Fort of Santo António

Lajes das Flores, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte de Santo António” localizava-se na vila, freguesia e concelho de Lajes das Flores, costa sudeste da ilha das Flores, na Região Autónoma dos Açores, em Portugal.

Constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), quando da Guerra Anglo-Espanhola (1585-1604), de 25 de julho a 1 de agosto de 1587 a vila de Lajes das Flores, indefesa, foi presa do ataque de cinco embarcações de corsários ingleses. Gaspar Frutuoso assim referiu o episódio em sua crónica (c. 1590):

"(...) destruíram quando acharam, queimando os templos e assolando as casas, sem ficar nem um só. A gente que pôde fugir se acolheu ao mato, em que andou alguns dias, (...) padecendo de fome e frio. (...) Queimaram os inimigos o retábulo da igreja matriz e derrubaram esta e as mais, estando oito dias de posse da vila, em que descobriram e roubaram quantas coisas os moradores, com a pressa da fugida, deixaram escondidas." (Op. cit., 1998:133)

O padre António Cordeiro, no início do século XVIII, remonta a fortificação de Lajes das Flores ao período após esse ataque de corsários ingleses:

"Daqui para o Norte, está a nobre, & fecunda Villa das Lajes, & já em nada sujeita à Villa de Santa Cruz: consta de muito mais de trezentos fogos, & de duas grandes Companhias, & dous Capitães de ordenança, & hum Capitão mor da Villa, & seu termo; e consta de hua grande rua, & muytas travessas; & tem diante de si para o mar alguns bayxos perigosos aos que quiseram acometer a Villa, & fica já mais de duas legoas do sobredito lugar de São Pedro. A Matriz desta Villa he da invocação de Nossa Senhora do Rosário, com Vigario, & algumas familias nobres, como em seu lugar diremos. (…) Já houve comtudo ocasição (em 25 de julho de 1587, há quasi cento & trinta annos) que cinco navios Inglezes enganadamente entrarão na Villa das Lajes, & a saquearão, fugindo os moradores para os matos; mas atèagora lhes não succedeo outra, pela vigia que sempre ao diante tiverão: & nem se sabe de fogo, terramoto, peste ou guerra que houvesse nesta Ilha atègora." (CORDEIRO, 1981)

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) o marechal António do Couto de Castelo Branco foi enviado em 1709 pela Coroa ao arquipélago dos Açores, para examinar com todo o cuidado o que parecesse necessário à sua defesa. No tocante às ilhas das Flores e do Corvo, informou por carta ao soberano, ainda nesse mesmo ano, a existência, em ambas, de 14 Companhias de Ordenanças e de “seus fortes”, esclarecendo que “hoje tem armas as que bastam e munições que lhe mandou o Sr. Rei D. Pedro [I de Portugal (1683-1705)]“ e que “se lhe pozerem cinco peças pequenas (…) ficarão fortíssimas”. E concluiu “Nenhuma d’essas ilhas pode ser entrada, por serem mui fortes pela aspereza das costas e com pedras se podem defender.” (CASTELO BRANCO, António do Couto de (1892) – Carta a El Rey nosso Senhor em que lhe faz relação António do Couto das seis ilhas baixas e da Terceira, anno de 1709. In Arquivo dos Açores, vol. XII, pp. 470-471) O mesmo oficial, na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" refere esta fortificação como "O Forte de Santo António." (Arquivo dos Açores, vol. IV, 1882, p. 181)

Como registado pelo Governador Civil do Distrito da Horta, António José Vieira Santa Rita, este forte, "em 1770 batteu dous corsarios americanos". (SANTA RITA, 1869:39) A força corsária era composta por um brigue e uma chalupa, e havia sido anteriormente repelida na Ribeira Funda, onde estavam a encher pipas de água, por paisanos das Ordenanças que, do cimo da rocha, lhes fizeram fogo com as suas espingardas, embora sem precisão pela distância. Ancorando posteriormente diante das Lajes, investiram tão vigorosamente sobre a povoação e este pequeno forte, que foi forçoso abandoná-lo. No entanto, animados pelo capitão da vila, João António de Mendonça, os defensores retomaram a posição no forte, carregaram uma peça de artilharia do calibre 12 até à boca com "testos de frascos e garrafas e de estilhaços de pedra" e, feita a pontaria, fizeram fogo na primeira lancha. Carregada a peça pela segunda vez, com bala, lograram partir o mastaréu da gávea do mastro real do brigue. Após esses sucessos, as embarcações afastaram-se em fuga. (SILVEIRA, 1970:96-97) Na ocasião, o forte estava artilhado com 5 peças antecarga de alma lisa, de ferro, dos calibres 12 a 6. (Op. cit., pp. 96-97)

O padre José António Camões, na primeira década do século XIX, também referiu as defesas de Lajes das Flores:

"(...) tem aquella Villa o porto a susueste; tem para fora uma baia com ancoradouro de areia. (...) Seo Orago é Nossa Senhora do Rozario, (...) Tem 2 companhias de ordenança. A 1.ª formada na Villa, Monte e Morros, com 1 capitão, 1 alferes, 2 tenentes, que foram de fortes, dois sargentos e 170 soldados, a 2.ª formada na Fazenda, Lajedo e Mosteiro, com 1 capitão, 1 alferes, 1 tenente, 3 sargentos e 147 soldados, a saber, 77 na Fazenda, 36 no Lajedo e Costa, e 34 no Mosteiro e Caldeira. Tem um castello no porto da Villa com casa e guarda e 9 peças, e mais 2 fortes, um delles em um cerrado sobre uma rocha, sem casa, e 1 peça." (CAMÕES, José António (Pe.). "Roteiro Exacto da Costa da Ilha". apud TRIGUEIRO, 2006)

Encontra-se indicado na relação “Fortes existentes nas Flores e Corvo em 21 de julho de 1817” como “Forte de S. António”.

Encontra-se registado em alçado e planta de autoria do Sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros José Rodrigo de Almeida (1822) com o título "Forte de Sto. Antonio, N.º 8".

O forte estaria demolido em 1868 (GOMES, 1997:50), não tendo chegado até aos nossos dias, a não ser na toponímia "largo do Forte de Santo António". Aí se encontram, em nossos dias, três peças de artilharia antecarga, de ferro, duas do mesmo calibre e uma de menor calibre, montadas em reparos de madeira e ferro, modernos. (NETO, 2015:226)

Encontra-se relacionado por BAPTISTA DE LIMA (1982).

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, de enquadramento urbano, marítimo.

De acordo com a iconografia de ALMEIDA (1822) apresentava planta poligonal irregular. Em seus muros pelos lados do mar rasgavam-se 9 canhoneiras. Em seu terrapleno erguia-se a edificação de serviço e o acesso era feito pelo lado de terra.



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Fortificação - Ilha das Flores
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha das Flores.

http://www.ihit.pt/new/fortes/flores.php

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Contribution

Updated at 27/02/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


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  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Lajes das Flores



  • Lat: 39 -23' 18''N | Lon: 31 10' 27''W










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