Fort of São Clemente

Odemira, Beja - Portugal

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O “Forte de São Clemente”, também referido como “Forte de Milfontes”, “Castelo de Vila Nova de Milfontes” e “Castelo de Milfontes”, localiza-se na freguesia e vila de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, distrito de Beja, em Portugal.

Na margem direita da foz do rio Mira, em posição dominante sobre a vila piscatória, estava integrado no plano de defesa da costa a sul do rio Sado, com a função de proteção daquele ancoradouro e do acesso a Odemira das incursões de corsários e piratas da Barbária.

Em nossos dias encontra-se inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

História

Antecedentes

Considerado como o melhor porto natural da costa sul do país, a primitiva ocupação deste trecho do litoral é muito antiga, tendo sido identificados vestígios da presença Fenícia, Grega, Cartaginesa e Romana.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, o litoral alentejano era um território escassamente povoado e sem organização administrativa. Para remediar essa situação, e como recompensa pelo seu papel na guerra contra os Muçulmanos, Afonso III de Portugal (1253-1279) fez largas doações à Ordem de Santiago. Foi nesse contexto, já no século XIII, que a povoação pesqueira na foz do rio Mira foi primitivamente fortificada, pelo bispo da Diocese de Lisboa, D. Soeiro Viegas, tendo posteriormente recebido carta de foral outorgada por aquele soberano.

Na segunda metade do século XV, sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495), a povoação sofreu um assalto por piratas argelinos, que a saquearam. O primitivo castelo foi incendiado e a povoação ficou deserta.

Em 1486 D. João II fundou uma nova vila, no local chamado Milfontes, com o propósito de proteger e desenvolver as atividades comerciais. Desanexou o seu território do concelho de Sines, a que antes pertencia, e criou um novo concelho que existiu até 1836.

Visando o seu repovoamento, Manuel I de Portugal (1495-1521) passou-lhe o Foral Novo, já com o nome de Vila Nova de Mil Fontes (20 de agosto de 1512), assegurando amplos privilégios aos seus habitantes.

O Forte de São Clemente

Nos séculos XVI a XVIII, o corso magrebino assolou as costas portuguesas de forma dramática. Para fazer face a este clima de medo e instabilidade, ao final do século XVI foi mandado edificar o Forte de São Clemente (Castelo de Mil Fontes). O cronista Damião de Góis refere que o forte terá sido erguido em 1552 sobre uma fortificação anterior, então em ruínas. ("Crónica do Príncipe D. João", 1567)

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) a povoação foi de novo assaltada e arrasada em 1590.

Em 1598 o Conselho de Guerra de Filipe III de Espanha (1598-1621) comissionou o engenheiro militar napolitano Alexandre Massai para fazer o reconhecimento da foz do rio Mira e propor a "trassa" para uma nova fortificação. Seguindo as determinações do Conselho, aquele profissional elaborou a "(...) traça do forte, em dois pareçeres", apontando "(...) o sítio onde ella comvinha fazerçe".

Desse modo, Massai foi deslocado para Vila Nova de Milfontes, dando-se início às obras no ano seguinte (1599), com a transferência do canteiro de obras do Pessegueiro, cujas obras, portuárias e de defesa, ficaram interrompidas. A pedra para a construção foi, tal como no Pessegueiro, o arenito extraído do próprio litoral. O novo forte foi colocado sob a invocação de São Clemente, santo consagrado às causas do mar, sendo os trabalhos dados como concluídos em 1602.

O relatório "Descrição do Reino do Algarve" (1621) traz uma planta de situação do local, acompanhada da descrição do estado do forte, conforme a visita de inspeção realizada em 1618, na qual o engenheiro verificou as obras necessárias, elaborando projeto e orçamento para tanto. Por esse instrumento tomamos conhecimento de que o forte já necessitava de reparação, e que estava artilhado com 5 peças, arcabuzes e mosquetes, mas sem munições nem guarnição. Estava então entregue a Diogo Fernandes, um rico homem da vila.

