Castle of Alcácer do Sal

Alcácer do Sal, Setúbal - Portugal

O “Castelo de Alcácer do Sal” localiza-se à margem esquerda do rio Sado, na freguesia de Santa Maria Castelo, cidade e concelho de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, em Portugal.

Desde a Antiguidade a pesca e a exploração do sal trouxeram riqueza à região, atividades apenas superadas, em meados do século XIX, pela cultura do arroz.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do seu sítio remonta à pré-história (períodos Neolítico, Calcolítico e Idade do Bronze), conforme os testemunhos arqueológicos. Posteriormente, conheceu a presença Fenícia, quando se designava “Bevipo”, e o domínio romano. O povoado cunhou moeda própria em meados do século I a.C., com a inscrição “Imperatoria Salacia”, quando controlava a via que comunicava o estuário do rio Tejo com as regiões do Alentejo e do Algarve. No período Visigótico, constituiu-se em sede episcopal. Foi ocupado pelos Muçulmanos a partir de 715. Estes reforçaram defesas de povoação ("Alcácer”, do árabe “Al-Kassr”, castelo), que se manteve um dos principais portos da costa atlântica ao sul do Tejo:

Cidade do Andaluz a quatro jornadas de Silves. É uma bela cidade de grandeza média, situada nas margens de um grande rio que os barcos sobem. Todos os terrenos próximos estão cobertos de bosques de pinheiros, graças aos quais se constroem muitos navios. O território desta cidade é fértil e produz em abundância lacticínios, mel e carne. A distância que separa Alcácer do mar é de vinte milhas.” (Ibn Abd Al-Munin, fins do séc. XIII.)

Consta que, em 966, uma frota de Normandos adentrou a foz do Sado até Alcácer do Sal, tendo desistido da habitual razia à vista da sua defesa.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, no mesmo ano da conquista de Lisboa aos muçulmanos (1147), Alcácer do Sal foi acometida por Afonso I de Portugal (1143-1185) à frente de uma reduzida força de assalto de 60 cavaleiros que, pretendendo explorar o elemento surpresa, foi vigorosamente repelida pelos defensores, que na ocasião lograram ferir o soberano. A região ainda resistiu por alguns anos às arremetidas portuguesas, particularmente em 1151, 1152 e 1157, vindo a cair apenas em 1158, com o auxílio dos cavaleiros da Ordem de Santiago da Espada.

Para melhor defesa e povoamento da região, Sancho I de Portugal (1185-1211) fez a doação desta vila e seu castelo aquela Ordem militar (1186). Entretanto, ainda no reinado deste soberano, as forças Almóadas, sob o comando do califa Abu Iúçufe Iacube Almançor, reconquistaram o Algarve e, avançando para o norte, arrancaram ao domínio português, sucessivamente, os castelos de Alcácer do Sal, Palmela e de Almada (1190-1191). Datará deste período a construção da Torre do Algibe, de planta octogonal, semelhante à Torre Albarrã no Castelo de Badajoz, e à Torre del’Oro, no Castelo de Sevilha.

Só após a Batalha de Navas de Tolosa (1212), em que se registou uma vitória decisiva dos cristãos peninsulares contra os muçulmanos, é que foram reconquistadas as terras perdidas para além da linha de fronteiras que se estendia do rio Tejo até Évora.

Alcácer do Sal e o seu castelo só foram definitivamente conquistados no reinado de Afonso II de Portugal (1211-1223) por um conjunto de forças portuguesas, coordenadas pelo bispo de Lisboa, Soeiro Viegas, e por uma frota de cruzados sob o comando de Guilherme I, conde da Holanda, a 18 de outubro de 1217, após um cerco de mais de dois meses. Após a reconquista, este soberano outorgou carta de foral à povoação (1218) e confirmou a anterior doação de D. Sancho I dos domínios de Alcácer do Sal, Almada, Arruda e Palmela, à Ordem de Santiago, doação mais tarde confirmada por Afonso III de Portugal (1248-1279) na pessoa do Mestre D. Paio Peres Correia e do comendador (24 de fevereiro de 1255).

No século XIII, Dinis I de Portugal (1279-1325) no âmbito da remodelação das defesas do país, procedeu a ampliação e reforço das defesas desta povoação.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, a vila e o seu castelo tomaram o partido do Mestre de Avis, tendo aquartelado tropas sob o comando do condestável D. Nuno Álvares Pereira.

No século XV, o castelo perdeu a sua função militar e foi palco de alguns episódios expressivos da História de Portugal:

• No reinado de João II de Portugal (1481-1495), o “Príncipe Perfeito” foi aqui informado da conspiração articulada pelo duque de Viseu; e

• Manuel I de Portugal (1495-1521) aqui desposou, em segundas núpcias, a infanta D. Maria de Castela (30 de outubro de 1500).

