Castle of Palmela

Palmela, Setúbal - Portugal

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O "Castelo de Palmela" localiza-se na vila, freguesia e concelho de mesmo nome, distrito de Setúbal, em Portugal.

Na península de Setúbal, no contraforte leste da serra da Arrábida, está situado entre os estuários do rio Tejo e do rio Sado, próximo à foz deste último. Inscreve-se no Parque Natural da Arrábida. Do alto da sua torre de menagem, em dias claros descortina-se a cidade de Lisboa.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da região remonta à pré-história, particularmente ao período Neolítico, conforme o atestam os testemunhos arqueológicos. Alguns estudiosos apontam a data de 310 a.C., para a fundação de um povoado no local da atual Palmela, fortificado à época da romanização da península Ibérica, em 106, por um pretor da Lusitânia, de nome Áulio Cornélio (ou Áulio Cornélio Palma, segundo outros). A moderna pesquisa arqueológica comprova, entretanto, que a subsequente ocupação do seu sítio foi ininterrupta, por Visigodos e, posteriormente, por Muçulmanos. Estes últimos foram os responsáveis pela primitiva fortificação, entre os séculos VIII e IX, grandemente ampliada entre os séculos X e XII.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a "crónica" de Osberno, um cruzado inglês que tomou parte na conquista de Lisboa (1147), faz alusão aos muçulmanos do Castelo de Palmela. Após esta conquista pelas forças de Afonso I de Portugal (1143-1185), vieram a cair no mesmo ano Sintra, Almada e Palmela. Esta última encontra-se referida por Camões (“Os Lusíadas", Canto III, 65). Na ocasião, as forças Muçulmanas que defendiam Palmela, abandonaram-na, indo refugiar-se em Alcácer do Sal. Não tardaram, entretanto, a reorganizar-se, recuperando a margem sul do rio Tejo. Os cristãos voltaram a conquistar Palmela em 1158. Novamente perdida, foi definitivamente reconquistada pelo soberano em 24 de junho de 1165. A partir do ano seguinte foram-lhe empreendidas obras de reforço nas defesas. Em março de 1170, em Coimbra, D. Afonso I concedeu um foral aos Muçulmanos livres, correntemente designados por “Mouros forros de Lisboa” e extensivo aos de Almada, Palmela e Alcácer do Sal.

Com a subida ao trono de Sancho I de Portugal (1185-1211), a povoação e seus domínios foram doados pelo soberano à Ordem Militar de Santiago, juntamente com Almada e Alcácer do Sal (1186), época em que Palmela recebeu foral, passado pelo seu Mestre. Estas localidades voltam a cair ante a investida das forças Almóadas sob o comando do califa Abu Iúçufe Iacube Almançor, que, após terem reconquistado o Algarve, avançaram para o norte, vindo a arrancar ao domínio português, sucessivamente, os castelos de Alcácer do Sal, Palmela e Almada (1190-1191). As defesas de Palmela ficaram bastante danificadas na ocasião. Reconquistada, segundo alguns, ainda anteriormente a 1194, ou mais provavelmente em 1205, o soberano determinou-lhe os reparos necessários em suas defesas, confirmando a doação desses domínios aos monges da Ordem, que aí instalaram a sua sede anteriormente a 1210, uma vez que no testamento do soberano, lavrado nesse ano, já são designados como “freires de Palmela”.

Apenas após a Batalha de Navas de Tolosa (1212), em que se registou uma vitória decisiva para os cristãos peninsulares, é que foram reconquistadas as terras perdidas para além das fronteiras que se estendiam do rio Tejo até Évora.

Afonso III de Portugal (1248-1279), a 24 de fevereiro de 1255, confirmou à Ordem de Santiago, nas pessoas de seu Mestre, D. Paio Peres Correia, e de seu comendador, os domínios e castelos doados por D. Sancho I e confirmados por Afonso II de Portugal (1211-1223), a saber: Alcácer do Sal, Palmela, Almada e Arruda. O seu filho e sucessor, Dinis I de Portugal (1279-1325), confirmou o foral à vila (1323), acreditando-se que date deste período a 1.ª fase da construção da torre de menagem, em estilo gótico, defendendo a porta principal.

Posteriormente, em 1360, seria confirmada a doação das rendas de Palmela e Arruda à Ordem de Santiago.

