Castle of Tomar

Tomar, Santarém - Portugal

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O “Castelo de Tomar” localiza-se na margem direita do rio Nabão, na freguesia de União das Freguesias de Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais, na cidade e concelho de Tomar, distrito de Santarém, em Portugal.

Castelo templário, integrou a chamada “Linha do Tejo”, juntamente com outros na região que lhe acompanham o estilo: os de Almourol, Idanha, Monsanto, Pombal e Zêzere.

História

Antecedentes

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, Afonso I de Portugal (1143-1185) concedeu aos cavaleiros da Ordem do Templo a defesa das linhas de comunicação que conduziam à então capital do reino, Coimbra. Nesse processo, por carta régia de doação datada de 1159, a Ordem entrou na posse de um vasto território entre os rios Mondego e Tejo, cujo centro nevrálgico era, precisamente, Tomar.

Ver Castelo de Cera

O castelo medieval

Afirmando-se imperativa a operação de uma fortificação destinada a complementar a linha defensiva do acesso por Santarém a Coimbra, ao fim de um ano no arruinado Castelo de Cera, o Mestre da Ordem dos Templários em Portugal, D. Gualdim Pais, filho de Paio Ramires, decidiu-se pela construção de um novo castelo, em local mais adequado, e que viria a tornar-se a sede da Ordem no país.

Não se sabe com certeza qual a razão que levou à opção por Tomar, em lugar da reforma do castelo de Cera. Alguns estudiosos afirmam que o novo sítio, em um outeiro à margem direita do rio Tomar (atual Nabão), dominando uma planície, era estrategicamente mais vantajoso. Outros argumentam que o sítio foi escolhido considerando a sua posição na linha que, em relação ao Meridiano de Paris, forma um ângulo de 34°, comum nos projetos arquitetónicos da Ordem, correspondente à diagonal da relação de 2/3 observada na constelação de Gêmeos, um dos símbolos Templários.

De qualquer modo, a construção iniciou-se em 1 de março de 1160, conforme inscrição epigráfica na torre de menagem. Na mesma época, iniciou-se a construção da Charola, posteriormente adaptada a Capela-mor, uma das edificações templárias mais importantes no Ocidente. Nesses trabalhos foram reaproveitados diversos materiais da antiga “civitas” romana de "Selium", às margens do Nabão.

Diante do compromisso de promover o povoamento da região, D. Gualdim Pais concedeu o primeiro foral ao termo de Tomar já em 1162, documento posteriormente confirmado em 1174, o que atesta uma efetiva preocupação em dotar o local de condições mínimas de defesa, povoamento e dinâmica sócioeconómica. Em 1165 a Ordem recebeu ainda os domínios de Idanha e de Monsanto, sendo-lhe prometido, em 1169, um terço das terras que viessem a conquistar ao sul do rio Tejo. No ano seguinte (1170), a chamada “Linha do Tejo” foi reforçada com a construção do Castelo de Almourol.

Duas décadas mais tarde, sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211) a contraofensiva Almóada, sob o comando do califa Abu Iúçufe Iacube Almançor (1184-1199), após reconquistar o Castelo de Silves e o Algarve, avançou para o norte conquistando sucessivamente os castelos de Alcácer do Sal, Palmela e Almada (1190-1191). Transpôs em seguida a Linha do Tejo, cercando Santarém, destruindo Torres Novas e Abrantes até alcançar Tomar, que, sob repetidos assaltos, resistiu durante seis dias defendida pelos Templários, quebrando o ímpeto do invasor. Nesta ocasião, os muçulmanos forçaram a porta do sul e penetraram na cerca exterior. A defesa Templária foi de tal forma encarniçada que essa porta ficou conhecida como "Porta do Sangue".

Diante da extinção da Ordem pelo Papa Clemente V (1312), Dinis I de Portugal (1279-1325) acautelou a posse dos bens dela no reino. Para melhor administrá-los, criou a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo (1321), inicialmente com sede em Castro Marim, no Algarve, transferindo-lhe o património da antiga Ordem. Poucos anos mais tarde, entretanto, a sede da nova ordem foi transferida para Tomar (c. 1338).

