboco das canhoeiras e muros e o restauro de peças de artilharia. Em 1831 encontrava-se em estado de ruína parcial, sendo que as obras de restauro eram orçadas em 264$00 reis (182$350 reis, caso fossem realizados por artífices militares). Em janeiro de 1832 um orçamento suplementar para a recuperação da casa da guarda que estava bastante arruinada, apresentava o valor de 54$000 reis (38$500 reis, caso fossem realizados por artífices militares). Procedeu-se o restauro das peças de artilharia do calibre 12 nos Arsenais de Lisboa. Os reparos estavam concluídos no ano seguinte (1832), assinalando-se o fato com o acréscimo do ano na primitiva inscrição epigráfica sobre o Portão de Armas. Neste momento a sua guarnição era composta por 1 oficial, 1 cabo, 4 soldados de infantaria e 8 artilheiros.

Abandonado pelas forças miguelistas (1833) a guarnição do forte ficou reduzida a apenas 1 cabo e 1 sargento até 1843 quando foram transferidos. Em 1854 eram consideradas indispensáveis reparações urgentes nos quartéis, casas da palamenta e paiol. Posteriormente, em 1868 encontrava-se desguarnecido, ainda em relativo bom estado, e habitado por funcionários da Estação Semafórica da Guia.

Entre 1900 e 1919 sucederam-se diversos pedidos para arrendamento do forte. Em 1903 os parapeitos exteriores (linha de fuzilaria ocidental) foram adquiridos pelo conde de Moser, proprietário da Quinta da Marinha, que os mandou desmantelar. O forte foi colocado em hasta pública em maio de 1920, após o que passou a ser alugado. Data de 19 de julho de 1926 um auto de despejo de um particular. Nesse mesmo ano, em agosto, a Direcção-Geral do Ensino Superior manifestou interesse junto ao Ministério da Guerra para arrendar o forte para fins científicos. Nesse sentido, foi formulado projeto de obras, de autoria do arquiteto Frederico Carvalho, para instalação, no forte, da Estação Zoológica Marítima experimental do Museu Bocage da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, nomeadamente na antiga bateria, e construção de várias dependências (27 de junho de 1927). Finalmente, a 1 de janeiro de 1928 registou-se o arrendamento oficial do forte e terrenos anexos à Faculdade de Ciências de Lisboa / Museu Bocage para instalação da Estação Zoológica Marítima da Guia. As obras de adaptação do forte a laboratório de investigação – nas quais também interveio o Ministério das Obras Públicas – iniciaram-se ainda em 1928, sob Arthur Ricardo Jorge, então diretor do Museu Bocage, prolongando-se por vários anos até 1956.

Em 1939 registou-se a transferência do forte para a Direcção-Geral da Fazenda Pública e, em 1942, a cedência definitiva do forte à Universidade de Lisboa, com vista à instalação da Secção Marítima do Museu Bocage. A primeira fase de ampliação foi autorizada em 1950, mas apenas depois de 1956 foi possível dotar o espaço de eletricidade.

A 9 de abril de 1974 Luiz Vieira Caldas Saldanha, responsável pelo Laboratório Marítimo da Guia (1974-1997) solicitou a proteção legal do forte, o que foi obtido com a classificação como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República de 29 de setembro. Encontra-se incluído na Área Protegida de Sintra-Cascais.

Na década de 1980 procederam-se a várias obras de conservação, como a impermeabilização da cobertura e o arranjo de janelas e portões.

Desde 2015 passou a integrar o MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, com a extinção do Centro de Oceanografia.

Apesar das transformações e consequentes acrescentos algo inestéticos e descaracterizadores, o antigo forte mantém alguma da sua traça original e adapta-se ao funcionamento do laboratório que o ocupa.

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento peri-urbano, marítimo, isolado. Implanta-se numa falésia sobre o oceano Atlântico, apresentando frontal à bateria plataforma avançada, com pilares de sustentação assentes nos afloramentos rochosos, entre o Farol da Guia e a Lage do Ramil.

Apresenta planta retangular composta pelo corpo dos antigos alojamentos, entretanto ampliados, virado a terra, sensivelmente a nordeste, encimados por plataforma com parapeito, e pela plataforma retangular, tipo bateria, encurtada, virada a sudoeste., tendo adossado a oeste plataforma quadrangular. Volumes escalonados de tendência horizontal, com coberturas planas em cantaria. Cortinas baixas com paramentos em talude, rebocados a argamassa tradicional de cal e areia, possuindo nos ângulos flanqueados virados a terra, guaritas cilíndricas, assentes em mísulas de anéis escalonados, recobertas por cúpula e rasgadas lateralmente por frestas de tiro. Cortina virada a terra com remate em parapeito liso, alteado na zona central, onde se rasga o portal, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, enquadrado por dois gigantes em cantaria, que avançam dos paramentos; sobre o portal surge lápide retangular inscrita e escudo real. Cortina virada a sudeste de dois panos, o maior com "costura" central, denotando a ampliação dos antigos alojamentos, terminado em parapeito liso, atualmente rasgado com janelas de peitoril, sem moldura e formando capialço, as da zona acrescentada encimadas por gárgulas da plataforma superior; a plataforma baixa remata em parapeito com merlões e canhoneiras e tem rasgado portal em arco de volta perfeita sobre pilastras. A sudoeste, ambos os volumes terminam em parapeito com merlões e canhoneiras, sob as quais se rasgam janelas de peitoril ou portas, sem moldura, em número de três no corpo superior e de cinco na plataforma inferior. A plataforma adossada a oeste encontra-se atualmente fechada, abrindo-se a sudoeste janela de peitoril.

O forte tinha inicialmente dois amplos compartimentos virados a terra, ocupados pelo quartel, armazém e o paiol, um deles seccionado em quatro, ladeando o trânsito, por onde se acedia à bateria e ao exterior. A bateria era percorrida a leste, sul e oeste por um parapeito liso, de onde se disparava artilharia à barbeta, integrando uma guarita a leste e a oeste; neste lado tinha ainda escada adossada de acesso ao terraço sobre os aquartelamentos, que servia para fazer fogo a fuzil.

A inscrição epigráfica sobre o Portão de Armas reza:

O MVI ALTO E PODEROSO REI D. JOÃO O IIII DE PORTVGAL NOSSO SENHOR MANDOV FAZER ESTA FORTIFICAÇÃO SENDO GOVERNADOR DAS ARMAS DESTA PRAÇA D. ANTÓNIO LUÍS DE MENEZES E SE COMEÇOV EM 20 DE JVNHO NA ERA DE 1642 R.T.E. ANO 1832

  • Fort of Nossa Senhora da Guia

  • Baluarte da Lajem do Ramil, Edifício do Laboratório Marítimo da Guia (Cascais)

  • Fort

  • 1642 (AC)

  • 1646 (AC)



  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República de 29 de setembro. Encontra-se incluído na Área Protegida de Sintra-Cascais.







  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Cascais



  • Lat: 38 -42' 18''N | Lon: 9 27' 9''W




  • 1675: 4 peças antecarga, de alma lisa, de bronze, dos calibres 18, 12, 10 e 8, e 4 de ferro.
    1777: 4 peças antecarga, de alma lisa, do calibre 12.
    1796: 4 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, do calibre 12.






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