Fort of São Pedro de Milreu

Mafra, Lisboa - Portugal

O “Forte de São Pedro de Milreu”, também referido como “Forte de Milreu” e “Forte da Ericeira”, localiza-se na povoação da Ericeira, no concelho de Mafra, distrito de Lisboa, em Portugal.

A escolha de Milreu para erigir uma fortificação prendeu-se ao fato de este local ser ideal para defender o acesso marítimo à Ericeira pelo norte, ao mesmo tempo que permitia evitar desembarques na baía de Ribeira de Ilhas.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação da região remonta aos Fenícios, por volta do ano 1000 a.C..

À época da invasão romana da península Ibérica, no local de Furnas terá existindo um santuário em honra da deusa Ericina, cultuada originalmente no monte Erix, na Sicília.

No contexto da Reconquista cristã, por volta de 1190, sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211), dada a importância da atividade pesqueira na povoação, o soberano concedeu ao povo da Ericeira o direito de se autogovernar.

Mais tarde, no reinado de Sancho II de Portugal (1223-1248) o frei D. Fernão Monteiro, Grão-Mestre da Ordem de Avis, institui o Concelho de "Eyrizeira" por carta de foral passada em 1229.

No testamento da donatária, D. Maria Anes de Aboim, em 1337, lê-se o nome da povoação como "Erizejra". Ainda nesse século foi confirmado o foral à vila em 1369 que, no reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) recebeu o Foral Novo em 1513.

Data deste período, no início do século XVI, a primitiva fortificação da vila: a 12 de agosto de 1505, Pedro Anes solicitou à Câmara da Ericeira que concorresse para as obras do porto de mar, compreendendo uma torre com respectiva muralha e outras construções apropriadas para a defesa.

Na sequência desse projeto, em 21 de agosto de 1507 o soberano determinou à Câmara que avaliasse os bens dos moradores, com vistas ao lançamento de uma taxa destinada às obras do cais do porto, empregando-se cantaria de pedra. Face aos custos envolvidos, a Câmara contrapropôs que as mesmas fossem realizadas em alvenaria, menos dispendiosa.

Em 1589 D. António, prior do Crato, fez uma tentativa malsucedida de desembarque de tropas no Forte dos Mil-Regos (Forte do Milreu).

O atual forte

Com o fim da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), em 1670 empreendeu-se a construção do Forte de São Pedro. As obras estariam concluídas em 1675, de acordo com o relatório então elaborado a propósito da visita de inspeção do Marechal-de-Campo, D. João de Mascarenhas, 1.º marquês de Fronteira, registando-se a ausência de artilharia e guarnição. Em 1680 o forte já contava com guarnição, sendo o seu primeiro governador o cabo Domingos Luís.

Em 1706 era seu governador Francisco de Almeida Carvalho e, em 1735, o cabo José de Mendonça, momento em que se encontrava guarnecido e artilhado com 7 peças.

De acordo com o relatório do sargento-mor Filipe Rodrigues de Oliveira em 1751, devido ao rigoroso Inverno o forte encontrava-se arruinado, necessitando de serem reconstruídos os parapeitos das baterias, assim como as duas guaritas e colocadas novas portas e janelas. Na sequência dos estragos causados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755, o forte recebeu obras de reparação.

De acordo com o relatório do coronel José Matias de Oliveira Rego em 1796, subsistia a ruína de algumas partes da fortificação, nomeadamente da escada de acesso ao terraço, sendo a guarnição composta por 7 soldados e 5 artilheiros, e a artilharia 1 peça de bronze e 5 de ferro em bom estado de conservação.

O século XIX

Em 1806 o forte foi desguarnecido e desartilhado.

