Castle of Alconchel

Alconchel, Badajos - Spain

Search for fortification's images

Date 1 Date 2

Medias (1)

Images (1)

O “Castelo de Alconchel”, também referido como “Castelo de Miraflores”, localiza-se na cidade de Alconchel, no município raiano de mesmo nome, no sudoeste da província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, na Espanha.

A cerca de 20 quilómetros a sul de Olivença, no topo do cerro de Miraflores, zona elevada e de difícil aceso, o castelo domina um pequeno rio, afluente do Guadiana, que lhe servia de defesa natural, e o território circundante, na Extremadura espanhola.

A toponímia “Alconchel” (em moçárabe, “a concha”) é uma referência às irregularidades do terreno em que se implanta, em camadas de diferentes níveis, semelhantes às do exterior de uma concha.

História

A primitiva ocupação humana do cerro remonta à pré-História, tendo posteriormente conhecido a presença Romana e a Visigótica, conforme testemunham elementos ciclópicos na base nas muralhas, algumas lápides romanas identificadas na falda do castelo e os restos de colunas e moedas visigóticas trazidos à luz pela prospeção arqueológica.

No contexto da Reconquista cristã da península, o 4.º Emir de Córdova, Abderramão II (722-852), aqui fez erguer uma fortificação para defender o território das razias das forças do reino das Astúrias, depois reino de Leão, por toda a Extremadura. O local adquiriu importância estratégica com a fragmentação do Califado de Córdova desde fins do século X e nomeadamente a guerra civil, no início do XI, que conduziria ao seu desaparecimento, dando lugar à fragmentação do Estado Omíada em uma diversidade de reinos conhecidos como taifas. Desde 1022 Abdallah ibn al-Aftas, um berbere de origem andaluza, assumiu o poder na primeira taifa de Badajoz, iniciando a dinastia Aftasí (1022-1094). Este, desde o início do seu reinado preocupou-se em reparar e ampliar a fortificação de Alconchel, de vez que o mesmo foi marcado por inúmeras guerras fronteiriças com os reinos taifa de Sevilha, Carmona e Córdova. Atualmente nada mais subsiste dessa fortificação Muçulmana, a não ser o topónimo da localidade.

No século XII, após a conquista de Évora por forças portuguesas em 1165, no ano seguinte (1166) Geraldo sem Pavor ocupou a fortificação juntamente com outras, como as de Mourão, Serpa e Juromenha:

"No ano 1166 Giraldo de sobrenome Sempavor, aproveitando a noite conquistou a cidade de Évora. O conquistador e seus companheiros ofereceram-na ao rei D. Afonso. Em pouco tempo o mesmo atacou tomando Mourão, Serpa, Alconchel e o castelo de Coluchio (...)." (“Crónica Lusitana”, p. 415.)

Esse processo de expansão culminou com o chamado “desastre de Badajoz” (1170) quando na tentativa de conquistar Badajoz aos Almóadas, estando a combater a última resistência confinada na alcáçova, Afonso I de Portugal (1143-1188) foi por sua vez cercado pelas forças do seu genro, Fernando II de Leão, sendo forçado a retirar, momento em que feriu-se, caindo prisioneiro. Com a região em mãos leonesas, o Fernando II entregou o castelo e os domínios de Alconchel à Ordem de Santiago.

Em 1174 o castelo foi conquistado por Abu Yaqub Yusuf, califa Almóada de Sevilha (1163-1184), que ordenou fossem lhe reedificados alguns troços de muralhas e erguida a torre de planta quadrangular, ficando assim constituída a fortificação por uma grande torre e uma cerca amuralhada.

Só na década de 1230, após a tomada de Badajoz por Afonso IX de Leão e da Galiza (1188-1230) é que o castelo e os seus domínios passaram a integrar o reino de Leão. O seu filho e sucessor, Fernando III de Leão e Castela (1230-1252), doou-os à Ordem do Templo, cujo Mestre, Esteban de Belmonte, a recebeu “en juro de Heredad y para siempre”.

