Fuerte de la Mãe de Deus

Ponta Delgada, Región autónoma de las Azores - Portugal

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O “Forte da Mãe de Deus”, também referido como “Forte de Nossa Senhora Mãe de Deus”, “Reduto da Mãe de Deus” e “Reduto D. João VI”, localizava-se no alto da ladeira da Mãe de Deus, na freguesia de São Pedro, concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

História

O reduto remontará ao final do século XV ou à primeira metade do século XVI, erguido como uma das primeiras defesas de Ponta Delgada, embora não se encontre referido por FRUTUOSO, o que pode demonstrar a sua pouca importância, dado tratar-se de uma fortificação de modestas dimensões, no interior, comparativamente com a importância e poder de fogo do Forte de São Brás de Ponta Delgada, à beira-mar.

Entre 1533 e 1545 foi erguida a primitiva ermida, sob a invocação da Mãe de Deus, por iniciativa de um morador local, Diogo Afonso da Costa Columbreiro (ou Cogumbreiro), no local do forte, então desativado, vindo a obra a ser concluída por sua esposa, Branca Rodrigues.

A primeira referência a esta fortificação data de 1761 (VIEIRA, 1987), embora não seja citada em relações posteriores - de 1767, 1797, 1823, 1832 e 1862 -, o que pode refletir a perda da sua função estratégica ("O Alto da Mãe de Deus em Ponta Delgada: a centenária sentinela muda de Ponta Delgada" (http://www.correiodosacores.net/view.php?id=33579 ) Correio dos Açores, 23 Mai 2011. Consultado em 16 Ago 2011).

A ermida foi reconstruída, anteriormente a 1777, por Nicolau Maria Raposo de Amaral, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, que naquele ano recebeu autorização do Bispo da Diocese de Angra, D. João Marcelino dos Santos Homem Aparício, para construir na ermida sepultura para si e para os seus descendentes.

Em 1815 o capitão Francisco Borges da Silva, do Real Corpo de Engenheiros, que chegara do Brasil quatro anos antes com a missão de inspecionar o estado das fortalezas no arquipélago dos Açores, desenhou o primeiro projeto conhecido para um passeio público na cidade de Ponta Delgada, concebido para o Alto da Mãe de Deus (ALBERGARIA, 1999:29).

Borges da Silva desenhou também uma planta ("Planta do Reduto de D. João Sexto construído sobre a colina da Sra. Mai de Deoz na cidade de Ponta Delgada", 1818) que confirma a atual configuração do terrapleno onde se ergue o templo, e os subterrâneos do forte ("O Alto da Mãe de Deus em Ponta Delgada: a centenária sentinela muda de Ponta Delgada" (http://www.correiodosacores.net/view.php?id=33579 ) Correio dos Açores, 23 Mai 2011. Consultado em 16 Ago 2011).

Borges da Silva, ainda em 1818, assinou um projeto para a construção de uma cidadela militar no mesmo local. Ambos os projetos assinalam a existência de um moinho de vento em frente à escadaria principal de acesso à plataforma do forte. A sua existência (e da cozinha do forte, com dois fornos de forma circular com cerca de 2,40 metros de diâmetro), será provavelmente a principal responsável pela peculiar configuração da Ladeira da Mãe de Deus, caracterizada pela existência contínua de pequenas lombas. Ernesto do Canto refere que o Governador das Armas, Sebastião José de Arriaga Brum (1813-1821), foi quem mandou fortificar o alto, conforme o plano de Borges da Silva. Observa, entretanto, que este oficial chegou a São Miguel a 2 de junho, vindo a falecer a 25 de novembro de 1820 ("O Alto da Mãe de Deus em Ponta Delgada: a centenária sentinela muda de Ponta Delgada" (http://www.correiodosacores.net/view.php?id=33579 ) Correio dos Açores, 23 Mai 2011. Consultado em 16 Ago 2011).

Entre 1825 e 1826 o engenheiro militar e então governador José Teixeira Homem de Brederode, com a ajuda de fundos obtidos por uma subscrição de particulares, fez remover as obras de fortificação implantando, com alterações, o primitivo projeto de passeio público.

Em 1915, no contexto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a ermida foi demolida sob a alegação de que poderia servir como alvo para os submarinos alemães.

