Forte do Pessegueiro

Sines, Setúbal - Portugal

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O “Forte do Pessegueiro”, também referido como “Forte de Nossa Senhora da Queimada”, “Forte da Praia do Pessegueiro” e “Forte da Ilha de Dentro”, localiza-se na freguesia de Porto Covo, concelho de Sines, distrito de Setúbal, em Portugal.

Em posição dominante sobre a praia do Pessegueiro, cruzava fogos, na ilha do Pessegueiro, com o “Forte de Santo Alberto”, também referido como “Forte da Ilha do Pessegueiro” e “Forte da Ilha de Fora”.

Ambos faziam parte de um projeto mais amplo de defesa da Costa Vicentina, o projeto portuário da ilha do Pessegueiro. O conjunto, atualmente, encontra-se compreendido na área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

História

Antecedentes

Acredita-se que a ocupação deste trecho da costa remonte à presença de navegadores cartagineses anteriormente à Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.), sucedidos por romanos, conforme testemunham os restos arqueológicos de edificações dos séculos I e II, de um balneário do século IV, e de tanques para a manufatura de salga de peixe, o chamado "garum". descobertos ao final da década de 1970, e escavados a partir do Verão de 1981.

A devoção a Nossa Senhora da Queimada

Durante séculos a ilha terá sido utilizada como refúgio de piratas. De acordo com uma lenda local, certo dia chegou à ilha um grupo de piratas da Barbária, que aí só encontrou um eremitão, decidido a defender a ermida à sua guarda e a impedir a todo o custo o seu próprio cativeiro. Os piratas mataram-no, saquearam o pouco que existia na ermida e atiraram, para um silvado a arder, a imagem da Virgem, tendo partido em seguida. Chegaram então as gentes de Porto Covo em socorro, mas nada mais puderam fazer do que dar sepultura ao eremitão. Não vendo a imagem da Virgem, procuraram-na por toda a ilha, indo descobri-la intacta sem qualquer dano, entre as cinzas fumegantes do silvado. O povo recolheu-a e colocou-a então numa nova ermida em terra firme, sob a invocação de Nossa Senhora da Queimada.

O projeto portuário do Pessegueiro

No contexto da União Ibérica (1580-1640), período em que redobraram os ataques de corsários e piratas da Barbária ao litoral sul de Portugal, projetou-se ampliar e fortificar o ancoradouro natural do Pessegueiro. Pretendia-se assim aproveitar as suas condições naturais para formar um grande porto, com funções simultaneamente comerciais e militares, que servisse a costa sudoeste, já que era considerado à época, entre Setúbal e Lagos, a melhor saída para o mar. Obra de vulto para época, tratava-se, no essencial, de fazer, por meio de um molhe de pedra, a ligação artificial da extremidade norte da ilha do Pessegueiro a terra firme, com o apoio de uma ilhota, o chamado Penedo do Cavalo. O projeto teve a aprovação do então Vice-rei de Portugal, Cardeal Alberto Ernesto de Habsburgo (1583-1593).

Os trabalhos foram iniciados em 1588 pela construção do Forte da Praia do Pessegueiro e pelo corte de blocos de pedra lançados ao mar entre a ilha do Pessegueiro e o penedo do Cavalo, sob a direção do engenheiro militar italiano Filippo Terzi (1520-1597).

A partir de 1590, Terzi foi substituído na direção dos trabalhos pelo engenheiro militar napolitano Alexandre Massai. Dando-lhes continuidade, Massai iniciou a edificação, na ilha, do Forte de Santo Alberto. Com a sua transferência para as obras de defesa da barra do rio Mira (Forte de São Clemente em Vila Nova de Milfontes), os trabalhos no porto e fortes do Pessegueiro foram interrompidos (1598).

As obras do Pessegueiro foram reiniciadas em 1603, mas novamente interrompidas no mesmo ano.

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), sob a regência de Luísa de Gusmão (1656-1662), foram reiniciadas as obras do Forte da Praia do Pessegueiro (1661), concluídas em 1690, sob o reinado de Pedro II de Portugal (1683-1706). Entre 1679 e 1684 as obras ficaram a cargo do engenheiro militar João Rodrigues Mouro. À época ficou guarnecido por 30 homens e artilhado com 5 peças.

