Castle of Coina-a-Velha

Setúbal, Setúbal - Portugal

O “Castelo de Coina-a-Velha” localizava-se na freguesia de São Lourenço, no concelho e distrito de Setúbal, em Portugal.

Integrava uma rede defensiva mais ampla que compreendia outras fortificações medievais na região, como os Castelo de Almada, Castelo de Cabrela, Castelo de Coina-a-Velha, Castelo de Palmela, Castelo de Sesimbra e o Castelo de Setúbal.

História

O local apresenta vestígios arqueológicos de ocupações romana, muçulmana e cristã.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica aqui existiu um castelo, mencionado em doação de Afonso I de Portugal (1143-1185) a Bernardo Mendes, cónego da Sé de Lisboa, das igrejas que se encontravam na região do Castelo de Coina.

Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211), quando as forças Almóadas de Abu Iúçufe Iacube Almançor (1184-1199), na campanha de 1190-1191 avançaram para o Norte, arrasaram alguns castelos, nomeadamente os de Alcácer do Sal, Canha, Coruche e Palmela, entre outros. O de Coina-a-Velha também terá sido danificado. No primeiro testamento de D. Sancho I, datado de 1188, na Sé de Viseu, este determinava: “(...) Et denariis Qui sunt in S. Cruce dentur pauperibus 300 solidos et in muros de covilliana et de cauna (…)” (“E do dinheiro que está em Santa Cruz [de Coimbra] sejam dados 300 sólidos aos pobres e para os muros de Covilhã e de Coina (...).”)

Com o alargamento das fronteiras para o sul, o antigo castelo perdeu a sua função defensiva, iniciando-se a partir de então a sua decadência até restarem, em nossos dias, apenas vestígios.

Esses vestígios podem ser observados próximo à Aldeia-de-Irmãos, em Azeitão, no sítio do Casal do Bispo, propriedade muito antiga que, de acordo com Joaquim Rasteiro, em finais do século XV fazia parte da “Herdade da Infanta”. A herdade pertenceu ao infante D. João, filho de João I de Portugal (1385-1433), e aos seus herdeiros, e foi vendida, juntamente com a Quinta da Bacalhôa, em 1528, a D. Brás de Albuquerque, primogénito de D. Afonso de Albuquerque.

Pouco depois, em 1545 a propriedade foi adquirida por D. Belchior Beliago, o bispo de Fez, que acabou por dar o atual nome à propriedade – Casal do Bispo – edificando uma casa nas proximidades do antigo castelo.

O mesmo autor prossegue referindo um manuscrito de António Parreira, datado de 1882, que transcreve:

(...) Em Coina-a-Velha, lugar de que fala Hubner, numa propriedade denominada Casal do Bispo, no cimo de um monte existem as ruínas de um castelo (...) quatro paredes da torre meridional, ainda em perfeita conservação (...) pedaços de muralha abatida e uma cisterna (...) As paredes da cisterna são de uma argamassa composta de cal, areia e tijolo britado (...)

RASTEIRO descreve duas torres, uma no topo sul da plataforma que encima o monte escarpado, com 9 x 6 metros de lado e outra, de menores dimensões, a 30 metros a leste da primeira. A cisterna apresentava 8,40 x 6,30 metros de lado, com abóbada de alvenaria e paredes internas revestidas a estuque vermelho. Por último, aponta a oeste, no sopé do monte, um conjunto de “matamouras” interpretadas como silos. (RASTEIRO, 1897)

Em nossos dias, Isabel Cristina Fernandes, a seu turno, descreve os restos estruturais de uma pequena alcáçova em crescente ruína, ainda conservando vestígios do seu revestimento avermelhado. (Fernandes, 2004) A cor vermelha resulta da aplicação de um tratamento contra a eutrofização das águas, à base de óxido de ferro, resina e argilas vermelhas. (Op. cit., 2004)

Características

O “hisn” de Coina-a-Velha implanta-se num monte escarpado, a 147 acima do nível do mar, paralelo ao Cabeço dos Caracóis, contornado pelas ribeiras do Alambre e de Coina, de difícil acesso a norte, leste e oeste. Reveste-se de uma natural importância estratégica, não só pela facilidade de articulação em ações de defesa entre os Castelos de Palmela e Sesimbra, mas também na defesa contra forças que através do Portinho da Arrábida quisessem penetrar na península da Arrábida. Uma implantação geoestratégica que pode ter justificado um "ribat" destruído quando dos recontros entre muçulmanos e cristãos em 1191, nunca mais reconstruído, embora seja mencionado no testamento de D. Sancho I (RASTEIRO, 1897).

A lenda do Castelo de Coina-a-Velha

Ainda acerca do Castelo de Coina-a-Velha, RASTEIRO refere uma curiosa lenda que narra que os mouros deixaram três casas subterrâneas: uma cheia de armas, já aberta (a cisterna), outra cheia de ouro e outra com peste, pelo que ninguém se atreveu a procurar o ouro com receio de encontrar a peste (RASTEIRO, 1897).



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Contribution

Updated at 21/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Portugal

  • 1190 (AC)

  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Setúbal



  • Lat: 38 -31' 58''N | Lon: 9 1' 58''W










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