O Infante D. Henrique, na qualidade de Governador da Ordem de Cristo, terá tido residência no Castelo de Tomar. Posteriormente, o castelo foi objeto da atenção de Manuel I de Portugal (1495-1521) e de João III de Portugal (1521-1557) através de obras de restauração e reforço, quando foi ampliado o Convento de Cristo. Por ordem do primeiro, a população intramuros foi obrigada a transferir-se para a vila, junto ao rio (1499), e foi entaipada a porta de Almedina; posteriormente, por volta de 1533, a rainha D. Catarina pretendeu adaptar a alcáçova do castelo e o paço henriquino a palácio privativo; foram promovidas adaptações no interior da chamada “Torre do Relógio”, que passou a ser conhecida como “Torre da Rainha”. A verga da porta da cisterna existente na Torre da Rainha tem inscrita a data de 1536.

Do século XVII aos nossos dias

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) para se construir a portaria filipina foi demolida a torre do ângulo noroeste da cortina (1618). Os ornamentos para esta entrada foram executados por volta de 1620.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), Tomar foi ocupada por tropas francesas em junho de 1808.

A extinção das Ordens Religiosas em Portugal (1834) atingiu também a Ordem de Cristo, sendo a maior parte dos seus bens expropriados e vendidos em hasta pública. Uma parte foi adquirida por António Bernardo da Costa Cabral, conde e marquês de Tomar, que aqui viria a estabelecer residência.

A vila de Tomar foi elevada à categoria de cidade por alvará de Maria II de Portugal (1826-1828 e 1834-1853), em 13 de fevereiro de 1844.

Em fins do século XIX o conde de Tomar empreendeu o restauro de um trecho de muralha no lado sul.

O conjunto encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP e a Zona "non aedificandi" encontram-se definidos por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 265, de 14 de novembro.de 1946. Encontra-se classificado como Património da Humanidade, pela Assembleia Geral da UNESCO de 27 a 30 de junho de 1983.

A residência privada do conde e marquês de Tomar foi readquirida pelo Estado à família em 1933. A intervenção do poder público na conservação do conjunto iniciou-se em 1934, por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), com o restauro do muro e ameias entre as portas do Sol e de Santiago, a redução do talude da alcáçova em 15 x 12m, a fim de facilitar o acesso, e a demolição da bandeira existente sobre o portão da Porta do Sol.

Em 1935 os trabalhos de regularização de um terreno de mata, executados pela Brigada Agrícola, provocaram a derrocada de uma parte do alambor sob a Torre da Condessa. No ano seguinte (1936) a DGMEN procedeu a reconstrução da sapata da torre.

Entre 1939 e 1944 tiveram lugar obras de reconstrução das muralhas, incluindo a escavação de caboucos, escavação de terras e escolha de materiais aproveitáveis. As placas de betão armado foram encobertas.

Em 1947 registou-se a cedência da Torre da Rainha para arrecadação das alfaias agrícolas e a instalação de residência para um guarda na Torre da Condessa.

Da segunda metade da década de 1950 à primeira metade da década de 1960 foram empreendidas diversas intervenções no conjunto, com destaque para a iluminação exterior do castelo.

Em 1973 foram procedidos trabalhos de restauro no piso do adarve no troço de muralha entre a Porta do Sol e a Torre da Rainha.

Na segunda metade da década de 1980 novas intervenções pontuais tiveram lugar no conjunto, com destaque, no biénio 1986-1987 para a realização de trabalhos arqueológicos na Alcáçova e zona envolvente.

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, I Série-A, n.º 126, de 1 de junho. Nesse mesmo ano, em março, procedeu-se a elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Entre 1996 e 1998 foram empreendidos novos trabalhos arqueológicos na Alcáçova e nos Paços do Infante (1.ª fase), cuja recuperação teve lugar entre 2003 e 2006 (2.ª fase).

Características

Exemplar de arquitetura militar nos estilos românico, gótico e renascentista, de enquadramento urbano, isolado. Alguns autores apontam a presença de vestígios indicativos de uma estrutura militar anterior, que poderia remontar à época romana e que teria perdurado até à época muçulmana, referindo a presença, no aparelho dos muros, de algumas placas decorativas, de cronologia visigótica ou moçárabe, provavelmente oriundas da “civitas” de “Selium” (atual freguesia de Santa Maria dos Olivais), à margem esquerda do rio Nabão.

