Fort of Santiago do Outão

Setúbal, Setúbal - Portugal

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O “Forte de Santiago do Outão”, também referido apenas como “Forte do Outão”, localiza-se na barra norte do rio Sado, na União das Freguesias de Setúbal, concelho e distrito de Setúbal, em Portugal.

Integrava a linha defensiva do trecho do litoral denominado hoje, em termos de turismo, como “Costa Azul”, e que no século XVII se estendia de Albarquel a Sesimbra, complementando a defesa da importante povoação marítima de Setúbal.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana deste promontório é muito antiga, havendo notícia da existência de um templo romano dedicado a Netuno neste local, estrutura devocional que a construção da fortificação destruiu.

A Torre do Outão

A fortificação no lugar do Outão remonta a uma atalaia ou torre com a função de vigia da costa, erguida em 1390 por determinação de João I de Portugal (1385-1433). Contemporânea da bateria erguida pelo mesmo soberano na Caparica, constitui-se assim numa das mais antigas fortificações marítimas no país.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a defesa do Outão terá recebido beneficiamentos.

O primitivo forte

Quando do reinado de Sebastião I de Portugal (1568-1578) essa posição sofreu extensas obras de modernização e ampliação (1572), quando foi erguida uma cerca abaluartada em redor da primitiva torre, a cargo do “mestre das obras das fortificações”, Afonso Álvares.

No momento da crise de sucessão de 1580, juntamente com a vila de Setúbal, este forte manteve-se fiel a D. António, prior do Crato. Sob o comando de Mendo Mota, a sua guarnição - uma centena de homens, contando com 47 peças de artilharia de diversos calibres, número considerável à época -, resistiu às forças espanholas sob o comando do duque de Alba, de 22 a 24 de julho.

À época da Dinastia Filipina (1580-1640), os oficiais da Casa do Corpo Santo, importante instituição que congregava os marítimos de Setúbal, requereram ao soberano a instalação, nas dependências deste forte, de um farol para auxílio à navegação (1625). As obras deste farol foram custeadas por aquela instituição.

Diante da eclosão da Restauração da independência (1 de dezembro de 1640) a guarnição do forte manteve-se leal a Filipe IV de Espanha (1621-1665) sustentando a defesa até ao dia 8 de dezembro de 1640.

Destaque-se que, neste período, o Outão constituía-se na fortificação mais importante de toda a linha de costa da Arrábida e da foz do Sado, como o atestam as sucessivas remodelações e ampliações de que foi objeto.

O atual forte

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), no âmbito da completa remodelação da estratégia defensiva do reino implementada ainda sob o reinado de João IV de Portugal (1640-1656), em que se inscreveu a defesa da barra de Setúbal, neste forte foram empreendidas amplas obras de modernização e reforço. Nelas terá trabalhado Joannes Cieremans (João Cosmander) em 1642, (NUNES, 2005:92) vindo a pedra fundamental a ser lançada em 25 de julho de 1643, conforme placa epigráfica sobre a porta da Casa da Guarda, no trecho de muralha do lado do mar:

A TORRE DESTA FORTALEZA DE SANTIAGO DO OUTÃO FOI EDIFICADA POR EL REI DOM JOÃO O PRIMEIRO E DEPOIS CERCADA DE MURO POR EL REI D. SEBASTIÃO E O SERENÍSSIMO D. JOÃO IV, LIBERTADOR DA PÁTRIA, MANDOU ACRESCENTAR A FORTALEZA PARA A PARTE DO MAR E TERRA COM MAGNIFICÊNCIA E GRANDEZA QUE HOJE SE VÊ. D. FERNANDO DE MENEZES, CONDE DA ERICEIRA, LHE LANÇOU A PRIMEIRA PEDRA EM XXV DE JULHO DE MDCILIII E SENDO GOVERNADOR DELA MANUEL DA SILVA MASCARENHAS E DAS ARMAS DE SETÚBAL E SUA COMARCA E SUPERINTENDENTE DA FORTIFICAÇÃO JOÃO DE SALDANHA MANDOU PÔR AQUI ESTA MEMÓRIA ANO DE MDCILIX

Já a 4 de agosto de 1644, o soberano advertia a Manuel da Silva Mascarenhas para que concluísse as obras com a maior brevidade. Contribuíram para as obras de defesa da costa de Setúbal, neste período, os proprietários das marinhas de sal e os marítimos da Casa do Corpo Santo, tendo as obras deste forte sido concluídas em 1657.

