Castle of Cera

Tomar, Santarém - Portugal

O “Castelo de Cera”, também referido como “Castelo de Ceras”, ter-se-á localizado na margem direita do rio Tejo, na freguesia de União das Freguesias de Casais e Alviobeira, concelho de Tomar, distrito de Santarém, em Portugal.

Existem divergências acerca da sua localização. Manuel Osório, em finais do século XIX, considerava que “senhores de Cera, os freires da Ordem do templo de D. Gualdim julgaram azado aquelle logar para estabelecerem alli a capital da sua Ordem; e para defeza d’esta, levantaram nas ruínas do antigo castro de Cera o magestoso castello de Thomar”. (OSÓRIO, Manuel. “O castelo de Almourol”, in "Revista de Engenharia Militar", 1896-1897, s.p.)

A historiografia portuguesa do século XX, baseada sobretudo na obra de Sousa Viterbo, tem-se inclinado para a existência de um castelo de Cera, localizado perto da atual aldeia de Ceras, embora sem indicarem o local desses vestígios.

Barroca sustenta que os cavaleiros optaram pela escolha de Tomar “abandonando definitivamente a ideia de reconstruir o velho e arruinado castelo de Ceras”. (BARROCA, Mário Jorge. “A Ordem do Templo e a Arquitectura Militar Portuguesa do Século XII”, in "Portugália, Nova Série", Instituto de Arqueologia, FLUP, Porto, Vols. XVII-XVIII, 1996/1997, p. 191.)

Mais recentemente OLIVEIRA sustenta:

Assim, nada nos garante efectivamente que o castelo de Cera não seja o próprio castelo de Tomar, até por que não faria muito sentido que D. Afonso Henriques propusesse aos Templários a troca de Santarém, uma das mais importantes cidade da época, por um castelo em ruínas. Em suma, no nosso entender, nada obsta a que esse castelo fosse o de Tomar, o qual já deveria ter, à data da doação, alguma edificação militar e talvez uma razoável presença humana.” (OLIVEIRA, Nuno Villamariz. "Castelos da Ordem do Templo em Portugal, 1120-1314", vol. I, p. 158 e nota 129.)

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da região de Tomar remonta à pré-História, conforme os testemunhos arqueológicos. Em tempos históricos, destacaram-se as povoações de Nabância, fundada pelos Túrdulos desde 480 a.C., e de Sélio, fundada pelos Romanos à época do imperador Augusto, no século I. Posteriormente a região foi sucessivamente ocupada pelos Visigodos e pelos Muçulmanos.

O castelo medieval

À época das Cruzadas, foram fundados em Jerusalém duas grandes ordens militares, visando a defesa dos interesses e proteção dos peregrinos cristãos na Terra Santa: a Ordem de São João de Jerusalém (ou do Hospital) (1113) e a Ordem dos Templo (1118).

Em 1127, um dos cavaleiros da Ordem do Templo visitou a Península Ibérica com o objetivo de recrutar membros e de levantar apoio financeiro. Atendendo a esse apelo, a condessa de Portugal, D. Teresa de Leão, fez a doação, aos cavaleiros da Ordem, de Fonte Arcada, a que juntaria, em 1128, o Castelo de Soure e seus domínios, em troca da colaboração dos Templários na conquista de território aos Muçulmanos. Posteriormente, em 1145, sendo Mestre da Ordem em Portugal, Hugues de Montoire, Fernão Mendes de Bragança II, "tenens" da Terra de Chaves e senhor de Bragança, cunhado de Afonso I de Portugal (1143-1185), doou à Ordem o Castelo de Longroiva.

Nos idos de 1144, uma ofensiva Muçulmana conquistou e destruiu o Castelo de Soure. Os Templários que conseguiram escapar reuniram-se na Primavera de 1147 às forças de D. Afonso I que se preparavam para a conquista de Santarém. Como recompensa pelo auxílio nesta campanha, receberam do soberano os rendimentos eclesiásticos da terra conquistada; mas meses depois, integrada também Lisboa na posse cristã, o sacerdote inglês Gilberto, primeiro bispo da restaurada diocese lisbonense, contestou a validade daquela doação, travando-se demorado litígio, que só terminou mais de dez anos depois, quando o próprio monarca harmonizou os desavindos, cedendo àquele prelado o benefício que disputava e doando aos Templários, na pessoa do seu Mestre no reino, então D. Gualdim Pais, o Castelo de Cera ("castrum Cera") com seu vasto termo, junto à atual ribeira de Ceras, a cerca de duas léguas a nor-nordeste do lugar de Alviobeira.

O papa Adriano IV colaborou e aceitou expedindo a bula "Justis potentium sideriis", dirigida à Ordem do Templo, em que a autorizou a construir igrejas no lugar de Cera sob a proteção da Santa Sé, em virtude da ampla faculdade dos seus cavaleiros. (Visconde de Santarém. "Quadro Elementar Das Relações Politicas E Diplomaticas De Portugal Com As Diversas Potencias Do Mundo Desde O Princípio Da Monarchia Portuguesa Até Nossos Dias". Paris: Casa J. P. Aillaud, 1853. t. VIII, p. 10.)

O termo régio de concórdia, lavrado em fevereiro de 1159, definiu o âmbito das terras doadas, limitadas por uma linha imaginária que, partindo do rio Zêzere para leste-oeste, na direção de Murta, a cerca de seis quilómetros ao norte de Ceras, prosseguia para Freixianda e, daqui para o sul e sul-sudoeste alcançava inicialmente um vau no médio curso do rio Nabão (então denominado como rio Tomar), que permitia a passagem daquele trecho do rio na antiga estrada romana, que se estendia de Santarém a Coimbra ("et inde venit ad portum de Thomar qui est in strata de Colimbria ad Santarém") e, posteriormente, outro vau, agora na ribeira de Ourém ("et inde per portum de Ourens"). Costeando o termo de Leiria, a linha seguia para a ribeira de Bezelga e, voltando-se a sudeste e a leste acompanhava aquele curso de água, afluente do rio Nabão, o próprio Nabão até à sua confluência com o rio Zêzere ("et inde per lombum de Santarém… ad Bezelga et descendit ad Thomar et inde in Ozezar") e do Zêzere para o norte de volta ao ponto de partida.

O Castelo de Tomar

Era imperativa a operação de uma fortificação na região, destinada a complementar a linha defensiva do acesso por Santarém à então capital, Coimbra. Ao fim de um ano no Castelo de Cera, que se encontrava arruinado, Gualdim Pais decidiu-se pela construção de um novo castelo, em local mais adequado.

Ver Castelo de Tomar

Bibliografia

OLIVEIRA, Nuno Villamariz. Os Castelos da Ordem do Templo em Portugal 1120-1314 (2 vols.), Tese de Mestrado de História da Arte apresentado à Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 2000.

CAPÊLO, José Manuel. As Sedes Templárias em Portugal, Castelo Branco, a Cidade-Capital Templária de Portugal: de 1215 a 1314, Codex Templi, cap. VII, pp. 177-178.



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Updated at 16/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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