De planta irregular, é composto por uma dupla cintura de muralhas, que delimitavam o primitivo burgo intramuros e a praça de armas:

• uma num plano superior, de planta poligonal irregular, com algumas faces curvas, nascendo junto à entrada da Casa do Capítulo e terminando na Torre de Dona Catarina. Delimita a alcáçova e mantém apenas a cisterna e a torre de menagem no seu interior, figura defensiva introduzida em Portugal pelos Templários e que tem, aqui, o seu testemunho mais antigo;

• outra num plano inferior, ligando a fachada leste da Charola à zona sul da alcáçova, que correspondia à vila fortificada da Baixa Idade Média. Também apresenta planta poligonal irregular, desenvolvendo-se em cunha no sentido leste, rematada numa grande torre de planta retangular, denominada Torre da Rainha. Esta cintura incorpora um outro elemento defensivo também introduzido pelos Templários no país: o alambor. Este consiste no embasamento dos muros em rampas, destinadas a impedir a aproximação das torres de assalto e a dificultar os trabalhos de sapa e mina, bem como a eliminar ângulos mortos na base das muralhas, tendo sido empregado em Tomar circundando toda a muralha.

Essas muralhas eram reforçadas a espaços regulares por cubelos de plantas semicircular e quadrangular, na tipologia importada pelos Templários do Oriente, que a ele recorreram na Terra Santa.

Ingressando pela Porta de Santiago e ultrapassando-se a Porta do Sol surgem, à direita, a alcáçova e a torre de menagem. Abre-se então o terreiro que vai dar à Charola. Para sudoeste, outro terreiro, rematado pela Torre de Dona Catarina. A muralha prossegue, amparada em torreões, até à Porta do Sangue e à Torre da Condessa, de planta circular. Para o norte, observam-se outras torres com plantas em diversos feitios. Ultrapassada a Charola, abre-se a Porta de São Martinho, infletindo a muralha, sempre amparada por torres e cubelos, de novo em direção à alcáçova.

Apesar das múltiplas alterações que tiveram lugar no recinto fortificado ao longo dos séculos, a maior parte delas relacionada com as sucessivas campanhas de alargamento do Convento de Cristo no setor oeste, são ainda numerosos e significativos os elementos românicos do castelo. Entre eles destaca-se a torre de menagem, com planta no formato retangular dividida internamente em 3 pavimentos. No segundo pavimento encontra-se uma inscrição em latim, repetida na lápide comemorativa do cerco muçulmano de 13 de julho de 1190 na escadaria que leva ao terreiro da Charola, informando ao visitante:

E. M. LC. XXXV : Regnante : Alphonso Illustrissimo Rege Portugalis: Magister Gualdinus : Portugalensium Militum Templi : cum fratribus suis Primo die Marti : cepit : edificare Hoe Castellum : Nomine Thomar ; quod Prefatus Rex obtuli Deo : et Militibus Templi.” (“Na era de 1198 [1160 da era de Cristo], reinando Afonso, ilustríssimo rei de Portugal, D. Gualdim, mestre dos cavaleiros portugueses do Templo, com os seus freires, começou no primeiro dia de Março a edificar este castelo, chamado de Tomar, que, acabado, o rei ofereceu a Deus e aos cavaleiros do Templo.”)

Um funicular ligando a Capela de São Gregório ao castelo foi proposto por um particular em 2010 e rejeitado pela edilidade.

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  • 1160 (AC)


  • Gualdim Pais

  • Afonso I de Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    UNESCO World Heritage
    O conjunto encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP e a Zona "non aedificandi" encontram-se definidos por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 265, de 14 de novembro.de 1946. Encontra-se classificado como Património da Humanidade, pela Assembleia Geral da UNESCO de 27 a 30 de junho de 1983.



  • +351 249 313 481


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Santarém
    City: Tomar



  • Lat: 39 -37' 48''N | Lon: 8 25' 10''W



  • De outubro a maio: 09:00 às 17:30 (última entrada às 17:00)

    De junho a setembro: 09:00 às 18:30 (última entrada às 18:00)

    Encerra a 1 de janeiro, 1 de março, Domingo de Páscoa, 1 de maio e 25 de dezembro.





  • Castelo templário



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