Ao final do reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), quando do cerco de Lisboa por tropas castelhanas (março de 1382), os arrabaldes desta vila ao sul também foram saqueados e incendiados: “E tanto se atreveram [as tropas castelhanas], sem achando quem lho contradizer, que foram em batéis pelo rio de Coina acima, e ali saíram em terra, e foram queimar o arrabalde de Palmela, que são dali duas grandes léguas.” (Fernão Lopes. "Crónica de D. João I")

Com a eclosão da crise de sucessão de 1383-1385, o Mestre de Santiago, Fernando Afonso de Albuquerque, na Primavera de 1384, deslocou-se até Lisboa em apoio ao Mestre de Avis, então regente por aclamação popular, tendo integrado a segunda embaixada enviada para a Inglaterra.

Meses depois, durante o cerco de Lisboa pelos castelhanos, foi no alto das torres do Castelo de Palmela que o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, após a vitória na batalha dos Atoleiros (1384), acendeu grandes fogueiras para alertar o Mestre de Avis da sua aproximação, o que, de acordo com o cronista causou grande regozijo entre os sitiados. (Fernão Lopes. "Crónica de D. João I")

Durante o seu reinado, João I de Portugal (1385-1433) procedeu a obras de ampliação e reforço no castelo (1423), determinando-se ainda, já no reinado de Afonso V de Portugal (1438-1481), a ereção da Igreja e do Convento a partir de 1443. Datará também deste período a 2.ª fase da construção da Torre de Menagem. Os trabalhos no convento foram dados como concluídos em 1482, ano em que a Ordem para aqui transferiu a sua sede.

No contexto da conspiração do duque de Viseu contra João II de Portugal (1481-1495), abortada em 1484 com a morte do primeiro às mãos do segundo, um dos conjurados, o bispo de Évora, Garcia de Meneses, foi encarcerado na cisterna do castelo, onde veio a ser assassinado. O episódio, narrado sumariamente nas crónicas de Rui de Pina e Garcia de Resende, é um pouco mais esclarecedor na pena deste último:

O bispo de Évora, ao tempo da morte do Duque [de Aveiro], estava com a Rainha, e aí o foi chamar, da parte d’el-rei, o capitão Fernão Martins; e em saindo fora, foi logo preso e levado com muita gente e muito recado ao Castelo de Palmela e metido em uma cisterna sem água que está dentro da torre de menagem, onde daí a poucos dias depois faleceu, e dizem que com peçonha.

Manuel I de Portugal (1495-1521) outorgou o Foral Novo à vila (1512). À época, a Visitação efetuada à igreja refere a existência de um altar consagrado a Santo António (1510), havendo a informação de que o templo foi feito “de novo” em 1534 com recurso a esmolas de Dom Prior e de pessoas devotas. Em 1572 concluiu-se a construção da capela de Santo António no interior da igreja, a expensas da sua confraria, conforme inscrição gravada no arco da mesma: “CAPELA DE SANTO ANTÓNIO QUE FEZ A CONFRARIA E S(?) ANDRÉ VAZ E ANTÓNIO FEIO EM O DE 1572”.

Do Domínio Filipino aos nossos dias

No contexto do Domínio Filipino (1580-1640) Filipe III de Espanha (1598-1621) formula um pedido (28 de fevereiro de 1612) para que se atenda à carta do prior mor do convento de Palmela que referiu a falta de ornamentos e a necessidade de reparação do convento. Nesse mesmo ano (1612) ordena-se a Baltazar Álvares, arquiteto do rei e das ordens militares, que execute o reconhecimento do local do castelo e averigue se se deve executar uma nova traça do edifício. Álvares, a seu turno, refere que o convento encontrava-se em mau estado, prejudicando a comunidade, e que portanto dever-se-ia dar início à obra de reedificação, começando pelos dormitórios e aposentos dos freires. Uma carta de 8 de agosto de 1612 dá notícia da mudança da freguesia de Santa Maria para a ermida de São Sebastião, efetuada há alguns anos, por a igreja estar "danificada e com os telhados e madeiramentos para se vir ao chão". Como a ermida era pequena para albergar os fregueses, o soberano ordenou a construção de uma nova igreja com dinheiros provenientes da comenda de Ribatejo. Estas rendas, entretanto, não eram suficientes e optou-se pela reconstrução da igreja, "correndo a capela-mor mais à direito e fazendo-se uma sacristia e de novo o madeiramento e telhado dela", obras já sugeridas na primeira visitação da Ordem de Santiago e apoiada pelos juízes, vereadores e povo de Palmela. Assim, na última visitação concorda-se em reconstruir esta igreja, pois era mais viável do que construir uma nova até pela devoção que os fregueses têm, por nela estarem "sepultados seus maiores, aonde ainda de presente se enterram sem embargo de estar a dita freguesia na ermida de São Sebastião".