Quando do terramoto de 1 de novembro de 1755, a capela do Forte da Praia do Pessegueiro e as baterias sobre as casamatas sofreram danos.

Tendo perdido a função defensiva diante da evolução dos meios bélicos, o Forte da Praia do Pessegueiro foi desguarnecido por volta de 1844.

De 1877 a 1942 as suas dependências foram ocupadas por uma guarnição da Guarda Fiscal.

Em 1962 foi concebido o projeto de requalificá-lo como uma pousada do Secretariado Nacional da Informação (S.N.I.), o que jamais saiu do papel.

O “Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957. O Decreto n.º 735, de 21 de dezembro de 1974, esclarece que a classificação abrange o "Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome, abrangendo o Forte da Ilha de Dentro".

Entre 1983 e 1985 foram procedidas no Forte do Pessegueiro obras de consolidação e de beneficiação da estrutura por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), especificamente a nível dos paramentos exteriores do baluarte esquerdo e da zona central, na zona da porta de entrada, tendo-se procedido ainda à reconstrução de zonas ruídas ou em riscos de desprendimento.

O Forte de Santo Alberto, embora aberto à visitação pública, encontra-se seriamente degradado e em estado de abandono, com os estudiosos a alertar para o risco de desabamento parcial iminente. Um projeto de recuperação foi dscutido entre a DGEMN e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSA) passando pela criação de um centro de interpretação de estudos arqueológicos e do património natural. Contemplava ainda a demolição do atual restaurante da ilha e a sua transferência para as dependências no interior do Forte da Praia do Pessegueiro, a consolidação da arriba (prejudicada pela erosão) e a construção de um parque de estacionamento para os visitantes.

Em 2008 o Forte do Pessegueiro foi finalmente objeto de obras com o investimento de 310 mil euros, suportados 87,5% pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICN) e o restante pela Câmara Municipal de Sines. Os trabalhos implicaram sobretudo a estabilização da fortaleza e do talude onde assentam os seus alicerces, bem como o reforço estrutural de tetos, paredes, pavimentos e terraços.

Características

Exemplares de arquitetura militar, quinhentista e seiscentista, de enquadramento rural, isolados, à borda-d’água. O Forte do Pessegueiro implantado na linha costeira, dominando a praia do Pessegueiro, e o Forte de Santo Alberto, na ilha do Pessegueiro, em frente à praia.

O Forte do Pessegueiro apresenta planta quadrangular, com tenalha de 2 baluartes triangulares virados para terra e uma bateria sobre a praia. O conjunto é envolvido por um fosso circundado por muro baixo. Em seu interior encontram-se construções dispostas em “U”, cobertas por terraço. Os muros são espessos, em talude, em alvenaria, com cunhais em cantaria, encimados por parapeito acima de um toro semicircular envolvente. Existem vestígios do assentamento de uma guarita circular a meio do pano virado para o mar (oeste). A Porta de Armas é rasgada a meio do pano virado para terra, com acesso por ponte em madeira, cruzando o fosso. No interior dos muros, existem casamatas abobadadas com chaminés. A capela, também abobadada, sob a invocação de Nossa Senhora da Queimada, localiza-se no extremo do braço norte.

O Forte de Santo Alberto apresenta planta poligonal estrelada, com 4 baluartes triangulares dispostos simetricamente nos vértices. As casamatas erguem-se na parte central da estrutura e, no extremo oposto à entrada, a capela, sob a invocação de Santo Alberto.



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Contribuições

Atualizado em 31/07/2020 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuições com mídias: Projeto Fortalezas Multimídia (Jéssica Pedrini) (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


  • Forte do Pessegueiro

  • Forte de Nossa Senhora da Queimada, Forte da Praia do Pessegueiro, Forte da Ilha de Dentro

  • Conjunto de fortificações

  • 1588 (DC)


  • Filippo Terzi
    Alexandre Massaii
    João Rodrigues Mouro

  • Filipe II de Espanha

  • Portugal


  • Ruínas Semi-conservadas

  • Proteção Nacional
    O “Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957. O Decreto n.º 735, de 21 de dezembro de 1974, esclarece que a classificação abrange o "Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome, abrangendo o Forte da Ilha de Dentro".





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Setúbal
    Cidade: Sines



  • Lat: 37 -50' 18''N | Lon: 8 47' 28''W




  • 1690 (c.): 5 peças de artilharia antecarga, de alma lisa.






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