Fortim de São Caetano do Pópulo

Ponta Delgada, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Fortim de São Caetano do Pópulo”, também referido como "Forte de São Caetano do Pópulo", localiza-se na praia do Pópulo, na freguesia de Rosto de Cão-Livramento, concelho de Ponta Delgada, costa Sul da ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Cruzava fogos com o Forte de São Francisco Xavier na defesa da baía de Rosto de Cão. Conforme RILEY (2002), “(...) do ponto de vista militar, esta pequena baía viria a adquirir uma importância significativa no sistema defensivo de Ponta Delgada, pois a cidade encontrava-se desprotegida na sua rectaguarda nascente em relação a qualquer desembarque efectuado nos areais de Rosto do Cão, que lhe eram praticamente contíguos e dela distavam apenas um quarto de légua.” (Op. cit.)

História

No contexto da Crise de Sucessão de 1580 foi nas praias do Pópulo e das Milícias e na costa adjacente até à vila da Lagoa que se deu o desembarque das forças luso-francesas leais a D. António, Prior do Crato (15 a 17 de julho de 1582), anteriormente à Batalha Naval de Vila Franca (26 de julho de 1582).

O fortim foi erguido em finais do século XVI com a finalidade de proteção da povoação e baía de Rosto de Cão dos ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

ATAÍDE (2011) identifica-lhe o construtor, e dá conta do seu estado na primeira metade do século XX:

"Um montão informe de escombros é o que resta desse guerreiro pigmeu de atitude arrogante e aspecto façanhudo, construído pelo capitão Sebastião Raposo do Amaral, comandante da gente de guerra de Rosto de Cão, Ribeira Grande e Bretanha, quando do Continente regressou, depois de haver prestado bons serviços à Pátria." (Op. cit., v. I, p. 166)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) encontra-se referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" como "O Fortim de S. Caetano." (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, pp. 178-181)

No contexto da instalação da Capitania Geral dos Açores (1766), o seu estado foi assim reportado em 1767: "6.° — Forte de S. Caetano. Tem 9 canhoneiras e 6 peças de ferro incapazes, precisa 9." (JÚDICE, 1981:410)

Ao final do século XVIII, a “Relação dos Castelos e mais Fortes da Ilha de S. Miguel do seu estado do da sua Artelharia, Palamentas, Muniçoens e do q.’ mais precizam”, pelo major engenheiro João Leite de Chaves e Melo Borba Gato, informava:

"Forte de S. Caetano - No lugar de Rosto de Cam, cituado em hu'a restinga, q.' devide o areal de S. Roque, de 192 braças de extenção, da prainha de 114, p.a defença d'ambas, porem as suas faces, ou batarias mal dirigidas p.a este fim; preciza de hu'a bataria opposta, p.a defender o desembarque com tiros cruzados, pois q' este deve ser deve ser conciderado como o pr.o lugar em razão da costa, e da proximid.e da cid.e, pois o Forte de S, Fran.co referido, pouco auxilia: tem 6 canhoneiras e 4 peças tãobem no chão, as casas abatidas, sem portão, e concequent.e sem palamenta, nem muniçoens." (BORBA GATO, 2000)

Pode ser o forte que SOUSA (1995), ao descrever as defesas do porto de Ponta Delgada em 1822, refere: "(...) os [fortes] de S. Pedro e Rosto de Cão [artilhados] de 20 e tantas [peças de grande calibre]; (...)." (Op. cit., p. 71)

A "Relação" do marechal de campo Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto, comandante da 10.ª Divisão Militar (Açores), em 1862 informava que "Tem alojamentos, e um barracão construido pela reparticao de Saude" (Governo Civil de Ponta Delgada), e que se encontrava "Em soffrivel estado". E complementou:

"Como obra defensiva pode desde já desprezar-se, pela sua má situação e defeituoza construcção.

Tem servido de lazareto provizorio, e por este motivo conviria entregar-se definitivamente á repartição de saude para tratar da sua conservação, por ser aproveitavel para o referido objecto.
" (Op. cit., p. 268)

Abandonado em 1892, as suas dependências foram cedidas ao Governo Civil de Ponta Delgada para serem utilizadas como leprosário.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) voltou a abrigar uma guarnição, tendo recebido obras em betão (1943) para a instalação de um posto defensivo de metralhadoras pesadas.

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982),

Em nossos dias o coronel Salgado Martins apresentou um estudo de consolidação das suas ruínas, salvaguardando-se o seu papel defensivo na Segunda Guerra Mundial e o seu valor patrimonial na linha de costa micaelense (agosto de 1999). Posteriormente, Carlos Melo Bento, da Associação Arqueológica do Arquipélago dos Açores, solicitou à Direção Regional da Cultura autorização para trabalhos arqueológicos de prospeção nas ruínas da antiga fortificação, e que os mesmos fossem coordenados pelo coronel Salgado Martins (julho de 2005). Entretanto, à falta de um projeto técnico e científico adequado à legislação então em vigor na Região Autónoma, os trabalhos não foram autorizados.

Atualmente encontra-se abandonado e em ruínas, sob a jurisdição da Câmara Municipal de Ponta Delgada. Esteve prevista a ocupação do local com um aquário, o que não se concretizou ("Forte ignorado no limite da freguesia", Correio dos Açores, 19 jun 2016, p. 6).

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, marítimo.

De pequenas dimensões, apresentava planta pentagonal, em cujos muros se rasgavam 9 canhoneiras de acordo com Júdice (1767), reduzidas a 6 conforme Chaves e Melo em fins do século XVIII. As plantas de 1864 e 1895 apresentam 10 canhoneiras nos lados voltados ao mar. Pelo lado de terra dispunham-se o quartel e o paiol.

Esta defesa era complementada por uma extensa cortina de atiradores de que ainda subsistem alguns troços a oeste da fortificação.

Bibliografia

MARTINS, José Manuel Salgado. Consolidação das ruinas do forte de S. Caetano e beneficiação da posição defensiva da seção de metralhadoras pesadas da 2.ª Guerra Mundial. Estudo para a Zona Militar dos Açores, 1999.



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Carta Arqueológica / Concelho de Ponta Delgada
Busca para oconcelho de Ponta Delgada com link para o Forte de São Caetano do Pópulo na Carta Arqueológica, na página do Centro de Conhecimento dos Açores, da Direção Regional da Cultura.

http://www.culturacores.azores.gov.pt/paa/ca/default.aspx?ilha=2&conce...
Fortificação - Ilha de São Miguel
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha de São Miguel.

http://www.ihit.pt/new/fortes/saomiguel.php

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Contribution

Updated at 02/05/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (11).


  • Fortim de São Caetano do Pópulo

  • Forte de São Caetano do Pópulo

  • Fortin





  • Portugal


  • Abandoned Ruins

  • Monument with no legal protection





  • Ruins

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Ponta Delgada



  • Lat: 37 -45' 3''N | Lon: 25 37' 18''W


  • Parque de estacionamento da praia do Pópulo e grupo de esculturas do escultor japonês Minoru Nizuma dedicadas ao Vulcanismo, à Sismicidade e ao Basalto.


  • 1767: 6 peças de artilharia antecarga, de alma lisa, de ferro, incapazes.
    Século XVIII (final): 4 peças de artilharia antecarga, de alma lisa, desmontadas.


  • Segunda Guerra Mundial - recebeu obras em betão.




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