No século XVIII novas obras ampliaram as dependências e remodelaram a pequena capela da fortificação, como o provam o revestimento azulejar das naves, atribuído às Grandes Escolas de Lisboa da primeira metade do século e o trabalho em talha do retábulo-mor.

Diante da progressiva perda de suas funções defensivas, foi desartilhado no século XIX, tendo as suas instalações sido utilizadas como prisão. Posteriormente, em 1890, sofreu obras de adaptação para residência de veraneio de Carlos I de Portugal (1889-1908) e sua esposa, D. Maria Amélia de Orleans, obras essas a cargo do engenheiro Xavier da Silva.

O Sanatório

Diante das virtudes naturais daquela vertente da serra da Arrábida (insolação, maritimidade, pequena amplitude térmica anual), apropriadas à cura hélio-marítima como compreendido à época, por iniciativa da benemérita rainha, procedeu-se à adaptação da real residência de veraneio para sanatório, quando foram erguidas instalações hospitalares no lugar das antigas casamatas (1900). Iniciavam-se as operações do Sanatório Marítimo do Outão, voltado para o atendimento das tuberculoses óssea e ganglionar. Provisoriamente recebeu crianças do sexo feminino, sendo o atendimento ampliado a crianças do sexo masculino e, posteriormente ainda, a mulheres.

Com a diminuição drástica da tuberculose, a partir de 1909 o Sanatório foi convertido em Hospital Ortopédico, função que conserva até aos nossos dias (Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão).

Durante toda a década de 1950 foram procedidas intervenções de consolidação, restauro e beneficiação das instalações do Sanatório por parte da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), o que se repetiu em 1986 e 1991. No período de 1996-1997 o mesmo órgão atendeu às dependências da antiga Capela, que data da segunda metade do século XVII, em particular procedendo à recuperação do seu revestimento de azulejos.

Afeto ao Ministério da Saúde, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro. Está compreendido no Parque Natural da Arrábida.

As instalações do antigo forte abrigam ainda o Farol do Outão.

Características

Exemplar de arquitetura militar tardo-medieval, gótica e maneirista, abaluartada, constitui-se em uma fortificação marítima, de implantação rural.

Apresenta planta poligonal irregular (orgânica) onde se inscreve a torre medieval de três pavimentos, apresentando janelas de sacada e balcões com mata-cães nos cunhais.

Cobrindo o lado do mar, erguem-se três baluartes com plataformas para a artilharia; pelo lado de terra, observa-se uma tenalha com dois baluartes elevados e muro em talude. Nos ângulos salientes dos baluartes elevam-se guaritas circulares cobertas. Ao centro da muralha do lado de terra, plataforma para canhões do lado do mar.

O acesso faz-se pelo lado norte, através de 2 portais rasgados num muro mais baixo que desse lado rodeia a fortificação, por rampa inclinada que comunica com átrio coberto com abóbada de cruzaria de ogivas.

Ao centro do conjunto fortificado uma torre rematada por murete, de 3 pavimentos, rasgados por janelas de sacada e balcões com mata-cães nos cunhais. No corpo da torre, uma sala com abóbada em cruzaria de ogivas.

Em torno da torre erguem-se as antigas dependências de serviço do forte, com dois e três pavimentos, entre os quais a capela, sob invocação de Santiago, a oeste, de planta retangular, com coro-alto; a leste várias divisões com revestimentos decorativos oitocentistas.

O bloco de edifícios hospitalares, rasgado por varandas-solário, deita para a plataforma do lado oeste. O farol encontra-se implantado num dos baluartes, é constituído por uma torre hexagonal com lanterna e duplo varandim. Parte da torre é pintada de branco, com a parte superior em pedra e a lanterna metálica em vermelho. A luz tem as seguintes características: quatro segundos ligada e dois segundos desligada.

A capela é revestida a azulejos joaninos em azul e branco, com representações da Virgem e cenas da vida de Santiago. As salas a leste da torre são revestidas a apainelados nas paredes e teto, enquadrando telas pintadas.

  • Fort of Santiago do Outão

  • Forte do Outão

  • Fort

  • 1390 (AC)




  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro. Está compreendido no Parque Natural da Arrábida.







  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Setúbal



  • Lat: 38 -30' 42''N | Lon: 8 56' 5''W




  • 1580: 47 peças antecarga, de alma lisa, dos diversos calibres.
    1743 (c.): 16 peças antecarga, de alma lisa, dos diversos calibres.






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