Do século XVI aos nossos dias

Em 1570 Rui de Salema, fidalgo da Casa Real, e sua esposa, D. Catarina de Souto Maior fundaram o Convento de Aracoelli, da Ordem de Santa Clara, no interior do castelo, no local onde tinham funcionado os Paços dos Comendadores da Ordem de Santiago e os Paços Reais.

Quando da crise de sucessão de 1580, as defesas de Alcácer do Sal, despreparadas para o fogo da artilharia, não ofereceram séria resistência às tropas de Filipe II de Espanha (1556-1598).

Perdida a sua função estratégica, o antigo castelo medieval caiu em abandono, situação agravada, a partir de 1834, pela extinção das Ordens Religiosas no país.

O conjunto encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.

A intervenção do poder público entretanto, só se fez sentir a partir de 1958, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), na forma de trabalhos de consolidação e restauro. As intervenções sucederam-se até ao final da década de 1980.

Sofreu estragos provocados pelo terramoto de 28 de fevereiro de 1969.

A partir de 1995 tiveram lugar obras de recuperação do antigo castelo, requalificando-o como estabelecimento hoteleiro, com projeto do arquiteto Diogo Lino Pimentel.

Durante os trabalhos de prospecção arqueológica, que então tiveram lugar, sob a direção do arqueólogo João Carlos Faria, foram descobertos vestígios da Idade do Ferro, que remontam ao século VI a.C., bem como estruturas do período romano e da ocupação muçulmana, abrangendo uma área considerável. Na área intervencionada do Convento encontraram-se muros medievais e também da época cristã pós reconquista, alicerçados parcialmente em paredes romanas que, por sua vez, se sobrepõem a estruturas pré-existentes mais antigas, datadas da Idade do Ferro. A par de inúmeros objetos trazidos à luz pelos trabalhos, destaca-se um arruamento com uma largura de 3,50 metros e que, no início da ocupação romana, foi provido de uma vala de esgotos; construções com alguma imponência que poderão traduzir a existência de uma zona nobre do aglomerado urbano, bem como um santuário romano.

A Pousada D. Afonso II, integrante da rede Pousadas de Portugal, no grupo das Pousadas Design Histórico, foi inaugurada a 16 de maio de 1998.

Em 18 de abril de 2008 foi inaugurada no piso inferior da pousada a “Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal”, onde se encontram expostos diversos artefactos recuperados pelas pesquisas arqueológicas na acrópole do castelo.

Características

Exemplar de arquitetura militar muçulmana e gótica, de enquadramento rural, isolado, no cume de um outeiro na cota de 60 metros acima do nível do mar, sobranceiro à vila, ao rio e aos terrenos adjacentes.

Apresenta planta irregular orgânica, aproximadamente elíptica, alcançando uma extensão de 260 metros no seu eixo maior e de 150 metros, no menor. As muralhas desenvolvem-se em duas linhas diferenciadas, intercaladas por torres a intervalos irregulares, assentes na rocha e envolvendo o outeiro, uma a norte, outra a sul. No lado norte, a muralha e as torres, com adarve envolvente, são rematadas, em quase toda a sua extensão, por merlões quadrangulares; as torres mostram planta quadrangular; a nordeste, no extremo do circuito, ergue-se a Torre do Algipe, de base quadrada transformada em octógono por 4 taludes triangulares; no extremo noroeste, 2 torres mais elevadas flanqueiam um pano de muralha rasgado inferiormente por um arco redondo e superiormente por uma fiada de arcos menores, também a pleno centro. A sul subsiste apenas a parte inferior da muralha e da maior parte das torres; a sudoeste ergue-se uma torre ameada, a meio da linha de muralhas, a Torre do Relógio.

Intramuros, adossadas ao pano de muralha noroeste, encontram-se as ruínas do Convento de Aracoeli, com comunicação com o corpo rasgado por arcos e flanqueado por torres; a Igreja de Santa Maria do Castelo apresenta coro duplo, nave única retangular já sem cobertura, capela-mor orientada, também retangular, rematada por zimbório; do lado norte adossa-se o claustro de 4 alas e 2 pisos, o inferior rasgado por arcos redondos sobre pilastras, o superior por janelas de sacada, com moldura lisa e verga em arco rebaixado. O convento e a igreja abrem para o recinto do castelo.

As crónicas coevas, referem que nas muralhas se rasgavam duas portas, uma a norte (Porta Nova) e outra a leste (Porta de Ferro).

Do mesmo modo há notícias da existência de uma barbacã e de um fosso de que não restam vestígios.



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Contribution

Updated at 21/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.



  • + 351 265 612 058


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Alcácer do Sal



  • Lat: 38 -23' 40''N | Lon: 8 30' 47''W



  • Não há horário estipulado para visita ao castelo.
    Horário de visita da Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal:
    Verão:
    10.00h - 13.00h
    15.00h-19.00h
    Inverno:
    09.00h-12.30h
    14.00h-17.30h
    A última entrada é feita sempre meia hora antes da hora de encerramento
    A cripta encerra à segunda-feira.





  • Castelo da Ordem de Santiago



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