Em 1693 regista-se a conclusão de reparações, momento em que se encontrava guarnecida por 2 companhias de soldados.

Com o assoreamento do seu ancoradouro a partir do século XVII, a povoação perdeu importância regional.

Quando do terramoto de 1 de novembro de 1755, os danos sofridos foram assim descritos:

"Tãobem o referido castello desta villa [Nova de Milfontes] padeceo alguma ruina; de modo, que todos os telhádos que cobrem seus edificios (posto que poucos já tinha) inormemente se destruírão, e se pozérão por terra: demoliuce quazi toda a parede de huma caza, que servia de cozinha, cahírão alguns portádos e suas simalhas; abrírão algumas raxas muytas paredes de seus ditos edeficios, campanario do seu sino, e gorita das sentinelas; de maneyra que apenas estão duas cazas com alguma capacidade para a acomodação do cabo e sua familia, às quais o mesmo cabo mandou compor os telhádos todos para nellas poder habitar. E o mais tudo está jazendo nas suas referidas roínas." (Resposta à pergunta n.º 26 - Sobre a Terra. "Memórias Paroquiais".)

Em meados do século XIX, na reforma administrativa de 1855, Vila Nova de Milfontes perdeu a categoria de vila, que só veio a retomar em 1988.

Do século XX aos nossos dias

Cessada a sua importância estratégica, o imóvel foi arrematado em hasta pública, em 1903, pelo Capitão de Infantaria Valério Manco Ferrão, residente em Lisboa, por 464 mil réis. Este, por sua vez, vendeu-o, em 1909, a Francisco de Jesus Gonçalves, então morador na herdade de Gomes Anes (em Odemira), pelo montante de 250 mil réis, conforme valores declarados nas respectivas escrituras.

À época, o forte apresentava um aspecto de abandono, principalmente nos muros voltados para a barra do rio, devido ao casario adossado ao cavaleiro, nos parapeitos e na contraescarpa, embora os muros da praça alta lhe conferissem ainda sólida aparência. Os seus novos proprietários pouco fizeram pela sua conservação nas décadas seguintes. A Câmara Municipal cogitou a sua desapropriação e demolição em 1931, o que não ocorreu por falta de recursos. Um novo pedido de demolição teve lugar em 1937, contrariado pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).

Em estado de ruína, em 1939 (com escritura lavrada em 1940) o imóvel foi adquirido por D. Luís Manuel de Castro e Almeida, através de sua esposa Margarida Marques de Figueiredo. O novo titular, natural de Lisboa, era uma pessoa viajada, proprietário e negociante, e determinou a restauração do imóvel adaptando-o a sua residência. Como forma de ajudar a custear a dispendiosa manutenção das instalações, em 1959 o proprietário decidiu receber hóspedes, transformando-o numa pequena "pousada", uma iniciativa pioneira no campo do turismo de habitação no país.

Com o falecimento do casal de proprietários, o forte passou para as mãos de Miguel de Faria e Maia de Aguiar, açoriano e cônsul honorário de França em Ponta Delgada, o seu atual proprietário.

O antigo forte conservou essas funções até 2009, quando foi posto à venda com o preço de 4 milhões de euros. A Câmara de Odemira, apesar de ter direito de preferência sobre o imóvel, anunciou logo naquele ano não ter condições para suportar a compra do imóvel pelo valor exigido.

Encontra-se classificado como Imóvel de interesse público pelo Decreto 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro.

Posteriormente, com a criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, foi incluído numa das áreas de salvaguarda do Património Cultural (Decreto 33/95).

Encontra-se incluído no Plano de Desenvolvimento Municipal de Odemira, pela Resolução nº.114/2000, publicada no Diário da República n.º 196, de 25 de agosto.

No largo fronteiro ao forte, um monumento recorda que foi dos campos vizinhos que descolaram os aviadores Brito Pais, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, em 1924, para o arriscado voo que os levou a Macau.