Posteriormente, a Câmara Municipal solicitou auxílio ao soberano (3 de janeiro de 1819) visando a reconstrução da muralha do cais, desmoronada por ação do mar. Ainda no mesmo ano, João Gaudêncio Torres foi nomeado inspetor da obra (14 de junho). Entretanto, já em 1821 o forte encontrava-se abandonado e em avançado estado de ruína.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), de 1831 a 1832 recebeu obras de recuperação, que implicaram nomeadamente no arranjo dos paióis, das casas de palamenta e a construção de chaleiras. Em 1832 estava guarnecido por forças miguelistas e artilhado, de prontidão contra um possível desembarque dos liberais neste trecho da costa.

Nos anos de 1853 e 1867 encontrava-se desguarnecido e desartilhado.

Um requerimento endereçado ao Ministro da Guerra em 1871 solicitou a utilização de algumas das lajes do forte para restauro da Igreja de São Pedro da Ericeira. No ano seguinte (1872) registou-se a entrega do material bélico que ainda restava na fortificação e disponibilizaram-se as lajes para a Igreja de São Pedro.

Em 1880, por ordem superior, a artilharia de bronze ainda existente no forte foi recolhida a Lisboa, sendo a artilharia de ferro enterradas em diversos locais.

Nos anos de 1883, 1886 e 1896 regista-se o desabamento de partes da muralha do forte.

Em 1891 a Guarda Fiscal instalou-se nas dependências do forte e na edificação anexa (antiga residência do governador do forte), onde funcionara até então uma escola primária do sexo feminino e igualmente servido temporariamente como local de ensaio da Filarmónica da Ericeira.

Do século XX aos nossos dias

No início do século XX o antigo forte foi reartilhado por determinação de Manuel II de Portugal (1908-1910) mas, com o fim da Monarquia (1910), entraria novamente em processo de decadência.

Em 17 de julho de 1940 deu-se início à construção da muralha subjacente ao forte. No ano seguinte o imóvel deixa oficialmente de ser considerado fortificação militar, passando para o Ministério das Finanças. Nesse mesmo ano (1941), em maio, concluiu-se a muralha subjacente ao forte. Ainda nesse período o forte foi entregue à Junta de Turismo da Ericeira (1945), registando-se a autorização da Direcção Geral de Turismo para a realização de obras de adaptação a miradouro que não chegaram a concretizar-se (1946).

Mais tarde sucederam-se ainda projetos para a instalação de uma casa de chá (1970), de uma pousada (assinado pelo Arquiteto António Pinto de Freitas, em 1973), de um café-restaurante (apresentado à Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, 1985), e de um café-concerto (apresentado à Junta de Turismo da Ericeira), nenhum dos quais tendo-se materializado.

Encontra-se incluído na “Zona Envolvente do Forte do Milreu”, classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.

O forte voltou a ser objeto de obras de conservação quando a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu à reconstrução da muralha e ao assentamento de cantarias nos vãos e de lajedo no pavimento do terraço superior (1984).

Atualmente conservam-se os seus espaços mais importantes: a bateria, formada por uma ampla esplanada voltada para o mare a casa-forte, pelo lado de terra, composta por compartimentos abobadados.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo maneirista, de enquadramento rural, isolado, na cota de 9 metros acima do nível do mar.

Apresenta planta retangular, composta por uma bateria a norte com 5 canhoneiras e 2 guaritas de planta circular com cobertura cónica, e pelos quartéis (3), a sul.

Na fachada norte foi rasgado um arco pleno ladeado por duas janelas, sendo uma delas encimada por pequeno vão triangular. A fachada sul (da casa-forte), apenas com uma moldura simples a contorná-la no plano superior, é rasgada por vão em arco de volta perfeita. A leste desenvolve-se escada em alvenaria, de lanço reto, conducente ao terraço delimitado por parapeito para a defesa de tiro de fuzil, que encima a casa-forte. Junto ao arranque da escada, guarita de corpo cilíndrico e cobertura cónica, idêntica à que se situa no ângulo noroeste. O interior é recoberto por abóbada.



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Contribution

Updated at 13/07/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Mafra



  • Lat: 38 -60' 59''N | Lon: 9 25' 14''W










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