Castle of Óbidos

Óbidos, Leiria - Portugal

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O “Castelo de Óbidos” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa, na vila e concelho de Óbidos, distrito de Leiria, em Portugal.

Constitui-se em um dos principais exemplares da fortificação medieval no país. Implantado sobre um pequeno monte, outrora à beira-mar, domina a planície envolvente e o rio Arnoia, a leste. Fruto de diversas intervenções arquitetónicas ao longo dos séculos, integra o conjunto da vila, que preserva as suas caraterísticas medievais.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação humana do seu sítio remonte a um castro romanizado, sucessivamente ocupado por visigodos (séculos V a VI) e muçulmanos (século VIII), atribuindo-se a estes últimos a edificação do perímetro muralhado, como se constata pela observação de determinados trechos, com características muçulmanas.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, após as conquistas de Santarém e de Lisboa (1147), as forças de Afonso I de Portugal (1143-1185) encontraram viva resistência para conquistar Óbidos e seu castelo, o que por fim obtiveram através de um ardil (10 de janeiro de 1148). O castelo encontra-se referido documentalmente desde 1153.

Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211) foram procedidas obras nas suas defesas, conforme inscrição epigráfica na Torre do Facho. Ainda neste período a vila recebeu a sua carta de foral (1195).

O seu filho e sucessor, Afonso II de Portugal (1211-1223), doou o senhorio de Óbidos a sua esposa, D. Urraca de Castela (1210).

A povoação e seu castelo mantiveram-se fiéis a Sancho II de Portugal (1223-1248), quando da crise de sua deposição, resistindo vitoriosamente, em 1246, aos assaltos das forças do conde de Bolonha, futuro Afonso III de Portugal (1248-1279). Essa resistência valeu à vila o epíteto de “mui nobre e sempre leal”, que figura até hoje no seu brasão de armas.

Dinis I de Portugal (1279-1325), por carta de arras datada de 24 de abril de 1281, outorgou como dote a sua noiva, futura esposa, D. Isabel de Aragão, as vilas de Abrantes, Óbidos, Alenquer e Porto de Mós, que a partir de então (até 1834) passariam a integrar o património das rainhas de Portugal. Este monarca procedeu o restauro e ampliação da antiga alcáçova, fez erigir a torre de menagem (c. 1325), assim como barbacãs junto às portas.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383) uma inscrição epigráfica assinala a ereção, em 1375, de uma torre, por alguns considerada de menagem, embora lhe faltem as características da base maciça com entrada a nível do pavimento elevado, presentes na de D. Dinis.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, o seu alcaide, contra a vontade dos moradores, tomou o partido de Beatriz de Portugal, (Crónica de el-rei D. João I, cap. 87.) tendo resistido às forças do Mestre de Avis. Óbidos e o seu castelo foram entregues a João I de Portugal (1385-1433) por Vasco Gonçalves Teixeira após o falecimento em combate do seu pai e alcaide do castelo, João Gonçalves, na batalha de Aljubarrota (1385).

Sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495), a rainha Dna. Leonor escolheu a povoação e seu castelo para residir após o falecimento por acidente de seu filho único, o príncipe D. Afonso, optando ainda (1494) pelas águas termais da região – as Caldas da Rainha - para tratamento da enfermidade que viria a vitimar aquele monarca.

O seu sucessor, Manuel I de Portugal (1495-1521), outorgou o Foral Novo a Óbidos (1513), procedendo importantes melhoramentos na vila e em seu castelo. É dessa fase, no século XVI, a reconstrução dos Paços do Alcaide pelo então alcaide-mor D. João de Noronha.

Do século XVIII aos nossos dias

O terramoto de 1 de novembro de 1755 causou danos às defesas da vila.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), Óbidos disparou os primeiros tiros de artilharia na batalha de Roliça (1808), primeira derrota das tropas de Napoleão. Posteriormente registou-se a adaptação da torre albarrã a Torre do Relógio (1842) e a construção de escada exterior de acesso à Torre de D. Fernando (1869).

O castelo foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136 de 23 de junho. Posteriormente a classificação foi alterada para compreender o castelo e todo o conjunto da vila, pelo Decreto n.º 38.147, publicado no Diário do Governo, I Série, de 5 de janeiro de 1951. A ZEP encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 219, de 18 de setembro de 1948.

A partir de 1932, o conjunto sofreu as primeiras intervenções de consolidação, reconstrução e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que se estenderam pelas décadas seguintes até aos nossos dias, sendo o espaço do castelejo requalificado como Pousada do Castelo (1948-1950). Estiveram envolvidos no projeto os arquitetos João Filipe Vaz Martins (obras, 1948), Fernando Augusto Peres de Guimarães e Luís Benavente (mobiliário, 1950), e Leonardo Castro Freire (decoração, 1950).

O conjunto foi afetado pelo terramoto de 28 de fevereiro de 1969, tendo os reparos sido efetuados no mesmo ano.

