Castle of Odemira

Odemira, Beja - Portugal

O “Castelo de Odemira” localizava-se na freguesia de São Salvador e Santa Maria, no concelho de Odemira, distrito de Beja, em Portugal.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação de seu sítio remonta à Idade do Bronze, tendo sido identificados os vestígios de um grande fosso pertencente a uma fortificação existente no alto do cerro (século IV a.C.), escavado pelos arqueólogos Jorge Vilhena e Joel Rodrigues.

Tradicionalmente aceita-se que aqui terá existido um “oppidum” Romano, posteriormente ocupado por Visigodos e por Muçulmanos.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, a povoação foi tomada aos Muçulmanos em 1166 pelas forças de Afonso I de Portugal (1143-1185).

Em 1245, D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, doou o seu castelo ao bispo da Diocese do Porto, D. Pedro Salvadores.

Sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), a vila recebeu carta de foral (1256), apontando-se esta data como ano aproximado da reconstrução da fortificação, agora tipologicamente vinculada às determinantes góticas. Infelizmente, da obra então realizada praticamente nada sobreviveu.

Em 1319 Dinis I de Portugal (1279-1325) doou os domínios da povoação e seu castelo ao bispo do Porto, Fernando (II) Ramires (1313-1322). Datará deste período a construção de uma nova cerca para a vila. Ainda em seu reinado, os rendimentos da vila e seu termo foram utilizados para remunerar o almirante genovês Manuel Pessanha (Emmanuele di Pezagna) e seus descendentes (24 de setembro de 1319). Este navegador, contratado por D. Dinis como almirante para organizar a Marinha Portuguesa e combater a pirataria, foi o autor da primeira viagem documentada às ilhas Canárias a mando da Coroa portuguesa (1341).

Sob Afonso IV de Portugal (1325-1357), Odemira passou, por alguns anos, para a Ordem de Santiago, acabando por voltar à Coroa em 1352.

Pedro I de Portugal (1357-1367) voltou a entregar o castelo de Odemira à família Pessanha, desta vez a um filho de Manuel Pessanha – Lançarote Pessanha (1357).

Posteriormente, em 1387, Lourenço Anes Fogaça recebeu de João I de Portugal (1385-1433) a vila de Odemira. O último elemento desta família a deter o senhorio de Odemira foi João Fogaça, escudeiro da casa do Infante D. João.

A vila foi alçada à condição de condado sob o reinado de Afonso V de Portugal (1438-1481) por decreto datado de 9 de outubro de 1446, sendo 1.° conde de Odemira, D. Sancho de Noronha, casado com D. Mécia de Sousa. Este privilégio manteve-se na família até ao reinado de João IV de Portugal (1640-1656), quando estes domínios foram doados a D. Francisco de Faro e Noronha, 7.º conde de Odemira.

Manuel I de Portugal outorgou o Foral Novo à povoação em 1510.

Do século XVI aos nossos dias

Desde o século XV, perdida a sua função estratégica em favor de pontos militares costeiros, o sistema defensivo da vila caiu em abandono, arruinando-se ao longo dos séculos.

Pedro II de Portugal (1667-1706), doou estes domínios ao 1.° duque do Cadaval.

Em nossos dias dispomos apenas de escassos vestígios quer do castelo, quer da antiga cerca que a envolvia. Podem ser vistos troços das antigas muralhas a servir de suporte a uma ampla esplanada ajardinada, na zona mais elevada da vila (o cerro do Peguinho) e de estrutura a algumas construções urbanas, como a base da torre sineira do edifício da Câmara e a da Biblioteca Municipal. A antiga fortificação sobreviveu apenas na toponímia do bairro do Castelo, a parte da vila medieval compreendida intramuros.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) promoveu trabalhos de sondagens, remoção de terras para definição do traçado da muralha, e elevação de panos de muralha em 1974.

Os troços existentes das muralhas do antigo Castelo de Odemira foram homologados como Imóvel de Interesse Público por Despacho de agosto de 1980. Posteriormente, foram incluídos no Plano de Desenvolvimento Municipal (PDM) de Odemira, conforme Resolução n.º 114/2000, publicada no Diário da República n.º 196, de 25 de agosto. Entretanto, em 23 de outubro de 2009 o seu processo de classificação foi encerrado, nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, publicado no Diário da República, I Série, n.º 206 de 23 de outubro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, publicado no Diário da República, I Série, n.º 251 de 28 dezembro, que faz caducar os procedimentos que não se encontrem em fase de consulta pública.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval, constituído por um castelo de elevação, de enquadramento urbano, e cerca da vila. No alto de um outeiro, os vestígios da muralha acompanham a coroa do mesmo que se levanta a cavaleiro da margem direita do rio Mira, estendendo-se pela vertente sul.

No ponto mais elevado da vila, desenvolvendo-se em espécie de cunha de contorno ligeiramente oval, ergue-se uma esplanada definida pelo que resta da antiga muralha, reconstruída no século XX. Da cerca medieval, da sua organização interna, portas e torres nada chegou até hoje, embora subsista um troço reconstruído a que se associa a base de uma torre quadrangular.

Bibliografia

QUARESMA, António Martins. Odemira - Subsídios para uma Monografia (v. II). Odemira, 1989.



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Contribution

Updated at 18/03/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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    Em 23 de outubro de 2009 o seu processo de classificação foi encerrado, nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, publicado no Diário da República, I Série, n.º 206 de 23 de outubro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, publicado no Diário da República, I Série, n.º 251 de 28 dezembro.





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Beja
    City: Odemira



  • Lat: 37 -36' 10''N | Lon: 8 38' 38''W






  • 1974: A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) promoveu trabalhos de sondagens, remoção de terras para definição do traçado da muralha, e elevação de panos de muralha.




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