Pelos termos do Tratado de Alcanizes (1297) os territórios de Olivença e Táliga passaram para a posse de Portugal, o que converteu o castelo de Alconchel em fortificação da raia, revestindo-o de importância estratégica. Com a extinção da Ordem em 1311, o seu património passou gradativamente às mãos da Nobreza. Nesse processo, ainda naquele ano (1311) Alconchel passou para as mãos de Dinis I de Portugal (1295-1325) e, em 1313 encontrava-se nas mãos de Martín Gil Sousa. Em 1343 Afonso XI de Leão e Castela entregou o senhorio de Alconchel em troca de um empréstimo, embora não tenha se efetivado. Posteriormente seria o infante Don Sancho, filho natural de Afonso XI e Isabel de Guzmán, que recebeu o senhorio. Após a morte do conde Sancho de Albuquerque (1374) o senhorio passou para Dona Leonor de Castela, que por sua vez o cedeu, em 1418, a Don Enrique, infante de Aragão. Em 29 de maio de 1447 João II de Castela (1406-1454) estabeleceu o título de senhorio de Alconchel em favor de Don Gutierre de Sotomayor, Mestre da Ordem de Alcântara. O castelo e o seu termo concelhio formarão parte de um morgadio independente do de Belalcázar, em favor do segundo dos filhos de Don Gutiérrez, Juan de Sotomayor, cuja viúva conseguiu incorporar ao senhorio de Alconchel a vila de Zahínos (1558). Mais tarde o senhorio esteve nas mãos de diversos senhores como Don Fadrique de Zúñiga, Don Juan Alonso de Meneses, Don Felix de Silva e Meneses e Don Fernando de Silva y Meneses.

Nesse período foram-lhe promovidas novas obras de ampliação e reforço, vindo a ser erguidos os sucessivos recintos e elementos fortificados, particularmente ao longo do século XIV, mas sobretudo na segunda metade do século XVI, quando foi domínio senhorial de Gutierrez de Sotomayor, Mestre da Ordem de Alcântara. Neste último período as suas defesas foram adaptadas para poder dispor de artilharia.

De 1690 ao século XIX pertenceu ao marquesado de San Juan de Piedras Albas y de Bélgida.

Entre os séculos XVII e XIX os conflitos entre Portugal e Espanha manterão a raia em estado de prontidão. No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668) o castelo e a vila de Alconchel foram alvo de duas ocupações portuguesas:

- Em 1642 por forças sob o comando do general D. Francisco de Melo; e

- Em 1643 (29 de setembro) forças sob o comando de Matias de Albuquerque, voltaram a impor cerco à vila tendo a população se refugiado no recinto do castelo, que foi forçado a capitular por falta de provisões, tendo os seus soldados caído prisioneiros.

Quando da Guerra Peninsular (1808-1814) a vila foi ocupada por tropas napoleónicas sob o comando do general Honoré Théodore Maxime Gazan de la Peyrière em fins de janeiro de 1811. A população tentou fortificar-se no antigo castelo, então artilhado com três peças em seu baluarte, mas foi forçada a capitular. A povoação manteve-se ocupada até ao mês de abril, quando os franceses a abandonaram diante da presença de tropas aliadas na Praça-forte de Olivença. Os franceses retornariam, entretanto, no mês de junho, e demorar-se-iam até 1812 quando retiraram.

Findo o conflito, a fortificação perdeu a sua importância estratégica devido à anexação de Olivença pela Espanha nos termos do Tratado de Badajoz de 1801 e pelo fato da vida municipal passar a reger-se pela Câmara Municipal (Ayuntamiento) situada na vila, ao sopé do castelo. O castelo caiu então em abandono e em ruínas a partir de então.

O conjunto foi restaurado em nossos dias, com projeto financiado pelo Ministério da Cultura do Governo da Junta da Extremadura visando reabilitá-lo como pousada histórica e centro de convenções e de eventos. Os trabalhos previram a recuperação do acesso à fortificação, que se encontra aberta à visitação pública.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, de implantação rural, isolado, a 296 metros acima do nível do mar.