Em 1689 registou-se a conclusão da cintura abaluartada de muralhas, por ordem de Pedro II de Portugal (1667-1706), conforme inscrição epigráfica. Ainda no século XVII foram iniciadas construções para aquartelamento militar.

Em meados do século XVIII foi instalado o mecanismo de um relógio de ponteiro único na torre sineira da Igreja de Santiago (face norte), fabricado em Liège na oficina do mestre Henri Rossius, e um mostrador em azulejo (1752). O terramoto de 1 de novembro de 1755 causou extensos danos ao castelo. Ainda assim manteve-se ocupado pelos freires de Palmela até à extinção das Ordens Religiosas em Portugal (1834). Foi então ocupado por um contingente do Exército português, aí tendo nascido o explorador Hermenegildo Carlos de Brito Capelo (4 de fevereiro de 1841), filho do comandante da guarnição. Nesse período, após o terramoto de 1858, habitantes do bairro do Troino, em Setúbal, recorreram a materiais de construção do castelo de Palmela para reconstrução das suas habitações.

O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136 de 23 de junho. A ZEP / Zona "non aedificandi" do Castelo de Palmela, da Igreja de Santiago e do Pelourinho de Palmela encontra-se redefinida pela Portaria n.º 62/2010, publicada no Diário da República, II Série, n.º 12, de 19 de janeiro.

A intervenção do poder público fez-se sentir a partir de 1930, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), na forma de trabalhos de consolidação e restauro nos revelins das muralhas sul, norte e leste, nos lanços das muralhas sul e norte, e nos parapeitos do passadiço para a torre de menagem. Posteriormente, dentro do Plano de Restauro dos Monumentos Nacionais empreendido pelo Estado Novo no âmbito da comemoração dos centenários da Fundação e Restauração da nacionalidade (1140, 1640), promoveu-se um conjunto de intervenções no castelo: consolidação dos baluartes exteriores, demolição de edifícios considerados sem valor e em ruínas no interior do castelo, consolidação de abóbadas no interior do convento (1939), reparação do revelim desmoronado à entrada do castelo (1940), construção de paredes de alvenaria, e abobadilhas de tijolo, pavimento de tijolo assente em espinha no convento (1942-1943), construção de abobadilhas, armação do telhado em madeira de castanho, construção do telhado de 2 pavilhões (1944), refundição de um sino do castelo e concerto do badalo (1945).

Nas décadas de 1950 e 1960 tiveram lugar novas campanhas de intervenção: obras na casa do almirante Capelo (reconstrução de telhados, rebocos, pintura e caiação), instalação de portas e caixilhos e de instalações sanitárias (1956-1960), reconstrução de muralhas e iluminação exterior do castelo (1961).

As instalações do antigo convento foram requalificadas como pousada (1969-1979), com projeto do arquiteto Luís dos Santos Castro e Lobo, integrando a rede Pousadas de Portugal, inserido no grupo das “Pousadas Históricas”.

No início da década de 1980 tiveram lugar trabalhos de valorização das muralhas (1981) e de instalação de um para-raios (1982).

Em 1993 trabalhos de prospecção arqueológica puseram a descoberto restos de azulejos do século XVII que revestiam as paredes da Igreja de Santa Maria e ossadas humanas de finais do século XIX provenientes de sepulturas sob a nave da igreja.

O antigo claustro do convento foi objeto de intervenção Paisagista com projeto do Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles (1995). Intervenções de menor monta tiveram lugar no ano seguinte (1996): assentamento do sino e construção de uma escada de cantaria na sacristia da igreja, construção e assentamento da caixilharia na casa do guarda, construção de abóbadas no refeitório e anexo.

Em 1997 registou-se a instalação do Museu Municipal e de um Posto de Turismo.

No ano 2000 procedeu-se a reconstrução de troço da muralha oeste, ruído, e sua limpeza, assim como a consolidação, refechamento de juntas do pano norte contíguo.

Com relação à Pousada, a ENATUR procedeu à atualização do levantamento (2001), tendo sido elaborado projeto de beneficiação e ampliação da pousada (2002).

Mais recentemente, em 5 de abril de 2012 foi publicado o anúncio do concurso público n.º 1395/2012 para a requalificação das galerias da praça de armas e remodelação de espaços museológicos, englobando demolições, arquitetura, estabilidade, redes de águas, drenagem de águas residuais domésticas, instalações elétricas, telecomunicações, instalações eletromecânicas - ventilação, instalações de segurança contra incêndios, instalações de deteção contra intrusão e fornecimento de equipamento museográfico e informativo sobre os achados arqueológicos. O valor do preço-base do procedimento era de 250.000 Euros.

