Fort of Santa Catarina de Ribamar

Figueira da Foz, Coimbra - Portugal

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O “Forte de Santa Catarina de Ribamar” localiza-se na freguesia de Buarcos e São Julião, concelho de Figueira da Foz, distrito de Coimbra, em Portugal.

Na margem direita da foz do rio Mondego, integrava, com a fortificação de Buarcos e o Fortim dos Palheiros, o sistema defensivo da enseada que se estendia para norte até ao cabo do Mondego, contra os assaltos de corsários e piratas, frequentes neste litoral.

Em seu interior ergue-se o farol de Santa Catarina, um “ex libris” da Figueira da Foz.

História

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), em outubro de 1585 alguns homens “doutos” da Câmara Municipal de Coimbra requereram a Filipe II de Espanha (1580-1598) a construção de um forte, a erguer à entrada da barra do rio Mondego, na área de rochedos conhecida como Monte de Santa Catarina. Em atenção a essa solicitação, as obras terão sido iniciadas algum tempo depois, com recursos oriundos das rendas da vila de Buarcos, da Universidade de Coimbra, do Cabido e do Mosteiro de Santa Cruz.

Em maio de 1602 a costa da Figueira da Foz foi assolada por corsários ingleses sob o comando de Francis Drake, sendo a defesa da costa incapaz de impedir o saque das vilas de Buarcos e da Figueira da Foz. Na ocasião, o Forte de Santa Catarina foi ocupado.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), tendo sido determinado o reforço e modernização das praças do reino pelo Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), a defesa da costa não foi esquecida. Desse modo, em 1643 foram iniciadas obras no Forte de Santa Catarina, vindo a ser aumentada uma das suas cortinas para comportar 15 peças de artilharia.

Em 1680 o forte apresentava ruína, sendo inspecionado pelo Sargento-mor Jerónimo Velho de Azevedo que avaliou a reparação em 600.000 reis. Tendo o Conselho da Fazenda mandado arrematar a obra em hasta pública, não se sabe se chegou a ser feita a reparação. (ROCHA, 1954)

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), quando da 1.ª Invasão Napoleónica, as tropas francesas sob o comando de Jean-Andoche Junot dominaram toda a região entre Coimbra e a Figueira da Foz (15 de março de 1808). O Forte de Santa Catarina foi retomado por um grupo de cerca de duas dezenas de voluntários, estudantes da Universidade de Coimbra sob o comando também estudante, na qualidade de sargento de Artilharia, Bernardo António Zagalo (de Ovar) e do Sargento de Infantaria Inácio Caiola, à frente de algumas centenas de populares, que forçaram a guarnição francesa à rendição (27 de junho de 1808), conduzindo-a sob prisão para Coimbra. O forte foi ocupado em seguida pelas forças do Almirante Charles Cotton que, no comando da esquadra britânica ao largo da costa portuguesa, pôde dessa forma assegurar o desembarque seguro de 13.000 homens sob o comando do general Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, na costa de Lavos, entre 1 e 3 de agosto.

O relatório da inspeção de 1822 à fortificação, pelo coronel Luís Gomes de Carvalho do Nacional e Real Corpo de Engenheiros, faz referência à necessidade de reparações: "Precisa-se levantar os 3 merloens da Bateria, fazerem-se as 8 plataformas da mesma, concertar-se o telhado, paredes, portas e janellas da caza arruinada proxima ao Forte, e fazerem-se as tarimbas".

Em 1888 foi instalado um farol de ferro no centro da fortificação, importante auxílio à navegação na entrada da barra do Mondego, desativado em 1969.

Uma casamata da bateria foi cedida provisoriamente ao Instituto de Socorros a Náufragos (I.S.N.) (4 de julho de 1911). Posteriormente, parte da esplanada anexa ao forte foi arrendada à Direção do Ténis Club Figueirense (1 de julho de 1930).

Em 1957 tiveram lugar obras de acesso e terraplanagem junto ao forte, para construção do futuro molhe norte do porto.

O conjunto do “Forte de Santa Catarina / Farol de Santa Catarina” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 44.075, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 281, de 5 de dezembro de 1961.

Trabalhos de limpeza e iluminação do monumento tiveram lugar em 1964.

Em 1989 procedeu-se a instalação de um campo de voleibol e de minibasquetebol na zona de proteção do forte.

Em 2001 tiveram lugar obras de recuperação do farol, incluindo substituição integral da chapa e dos varandins.

Em 2013 a zona envolvente do forte foi intervencionada com obras de profunda requalificação, recuperando a sua relação com o rio e com a praia, tendo as obras sido inauguradas pelo presidente da Câmara Municipal, João Ataíde (14 de agosto de 2013).

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, implantado no cume de um pequeno outeiro na margem direita da foz do rio Mondego.

Apresenta planta triangular, forma desaconselhada pelos tratadistas por originar um ângulo muito agudo nas faces do baluarte. Esta forma foi aqui adotada, entretanto, face às limitações do terreno irregular onde se ergue. No ângulo norte possui um meio-baluarte e nos outros dois, um baluarte cortado com faces em forma de cauda de andorinha. Conserva duas das bases das antigas cortinas, uma, direita, para norte, e outra, curva, para sul.

Em seu interior, na praça de armas, subsistem pequenas casernas, um farol e a Capela de Santa Catarina de Ribamar. Esta constitui-se em um oratório de planta quadrangular e tipologia maneirista, edificada por volta de 1598, com uma imagem da padroeira datando do século XVIII.

Sobre a portada existe uma placa comemorativa com a seguinte inscrição:

PADRÃO COMME- / MORATIVO DO 1º CENTE- / NARIO DO INICIO DA LUCTA / DOS POVOS DESTE CONCE- / LHO CONTRA O JUGO NAPO- / LEONICO, OS QUAES, SOB O COM- / MANDO DO ACADEMICO BER / NARDO ANTONIO ZAGALO E / ASSOCIADOS AOS VOLUN- / TARIOS ACADEMICOS E AOS / POVOS DE MONTEMOR E TEN- / TUGAL PUZERAM CERCO / A ESTE FORTE NO DIA 26 / DE JUNHO, OBRIGANDO-O A / RENDER-SE NO DIA SEGUIN- / TE / MANDADO FAZER PELA / COMMISSÃO ADMINISTRA-/ TIVA / FIGUEIRA DA FOZ 26-6-908 / A COMMISSÃO ADMINISTRATIVA

Bibliografia

CORREIA, Vergílio; GONÇALVES, A. Nogueira. Inventário Artístico de Portugal, Concelho de Coimbra. Lisboa, 1953.

LARCHER, Jorge das Neves. Castelos de Portugal. Coimbra, 1935.

ROCHA, António dos Santos. Materiais para a História da Figueira. Figueira da Foz, 1954.



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Contribution

Updated at 04/02/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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    O conjunto do “Forte de Santa Catarina / Farol de Santa Catarina” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 44.075, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 281, de 5 de dezembro de 1961.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Coimbra
    City: Figueira da Foz

    Praça Luís Albuquerque
    3080-086 - Figueira da Foz, Portugal


  • Lat: 40 -9' 8''N | Lon: 8 51' 59''W










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