O conjunto, de planta poligonal orgânica (adaptada ao terreno em que se inscreve), é constituído por três recintos dispostos de forma concêntrica em distintas curvas de nível, destacando-se o aproveitamento das rochas do terreno, particularmente no lado leste, descritas por alguns autores como elementos ciclópicos anteriores à ocupação romana. Este relevo torna a fortificação inexpugnável por esse lado, razão pela qual a maioria dos elementos de defesa foram dispostos nos demais.

O recinto na cota mais elevada é acedido por um portal gótico no lado leste, alcançando-se um edifício com vestígios de abóbada e piso de tijoleira e a própria torre de menagem. No lado oeste da torre adossa-se um outro corpo, que constituiu a antiga capela e cujo acesso não é hoje muito bem compreendido, quer pelo estado de ruína em que caiu, quer pela restauração executada em nossos dias. Este recinto era completado com o acesso às cisternas subterrâneas abertas ao lado da torre de menagem, possivelmente tendo formado parte da parte inferior da mesma.

A torre de menagem, de planta quadrada, é dividida internamente em três pavimentos, percetíveis pelo exterior através de cornijas, faixas horizontais que se destacam nas paredes. Acredita-se que primitivamente devia ser mais elevada, uma vez que lhe faltam as ameias no topo. No lado direito da sua entrada, internamente inicia-se uma escada que, em diversos lances, permite o acesso aos pavimentos, primitivamente com abóbadas de madeira que não sobreviveram. Na parte superior, abre-se um terraço, em que se encontra um orifício central, cuja utilidade se discute em nossos dias: se seria uma claraboia do pavimento superior ou uma cisterna elevada. Em suas paredes, ao longo da escada, rasgam-se seteiras, com exceção do primeiro piso onde se encontra uma de maiores dimensões.

Entre este primeiro recinto e a muralha principal do segundo distam cerca de 10 metros, nos lados sul, leste e oeste, e de 20 metros do lado norte. Acede-se a este por uma portada com aspeto gótico, defendida por torres de planta circular. Aqui se encontravam quartéis em pelo menos três de seus lados (sul, leste e oeste), adossados à muralha principal. A cobertura destas dependências unia-se ao adarve. Este caminho de ronda era protegido por um parapeito ameado, reforçado por cubelos de planta circular, com seteiras. Pequenos detalhes completam a estrutura deste recinto como molduras em tijolo sob os merlões, torres e algumas janelas com molduras de granito. A portada principal é completada pelo espaço necessário para fechá-la com uma tranca de madeira, hoje desaparecida.

O terceiro recinto é fruto da modernização requerida pelo emprego da artilharia, e que aqui se materializa numa falsa braga pelo lado oeste, e que protege o acesso à fortificação: uma muralha espessa e lisa, que configura um acesso em curva, bem protegido pelos cubelos da muralha que envolve a torre.

O problema do abastecimento de água foi solucionado em Alconchel pela construção de cisternas que recolhiam as águas pluviais. Em momentos de paz e de escassez de água, comuns num clima como o da Baixa Extremadura, o abastecimento da população era proporcionado por uma cisterna a 60 metros do castelo, a cisterna do Huerto del Aguilar, de construção mudéjar que ainda se conserva na totalidade.

Nesta fortificação podem-se observar paralelos arquitetónicos com o castelo português de Jurumenha erguido na mesma época, com base nos mesmos critérios e necessidades. Outras semelhanças podem encontrar-se em Burguillos del Cerro ou em Albuquerque.



 Related character


 Print the Related character

Contribution

Updated at 28/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Castle of Alconchel

  • Castillo de Miraflores

  • Castle





  • Spain


  • Featureless and Well Conserved




  • +34 924 420 001


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Badajos
    City: Alconchel



  • Lat: 38 -32' 40''N | Lon: 7 4' 5''W



  • O castelo é visitável, com entrada livre. Entretanto os horários são variáveis de acordo com a época do ano, pelo que se recomenda o contacto prévio com o Ayuntamiento, pelos telefones +34 924 420 001 ou +34 924 420 007.


  • 1811: 3 peças de artilharia antecarga, de alma lisa.



  • Castelo Templário



Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Castle of Alconchel