Características

Exemplar de arquitetura militar, mistura elementos dos estilos românico, gótico, manuelino e barroco, de implantação urbana, isolado, na cota de 79 metros acima do nível do mar.

O castelo apresenta planta trapezoidal, a sudeste da cerca velha, no extremo noroeste do circuito muralhado. É reforçado a norte por 3 cubelos semicirculares e 1 quadrangular, a leste e oeste por torres quadrangulares ameadas, denominadas de D. Dinis e de D. Fernando, do lado sul por 2 cubelos semicirculares, um deles rematado por balcão com mata-cães. Uma barbacã envolve-a a norte e oeste. Junto à muralha divisória das 2 cercas e a ela unida por arco, a torre albarrã ameada quadrangular. O recinto muralhado, rematado por merlões quadrangulares rasgados por seteiras e adarve, mostra planta triangular irregular: do lado oeste a linha de muralhas retilínea, acompanhando o cimo escarpado do monte rochoso, reforçada por torres quadrangulares de grandes dimensões, é rasgada pela porta da Cerca, com barbacã, pela porta da Talhada e pelo postigo do Jogo da Bola, terminando no ângulo sudoeste na torre do Facho, de seção quadrangular. A partir daqui adapta-se à irregularidade do terreno seguindo para nordeste e infletindo depois para noroeste. Na zona mais escarpada a norte e leste, é reforçada por cubelos semicirculares e pelos torreões do castelo.

Dentro da cidadela, encostado à face norte da cerca velha, encontra-se o Paço dos Alcaides, cujo acesso ao recinto é franqueado por muro alto, reforçado por cubelos, um dos quais é rematado por balcão com matacães. Edifício de planta em “U”, com o braço do lado oeste mais curto. Coberturas em telhados de 2 e 3 águas. 3 pisos, na ala central e oeste, 2 acima de maciço rochoso, a leste; portas em arco quebrado no 1º piso, em arco redondo na ala oeste, frestas quadrangulares no 2º piso, 2 janelas de arco duplo policêntrico e mainel em torsal, com sacada em ferro, inscritas em alfiz emoldurado por torsal e rematado por cogulho, porta de verga em cortina, encimada por pedra de armas ao centro de 2 esferas armilares; uma escada exterior de 2 lances comunica com a porta rasgada no corpo leste, 2º piso, e com a porta do 3º piso do corpo central. A fachada norte coincide com a muralha exterior, reforçada por cubelos, rasgada por frestas e por janela retangular, no 3º piso. Na fachada leste rasgam-se janelas maineladas, semelhantes às da fachada sul. No interior, ao 1º piso corresponde a zona de serviço, ao 2º a recepção e o bar, no corpo leste, quartos nos restantes corpos; no 3º piso a sala de jantar e sala de estar, as cozinhas e quartos. As 2 torres que flanqueiam a fachada sul, de dimensões e alturas diferentes e rematadas por merlões pentagonais (a de D. Fernando) e piramidais (a de D. Dinis), estão também adaptadas a quartos. Sobre a porta que estabelece a ligação entre as 2 cercas, corre um passadiço que une o paço à igreja de Santiago.

O acesso é feito por quatro portas e dois postigos, destacando-se a Porta da Vila ou Porta de Nossa Senhora da Piedade, encimada por uma inscrição, ali colocada por João IV de Portugal (1640-1656), e que reza: A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original. No seu interior encontra-se uma capela com varanda, revestida de azulejos do século XVIII.

Destacam-se ainda:

• O pelourinho da vila, erguido em granito. Apresenta em uma das faces o escudo com as armas reais e do outro o camaroeiro de D. Leonor, que esta rainha doou à Vila em memória da rede em que os pescadores lhe trouxeram o seu filho morto num acidente de caça. Nele, no passado, eram aqui expostos e castigados os delinquentes e criminosos.

• O aqueduto da vila, com uma extensão de 3 km, unindo o monte da Usseira e o de Óbidos. Mandado construir pela rainha D. Catarina da Áustria, esposa de João III de Portugal (1521-1557) transportava a água que abastecia os chafarizes de Óbidos.

• O Cruzeiro da Memória, erguido em comemoração da tomada de Óbidos aos mouros por D. Afonso Henriques, assinala o local onde este montou acampamento antes de conquistar a Vila.



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Contribution

Updated at 09/12/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Restored and Well Conserved

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    O castelo foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.ş 136 de 23 de junho. Posteriormente a classificaçăo foi alterada para compreender o castelo e todo o conjunto da vila, pelo Decreto n.ş 38.147, publicado no Diário do Governo, I Série, de 5 de janeiro de 1951. A ZEP encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.ş 219, de 18 de setembro de 1948.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Leiria
    City: Óbidos



  • Lat: 39 -22' 19''N | Lon: 9 9' 28''W










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