No interior do recinto do castelo os visitantes encontram a Pousada Histórica de Palmela (no edifício do antigo convento), a Igreja de Santiago (sala de exposições), as ruínas da Igreja de Santa Maria (cuja sacristia foi recuperada para albergar o Gabinete de Estudos da Ordem de Santiago), um Museu Municipal (com vários espaços de arqueologia), um Posto de Turismo, um auditório, e uma loja de artesanato e vinhos.

O castelo nos “media

Em 1971 o realizador espanhol Amando de Ossorio utilizou o castelo como um dos cenários do filme "La Noche del Terror Ciego". Em 2005 a SIC gravou no local um episódio da série juvenil Uma Aventura baseado no livro "Uma Aventura no Castelo dos Ventos", das escritoras Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães.

Características

Exemplar de arquitetura militar, religiosa, românica, gótica e maneirista, de implantação isolada, na cota de 238 metros acima do nível do mar.

O conjunto é constituído pelo castelo, em cujo interior se erguem as igrejas de Santiago e de Santa Maria e o convento.

O castelo apresenta planta irregular alongando-se no sentido leste-oeste. Os panos de muralha verticais são reforçados do lado norte por cubelos semicirculares, por 2 torres quadrangulares nas extremidades leste e oeste; a seguir à porta de entrada, rasgada a meio do pano sul, a torre de menagem, de planta trapezoidal, de vários pisos, coroada de merlões quadrangulares; porta secundária rasgada do lado sul; anel exterior de muralhas em talude, com baluartes terraplenados, rodeia o castelo do lado norte e na parte do lado sul não assente em escarpa rochosa; revelim triangular em frente à entrada principal.

O convento, adaptado a pousada, encontra-se adossado à muralha no extremo oeste do castelo e aproveitando o desnível pronunciado desse lado, apresenta planta quadrangular desenvolvendo-se em torno de um claustro central. Divide-se internamente em 2 pisos, com cobertura diferenciada em telhados de 2, 3 e 4 águas, e de fachadas rasgadas por múltiplos vãos regulares.

A Igreja de Santiago encontra-se adossada à muralha do lado sul, frente ao mosteiro, seguida das casas dos priores, cobertas por telhados diferenciados de 2 e 4 águas respectivamente. É coroada de merlões. Alberga o túmulo de D. Jorge, último Mestre da Ordem de Santiago. Azulejos de "tapete" do século XVII com as insígnias da ordem forram as paredes da capela-mor que apresenta uma abóbada de ogivas manuelina.

As ruínas da Igreja de Santa Maria localizam-se a leste. O templo apresentava nave única, com capela-mor onde se encontram os arranques das nervuras da abóbada; na parede norte abrem-se dois arcos plenos com entablamento truncado sendo que o da direita possui uma inscrição nas metópas do friso; no pavimento de terra batida encontram-se três tampas de sepultura epigrafadas e fragmentos de elementos arquitetónicos encostados à parede do lado norte; a sul da igreja erguem-se os quarteis da tropa, compostos por 2 blocos de construções paralelas de 1 piso, cobertos por terraço, delimitado o bloco sul por edifícios de 2 pisos com telhado de 4 águas.

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  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136 de 23 de junho. A ZEP / Zona "non aedificandi" do Castelo de Palmela, da Igreja de Santiago e do Pelourinho de Palmela encontra-se redefinida pela Portaria n.º 62/2010, publicada no Diário da República, II Série, n.º 12, de 19 de janeiro.



  • + 351 212 336 640


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Setúbal
    City: Palmela



  • Lat: 38 -34' 3''N | Lon: 8 54' 4''W



  • Horário de acesso à Torre de Menagem e Praça de Armas do Castelo:

    De terça a Domingo

    Inverno: último domingo de outubro ao último domingo de março

    - Praça de Armas: abertura às 8h00 e encerramento às 18h00;

    - Torre de Menagem: abertura às 10h00 e encerramento às 17h30.

    Verão: último domingo de março ao último domingo de outubro

    - Praça de Armas: abertura às 8h00 e encerramento às 20h00;

    - Torre de Menagem: abertura às 8h00 e encerramento às 19h30.

    Encerra às Segundas e feriados

    Entrada gratuita





  • Castelo da Ordem de Santiago



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