Características

Exemplar de arquitetura militar, maneirista, romântica, de enquadramento urbano. Ergue-se na vertente sul de pequeno outeiro, a pique sobre a borda-d'água, na margem direita do rio Mira.

Antes das alterações a fortificação apresentava planta poligonal, com muralha em talude, rematada a norte e leste por canhoneiras, 2 baluartes triangulares salientes nos cantos noroeste e sudoeste, a que correspondiam 2 plataformas em níveis diferentes, separadas por casamatas, casas do governador, armazéns e capela. Os panos norte e leste eram rodeados por fosso, defendido por 2 terraços com revelins triangulares salientes.

As alterações adaptaram-na a residência, com um ambiente romântico criado pela construção de um cubelo medieval ameado assente no terraço do lado norte, e pelo revestimento a hera das fachadas norte e leste. O cubelo oculta um depósito de água, construído à época para sanar deficiências no abastecimento. No interior da praça a área habitável foi sendo ampliada pela escavação do terrapleno e ligação deste ao fosso por uma pequena porta, bem como pela ampliação das edificações na praça alta.

O forte era cercado, a norte e a leste, por um fosso inundado, limitado no exterior por uma contraescarpa, percorrida por uma estrada coberta, acessível a partir do fosso por uma escada de pedra hoje desaparecida. O muro que hoje rodeia o fosso do castelo e que forma os miradouros da barbacã é o que resta dessa primitiva defesa exterior. O fosso era ultrapassado por uma ponte levadiça que acedia o portão de armas, em arco redondo, no pano leste.

Os panos oeste e sul são rasgados por vãos de verga redonda. No interior erguem-se os alçados do edifício de habitação, de 2 pisos, que abrem para o pátio que deita sobre o rio. No superior encontrava-se a Casa de Comando (coberta primitivamente por um terraço para mosquetaria, mais tarde substituído por um telhado) e, no inferior, quartéis de tropa e armazéns. As demais dependências, inclusive a Capela, situavam-se na praça baixa, junto ao terrapleno. Cobertura em terraço e em telhado, guarita cilíndrica no ângulo nordeste.

O baluarte voltado para a foz do rio, nas plantas mais antigas do forte, apresentava figura arredondada, mas após a campanha de obras desenvolvida por volta de 1693, ficou em aresta viva.

Pelo exterior, destaca-se o friso das janelas em arco que arremata o muro da praça baixa e particulariza a silhueta do forte vista pelo sul ou pelo oeste. Recentemente, foi construída uma réplica de um cubelo na praça alta, pelo lado norte.

Bibliografia

CALIXTO, Carlos Pereira. "O Forte de S. Clemente de Vila Nova de Milfontes", in: O Dia, 6 de setembro de 1979.

QUARESMA, António Martins. Apontamentos Históricos sobre Vila Nova de Milfontes. Odemira, 1988.

GUEDES, Lívio da Costa. "Aspectos do Reino do Algarve nos séculos XVI e XVII - A 'Descripção' de Alexandre Massaii (1621)", in: Boletim do Arquivo Histórico Militar. Lisboa, 1988.

  • Fort of São Clemente

  • Forte de Milfontes, Castelo de Vila Nova de Milfontes, Castelo de Milfontes

  • Fort

  • 1599 (AC)

  • 1602 (AC)

  • Alexandre Massaii

  • Philip III of Spain

  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de interesse público pelo Decreto 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro.
    Com a criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, foi incluído numa das áreas de salvaguarda do Património Cultural (Decreto 33/95).







  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Beja
    City: Odemira



  • Lat: 37 -44' 39''N | Lon: 8 46' 59''W




  • 1621: 5 peças de artilharia antecarga, de alma lisa, arcabuzes e mosquetes, mas sem munições.


  • Décadas de 1940 e 1950: obras de consolidação e reconstrução, adaptando as dependências do antigo forte a residência e a turismo de habitação.




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