Essa possibilidade materializou-se no dia 4 de julho de 1917, quando a cidade e os seus arredores foram bombardeadas por 50 obuses de 125mm do "Deutchland", um submarino classe U-115 do Império Alemão, Além dos danos materiais na Canada do Pilar, na Fajã de Cima, o ataque causou a morte de uma jovem de 16 anos (Tomásia Pacheco) e ferimentos graves na irmã e em outras três pessoas. A unidade naval alemã foi repelida pelo fogo de artilharia (15 tiros) do navio carvoeiro estadunidense "Orion" ancorado no cais, apoiado pela artilharia portuguesa em terra, na Bateria de Costa da Mãe de Deus (4 tiros), sob o comando do alferes António Francisco Castilho da Costa (BENTO, 2003:63-65). O professor Manuel Martins Soeiro, em artigos publicados no “Açoriano Oriental” de 7 e 14 de julho de 1923, afirma que foi o tiro da Mãe de Deus que afastou o submarino e não os tiros do "Orion", uma vez que, apesar de não ter acertado por falta de poder e de alcance, o comandante alemão não o sabia, e acreditou que a bateria iria corrigir o tiro. Por esse motivo, o articulista acusava os micaelenses de ingratidão pois à época nem um ramo de flores enviaram aos militares na Mãe de Deus (Op cit., p. 65). De qualquer modo, a Junta Geral, a Câmara Municipal e a Associação Comercial de Ponta Delgada manifestaram ao comandante do "Orion", J. H. Boesh o agradecimento da população, lançando esta uma subscrição pública para o homenagear, o que foi feito através do cônsul estadunidense, com a oferta de uma salva de prata da reputada "Casa Leitão", de Lisboa (Op cit., p. 65). Ainda à época na ilha, diversos recém-nascidos foram batizados com o nome "Orion", assim como alguns estabelecimentos comerciais, além de uma marca de cigarros (Op cit., p. 66).

Em 1917 o Ministério da Guerra era o proprietário dos subterrâneos, ao passo que a ermida pertencia ao Ministério da Justiça e Cultos ("O Alto da Mãe de Deus em Ponta Delgada: a centenária sentinela muda de Ponta Delgada" (http://www.correiodosacores.net/view.php?id=33579 ) Correio dos Açores, 23 Mai 2011. Consultado em 16 Ago 2011).

Findo o conflito, por voto das senhoras micaelenses, foi erguido no mesmo local um novo templo, com projeto do arquiteto Norberto Correia, cuja pedra fundamental foi lançada a 25 de março de 1925. Diante da morosidade das obras, tendo, nesse ínterim eclodido a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), aquele ponto estratégico foi uma vez mais guarnecido militarmente, para vigilância do porto, em 1942, passando a abrigar um posto óptico e de observação e sendo construído um abrigo subterrâneo para albergar duas metralhadoras anti-aéreas Breda. O primeiro, localizado no canto sudoeste do adro da Igreja, constituía-se num abrigo semi-enterrado, fechado, com três aberturas, de modo a estabelecer contato óptico com diferentes unidades militares estabelecidas em Ponta Delgada. O segundo atualmente enterrado no canto nordeste do adro da Igreja, fora da muralha da plataforma, era acedido por uma rampa exterior à plataforma. Constituiu-se num pequeno espaço com duas seteiras com tamanho suficiente para bater a tiro a zona compreendida entre a antiga estrada da Ribeira Grande e a praia da Pranchinha. Ao final do conflito ambas as posições foram desativadas (Op. cit.).

Em meados do século XX o forte perdeu o estatuto de "Prédio Militar nº 1", designação bélica dada ao prédio militar mais antigo de uma determinada região (Op. cit.).

Na década de 1970 os subterrâneos encontravam-se ocupados por pessoas sem-abrigo (Op. cit.).

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982).

Atualmente a antiga forma do forte é perceptível por via aérea, conservando-se uma guarita a sudoeste da Igreja, e os seus subterrâneos, inalterados, com exceção da parte dos fornos, modificada durante a Primeira Guerra Mundial (Op. cit.).

O conjunto não se encontra classificado ou protegido.

Características

Exemplar de arquitetura militar, de enquadramento urbano, isolado, implantado no alto de um monte.

No lanço da escada que acede ao adro do templo pelo lado norte, há uma inscrição do padre Mestre João José de Amaral que recorda a construção do forte e a sua destruição.



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Links relacionados 

Fortificação - Ilha de São Miguel
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha de São Miguel.

http://www.ihit.pt/new/fortes/saomiguel.php

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Contribuciones

Actualizado en 25/08/2018 por el tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuciones con medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (6).


  • Fuerte de la Mãe de Deus

  • Forte de Nossa Senhora Mãe de Deus, Reduto da Mãe de Deus, Reduto D. João VI

  • Reducto





  • Portugal


  • Desaparecida

  • Monumento Sin Protección Legal





  • Desaparecida

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Región autónoma de las Azores
    Ciudad: Ponta Delgada



  • Lat: 37 -45' 22''N | Lon: 25 39' 39''W










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